Elvis não morreu. E me fez uma pergunta hoje: “Arthur, você já escreveu sobre o conflito entre palestinos e israelenses? Para você, qual seria a solução para o problema?” Bem, aqui no blog eu ainda não havia escrito sobre isso, mas em janeiro de 2009 eu discuti o assunto na antiga comunidade de Direitos Humanos.

Um membro da comunidade perguntou:

Imagine-se na situação de Líder de Israel. O Hamas está jogando centenas de foguetes em sua população.

Se você não fizer nada, eles vão poder continuar te atacando sempre que der vontade. Se você tentar se defender, eles se escondem em meio à civis e morre inocentes. Aí você fica com a escolha: ou morrem inocentes israelenses ou morrem inocentes palestinos.

O que você faria?

Eu respondi que Israel deveria fazer o seguinte:

Ação n°1) Cercar o local com um muro.

Ação n°2) Instalar artilharia anti-mísseis em todo perímetro.

Ação n°3) Promover o maior pente-fino jamais registrado na história, casa a casa, com dezenas de milhares de soldados procurando materiais adequados para a fabricação de artefatos explosivos autopropelentes (mísseis caseiros) e recolher esse material sem entretanto prender ninguém salvo terroristas confirmadíssimos.

Ação n°4) Oferecer recompensas em dinheiro e garantia de salvo-conduto para emigração por informações que resultem em captura de líderes terroristas.

Ação n°5) Encaminhar todos os detidos nas duas operações acima para julgamento pelo Tribunal Penal Internacional, sem interferir nos julgamentos e respeitando integralmente as decisões do TPI.

Ação n°6) Anunciar uma ocupação-monstro com duração de seis a doze meses, durante os quais seriam reconstruídos gratuitamente hospitais, escolas, mesquitas e outros alvos atingidos por bombardeiro prévio, como medida de boa vontade, e ao final dos quais seriam realizadas eleições isentas para o governo local, com acompanhamento da ONU e de quaisquer observadores internacionais interessados.

Ação n°7) Perguntar ao governo eleito se gostaria de contar com o auxílio das tropas israelenses para garantir a ordem no território e por quanto tempo, respeitando integralmente a decisão qualquer que seja ela e caso haja interesse manter as tropas sob ordens do governo palestino durante o período solicitado.

Ação n°8) Findo o prazo solicitado pelo novo governo eleito, retirar as tropas integralmente, mantendo controle de fronteiras pelo período que for considerado prudente.

Ação n°9) Estabelecer relações diplomáticas e comerciais com o novo governo e tratá-lo como aliado em busca da paz na região.

Ação n°10) Derrubar o muro quando transcorrerem três anos consecutivos sem atentados.

Claro que não faltou quem dissesse que eu estava defendendo uma solução do tempo das cavernas, por causa da idéia de construir um muro de isolamento. Mas o fato é o seguinte: o ódio já está plantado e muito bem enraizado naquela região; todo mundo tem um parente ou um amigo que foi morto ou mutilado ou que perdeu ou viu mutilado um parente ou amigo. Enquanto o conflito persistir, esses casos vão continuar se multpilicando. Por isso a prioridade número um é cessar o conflito já. E não adianta tentar negociar soluções pacíficas enquanto houver milhares de pessoas com ódio, ressentimento e sede de vingança.

O conflito no Oriente Médio só tem uma solução de curto prazo: aniquilação atômica de toda a população da região. Como isso não me parece uma idéia das mais agradáveis, eu prefiro construir um novo “muro da vergonha” (porque é mesmo uma vergonha que a solução tenha que ser deste nível), fazer cessar as mortes e atentados isolando as populações em conflito e então mostrar boa vontade, oferecer a ajuda que puder ser oferecida sem cobrar nada em troca e deixar passar o tempo.

É lógico que teria que haver um processo criterioso e cauteloso de permissões de imigração e concessões de cidadania para permitir que famílias separadas pelo muro pudessem se reunir, assim como teria que haver o estabelecimento de postos de fronteira fortemente vigiados e com procedimentos criteriosos e cautelosos de segurança para permitir o fluxo de pessoas e mercadorias entre as duas regiões, mas ter que fazer isso é muito melhor que viver sob permanente ameaça terrorista ou sob isolamento total. Nada que algumas centenas de cachorros bem treinados para detectar explosivos e as principais matérias-primas para construir artefatos bélicos não resolvam.

E é óbvio que teria que haver uma rodada prévia de negociações para a definição de uma vez por todas de quais seriam as fronteiras definitvas entre o Estado de Israel e o Estado da Palestina. Mas, caso não seja possível chegar a um acordo, sou favorável a um arbítrio internacional (sem os EUA na jogada) e que se defina uma fronteira na marra, com os critérios mais justos que a comunidade internacional possa considerar, e que o passar dos séculos cristalize essa fronteira. O mais importante é que pare de morrer gente inocente.

Claro que eu sei que tudo que está escrito neste artigo é utópico e que não é assim que funciona a política internacional. Os atores envolvidos não estão interessados em proteger as pessoas, nem em evitar sofrimento, nem em encontrar soluções o mais rápido possível e com a maior justiça possível. Mas não é porque eles têm corações e mentes corrompidos que eu e você precisamos nos render à lógica da corrupção, certo?

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 22/09/2011

43 thoughts on “Como Israel pode resolver o conflito com a Palestina

  1. Joaquim Salles

    05/08/2014 — 18:37

    Olá Arthur,

    Não sei se viu ( mas vale uma leitura): http://justificando.com/2014/08/05/quem-e-o-hamas/

    Um ponto interessante do texto é que a Fatah ( partido que teve “origem em partido nacionalista fundado em 1959, pelo líder palestino Yasser Arafat, e chefiado hoje por Mahmoud Abbas”. )

    Abraços

    Joaquim Salles
    ( eta assunto “espinhoso” esse )

    1. Ainda existe o Fatah? Ou o Hamas botou todo mundo do Fatah a comer grama pela raiz?

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: