Há um trecho de “Alice no País das Maravilhas” que traz uma lição interessantíssima sobre nossas escolhas e a responsabilidade que temos sobre nosso próprio destino. Gosto muito desta lição e gostaria de compartilhá-la com os leitores do Pensar Não Dói.

Não tenho aqui o livro para copiar as palavras exatas, então vou apresentar a estrutura e a lógica do diálogo entre Alice e o Gato segundo a memória que tenho de um desenho animado. Foi assim:

Alice perguntou para o Gato:

– Pode me dizer que caminho devo seguir?

O Gato falou:

– Isso depende muito de onde você quer chegar.

Alice disse:

– Oh, qualquer lugar serve.

E o Gato respondeu:

– Então, qualquer caminho serve.

E sumiu.

Alice não sabia o que queria – e esperava que alguém assumisse a responsabilidade de decidir o que seria melhor para ela.

Quando o Gato simplesmente não assume essa responsabilidade, Alice fica furiosa com isso, mas será essa uma expectativa razoável?

A culpa de ter continuado perdida é exclusivamente de Alice: ninguém pode nos ajudar a escolher um caminho se não sabemos onde queremos chegar.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 31/08/2011

17 thoughts on “Alice e o Gato – uma lição para a vida

  1. Absoluta verdade condensada em um trecho de texto.

    1. Eu sabia que tu gostarias disso. 🙂

    2. kkkkkkkkkkkkkkkk

    3. Tô pegando o jeito. 🙂

  2. Maiko Gabriel Kinzel Engelke

    31/08/2011 — 13:19

    Até lembrei agora. Lembro quando li o livro que as vezes a própria Alice podia ser um tanto má educada quando ignorada.

    1. Bá, disso eu não lembro. Mas não chega a ser espantoso, porque ela era retratada como uma menina comum, não uma super-heroína.

    2. Maiko Gabriel Kinzel Engelke

      01/09/2011 — 10:51

      Não lembro muito bem, pois faz muito tempo que li, mas tenho a impressão que ela foi mais ou menos assim também com a lagarta, pois esta não respondia o que ela perguntava.

      Humpty Dumpty era outro enigmático mas confesso não lembrar com detalhes o relacionamento que teve com ela, com exceção de que ela ficava confusa com ele.

      E tenho a impressão que em alguma parte ela foi desrepeitosa porque a outra parte era idosa, problema é que não lembro se foi ela ou se foi outro, naquela parte em que um Grifo (Não lembro do animal, mas lembro que tinha asas e tinha 4 patas), levou ela pra escutar a história de outra criatura, que eu não lembro o que era (Tenho a impressão que era um cágado, mas como eu li em inglês, não lembro pela palavra em português)

  3. Um mestre zen me disse uma vez isso. Só me pergunte quando souber qual a resposta que você quer.

    1. O pessoal do zen é doido. Zen-noção. 🙂

      Conheces o Thich Nhat Hanh? Curto muito a noção de “budismo engajado” dele. E acredito que ele concordaria com o “Sutra da Alice e do Gato”. 😀

  4. E o legal é que quando o Cheshire Cat diz ‘qualquer caminho serve’, Alice retruca: ‘Contanto que você chegue em algum lugar.’. Aí ele emenda: ‘Você sempre vai chegar em algum lugar se ficar no caminho tempo suficiente…’ 🙂
    Lewis Carroll tinha umas tiradas que eu vou te contar!
    abr.

    1. Hmmm… não consigo lembrar desta cena, acho que o desenho que assisti não a incluía. É o mal de assistir o filme ao invés de ler o livro. Os fãs de Harry Potter que o digam!

  5. “Alice não sabia o que queria – e esperava que alguém assumisse a responsabilidade de decidir o que seria melhor para ela. Quando o Gato simplesmente não assume essa responsabilidade, Alice fica furiosa com isso, mas será essa uma expectativa razoável?”

    A frase e’ curta mas cheia de sabedoria, assim como a frase lembrada por Monica em seu comentario.

    `As vezes a pessoa simplesmente nao consegue lidar com a responsabilidade de tomar as redeas de sua propria vida, e depois talvez se arrepender, mais adiante. Entao, espera que terceiros definam os caminhos para si. Uma maneira comum de utilizar este mecanismo e’ “dar tempo ao tempo”. Sim que dar tempo ao tempo seja uma opcao muitas vezes bastante sabia. Mas `as vezes, dar tempo ao tempo significa deixar passar todas as opcoes (que necessitariam de autoria e acao), ate’ um ponto em que NAO HAJA MAIS ALTERNATIVAS. “Bom, ja’ que o tempo passou, agora so’ me resta tal e tal.” Fico tranquilito no mas, “deixei a vida decidir por mim”, se nao der certo, “eu nao tive outra opcao, paciencia. Remediado esta’. ”

    A conduta passiva (deixa a onda me levar, deixa o tempo resolver, ou “gato que me mostre o caminho”) tende, na maior parte das vezes, a ser relativamente segura, pois afinal de contas, “se voce ficar naquele caminho por tempo suficiente, vai chegar a algum lugar”.

    O problema e’ que nem sempre a conduta passiva e’ a mais prazerosa (sem contexto sexual, kkk), pois ela pode encobrir seus sonhos e desejos, e te privar da oportunidade de te-los experimentado. Isto tem uma potencialidade enorme para gerar frustracao. Frustracao porque quando viu, estava no fim do caminho que era lugar comum, mesmo sem ter sabido qual era mesmo o teu sonho. Se sabia qual era o sonho, piorou, porque foi consciente a cada passo daquele caminho que nao escolheste.

    Por esta razao, eu tento ao maximo ser ativa nas minhas escolhas. Nao sem estresse (posso falar disso tb, se for o caso). Quando da’ errado, fui em quem escolhi o caminho, ninguem mais pode ser responsabilizado. Eu assumo a responsabilidade. Eu gosto de chamar isso de “risco calculado”.

    Mas tambem quando da’ certo…simplesmente nao tem explicacao. A gente se fortalece, amadurece, se apaixona. E’ uma felicidade saltitante que nao cabe em si, e um sentimento de capacidade e de seguranca.

    O meu segredo e’ ir fazendo o meu caminho ao longo de pequenos sub-caminhos, curtinhos, para dar opcao de troca. Eu nunca busco um caminho sem saida, pois a possibilidade de insucesso ‘e real, sempre. Assim eu continuo buscando sempre caminhos novos.

    Buscar caminhos nao tem idade.

    1. Eu deixei a vida me levar por mais de uma década… uma década totalmente perdida. Nunca mais farei essa besteira. Sinceramente, hoje prefiro dizer: “é pra lá que eu vou” e queimar as pontes atrás de mim, pra ter certeza que não vou desistir no meio do caminho.

      Claro, “risco calculado” são as palavras-chave na hora de queimar pontes também. 😉

  6. Ah, mas Alice é o tipo de livro que merece ser lido e não apenas ‘visto’… Adoro a animação da Disney e mesmo a recente versão do Tim Burton, mas as tiradas do Chapeleiro e do Gato são infinitamente mais interessantes no papel! 🙂
    Aqui o trechinho, que eu traduzi do original:
    http://cronicasurbanas.wordpress.com/2009/03/31/qualquer-caminho/

    1. Hmmm… mesmo trecho postado com cinco meses de diferença?

      Pô, a Mônica me plagiou por antecipação! 😛

  7. 5 meses + 2 anos, a minha postagem é de 2009… 😛

  8. Caminhos serenos, infinitos viveremos. Já sabem da harmonia ?

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