Se eu disser que vou derrubar uma parede com a cabeça, no dia seguinte você encontrará OU a parede no chão, derrubada a cabeçadas, OU a mim no chão, morto com traumatismo craniano.

Estávamos discutindo relacionamentos em uma comunidade do Orkut e o papo passou a ser a questão da fidelidade. Alguém disse que “acha muito pesado o uso da palavra ‘traição’ para descrever algo tão gostoso como o sexo” e eu respondi que era ótimo saber desta informação com antecedência, porque isso dá ao outro a chance de pular fora antes de assumir um compromisso e retira do outro a legitimidade de reclamar depois de levar chifres, porque esta sinalização é bem clara.

Lógico que já fui chamado de “radical”. E lá vieram aqueles argumentos do tipo “não se pode dizer ‘desta água não beberei'” e similares.

Então eu defendi a seguinte tese:

Comigo é mais simples. Eu digo “desta água não beberei” com toda a tranqüilidade. Tenho 42 anos e nunca tive problemas em manter os acordos estabelecidos em qualquer relacionamento. Chamo para a conversa, definimos juntos o que pode e o que não pode – e cumprimos. Simples assim.

Quando um dos dois achar que o acordo precisa ser reavaliado, chame uma conversa. É o famoso DR (Discutir Relação), que não me incomoda nem um pouco. Mas a conversa tem que acontecer antes da tomada de qualquer decisão unilateral.

Digamos o seguinte: nós nos apaixonamos e começamos a namorar. Estabelecemos um acordo de fidelidade tradicional. Dá certo por dez anos e então eu me apaixono por outra mulher.

Putz. Que raios eu vou fazer? 1) Enfeitar tua cabeça ou 2) conversar contigo primeiro, explicar o que aconteceu e romper o relacionamento antes de violar o acordo de fidelidade que estabelecemos?

Para mim a decisão é simples: a ética EXIGE esta segunda opção e é isso que eu vou fazer, mesmo que no dia seguinte descubra que a outra era apenas um sonho de verão.

Minha interlocutora no debate concordou comigo e acrescentou a seguinte consideração:

E aí ainda poderá ter uma possibilidade de volta e mais forte!!!

E a minha resposta foi:

No que diz respeito à ética e à confiança, sem dúvida qualquer retorno fica muito mais fácil assim, e com muito maior chance de dar certo. Minha dúvida é quanto aos sentimentos, mas aí creio que não dá para generalizar, na área sentimental cada caso é um caso.

Portanto, final feliz no debate. E acho até que ficou a impressão que eu “não sou tão radical assim”. Mas não é nada disso, gente. Eu sou radical. O que eu não sou é intolerante.

Radicalidade e intolerância são coisas bem diferentes, certo?

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 14/09/2011

37 thoughts on “Sim, eu sou radical

  1. Outra coisa é esse lance de se apaixonar por outra. Dificilmente ocorre assim do nada. Se eu sou casado e não estou mais no mercado, para que dar mole? Se eu ficar procurando é possível que eu encontre uma mulher que aparentemente (ou não) seja mais interessante que minha mulher e que eventualmente queira alguma coisa comigo. Então é melhor evitar situações que possam fugir do controle.

    1. É, tipo, quem não quer se queimar não devia fazer malabarismo com malabares em chamas, né?

  2. É o que eu disse a uma amiga ontem. Já tive um casamento de 8 anos desfeito por causa de uma traição (não vinda de mim), e isso me ensinou muita coisa, como ser mais presente, não confundir discussão de relação com briga, evitar discutir qualquer coisa quando uma das partes está agressiva, dentre outras coisas. Com minha noiva, já acertei inclusive inúmeros acordos para quando casarmos, como uma educação laica para nossos filhos (apesar de ambos sermos budistas, mas de escolas distintas), decidir ANTES DE CASAR se a conta será conjunta ou separada, respeito a meus espaços e momentos (como sou artista, tenho meus momentos de isolamento criativo) e controlar o ciúme (afinal, em torno de 50% das minhas amizades são mulheres, e em torno de 10% são gays).

    Outra coisa é a fidelidade e a permanência. Avisei que, enquanto estamos namorando, serei sempre fiel. Não posso controlar o que outras mulheres querem comigo, mas apenas o que eu quero com elas. Nisso, sou bastante controlado. Disse que queria casar se e somente se ela tivesse a plena certeza de que estava preparada e de que a pessoa certa para ela sou eu, afinal, passei 8 anos com a pessoa errada, que só percebeu que eu não era a pessoa certa pra ela depois de 8 anos.

    Dou muito valor ao compromisso. Para mim, coisa acertada é coisa acertada, e qualquer problema que envolva os dois (ou mais, caso haja algum filho) deve tentar ser superado, sendo a separação apenas o último recurso (ou para o caso de a convivência tornar-se realmente impossível).

    Bom, até hoje isso nunca me deu problemas. Rompi um noivado e vários namoros por ter percebido pouco preparo ou compromisso por parte da outra parte, e minha noiva atual está ciente de tudo isso.

