Eu odeio pizza de banana. Portanto, eu simplesmente não como pizza de banana. Ponto. Eu não gasto meu tempo pensando em pizza de banana, não incomodo quem gosta de pizza de banana dizendo que pizza de banana é ruim e não tento organizar as pessoas que não gostam de pizza de banana para impedir por via legislativa que as pessoas que gostam de pizza de banana tenham o direito de comer a pizza de que gostam só porque eu odeio pizza de banana.

pizza-de-banana

Tem gente que diz que pizza de banana é a melhor coisa do mundo. Tem gente que diz que pizza de banana faz mal à saúde, porque o pão tem muito carboidrato, a banana tem muito açúcar e a combinação dos dois deixa as pessoas sonolentas e propensas a um acidente de automóvel ao sair da pizzaria.

Eu, que odeio pizza de banana, acho que os dois podem estar corretos: admito que muita gente adore pizza de banana e admito que fiquem sonolentas ao sair da pizzaria, o que é um perigo para mim, que posso ser atropelado ou ter meu carro abalroado por um comedor de pizza de banana. Nem por isso eu quero proibir a pizza de banana, eu acho suficiente que o fiscal de trânsito faça os motoristas soprarem no bananobafômetro e proíbam os comedores de pizza de banana de dirigirem sob o efeito de sonolência da pizza de banana.

Tem gente que chega ao ponto de dizer que a pizza de banana que “pizza de banana é uma abominação”, porque consta nas escrituras sagradas do anti-banananismo que Deus não gosta de pizza de banana. Mas isso é irrelevante para quem não é anti-bananista. E por que eu seria anti-bananista, se ninguém me obriga a comer pizza de banana?

Enfim, eu odeio pizza de banana, mas tudo que eu quero é que a pizza de banana alheia não me prejudique, nem ser obrigado a comer pizza de banana. Fora isso, bom proveito aos comedores de pizza de banana. Cada um seja feliz como quiser.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 26/09/2011

73 thoughts on “Legalização das drogas x proibição da pizza de banana

  1. Joaquim Salles

    21/02/2014 — 15:20

    Olá Arthur,

    No meio dos argumentos do tipo “se fazem bem ou mal as drogas ( e outros alimentos e substancias) e os custos envolvidos”, achei um debate interessante onde o Dr. Rubem de Freitas Novaes, Economista, formado pela UFRJ, com doutorado pela Universidade de Chicago, falando sobre os drogas, e outras coisas que possa afetar as pessoas, comentou:

    O único “rationale” para o Estado-babá está na teoria das externalidades. Na análise de possíveis “externalidades” causadas pela ingestão de qualquer coisa (alimentos ou drogas) temos de confrontar custos adicionais impostos à assistência médica oficial com as economias para a Previdência (aposentadoria) pública, já que fumantes, drogados e obesos morrerão mais cedo. Trato disto em minha palestra sobre o Estado-Babá. É possível que, feitas as contas, cheguemos a conclusão que convém subsidiar o bacon e o sal.

    Esse mesmo conceito e a opinião dele, sobre o estado-babá, pode ser visto na revista que esta em: http://www.sicomercio.net/sites/default/files/arquivos/704nov2013.pdf. Esse artigo é mais especifico sobre a questão do “Estado-babá”.

    Aqui um palpite: quem sabe você poderia fazer um post sobre o Estado-babá comentando o que Sr. Rubem colocou no artigo dele na revista e a sua opinião.

    1. Pode ser. Vou ler com calma isso. Mas esta semana estarei viajando e resolvendo uns pepinos em outra cidade, então provavelmente isso vai ter que ficar para a semana seguinte. Ou melhor… Para logo depois do carnaval.

  2. joaquim salles

    23/02/2014 — 22:34

    Que bacana que conhece o Rafael, nem imaginava isso. Bom, ninguém é perfeito, eu considero ser seu amigo ( poderia ser pior né) 🙂
    Também não entendi o final do texto dele mas como conhece ele pessoalmente pode contar para ele…

    1. Fui sutil demais.

      Joaquim, esse foi um dos primeiros amigos que eu perdi para a porcaria da ideologia de cupinzeiro e para essa profissão que estraga a cabeça das pessoas.

  3. joaquim salles

    23/02/2014 — 22:59

    Olá Arthur,

    Só para efeito de registro, existe um tipo de argumento contra as drogas que dizNum cenário em que as drogas fossem legalizadas, a criminalidade continuaria em alta, pois o viciado em drogas pesadas, como o crack, perde a capacidade de trabalhar e passa a ter que sustentar o vício roubando e matando. Drogas pesadas e criminalidade, qualquer que seja o cenário, sempre estarão associadas.

    Ou seja, contra um dos argumentos “pró” temos “Drogas pesadas e criminalidade, qualquer que seja o cenário, sempre estarão associadas”.

    Outro argumento, para aqueles que acham que o preço vai cair das drogas, deve a conter algo na mesma linha do cigarros onde o legal é mais caro que o contrabando. Ai entra impostos etc….

