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A hiperatividade detonou o artigo de hoje

A hiperatividade não é exclusiva da infância, nem uma coisa que acontece de vez em quando com o adulto. A hiperatividade está sempre presente, é uma característica constitutiva e inescapável da pessoa, e de vez em quando ela nos prega umas peças – algumas tão interessantes quanto o duplo sentido do título deste artigo.

Comecei a escrever um artigo na última quinta-feira, com intenção de publicá-lo hoje. Para mim o assunto do tal artigo entusiasmante, então eu entrei em hiperfoco e passei a toda a tarde de quinta-feira, a tarde de sexta-feira, a noite de sexta-feira, a madrugada de sábado e a tarde de sábado escrevendo. Escrevendo. Escrevendo. Escrevendo. O texto já está com umas quinze páginas e eu ainda não cheguei nem na metade do planejado.

Mesmo que eu pudesse terminar o artigo ainda hoje, o que é inviável, não seria razoável publicar um artigo com mais de trinta páginas no blog. Eu teria que resumir o material, o que levaria no mímino o triplo do tempo necessário para escrever o artigo original. A síntese é uma arte muito mais exigente em termos de tempo e de esforço do que a comunicação prolixa. Acreditem se quiserem, mas é muito mais fácil e muito mais rápido transmitir uma mesma informação complexa em trinta linhas do que em três.

Além da absoluta impossibilidade de realizar esta imensa tarefa em tempo, ainda haveria o seguinte problema: sendo eu hiperativo, a tendência seria que, estando em hiperfoco, eu começasse a corrigir o texto original ao invés de apenas resumi-lo, porque não existe isso de um hiperativo dar “só uma arrumadinha” num texto, cada nova versão é revista, ampliada e modificada tão profundamente que acaba constituindo um texto novo.

Portanto, pessoal, hoje vocês ficam com este relato sobre uma das grandes dificuldades dos hiperativos: terminar tarefas em um prazo determinado. A gente até tenta, mas paradoxalmente só consegue fazer isso quando a tarefa é maçante. Quando a tarefa é entusiasmante, um hiperativo não larga o osso enquanto o resultado não estiver a contento – no presente caso, não largo o osso enquanto o artigo não virar livro.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 10/09/2011

19 comments to A hiperatividade detonou o artigo de hoje

  • Elvis

    Poxa, se você pretende publicar o texto que seria um artigo mas tornou-se muito extenso, tenha a delicadeza, por favor, de disponibilizá-lo gratuitamente. Minha curiosidade aliada à indisposição a gastar dinheiro agradeceriam.

    • Hmmm… bem, Elvis, tem o outro lado da moeda: o artigo começou como uma simples opinião, como é comum na blogosfera, e acabou virando um “livro de recitas”, vamos dizer assim. A estrutura lógica dele está definida, mas ainda vai requerer algumas dezenas de horas de pesquisa e de redação cuidadosas, porque agora o projeto assumiu um outro nível de importância. Não achas que nesta situação é justo que o escritor lance seu trabalho no mercado de modo a buscar uma remuneração pelo extenso trabalho de pesquisa e organização de dados que ele oferecerá prontinho, bonitinho e útil para o leitor?

    • Pelo menos o Arthur venda baratinho, coisa de 5 reais o livro!

    • Raios, Félix, os livros mais baratos da L&PM, nas lojas de conveniência dos postos de gasolina, custam R$ 12,50!

  • Teles

    Qual a diferença entre hiperativo e perfeccionista?

    • A hiperatividade é uma condição orgânica que independe da personalidade. Sabe-se que os hiperativos possuem uma atividade aumentada de uma região específica do sistema nervoso central, o tronco cerebral, e que isso universalmente se reflete em algumas características como impulsividade e oscilação entre déficit de atenção e hiperfoco (comportamento “Professor Pardal”), gerando alguns comportamentos padrão como distração, desorganização e dificuldade de completar tarefas.

      Eu sou uma exceção: eu adoro ser hiperativo! Gosto de ser assim, curto ser assim, abomino ser criticado por ser assim. Vejo a hiperatividade como uma bênção. Se for eleito deputado, vou propor a criação do “Dia do Orgulho Hiperativo”. Mas bem podes imaginar que o conjunto de características que eu citei não é dos mais apreciados nem pelos próprios hiperativos, nem pelas pessoas que convivem com eles, o que faz da vida do hiperativo um exercício constante de conflito e frustração se o sujeito não aprende a lidar bem com a coisa.

      Já o perfeccionismo é uma característica de personalidade. Trata-se de uma tendência de ser muito exigente em relação ao próprio desempenho e à qualidade dos resultados de suas atividades, podendo também ser estendido aos outros na forma de cobranças. Apesar de parecer positivo quando descrito desta maneira, na verdade o perfeccionismo quase sempre é prejudicial.

