Algum “politicamente correto” aí educou e deu orientações desde cedo para suas crianças levando em consideração a possibilidade de no futuro seu filho se descobrir gay ou de sua filha se descobrir lésbica?

Não? Então, não torra.

Ensinar a respeitar a diversidade, ótimo.

Mimimimimi heteronormatividade blá-blá-blá Whiskas Sachê, hipocrisia.

Para ser “contra a heteronormatividade” um pai e uma mãe “politicamente corretos” não podem partir do princípio que seus filhos e filhas serão heterossexuais, devendo portanto dar uma educação que contemple todas as possibilidades de orientação sexual para que seus filhos e filhas, quando se descobrirem desta ou daquela orientação sexual, tenham recebido igual oportunidade e igual aconselhamento, sejam heterossexuais ou homossexuais.

– Olha, meu filho, se você for hetero, não vá correr o risco de engravidar uma menininha transando sem camisinha, viu? E a camisinha não serve só para prevenir a gravidez, não, ela também protege contra doenças sexualmente transmissíveis.

– Olha, meu filho, se você for gay, não vá brincar de trenzinho sem camisinha nas dark rooms das boates LGBTs, hein? Fazer sexo anal passivo desprotegido é a forma mais fácil de contrair o HIV, mas o homossexual ativo também corre um grande risco, e isso vale para todas as doenças sexualmente transmissíveis.

– Olha, minha filha, se você for hetero, vá com sua mãe ao ginecologista para escolher uma pílula anticoncepcional adequada para você, certo? Mas não esqueça que engravidar na adolescência nem é o maior perigo, use camisinha para se proteger de doenças sexualmente transmissíveis.

– Olha, minha filha, se você for lésbica, não precisa enrolar meia dentro da (calcinha) cueca pra parecer que tem pinto, viu? E use sempre camisinhas para penetrar suas parceiras com os dedos, ou para ser penetrada por elas, e troque sempre a camisinha do vibrador antes de trocá-lo de vagina, porque você também precisa se proteger de doenças sexualmente transmissíveis.

Se os “politicamente corretos” não fazem isso quando se tornam pais e mães e mesmo assim bradam contra “heteronormatividade”, então estão sendo hipócritas, porque partem da norma heterossexual para educar seus filhos como qualquer um outro faz.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 08/09/2011

12 thoughts on “Uma perguntinha sobre “heteronormatividade”

  1. Juro que não entendi sua ideia…

    mas gostaria muito de entender porque cargas d’água os “politicamente corretos” teriam que dar essas informações tão “variadas” aos filhos…

    acha mesmo que educação sexual se resume a isso?

    acha mesmo que educar um filho se resume a isso?

    1. “Juro que não entendi sua ideia”. (Rita)

      Percebi. 🙂 Afinal de contas, o que eu disse nem de longe permite pressupor que educação sexual se resuma a apresentar as informações que citei e muito menos que educar um filho se resume em dar-lhe educação sexual.

      Mas tudo bem, eu explico de novo: a questão aqui é desmascarar uma atitude hipócrita de gente que vive enchendo o saco dos outros com recriminações acerca da atitude destes outros em relação à homossexualidade, mas que na hora de educar os próprios filhos não faz absolutamente nada diferente do que todos os outros fazem.

      Essas pessoas – os PCs – partem da mesmíssima premissa da norma heterossexual e ignoram totalmente a possibilidade de seus filhos virem a ser gays e de suas filhas virem a ser lésbicas, apresentando a eles uma educação totalmente centrada no desenvolvimento da heterossexualidade – isso quando dão alguma educação sexual ao invés de apenas ditar regras.

      Se isso não é hipocrisia, então é o quê?

  2. Se os “politicamente corretos” não fazem isso quando se tornam pais e mães e mesmo assim bradam contra “heteronormatividade”, então estão sendo hipócritas, porque partem da norma heterossexual para educar seus filhos como qualquer um outro faz.

    são os “politicamente coretos que bradam contra a heteronormatividade?

    eu nunca vi nenhum desses falando que ser hétero é errado… vc. já viu?

    Mas não são os reacionários que ADORAM definir como o outro deve viver e o que deve fazer?
    esses sim bradam a plenos pulmões contra os homos…

    por favor não inverta as coisas
    esse tipo de olhar míope e vesgo só faz mal à todos

    1. Peraí… como é que a mesma pessoa que disse “Juro que não entendi sua ideia” cinco minutos antes diz agora que “esse tipo de olhar míope e vesgo só faz mal à todos”?

      Quer dizer que estás criticando o que não entendeste?

      Hmmm… é, isso está claro pela tua contra-argumentação.

      Tá bom. Avisa quando tiveres entendido, depois de leres de novo o artigo e a explicaçãozinha anterior, que a gente retoma o diálogo.