    1. Sabe o que é, Félix… hoje em dia é “careta” assumir compromissos, é considerado “limitador” demais, atenta contra a “liberdade” de cada um, porque “ninguém é propriedade de ninguém”.

      Quer dizer, as pessoas colocam a culpa de sua incapacidade de estabelecer um relacionamento sincero e profundo, com todas as cartas na mesa, em uma ideologia de época… ridículo.

  3. Arthur, eu procuro manter a mesma conduta que você no meu namoro e na minha vida. Para mim, acordo feito é acordo cumprido, e gosto de negociar tudo com antecedência. Tenho 18 anos, e reconheço que não sou um expert afetivo. É da minha índole, entretanto, manter e exigir rigor no que se estabelece.

    Porém, eu não acho traição algo condenável ou que deve ser evitado a qualquer custo. Eu não trairia minha namorada. Acredito que em outros relacionamentos, traição pode não ser algo tão prejudicial. Ou ainda, acho que algumas pessoas não tem porque deixar de fazer isso. Se alguém quer trair, deve ponderar os prós e os contras, como lidaria com uma situação similar se os papéis fossem invertidos, e se achar que compensa, investir no affair.

    1. Duas coisas, Elvis:

      1. Quem trai uma namorada é uma pessoa que trai, quem trai um amigo é uma pessoa que trai, quem trai um cliente é uma pessoa que trai, quem trai um fornecedor é uma pessoa que trai, quem trai um funcionário é uma pessoa que trai, quem trai um eleitor é uma pessoa que trai, quem trai é uma pessoa que trai. E pessoas que traem não são confiáveis. Um dia elas podem trair A, outro dia elas podem trair B.

      2. A ética não pode ser derivada de uma avaliação de custo/benefício. Se for assim, então não é ética, é conveniência. É aquela coisa: se não tem ningué olhando, nem câmeras filmando, e a lata de lixo mais próxima não está nem sequer visível no horizonte, a gente deve ou não deve jogar o papel da bala no chão?

  4. Arthur e Felix. Se eu não fosse casado, e se vocês fossem gays eu me apaixonaria por vocês. (Por um ou outro, obviamente, rs) Que legal ouvir isso! Isso me faz não perder a esperança de que existem pessoas que cumprem o que dizem. Eu tive vários relacionamentos em que o acordo era a fidelidade e sempre fui traído. Inclusive no último, esse no qual estou, fui traído, mas perdoei e continuamos juntos pq eu o amo e acho que vale a pena dar uma segunda chance.
    Depois de vários relacionamentos eu cheguei a seguinte conclusão: nessa questão existe o ser e o estar. Explico: existe o ser fiel, e o estar fiel, assim como o ser infiel, e o estar infiel. Eu, me acho do tipo que é fiel, já meu companheiro, é do tipo infiel. Eu posso um dia, por alguma circunstância da vida, ficar infiel. Da mesma forma que meu companheiro, pode, talvez por um acordo, ou outra circurstância ficar fiel. Percebo que tem pessoas que trazem isso como uma marca pessoal, algo que pra ela é natural. Eu não vou dizer que nunca traí, mas pra mim nunca foi e nunca será algo tranquilo, do qual eu tenha me orgulhado. Foi algo circunstancial, e ainda assim, o relacionamento acabou logo em seguida, pq nao consegui seguir adiante com minha própria consciencia. Ja a pessoa que é infiel, na minha opinião, só depende de uma ocasião favorável, e ela nao sente nenhum tipo de desconforto em relação a isso. Bem, essa é minha opinião. Abração pra vc e muito obrigado pelos seus textos sempre tão bons! Boa tarde!

    1. “Arthur e Felix. Se eu não fosse casado, e se vocês fossem gays eu me apaixonaria por vocês. (Por um ou outro, obviamente, rs).”

      Ei, eu nunca disse que a monogamia é a única forma de relacionamento aceitável, disse? 😛

      Mas fica tranqüilo aí que eu sou hetero… hehehehehe…

      Robson, é mesmo, existem pessoas que são naturalmente fiéis (sou um destes sofredores) e outras que são naturalmente infiéis (quero distância). E ambas podem “estar” na outra situação, de fato. Mas em qualquer dos casos quem se relaciona com quem é uma coisa e está outra coisa está numa situação complicada…

  5. Rafael Holanda

    15/09/2011 — 19:19

    Também sou 100% a favor do cumprimento de um acordo de relacionamento que proiba a traição por ambas as partes. Como disse o Arthur mais acima, a ética não é resultado de um balanço entre perdas e ganhos. Entretanto, eu sou um dos que digo “nunca posso afirmar que desta água não beberei” pois tenho só 22 anos, e eu sei que muitas das minhas idéias hoje não serão as mesmas aos meu 30 ou 40 anos.

    Ainda assim, adoto essa postura por 2 motivos: Primeiro que eu a considero a mais ética, simples assim. Segundo que eu simplesmente ODEIO qdo alguma mulher dispara o clichê “Homem é tudo cachorro/canalha/cretino/etc.” pq eu não nem cachorro, nem cretino e nem nada, e quero provar pras pessoas que nem todos os homens são assim.