      O indivíduo perfeccionista em geral vive submerso em insatisfação e gera conflitos em suas relações sociais e laborais em função do nível excessivo de exigência. É aquele cara que faz toda a família chegar atrasada num casamento porque tinha que fazer, desfazer e refazer dez, quinze, vinte vezes o nó da gravata até ficar quase perfeito, porque ele ainda vai reclamar do maldito nó durante todo o caminho e até durante a cerimônia.

      Não confundir o perfeccionista com o sujeito com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). O perfeccionista do exemplo acima, se for chamado à razão com a frase “não adianta chegar no local da cerimônia com um nó perfeito na gravata se todo mundo já tiver ido embora”, ficará contrariado mas cederá ao chamado da razão. O obsessivo-compulsivo não conseguiria fazer isso, ele ficaria na frente do espelho até que o nó ficasse como ele precisa, mesmo que ele perdesse a cerimônia, perdesse a festa e brigasse com todo mundo.

  • Leandro

    Oi Arthur, você já escreveu algum livro? Se ainda não, você deveria aproveitar essa sua característica para ganhar dinheiro.
    E, respondendo ao Teles, o perfeccionista nunca escreveria tão rápido ou até mesmo não escreveria nada por achar que o seu texto nunca está bom o suficiente.

    • Eu comecei a escrever uns quatro livros, mas fui perfeccionista… e não terminei nenhum, porque nunca achava que estavam bons o suficiente. Deixei os projetos de lado para avaliá-los com maior frieza um tempo depois, e aí a hiperatividade fez a sacanagem dela e não retomei os projetos. Humpf.

      Do sete de setembro para cá, porém, parece que “caiu a ficha” (aos 42 anos, já era hora) a respeito da importância da disciplina. Só que eu ainda não estou bem treinado nisso, haja vista o que aconteceu com o artigo iniciado na quinta-feira… :P

  • paula

    vou estar esperando pela obra,interessadissima em conhece-la.

    Sugestoes de uma perfeccionista que se aproveita disso para ser reconhecida em seu campo de trabalho:

    (1) MARCA UMA DATA PARA CONCLUSAO. Por exemplo, marca reuniao com editoras e aquela data ‘e a deadline. Depois da reuniao, outras tarefas vao aparecer. Vai marcando datas. Sao tuas dead-lines. Nao pode trapacear.

    (2) TERMINA O TRABALHO NA DATA ESTIPULADA. Nao existe trabalho perfeito, existe momento perfeito. O livro passa, a vida passa, tu amadureces, o mundo muda, a discussao proposta pelo livro precisa ser atualizada? ok, este ‘e um OUTRO LIVRO.

    Sucesso!

    • Vou avisar aqui no blog, é claro. E no Twitter. E no Facebook. E no Orkut. :)

      Agora… marcar uma data para a conclusão… justamente do primeiro livro… ó, céus, não dá pra mandar eu fazer algo mais fácil? Tipo assim dar uma surra no Myke Tyson e ganhar uma partida de xadrez do Gary Kasparov no mesmo dia?

      Uma coisa que eu já percebi é que, por enquanto, o blog tem sido extremamente positivo, mas daqui a algum tempo, quando eu entrar definitivamente na rotina de empresário, vai ficar muito complicado blogar com a mesma regularidade de hoje…

  • Elvis

    Eu vou acabar comprando isso, hahahaahha. Não tem como você dar alguma introdução por hora sobre o tema? Os artigos do blog vão parar? Você vai escrever um artigo sobre o sistema mais eficiente ou justo de produção econômica, que você disse ser capaz de inventar em algumas horas? Queria ler esse ahshasha.

    • Por enquanto eu não quero abrir o jogo sobre o assunto deste livro, Elvis, porque eu estou com dois projetos andando simultaneamente. Se eu terminar primeiro o outro (que está bem mais adiantado), vão me cobrar este. Sabendo disso, eu vou ficar amarrado neste, o que vai transformá-lo em tarefa obrigatória ao invés de curtição. E aí, como bom hiperativo, minha motivação vai diminuir horrores, tornando a tarefa desagradável e diminuindo ainda mais suas chances de vir a público.

      Pode parecer frescura para quem não é hiperativo, mas, como eu me conheço bem, preciso tomar cuidado com estas pequenas armadilhas.

  • Paula

    Abrir duas frentes simultaneas nao e’ uma boa ideia.
    Marca a data.

    • Eu sei, Paulinha, mas há dias em que dá mais vontade de tocar um projeto, há dias em que dá mais vontade tocar o outro… Eu não sei como é para quem não é hiperativo, mas se eu tentar tocar o projeto A no dia em que estou inspirado para tocar o projeto B, nem um projeto, nem o outro vão andar bem. Eu vou ficar me esforçando para me concentrar no assunto do projeto A e no entanto umas vinte vezes por hora vou me pegar pensando no assunto do projeto B.