  3. Arthur, eu entendi a sua idéia e concordo…mas é difícil manter essa postura rigidamente coerente em tudo na vida, né? Acredito q é um exercício…mts vezes falamos com mt eloquencia sobre coisas e falhamos ao praticá-las. Em especial, em se tratanto de pais e mães, acredito que eles pensem q podem influenciar o filho a algo, adotando um discurso mais liberal. Por isso, acredito muito no aumento do grau de informação das pessoas como fio condutor de uma mudança na forma como todo e qualquer tipo de discriminação é tratado.

    1. “acredito que eles pensem q podem influenciar o filho a algo, adotando um discurso mais liberal”

      Bem, primeiro vamos traduzir esse “influenciar o filho algo”: significa “influenciar o filho a virar gay”.

      Aí eu pergunto: ué, mas qual é o problema de ter um filho gay para um “politicamente correto” que brada contra a heteronormatividade?

      Se não há problema algum, ele não deveria se preocupar com isso, e sim em preparar o filho para a vida, seja qual for a sexualdiade que ele manifestar no futuro.

      E, se há algum problema, então ele deveria assumir que é melhor ser heterossexual e para de dar discurso hipócrita contra a tal “heteronormatividade”.

      Eu me esforço para agir de modo coerente com o que penso. O mínimo que eu espero de quem critica os outros é que faça primeiro essa lição de casa. 😉

    2. Sim, eu concordo plenamente e acredito mesmo que alinhar o q defendemos e o q praticamos é um desafio. Só pontuei isso porque, nesse caso em especial, você envolveu o tema pais e filhos. Eu tive exemplos muito próximos de pais de amigos que eram super liberais até descobrirem que os próprios filhos são gays. Eu não sou mãe, então é um sentimento que não consigo tocar…mas acredito que para pais, seja ainda um desafio maior…pq entra um componente quase irracional. É aquela velha história…pimenta no olho do outro…defender o filho do vizinho é mole!

    3. Eu ainda não sou pai, mas basta resolver um “pequeno detalhe” e pretendo ter filhos. (Pequeno detalhe = encontrar a mulher certa para ser a mãe dos meus filhos.) Mas tenho certeza que orientação sexual jamais seria uma barreira entre eu emeus filhos ou filhas. mau caratismo da parte deles, talvez. Mas orientação sexual, jamais.

    4. Assino embaixo!

  4. Nao consigo ver diferença entre a educaçao sexual para heteros e para homos que vc mencionou. Me explico: se entendi direito, a essencia das tuas explicaçoes sobre sexo para um filho(a), seja hetero ou homo, homem ou mulher, è que a gravidez è um problema, mas nao è o pior deles, e que a camisinha deve ser sempre usada para se evitar doenças.

    Partindo desse pressuposto, acredito que basta mudar um pouco a maneira de expor o assunto para que a “educaçao contemple todas as formas de orientaçao sexual” e ainda nao exclua todas as formas de amar para ambos os sexos, afinal sexo anal nao è exclusividade de gays e vibradores nao sao exclusividade de lesbicas:

    – Filho(a), se vc fizer sexo sem camisinha, uma gravidez indesejada pode arruinar o teu futuro, mas esse nao è o maior dos problemas. Sem a camisinha vc pode contrair varias DSTs, inclusive HIV, e essas doenças nao escolhem o modo como o sexo è praticado para serem contraidas, basta que a pessoa com que vc se relacione esteja doente. Entao a proteçao deve existir sempre: em sexo vaginal, anal, oral e atè mesmo no uso de brinquedos ou jogos eroticos que envolvam algum tipo de penetraçao.

    Imagino que, dessa forma, alem de evitar a hipocrisia na hora de educar os filhos, ainda se contribui para eliminar “tabus heterossexuais” como sexo anal e uso de brinquedos eroticos, criando individuos bem resolvidos com a propria sexualidade, seja ela qual for.

    1. Não, Lídia, os exemplos citados são apenas exemplos escolhidos ao acaso, não são necessariamente os mais importantes, nem os menos importantes. O fundamental é que os “PCs” deveriam ser coerentes com seu discurso, prevendo a possibilidde de que seus filhos sejam gays e suas filhas sejam lésbicas, dando portanto uma educação que contemple essa possibilidade, mas não o fazem. Eles educam seus filhos e filhas como se tivessem a ceteza de que serão heterossexuais, o que pode não ser o caso… e nesse caso não há vantagem alguma, do ponto de vista da educação, de ser filho ou filha de um PC ao invés de um conservador qualquer ou mesmo de um homofóbico. O preparo para enfrentar as vicissitudes próprias da homossexualidade será rigorosamente o mesmo: zero.

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