    1. Só tenho uma ressalva, Rafael: não precisas “provar pras pessoas que nem todos os homens são assim”, basta provar para ti mesmo.

      Se esperares que as pessoas reconheçam essa verdade, vais te frustrar muito. Tem muita gente que só consegue julgar os outros por sua própria medida, então estas pessoas não vão acreditar que estás realmente sendo ético, elas vão pensar que tu estás tentando “bancar o bom” (ou alguma outra bobagem deste tipo) com propósitos inconfessáveis ocultos e vão te considerar “dissimulado” e te atacar ainda mais por isso.

      A longo prazo, ser ético é muito mais fácil (e agradável, e tranqüilo, e seguro, e digno) que não ser ético, porque formamos uma reputação que traz conseqüências positivas para nós e para as pessoas que convivem conosco, mas no curto prazo é uma montanha-russa: tem altos e baixos impressionantes.

  6. Por acompanhar este blog há um tempinho já, esperava essa resposta:
    “A ética não pode ser derivada de uma avaliação de custo/benefício. Se for assim, então não é ética, é conveniência.”

    Particularmente, não concordo com esse ponto de vista. Acredito que ética é conveniência, do ponto de vista individual. Um indivíduo age eticamente, dentro de um ou outro sistema de regras sociais, por motivações diversas. Apontaria como as duas mais óbvias a coerção social e uma outra que explicarei no próximo parágrafo exemplificando.

    Este blog me chamou atenção pela veemência como você defende os direitos humanos, como se preocupa com outras pessoas. Quanto está, ou diz estar, disposto a dar em troca do bem-estar de terceiros. Eu acredito que o motivo pelo qual nos dedicamos a terceiros, é que gostaríamos de receber o mesmo tratamento na mesma situação com os papéis invertidos. Se vejo populações sendo massacradas, desejo que elas recebam tratamento digno, porque acho que todos merecem tratamento digno. Em última instância, porque eu gostaria de receber tratamento digno em qualquer circunstância. Sendo negro, branco, pobre, rico, judeu, cristão, bananista, ateu, etc. Penso que o motivo que me leva a ser bem educado com os outros, e a jogar o lixo na lata apropriada da coleta seletiva mesmo sem ninguém olhando é a mesma coisa. Porque eu quero ser bem tratado, e porque quero viver num país limpo e civilizado.

    Como eu disse, essa é minha impressão sobre os motivos pelos quais EU acho o humanismo uma ideia possível. Pode ser que outras pessoas tenham motivações ou justificativas diferentes. Entretanto, eu assumo que minha explicação é mais ou menos universal porque eu nunca conheci prova alguma de que existam princípios éticos que devem ser seguidos por si mesmos. Por outro lado, minhas motivações explicam muito bem porque alguém desejaria ser ético.

    No caso das traições, eu acho que a pessoa tem esse mesmo incentivo para não trair. O fato de não querer ser traída. Por isso disse que quem deseja trair seu companheiro ou sua companheira, deve ponderar se isso vale a pena. Eu não trairia minha namorada de maneira alguma porque eu não aceitaria que ela me traísse. Não quebraria nossos acordos porque eu não quero que ela quebre nossos acordos.

    Eu citei dois motivos para agirmos pensando no bem estar dos outros. Você sugeriu, em outro artigo mais antigo, que achava um sinal de progresso o adultério ter punição legal, o adúltero ter de pagar uma indenização.

    Queria fazer um comentário sobre isso. Não é um argumento, mas uma ideia que tive. Eu não gostaria de assumir um compromisso com uma namorada ou esposa ou noiva ou qualquer pessoa assim se eu soubesse que o que a impede de me trair é o fato de que pode ter de pagar uma multa por isso.

    1. Elvis, apreciei imensamente o argumento e gostei da maneira como expuseste tua discordância, fundamentando teu raciocínio. MAS…

      (Tinha que ter um “mas”, né?) 🙂

      Há uma confusão no teu argumento. Vou te dar primeiro um contra-exemplo e depois revelar qual é a confusão.

      Vamos supor a existência de um local onde só há uma entrada e uma saída, e onde só podemos entrar uma vez e de onde só podemos sair uma vez. (Esse local existe, depois eu revelo qual é.)

      Digamos… que esse local fosse… um jardim público. E que seja um local onde as pessoas vão fazer piquenique. Elas podem chegar carregando o que quiserem, mas não podem voltar atrás para buscar outras coisas. E elas podem sair dali levando o que quiserem, mas não podem voltar para buscar mais nada.

      O que achas? As pessoas vão ter o cuidado de reunir cuidadosamente o lixo que produziram e levá-lo consigo? Ou vão chegar, encontrar o local sujo, pensar “ah, quer saber? já estava uma imundície quando eu cheguei, o próximo que se dane também” e deixar seu lixo também? Afinal, isso é o mais conveniente a fazer.

      Se ética fosse conveniência, o jardim seria destruído.

      Agora vamos às revelações.

