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Professor, quanta cocaína dá pra cheirar sem ter overdose?

Imagine que você é professor e um aluno seu faz esta pergunta em aula: “professor, quanta cocaína dá pra cheirar sem ter overdose?” – o que você responde? Certamente não a verdade. Se você responder a verdade, provavelmente será processado por “apologia ao uso de drogas” ou alguma estupidez assim, além de provavelmente perder o emprego. Para ser “um bom professor”, você precisa desconversar, omitir a verdade ou mentir

A pergunta do aluno é legítima. Ele está em busca de conhecimento. Ele quer uma informação objetiva. Se ele for um bom aluno, já deve ter procurado a resposta em algum livro didático ou em algum site especializado na internet. Talvez ele já tenha encontrado uma resposta, mas ele quer ter certeza da correção da informação, por isso procura uma fonte confiável que a corrobore.

Então o aluno pergunta ao professor… e descobre que não pode confiar nem no professor, nem no sistema educacional inteiro, porque tudo que ouve como resposta é ou um amontoado de deculpas furadas sobre o motivo de não poder receber uma resposta válida, ou uma mentira evidente (“zero”). Isso quando o aluno não é punido pelo simples fato de ter perguntado, ocasião em que ele aprende qual é a verdadeira natureza do sistema de ensino.

O resultado da impossibilidade de responder essa pergunta de modo direto e objetivo mostra que nosso sistema educacional é completamente doente, falho, distorcido e na verdade pernicioso. Na ausência de uma resposta em sala de aula, o aluno irá procurar essa informação fora da sala de aula. Mas onde?

Como ninguém pode responder essa pergunta em público, este aluno terá que procurar a informação desejada junto ao único público que sabe responder e que pode responder: traficantes e usuários. É deles que virá a informação confiável, pois o traficante não deseja matar sua fonte de renda e o usuário não deseja matar o possível companheiro de “viagem”.

Veja a que ponto chegamos: o professor, para preservar seu emprego, prefere manter seu aluno ignorante e arriscar que ele morra de overdose ao tentar descobrir a resposta certa, enquanto o traficante de drogas e os demais usuários de drogas preferem transmitir a informação correta e garantir que este indivíduo permaneça vivo. Que imensa inversão de valores!

Quando o sistema educacional quer manter os alunos ignorantes à força, colocando em risco a vida de quem ousa divergir da orientação imposta, enquanto a informação confiável, necessária para manter-se em segurança, só pode ser obtida junto a pessoas a quem o sistema educacional ensina a temer, odiar e manter distância, alguma coisa muito errada há com tal sistema educacional.

Que nojo viver em uma sociedade que prefere que as pessoas percam seus empregos, sejam presas ou corram o risco de morrer caso não obedeçam cegamente os limites irracionais criados supostamente para o bem delas mesmas. É muita hipocrisia para minha pobre paciência.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 31/10/2011

47 comments to Professor, quanta cocaína dá pra cheirar sem ter overdose?

  • Paula

    Mas e por que este “aluno” nao pergunta isso para os seus pais?!

    Ele nao precisaria perguntar para o professor nem buscar a resposta entre usuarios e tal se tivesse feito o mais simples: perguntado para seus pais.

    A falta de resposta (para a pergunta que nao tem resposta e que incomoda o professor ) me parece em nada ter relacao com sistema de ensino.

    Ainda assim, se o professor for bem preparado sabera que a pergunta nao tem resposta pois a dose para causar overdose e’ variavel. E tambem comecara a resposta para sala de aula explicando que o uso de cocaina e’ contra a lei. Aproveitara a pergunta para educar os alunos a respeito do tema. Alem disso, ha maneiras de responder a perguntas como esta sem se colocar na posicao de acusado da apologia ao uso da cocaina.

    • Hehehehe… a isca funcionou, né, sumida? :D

      Paulinha, esse aluno não pergunta isso para os pais pelo mesmo motivo que ele não pede para os pais ensinarem a ler, a escrever, a realizar as quatro operações, a calcular qual o percentual de ervilhas lisas surgirá de um cruzamento AaBbCc x AaBbCc, a memorizar os rios da margem esquerda do Amazonas, a balancear estequiometricamente uma reação de oxi-redução e a calcular quantas combinações possíveis podem ser feitas entre quatro anéis coloridos e oito dedos, considerando que dois dos anéis são pequenos demais para servir no dedo médio de cada mão.

      Esse aluno não pergunta isso para os pais simplesmente porque os pais dele não sabem a resposta, ou não querem oferecer a resposta, ou vão transformar a vida dele em um inferno se ele fizer a pergunta.

      Se os pais tivessem que saber a resposta para tudo, para que precisaríamos de um sistema de ensino? Facha logo essa porcaria, papai e mamãe dão conta do recado.

      E a única maneira de responder qualquer pergunta deveria ser com a simples verdade: “depende deste e daquele fator, mas em média é seguro x gramas”. Entretanto, o professor que responder assim (sem tergiversar e tentar doutrinar moralmente o aluno segundo uma moralidade fascista, imposta pelo Estado) será com certeza demitido e talvez preso, como bem sabemos.

  • Li

    Uma coisa que nunca entendi é o medo que se criou das drogas.

    Eu fui hippie,tive amigos que morreram por overdose,e nunca senti vontade de usa qualquer droga….bebia,mas essa “droga” não é vista pelas boas famílias como tal,rs.

    Primeiro que nem todo usuário se vicia.

    Como não dá para saber isso,é melhor manter distância,rs.

    Segundo……é melhor informar do que aecar com os custos.

    Eu sou uma das poucas pessoas que conheço que se aventuram a dar informações corretas.

    É uma pena.—

    • Só não podes fazer isso com testemunhas, ou corres o risco de seres presa por apologia ao uso de drogas. Que é o problema analisado no artigo.

  • André

    Suponho que a única resposta honesta para a maioria dos professores seria “Não sei.” Não vejo isso como falha do sistema educacional, já que consumo seguro de drogas ilícitas não consta em nenhum currículo.

    • Resposta 1:

      Primeiro que, se o professor responder “não sei” para um aluno na terça-feira, então a resposta tem que estar na ponta da língua na quinta-feira, quando houver nova aula da mesma disciplina.

      Segundo que, se o aluno não pode obter na escola as respostas para as questões importantes que lhe interessam para a vida real, então a escola não serve para porcaria nenhuma.

      Terceiro que, se o aluno não puder obter a resposta no sistema educacional, então ele fará exatamente o que eu disse: buscará a informação entre traficantes e usuários.

    • Resposta 2:

      Ora… não estar previsto no currículo o atendimento às questões que são importantes para o aluno é justamente a grande falha do sistema educacional.

      É por isso que um aluno não pode perguntar em sala de aula como se calcula o juro real de um financiamento habitacional enquanto o professor está explicando como se calcula o apótema da pirâmide.

      Lixo de sistema de ensino…

    • André

      Resposta 1:
      a) Na quinta a droga continuará sendo ilícita, de modo que dificilmente o professor poderá buscar a resposta correta.
      b) Se essa for a única questão importante na vida desse aluno é melhor que ele abandone logo a escola.
      c) Na minha opinião o traficante, enquanto apenas traficante, não é um bandido, é um empreendedor cujo ramo de negócio está temporariamente não regulamentado. Por isso não vejo demérito em recorrer a ele para sanar esse tipo de dúvida.

      Resposta 2:
      Nenhum currículo conseguirá englobar todas as questões que são importantes para a vida do aluno. Mas concordo que matemática financeira é mais importante que certos aprofundamentos.

    • 1a) A ilicitude da substância não elimina a existência de uma resposta correta para a pergunta.

      1b) Quer dizer que preferes marginalizar quem diverge do que melhorar o sistema educacional?

      1c) A licitude ou ilicitude do tráfico não torna o traficante necessariamente conhecedor das questões técnicas abrangidas pelo uso da substância que ele comercializa.

      2) O que os currículos precisam englobar é licença e tempo suficiente para o professor bem informar os alunos sobre as questões que lhes são importantes, além de um mecanismo que inclua as FAQs no próprio currículo.

    • André

      1a) Mas a ilicitude da substância dificulta ou impossibilita a busca por uma resposta, pois a mesma talvez não conste em livros e fazer a pesquisa para descobrir a resposta é ilegal.
      1b) Não. Mas se a única pergunta que interessa para esse aluno, a ponto de não lhe interessar permanecer na escola caso não obtenha resposta para tal questão, for essa então creio que ele esteja perdendo tempo na escola.
      1c) Eu deduzi que o traficante fosse a única fonte de informação a cerca desse assunto, mesmo que pouco confiável.
      2) E precisa evoluir com o tempo, e sempre haverá alguma arbitrariedade, já que englobar tudo que possa ser de interesse do aluno (mesmo que ele ainda não saiba que é) pode tornar o currículo impraticável.