      Eu tomei uma decisão neste último sete de setembro: eu vou me tornar mais disciplinado, mas não vou mais tentar usar a disciplina contra a minha natureza. Uma coisa é me certificar que o dia será produtivo, outra coisa é tentar produzir numa área em que não estou motivado.

      Hiperativos produzem melhor quando estão motivados, então vou tentar fazer as coisas da segunte maneira: conforme a motivação do dia, vou adiantar OU um projeto, OU outro. No final das contas, se eu precisar de um ano para completar um projeto e um ano para completar o outro, pode ser que eu não complete nada em 23 meses, mas no 24° completarei ambos.os projetos. O único problema dessa lógica é limitar o número de projetos a um volume razoável para que não fiquem todos pendurados para sempre…

    • Paula

      Ter ideias importantes para o projeto A quando se esta’ trabalhando no B e’ muito natural. Eventos neurologicos que tornam claras solucoes para um problema com frequencia sao uteis para projetos colaterais. O problema de todo ou mundo e’ nao se deixar levar pela excitacao mental que a sensacao “eureka” provoca mesmo sendo relativa ao projeto colateral.
      Pelo que vejo nos teus blogs tu gostas de ser movido pelo “eureka”. Eu tambem. Gosto tanto que fiz disso profissao.
      A saida para estas distracoes prazerosas e’ ter prazo. Assim, PARA CUMPRIR O PRAZO mantens o foco no projeto A. Isso nao quer dizer que a inspiracao para B va para o lixo. Nao, em local adequado e de facil acesso, a inspiracao e’ salva ou apontada, uma frase ou paragrafo. Eu guardo no rascunho do editor de texto, como comentario. Assim nao se perde o lampejo. E’ funciona pois quando estou no projeto B, ao ler o comentario vem tudo a tonal.
      O motivo pelo qual existe resistencia a colocar prazo, e’ que muita gente gosta demais do durante, e tem receio de concluir a coisa.

    • “muita gente gosta demais do durante, e tem receio de concluir a coisa”

      Parecido com o sexo, isso. :-P

      Mas é verdade, tem gente que “prefere” permanecer “tocando um projeto” por muito mais tempo do que seria adequado ou razoável para o tal projeto porque tem medo do resultado. Isso para mim é patológico, sintoma no mínimo de baixa auto-estima e auto-confiança. Não caio nessa.

      Os meus “rascunhos de lampejos” ficam no celular. Eu tive um celular roubado e perdi praticamente um livro lá dentro. Meses e meses de insights valiosos destruídos pra um FDP trocar por quatro pedras de crack e fumar em uma hora.

  • paula

    kkkkk, concluo que se nao existisse o crack, estariamos nos deleitando com teu livro…
    sim, voces sabem bem que eu sou contra entorpecentes, mas este debate pertence a outro artigo.

    voltando:
    um jeito de colocar o pensamento no telefone e nao perde-lo com o telefone, e’ criar uma mensagem ou um contato com estas informacoes, de tal forma que quando o servidor se atualiza, a mensagem com as informacoes relevantes ficam resguardadas de assaltantes de celular.

    “muita gente gosta demais do durante, e tem receio de concluir a coisa”…sim medo do resultado e’ uma. Mas tb tem gente que recebe seu ordenado ou pagamento pelo durante, e quando concluido o projeto, acabou-se. Ai’ tem que se gastar para pensar em outro projeto, competir pelo financiamento, etc.

    A maneira de acabar com isso, e’ criando prazo. A bolsa de estudos vale de tanto a tanto, e acabou-se, defenda ou nao defenda a tese. O dinheiro para o viaduto vai de tanto a tanto, e acabou-se, o resto ‘e por conta da empreiteira. Se nao concluir a obra, devolve o dinheiro publico. O Editor espera meu primeiro rascunho dia tal. Se nao entregar, o cara vai achar que sou um descompromissado…Enfim, no dia tal, concluido ou nao concluido, acabou-se.

    Entao, quem prefere nao concluir (de novo, por questoes economicas, de credo, de marra, de manha, de inseguranca, qualquer que seja a razao), acaba tendo que se converter em cumpridor de tarefas, pois um curriculo de obras inacabadas ‘e horrivel. Melhor ter um curriculo de iniciante. Mas tb nao da’ para ser iniciante por toda a vida, pois ser iniciante fora de epoca tb soa estranho, pode ser que o cara seja tao obscessivo que nao consiga nunca iniciar nada, e por conseguinte, nunca terminara’ nada. As pessoas tem lindas ideias, sao criativas, romanticas. Se as ideias nao virarem um produto, um bem, um novo jeito de fazer as coisas, elas se perdem com o vento, ate’ outro chegar e ter a mesma ideia. As ideias se imortalizam quando se transformam em algo de util.

    A tua hiperatividade deve ser canalizada e usada em teu favor. Quanta gente se droga para ficar hiperativo e se sentir capaz? Tu nao precisas disso.

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