      O lugar onde só podemos entrar uma vez e de onde só podemos sair uma vez chama-se “presente”, ou, no vocabulário budista, “este momento”. Só chegamos aqui uma vez, carregando tudo que acumulamos no passado, para onde não podemos voltar para buscar nada, e só saímos daqui uma vez, levando o que escolhermos levar para o futuro, também não podendo voltar para mudar nada.

      O jardim é o planeta Terra, é a nossa cidade, é a nossa casa, é a nossa família, é a nossa escola, é o nosso trabalho, é a nossa decisão na urna, é o pequeno gesto de intolerância de que nos arrependeremos mais tarde, é uma pequena trapaça que nos consumirá a consciência ou trará um karma inesperado (porque não calculado, mas que é nossa responsabilidade, porque foi gerado por nossas decisões).

      E a confusão que citei é entre a motivação para a ética e a ética em si. Sim, é possível começar a se aproximar de uma conduta mais ética por interesse pessoal. Isso é apenas uma motivação. Não é a melhor motivação, mas é uma motivação a princípio razoável, pois no princípio não nos damos conta do valor intrínseco da ética. Porém, conforme vamos praticando a ética, vamos habituando nossa mente a ela, vamos nos familiarizando com seus caminhos, com seusmeandros, com suas belezas próprias, e lá pelas tantas nos encontramos em uma situação em que agir eticamente nos é inconveniente (por exemplo, quando encontramos uma carteira recheada de dinheiro e documentos que permitem identificar o dono desse dinheiro) e nos vemos alegremente agindo de modo ético, sem sofrer com a tentação da trapaça e com uma belíssima sensação após perceber como esta decisão foi fácil.

      Por isso eu sempre digo às pessoas: não importa qual seja sua motivação inicial, pratique a ética. Com o tempo, sua motivação vai mudar. E você vai descobrir que investiu muito pouco para colher muito muito.

  7. Ué, logo depois de aconselhar à beber o mundo com moderação, ¿vc diz q é radical?

    ¿Vc radicaliza moderadamente, ou modera radicalmente?

    1. HAHAHAHAHAHAHAHA!!! Cheguei a pensar que ninguém ia me colocar contra a parede! E olha que tive o cuidado de colocar os artigos em seqüência, minha idéia original era postar um em uma semana, outro na semana seguinte…

      É simples, Plausível: “radicalidade” não é antônimo de moderação. Nós usamos a palavra “radicalidade” como se fosse sinônimo de “extremismo”, ou até de “fanatismo”, mas não deveria ser assim.

      Radicalidade é “qualidade de raiz”, ou seja, de origem, de fonte, de base, de fundamento. Quando eu digo que sou “radical”, todo mundo entende “o Arthur é extremista”, mas o que eu estou dizendo na verdade é que eu tenho um profundo compromisso com os princípios, com os fundamentos de meu pensamento, com a coerência entre eles e minhas ações.

      Então, quando eu digo que vou derrubar uma parede com a cabeça e que no dia seguinte ou vão encontrar a parede no chão ou a mim morto com traumatismo craniano, é porque eu vou me comprometer profundamente com o que eu disser e vou tentar praticar aquilo que eu disser com o maior esforço, correndo o risco de aceitar as conseqüências. (É por isso que o parágrafo de abertura do texto é uma boa metáfora, mas eu nunca fiz aquela promessa específica literalmente.)

      É lógico que, se percebemos a tempo que um curso de ação é equivocado, devemos corrigir a rota ao invés de persistir no erro. O compromisso radical deve ser com a verdade, não com os erros anteriormente assumidos.

      Noutras palavras: “seja punk mas não seja burro”. http://www.youtube.com/watch?v=lREkAidJqGU

      Obrigado por me dar a chance de explicar isso. 🙂

  8. Quando se trata de traicao eu sou radical e intolerante.

    1. É, a tendência é a gente agir assim quando nossos sentimentos são magoados. No budismo mahayana diz-se que este é o momento em que os nossos ventos internos se transformam em uma tormenta – e que os atormentados somos nós, unicamente nós.

      Eu diria que pode até doer mais num primeiro momento, mas a longo prazo sempre é melhor evitar a intolerância. A única exceção é o tratamento que dispensamos à intolerância, com a qual não podemos ser tolerantes sob pena de aumentar a intolerância, não a tolerância…

    2. Qto a traicao eu sou simplesmente radical e intolerante. Eu nao rodo a baiana, nao ataco ninguem, eu nao fico me tormentando, nao rumino nada.

      Me traiu na minha confianca? Morreu para mim. Quero distancia. Traiu? Para mim perdeu a graca, o interesse, o ela~. Simplesmente morreu. Claro que quanto mais prezamos alguem, maior e’ o sofrimento pela decepcao da traicao. Mas nao tem conversa, nao tem explicacao. Traiu, passe bem. Nao perco mais nenhum segundo de minha vida pessoal ou profissional tentando “resgatar”, “passar por cima”, por uma pedra no assunto. Nao, eu nao tolero traidor. Pois a traicao tende a seguir um padrao de comportamento. Traiu hoje aqui com isso, amanha com aquilo, depois de amanha o outro. Eu prefiro nao repetir na burrice de continuar investindo em traidor. E mais, se eu presencio traicao a terceiros, o traidor tb desaparece do mapa para mim.