    • 1a) Ou seja, o sistema educacional é tão falho que empurra o aluno que tiver uma dúvida considerada tabu para o contato com a marginalidade e com o crime.

      1b) Essa é apenas UMA pergunta, este é apenas UM exemplo dos absurdos do nosso sistema educacional. E essa tua resposta reforçou minha impressão de que para ti mais importa manter o sistema como está do que aperfeiçoá-lo para melhor atender as demandas reais dos alunos.

      1c) Mas isso é exatamente o que eu estou reclamando! O professor tem que ser a melhor fonte de informação do aluno. Ele tem que ser a referência em credibilidade – e tem que fazer jus a este status sendo competente e livre para responder.

      2) O currículo precisa ter um “núcleo duro” composto de disciplinas obrigatórias para todos, uma “ênfase eletiva” composta por disciplinas optativas que permitirão aos alunos dirigir seus estudos para suas áreas de maior interesse e um “espaço de manobra” na carga horária de cada disciplina para estudar questões trazidas pelos próprios estudantes, como as citadas pelo Félix neste link: http://arthur.bio.br/2011/10/31/drogas/professor-quanta-cocaina-da-pra-cheirar-sem-ter-overdose/comment-page-1#comment-153602

  • paula

    sim, tenho estado sumida porque estou ocupada demais. Mas de quando em vez dou uma passada por aqui nem que seja para ver o que esta’ rolando.

    Eu li os comentarios ate’ aqui e as moderacoes, Arthur.

    Eu nao mudei minha opiniao. Sim, que precisamos de sistema organizado de ensino para poder dar pelo menos a base sobre inumeros assuntos para qualquer cidadao, e que nem que seja principios de matematica, genetica, fisica, etc devam ser parte do curriculo… Tu sabes que eu adoro o sistema educacional como ele e’ no Brasil, depois de ter estudado em 3 continentes, mas isso ‘e assunto para outro comentario/texto. Mas se o “aluno” nao puder falar sobre sexo e protecao contra doencas sexualmente transmissiveis, drogas e efeitos colaterais (licitas ou ilicitas), violencia urbana, leis de transito e consequencias de atos e transgressoes, respeito em casa, no lazer e no trabalho, ideia sobre carreira e oportunidades profissionais, etc, etc, EM CASA, nao ha’ sistema de ensino no planeta que va’ dar solucao para o problema que vem de casa.

    Ha perguntas que precisam ser feitas e debatidas em casa. Se o ambiente em casa nao e’ propicio, a casa deve ser solucionada, e nao achar que se deva delegar o problema do domicilio ao “sistema educacional”.

    • Ah, sim, a casa deve ser solucionada, mas por quem? E através de que estratégia?

      Tenho a “leve” desconfiança que esta é justamente uma das grandes atribuições do sistema educacional…

      … e voltamos a “o ovo ou a galinha”.

    • André

      Enquanto os pais mandam os filhos para a escola para os professores terminarem de criá-los, os professores entopem os alunos de “dever de casa” para os pais terminarem de educá-los.

    • Estás falando com um professor que quando estava na ativa nunca passou outro “dever de casa” que não a leitura de algum texto importante para a aula seguinte. ;)

  • Darei um caso real:

    Até 2008 fui professor de gramática, literatura e redação em escolas de ensino fundamental e médio. Entre meus alunos estavam pessoas dos 10 aos 17 anos, uma massa heterogênea de indivíduos, com dúvidas reais de suas vivências reais. As perguntas que lembro são:

    - Qual a sensação que dá no pênis quando fazemos sexo?
    - Gozar no ânus engravida?
    - É mais pesado a maconha ou a cocaína? Por quê?
    - É comum experimentar drogas?
    - Qual a melhor frequência de sexo que devemos ter?
    - De onde vem o preconceito contra as religiões africanas?
    - Qual sua opinião sobre Jesus?
    - Silas Malafaia está certo falando dos gays?
    - Maconha dá overdose?

    Essas são algumas das perguntas que ainda lembro, proferidas por alunos de classe média ou alta em João Pessoa, quase todos filhos de empresários, pastores, artistas, jornalistas. A primeira pergunta quase me rendeu uma demissão. As outras, tive de ser chamado pelos pais e pelo coordenador várias vezes para explicar que “ou os alunos descobrem isso de mim, ou descobrirão na rua com quem não devem“.