    Agora o cenário que já vi, e mais causa preocupação em mim, é a “co-dependência” onde amigos e familiares sofrem ( e muito) com aqueles dependentes da droga. São pessoas que não trabalha, acabam roubando e criando “uma serie de doenças e problemas” aos familiares. Como lidar com isso? E pior falta locais “gratuitos” para tratar esses dependentes…

    1. Boa pauta! 🙂

      Me dá uns dias. 😉

    2. Bom, primeiro, nem sempre drogas pesadas estão ligadas à criminalidade – ou melhor à violência. Apenas uma fração dos usuários, os usuários problemáticos, compulsivos, entram nessa categoria. Como não estudei muito o assunto, não vou arriscar, mas acho que o percentual gira em torno de 15 a 20%.
      Segundo: A Holanda e o Portugal conseguiram em parte quebrar essa equação, simplesmente adotando uma abordagem medical do problema, em vez de judicial.
      Terceiro: a legalização das drogas permitiria que o usuário de droga pesada possa com muito mais facilidade largar o vício, como demostrou o psiquiatra Dartiu Xavier, cujas conclusões estão divulgadas neste blog r9http://arthur.bio.br/2010/08/16/drogas/as-quatro-terriveis-verdades-sobre-a-relacao-entre-as-drogas-ilicitas-e-a-ciencia-parte-3-de-4)4
      Abraços

  4. Toda pessoa que bebe sabe que alcool faz mal e as que fuma tb. Só os usuários de maconha que dizem que não faz mal. Tudo bem, se o cara dissesse, olha, eu fumo maconha, sei que é um vício e faza mal a saúde, mas eu tenho o direito de me entupir dessa porcaria, seria mt mais honesto, agora ficam de historinha que maconha não faz mal é dose, mesmo com os zilhoes de estudos sobre o tema…

    1. Prezado João, gostaria de saber quais são os estudos que você conhece provando que maconha faz mal a saúde. Aqueles divulgados pelo Dr. Laranjeira na VEJA? Ele apenas insiste no bordão proibicionista tradicional há quase um século, baseado (!) em mentiras e distorções tais como maconha vicia, conduz a morte, a outras drogas mais pesadas ou a esquizofrenia. Os zilhões de estudos sobre o tema mostram claramente que os pouquíssimos relatos negativos sobre o tema são parciais ou apresentam falhas graves na metodologia. Os pesquisadores só recebem financiamento se provar que maconha faz mal! Os verdadeiros estudos – e são muitos – não são publicados na Veja. Agora, na Schizofrenia Research (http://www.schres-journal.com/article/S0920-9964(13)00610-5/abstract) de janeiro 2014 aparece um estudo comprovando que maconha não causa esquizofrenia. Houve um debate interessantíssimo no ano passado em Brasilia com vários cientistas, juristas, ativistas e agentes da lei que ajudou bastante a “quebrar o tabu”, parafraseando o FHC (https://www.youtube.com/watch?v=rtirVYWdq4U).
      Sua colocação não passa na verdade de uma condenação da “porcaria”; ela está mais moral do que científica.
      Abraços

    2. Faço uma pequena ressalva: nenhuma fumaça faz bem à saúde. Mas a fumaça que o usuário de Cannabis inala possui muito mais particulado do que deveria justamente porque é proveniente da queima de um monte de coisas que não são Cannabis (que vêm misturadas devido à impossibilidade da existência de um controle de qualidade) e da inexistência de filtros avulsos no mercado.

  5. De um modo geral, a proibição é que incita a misturar aditivos baratos e variados à canábis, sobretudo no caso do haschich. Concordo com sua ressalva, embora no documentário https://www.youtube.com/watch?v=KjIXQHshIwY seja dito que fumantes de maconha tem estatisticamente até menos câncer do que pessoas que não fumam nada. De qualquer maneira, fato é que canábis pode ser usada vaporizada ou ingerida. O problema principal com a canábis vem da lavagem cerebral puritana que a maior parte da humanidade vem sofrendo há quase um século, que impede ou dificulta muito uma abordagem racional do assunto. É um tremendo desperdício pois ela tem um potencial terapêutico, lúdico, industrial e social espantoso.

    1. O tecido feito de cânhamo é mais leve e mais resistente que qualquer outra fibra têxtil. Imagina!

  6. joaquim salles

    04/03/2014 — 19:40

    Saiu uma nota no Estadão dizendo:”ONU condena legalização da maconha nos EUA” http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,onu-condena-legalizacao-da-maconha-nos-eua,1137243,0.htm.

    No meio desse pesquisas achei um “pdf” (http://www.comunidadesegura.org.br/files/controlepenalsobredrogasilicitas.pdf) CONTROLE PENAL SOBRE AS DROGAS ILÍCITAS: O IMPACTO DO PROIBICIONISMO NO SISTEMA PENAL E NA SOCIEDADE (TESE DE DOUTORADO)

    Abraços

    1. A ONU inteira é uma piada de mau gosto.

      Tese baixada para leitura futura.

  7. joaquim salles

    04/03/2014 — 21:45

    Bom …muita gente também acha isso sobre a ONU 🙂 Abraços

    1. Uma dica: os EUA sempre souberam de tudo que acontecia na Rússia. Sabiam quem eram os comunistas. Sabiam, por exemplo, que Stalin mandava inocentes para os Gulag por sorteio, simplesmente porque era necessário preencher cotas de trabalho escravo. E mesmo assim dividiram o mundo com os russos, os chineses, os franceses e os ingleses em um novo Tratado de Tordesilhas chamado de “Conselho de Segurança da ONU” que torna estes países imunes a qualquer sanção internacional, acima de todos os demais. Dá pra levar a sério uma instituição assim? Não, né?

  8. Joaquim Salles

    20/03/2014 — 11:31

    “De fato, essa associação entre legalização das drogas e redução da criminalidade é o novo emplasto Brás Cubas do Brasil.”

    Mais um ponto que li sobre a liberação da maconha: não, necessariamente, existirá redução da criminalidade segundo essa linha de pensamento.

    (só para registro das linhas de discussão sobre a questão)

    Abraços

    Joaquim

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