    3. “Claro que quanto mais prezamos alguem, maior e’ o sofrimento pela decepcao da traicao. Mas nao tem conversa, nao tem explicacao.” (Paula)

      Se for em função da perda de confiança, certo, tudo bem, é isso mesmo. Mas se for em função da raiva, cuidado: é sinal que não houve realmente perda de interesse – e aí pode ser necessário trabalhar melhor este sentimento para não se ver hiper-reagindo em alguma situação banal depois.

  9. Existe uma diferenca entre agir pelo principio da reciprocidade (eu nao faco aos outros o que nao quero que me facam) ou pelo principio da justica ou igualdade (faco ou nao faco porque sou etico).

    No primeiro, apesar de eu ter as minhas coisas (trabalho, casa, empregados, marido/esposa), cobico o que ‘e dos outros, mas nao lhes tomo porque nao gostaria que me fizessem o mesmo.

    No segundo, nao faco porque nao acho que tenha mais direito que outros para ser ok faze-lo (nao sou racista porque todos sao iguais, trato meus colegas de trabalho todos da mesma forma independente de raca; nao vou dar em cima do cara casado porque nao estou acima da mulher dele, ou dele mesmo).

    Para mim, e’ com o fortalecimento do ego e’ que passamos naturalomente da primeira situacao para a segunda. Id (“vai la’ que ele ou ela esta’ dando banda”) e superego (“nao vai fazer esta besteira…”) vao estar sempre presentes, modulando o ego.

    Enfim, se eu nao va’ trair, nao e’ so’ porque nao quero que me traiam, mas porque eu me sinto completo comigo mesmo, satisfeito e orgulhosos das minhas escolhas e dos meus objetivos futuros e alcancados (achievements). Com esta evolucao, eu nao vou precisar buscar fuga para frustracoes fora do meu sistema de vida, que foi escolhido por mim mesmo. Se eu me casei ou me comprometi com namoro, passa por ter amor proprio respeitar as minhas proprias escolhas. Passa por valorizar quem me escolheu. Quando isto acontece atingimos um momento em que pode passar na nossa frente o Mr. Hollywood ou a Ms. Universo dando banda, que a gente fica na boa, e nem sequer considera a opcao de trair.

    Uma pena que muita gente nao consiga assumir a responsabilidade de ESCOLHA por alguem ou alguma coisa. Nessa situacao de falta de responsabilidade, gera-se a falta de compromisso, e a evolucao descrita acima fica interrompida. Entao a conduta repetitiva da busca pela “grama do vizinho que sempre vai ser mais verde do que a minha” se estabelece. E vira ciclo vicioso.

    1. Olha aí eu e a Paulinha concordando 100%, gente! 🙂

  10. Respondendo ao comentário da paula:

    Eu acredito que todas as pessoas merecem tratamento igual, assim como você, no seu trabalho, porque isso é do meu interesse. Tratando todos igualmente, eu crio um precedente, eu tomo parte na cultura, na ideia, de que todos merecem tratamento igual. Assim estou me beneficiando. Pode ser que em vida eu nunca sofra preconceito algum, mas mesmo assim eu respeito os outros por interesse, baseado na ideia de que se eu pertencesse ao grupo de pessoas discriminadas, não gostaria de sofrer preconceito. Ou ainda, que se passarem a discriminar meu grupo, eu não vou gostar. Da mesma maneira, a ideia de justiça ou igualdade de direitos só faz sentido porque eu ganho com isso: preciso aprender a contenção, mas por outro lado tenho garantias que vão me tratar da mesma maneira.

    Ainda, tratando outras pessoas com dignidade, eu estou criando a ideia de que existe um outro, um próximo, e que esta pessoa, por mais que seja diferente de mim, merece respeito. Esta ideia só faz sentido porque é amplamente aceita. Se eu fosse a única pessoa tratando outros com dignidade, seria humilhado e destruído em nome de um ideal sem nenhum fundamento intrínseco.

    Não acredito em “princípio ético” ou “princípio de igualdade”. Nada me prova que ser ético tem algum outro sentido além do meu próprio interesse. Claro, é útil o uso de palavras grandiloquentes como “certo” e “errado”, “moral”, “ética” e “respeito” para que se eduque as pessoas a aderir ao ideário da “igualdade”, do respeito mútuo.

    A ética é uma maneira de ser egoísta bem civilizada, da qual sou partidário e entusiasta. Estou dizendo é que as pessoas, mesmo que não enxerguem, têm a ganhar preocupando-se com o bem estar de terceiros.

    Você disse que:
    “Enfim, se eu nao va’ trair, nao e’ so’ porque nao quero que me traiam, mas porque eu me sinto completo comigo mesmo, satisfeito e orgulhosos das minhas escolhas e dos meus objetivos futuros e alcancados (achievements).”

    Na realidade, eu não traio pelo mesmo motivo. Quando converso com garotas bacanas, não penso “ah, se eu não estivesse namorando”. Não tenho vontade de trair minha namorada.

    Isso funciona pra mim, não quer dizer que todos devam ser iguais. Eu não sei o que é melhor para os outros. Talvez, o melhor para outra pessoa compromissada seja transar com várias pessoas. Se isso é irresponsável, que importa?

    Nem para todas as pessoas um compromisso afetivo é bom. E muitas pessoas são educadas para casar. Em algumas situações, uma pessoa pode estar casada, querer ficar com seu cônjuge e desejar ficar com outras pessoas. Pode ser melhor não se divorciar. Por conveniência. Ou ela deveria se divorciar, mesmo não querendo fazê-lo e sabendo que vai trair? Porque foi irresponsável antes ela deveria fazer isso?

    Eu acho que a pessoa deve, nesta situação, agir conforme sua vontade. Muitas pessoas traem e são traídas. Acho bom que as pessoas tenham essa liberdade. Os sentimentos e desejos de alguém podem ser instáveis.

    Agora, respondendo ao Arthur:

    Eu devolveria uma carteira recheada de dinheiro porque gostaria que me fizessem o mesmo se eu perdesse a minha. Não quero dizer com isso que sou um porco mesquinho, mas acho que o fundamento do humanismo é o benefício que todas as pessoas tiram de sua prática, incluindo, portanto, o praticante.

    Também, se você sente um contentamento ao devolver a carteira, ou uma “paz de espírito”, qualquer coisa assim, poderíamos dizer que a motivação é egoísta.

    Dito de outro modo, se você, ao invés de sentir-se bem quando pratica uma ação pensando no bem estar dos outros sem nenhum incentivo imediato, sentisse uma forte dor no abdômen, náuseas, seus esfíncteres relaxassem, e você começasse a sofrer convulsões e dores intensas, continuaria agindo de maneira ética? É possível que sim. Sendo esse o caso, você corroboraria sua ideia de que agir de maneira ética é o mais importante, independente da motivação.

    Eu acho que essa ideia só traz sofrimento e dor, que o apego à ética é um exagero na seriedade com que lidamos com as coisas. Eu certamente deixaria de agir de maneira ética na situação descrita, e não vejo porque haveria de fazer diferente. Não gosto de sofrimento nem de dor. A razão da ética existir, no meu modo de ver, é o benefício que ela traz. Prefiro não ser ético a sofrer e ter dor.

    Por fim, fiquei feliz com o que você disse, Arthur:
    “apreciei imensamente o argumento e gostei da maneira como expuseste tua discordância, fundamentando teu raciocínio”

    Passei a entrar diariamente, há alguns meses, nesse blog, porque adorei o jeito lúdico com que os assuntos são tratados, e o estímulo à tolerância.

    1. Parte 1

      Fico preocupado com essa tua resposta. Tua lógica é nitidamente utilitarista, como se depreende de afirmações como esta:

      “Não acredito em “princípio ético” ou “princípio de igualdade”. Nada me prova que ser ético tem algum outro sentido além do meu próprio interesse.” (Elvis)

      O problema é que o utilitarismo é inconsistente enquanto fundamentador da ética, porque conforme o nível de poder que se exerce no mundo muda aquilo que é útil.

      Por exemplo, um psicopata cruel à frente de um governo totalitário que se impõe pela força e se mantém pelo terror adoraria alegar que age “eticamente” usando as tuas definições! (E este é um argumento utilitarista – ele mostra como a definição de “meu próprio interesse” muda conforme o nível de poder que se exerce no mundo e portanto “meu próprio interesse” não serve como base para o regramento ético.)

      Não podemos confundir a ética nem com um “egoísmo bem civilizado”. Isso é uma boa definição para o utilitarismo, não para a ética. A ética independe de utilidade. Na verdade, a ética muitas vezes deve mesmo nos levar a contrariar nossos próprios interesses, caso contrário não seria ética, seria conveniência.

      Nem mesmo “pas de espírito” é uma boa fundamentação para a ética! Por exemplo, eu poderia me questionar se estaria devolvendo uma carteira cheia de dinheiro a algum canalha que obteve aquele dinheiro de modo ilícito, enquanto que gente honesta está passando necessidade. Na verdade, qualquer escolha num episódio como este pode ser justificada para trazer “paz de espírito”, mas somente uma escolha será consistente com a ética – que por sinal depende do nível de desenvolvimento e de entendimento de cada indivíduo. (Sim, não existe uma única escolha ética, existem escolhas diferentes que são éticas conforme o entendimento do indivíduo!)

      Este é um ponto importante: a ética não é absoluta. (*) Ela depende do nível de entendimento e de desenvolvimento do indivíduo.

      Na verdade, portanto, a verdadeira escolha ética é simplesmente aquela que parte do princípio que deve ter o maior comprometimento possível com a ética. E aí caímos novamente no valor intrínseco da ética. 🙂

      .
      .
      .

      (*) Somente seria absoluta para um ser onisciente.

    2. Parte 2

      “Eu acho que essa ideia só traz sofrimento e dor, que o apego à ética é um exagero na seriedade com que lidamos com as coisas. Eu certamente deixaria de agir de maneira ética na situação descrita, e não vejo porque haveria de fazer diferente. Não gosto de sofrimento nem de dor. A razão da ética existir, no meu modo de ver, é o benefício que ela traz. Prefiro não ser ético a sofrer e ter dor.” (Elvis)

      Mas quem foi que disse que a ética não tem que levar em consideração o bem estar do indivíduo que se propõe a agir eticamente?

      Se eu tenho que sentir dor para devolver R$ 0,25 de troco errado que eu recebi a mais, isso há que ser levado em consideração. É justo que isso aconteça? É exigível essa conduta? É proporcional? É lícito?

      Não podemos confundir a ética com um conjunto de preceitos. Ela vai muito além disso. A ética é um compromisso. Com o quê? Com a ética.

      É desesperadora essa circularidade, eu sei. 🙂

      Mas é incrível que uma coisa tão fácil de perceber seja tão difícil (na verdade acho que é impossível) de definir.

  11. Nossa, não achei que fosse ficar tão grande, senão teria formatado os parágrafos diferente, teria sido mais direto, menos repetitivo e pularia menos linhas. Foi mal!

    1. Que nada, foi ótimo. 🙂

  12. Elvis, muito interessante sua resposta. E densa em conteudo. Vou ler mais vezes para absorver melhor cada detalhe.

    Antes de reler, digo apenas algumas coisas.
    Eu acredito que algumas pessoas nao sejam adeptas da monogamia e que vivam bem e sejam felizes desta forma.
    Eu tb acredito que casamentos perdurem por conveniencias.
    Eu particularmente prefiro a monogamia, e estar junto por sentimento/afeicao.
    E eu aprendi a nao gastar minha energia com quem me trai.

    O tamanho do teu texto nao incomodou a mim.

    1. “Eu particularmente prefiro (…)”

      É, essa ou aquela forma de relacionamento é questão de preferência. Quem quiser ser monogâmico, ótimo. Quem quiser ser swinger, ótimo. Anti-ético é alguém ser swinger, saber que a pessoa com quem está se relacionando é monogâmica, garantir que é monogâmico e justificar suas escapadas com frases como “o que os olhos não vêem o coração não sente”.

      Mesmo que o sujeito pudesse manter a farsa a vida inteira e a outra pessoa jamais descobrisse, ainda assim o comportamento não seria ético. Isso é que eu tenho uma grande dificuldade de explicar para o Elvis…

  13. Corrigindo minha última frase: adorei o jeito lúcido com que os assuntos são tratados, e não lúdico.

    Por favor, Paula, releia, pense, e dê sua opinião, eu estou me divertindo muito nesse debate, e já dei F5 algumas vezes nesse blog esperando respostas, hahahahah.

    1. Dá uma olhada na minha resposta ao último comentário da Paula. 😉

  14. Por ora vou apenas dizer as primeiras ideias que me ocorreram, Arthur, porque preciso digerir o que você escreveu, refletir a respeito.

    Só quero perguntar uma coisa rapidamente, você disse que:

    “Mesmo que o sujeito pudesse manter a farsa a vida inteira e a outra pessoa jamais descobrisse, ainda assim o comportamento não seria ético. Isso é que eu tenho uma grande dificuldade de explicar para o Elvis…”

    Mas admitindo que o comportamento é antiético, por que a pessoa deveria deixar de fazê-lo? Você admitiu que a explicação é meio circular, e disse que não é absoluta. Parte do princípio que existem graus de evolução, de conhecimento, que culminariam em um conhecimento total, onisciência. Também isso não sei se existe, essa hierarquia; aliás, nem mesmo “conhecimento verdadeiro”. Que é verdade e mentira, afinal?

    Como biólogo, e ainda, um que explica diferenças de gêneros usando a evolução, não lhe parece plausível que a ideia de ética deriva de uma estratégia de sobrevivência, surgida da seleção natural? Porque com todos se ajudando, todos saem ganhando. Assim como acontece com outros animais que se agrupam.

    (Suponho que) você vai responder que preciso partir da noção que deve existir “verdade” e “mentira”, pois se não fosse assim, uma pessoa que usa a força para convencer teria tanta legitimidade quanto quem usa argumentação. Eu acho que o uso da força não é legítimo não porque existe um princípio de ética, ou de verdade, pelo qual devemos nos orientar, mas por causa do entendimento da existência de uma outra pessoa, e pelo aprendizado do respeito ao outro, que necessariamente é diferente. Esse aprendizado passa pela ideia de que o outro também deve nos respeitar, com todas as nossas singularidades.

    Já o dualismo verdade-mentira, creio que, primeiramente, é baseada no princípio da não-contradição. Portanto, num princípio abstraído da experiência. Não há prova que nossa experiência traduza com fidelidade o que a natureza é. Entretanto, podemos assumir o uso do princípio da não-contradição de maneira universal, pois ele, na prática, funciona. Ou seja, funciona no único universo que conhecemos.

    Argumentar é bom porque nos dá respostas práticas, e não porque nos dá respostas verdadeiras. Para as ciências naturais isso é mais óbvio.

    1. Putzgrila! 😛 Aí tem material para um tratado! 🙂

      Já rabisquei uma parte da resposta, hoje de tarde vou decidir se vira resposta aqui ou vira artigo. 🙂

      E tem ainda pelo menos outro tanto a escrever… Tá me dando trabalho, hein? 🙂

  15. HAHAHAHHAHAHAH, espero que o trabalho que eu estou dando resulte em bom material.

    Arthur, to quase pedindo arrego e fugindo dessa discussão porque as reflexões sobre ética estão me tomando muito a cabeça, me deixando distraído em momentos que não poderia estar, como no colégio 🙁

    Você disse que meu argumento legitima um ditador genocida a praticar suas atrocidades. Entretanto, a minha ideia é que nada impede ele de fazer isso. Nada. Não há ética absoluta, intrínseca, nem nada assim. Acredito que o fato de haver assassinos embasa essa tese.

    A ideia de que existem ações melhores e ações piores, ações corretas e ações erradas, ou ainda, uma “ordem moral do mundo”, é acalentadora. Entretanto, não vejo porque ela deixaria de ser mais um bule no céu. Só pra ser chato e usar uma expressão que você adora, isso é wishful thinking.

    Meu argumento, sobre os motivos egoístas para ser “ético”, ou, como prefiro dizer, para agir pensando no bem estar de terceiros, procura demonstrar que há motivos para essas atitudes.

    Tem gente que mata e tem gente que tem vontade de matar mas não mata. Tem gente que joga lixo na praia e tem gente que não faz isso. Nenhum é “melhor” ou “pior”. Claro, do meu ponto de vista, que quero uma praia limpa e não quero ser morto nem ver as pessoas que eu amo mortas, matar e jogar lixo na areia é errado.

    Agora, eu não sei o que é melhor para outras pessoas. Para um indivíduo, o melhor pode ser trair a esposa. Ou cometer um assassinato. Ou ir à igreja nos domingos. Todas essas são coisas que para mim não são desejáveis. O que não me torna mais ou menos correto, mais ou menos ético, a não ser sob a minha perspectiva, ou a nossa, que não tem caráter absoluto nem inquestionável.

    1. Não, não foge dessa discussão! Ela está ótima! Vamos fazer o seguinte: pra ninguém fundir a cuca nem sair prejudicado – tu aí no colégio e eu aqui no trabalho – vamos dar uns dias de folga para a cabeça de cada um “metabolizar o assunto”. Vamos combinar suspender a fritação de neurônios até a próxima sexta-feira (ou no fim de semana)? Assim eu terei tempo de ajeitar aquele texto que escrevi em resposta para ti e tu poderás te concentrar nas aulas sem se preocupar em acompanhar o debate em tempo real. Que tal?

  16. Perfeito, no fim de semana eu posso me dedicar a isso. Por hora, vou entrar aqui no blog só pra acompanhar os outros artigos 🙂

    Se não for problema responder, o que você faz, Arthur?

    1. Por enquanto eu estou funcionário público. Se Deus quiser, os Budas colaborarem e o bolso permitir, isso termina este ano mesmo e vou passar a me dedicar a um negócio próprio para ter mais liberdade de decidir meus horários e me dedicar à família, aos amigos, a meus livros, ao esporte, à música e a um projetão na área da educação sobre o qual ainda não quero dar detalhes. 🙂

  17. Nossa, é a primeira vez que vejo alguém que pensa como eu.
    É engraçado como nos relacionamentos as pessoas colocam regras que só o parceiro precisa cumprir. Quantos homens infiéis eu já vi que não deixavam a mulher nem olhar para o lado, ou arrumava briga com quem olhasse para ela, mas quebrava o pescoço se passasse uma moça bonita.
    Meu namorado não quer que eu olhe par ninguém, então ele também não olhe. Combinamos assim e, se olhar, é cartão vermelho.
    A não ser que venha falar comigo “quero ver/ter/conhecer outras pessoas”. Aí a gente combina e os dois estão livres para isso. O que não quer dizer que o amor acabou.
    Agora se o cara diz: “Não vou fazer” e faz… Aí não dá.
    O problema não é nem a traição, é a mentira.
    As pessoas tem preguiça de conversar e medo de revelar seus desejos, pura bobagem.

    1. Não é um acordo igualitário. Homens são muito visuais, mulheres não. Portanto, “não poder olhar” na verdade só é limitação para ele. Como o equivalente seria “não poder imaginar o Richard Gere sussurando no teu ouvido”, ou seja, impossível de fiscalizar, esse acordo é abusivo.

      Olhar não arranca pedaço, tanto quanto imaginar. Seria mais razoável firmar um “acordo de fidelidade tradicional”, no qual ambos se comprometem a não ficar – nem flertar – com outras pessoas. Dá menos stress, é mais garantido e mais produtivo…

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