    Um belo dia minha religião cavou minha demissão. Os pais queriam uma “educação cristã” para seus filhos, e oito professores voaram da escola, todos ateus, agósticos, umbandistas e espíritas (e eu, budista, no meio). Movemos uma ação contra a escola, e a escola resolveu demitindo o coordenador do ensino médio, jogando a culpa nele.

    Segundo alguns amigos que ficaram, o ano seguinte foi marcado por umas “tragédias”.
    - um aluno morreu com overdose de ecstasy numa boate,
    - algumas meninas engravidaram (parece que cinco ou seis delas, a maior parte do fundamental),
    - uma delas contraiu AIDS (parece que ela era do terceiro ano),
    - dois alunos pediram transferência por sofrerem bullying por serem ateus,
    - um aluno saiu de casa e foi morar na cracolândia da cidade, e agora vende droga em troca de droga.

    O que isso ensinou? Que bastou tirar quem os orientava, sem substituir de forma eficiente por outra pessoa que também oriente, e a coisa toda desandou. Como os pais desses alunos são filhos de gente das empresas e da mídia, começou uma campanha na cidade contra as drogas e pedindo com que os jovens “se guardem até o casamento”, e ambos já conhecemos o tipo de eficácia desse tipo de campanha, né não?

    O professor orienta porque os pais não o fazem, demasiadamente presos à uma moral e a um politicamente correto que poda nos mesmos qualquer possibilidade de dar um rumo racional sobre o assunto. O resultado é que a maior parte dos alunos passou a descobrir por si mesmos da pior maneira.

    • Isso me remete à resposta da Paulinha. Como “arrumar a casa” se é justamente de casa que vêm as maiores restrições à racionalidade?

      Outra coisa: isso me reforça a tese de que não devo permitir que meus filhos vão à escola. Não tolero a hipótese de ver meus próprios filhos serem deseducados em um ambiente preconceituoso por pressão dos ignorantes à volta.

    • Daniel

      Bah guri…. quer dizer que bastou vc sair da escola pras coisas ficarem uma merda? Que educação com base na doutrina cristã levam alunos às drogas e a gravidez? Vc é super herói de onde agora?

  • Elvis

    Fiquei curioso com a resposta que você deu, Félix, a essa pergunta:
    - De onde vem o preconceito contra as religiões africanas?

  • Elvis

    Já vi que tem a resposta no Calango Abstrato :D Que comodidade!

  • paula

    O fato de um percentual alto de familias nao estar preparada para dar abertura aos filhos para este debate nao faz da familia um local inadequado para que ele aconteca. Nem faz automaticamente da escola o local adequado.

    Esperar que o colegio tenha exclusividade nesta responsabilidade me parece inadequado.

    “Conserto de familias” ocorre quando os problemas familiares sao detectados e os componentes da familia estao motivados a mudar. Se nao houver deteccao do problema (diagnostico), ou se os elementos envolvidos (pais, filhos, etc) nao estiverem dispostos a encarar o fato em questao, tanto quanto nao estao dispostos a debater o assunto do blog, realmente nao tem conserto. Neste caso, todas as opcoes subsequentes sao menos do que otimas.

    Eu como mae prefiro assumir a responsabilidade da educacao e informacao de minha familia, mais do que de empurra-la para outros, professores, camaradas, colegas, traficantes, etc. Mas ‘e obvio que vao sempre acontecer questionamentos fora de casa, aos professores, etc, como o Felix mencionou. Neste caso, a minha preferencia ‘e a de ser informada, para que pelo menos eu tenha a oportunidade de entrar no debate.

    • Paulinha, eu não acho que a escola deva ter exclusividade nesta responsabilidade, eu acho que a escola deve ter esta responsabilidade. Se a família é bem estruturada e bem informada o suficiente para orientar as crianças, ela fará isso. Se não é, não fará. E aí a escola terá que suprir essa carência na formação do futuro cidadão.

      “Conserto de famílias” é uma expressão interessante. :) Se eu fosse psicólogo, colocaria essa expressão na porta do meu consultório. :)

  • Lunah Lan

    O governo federal já lançou um programa que inclusive figura online, o qual é obrigatório ser discutido em sala de aula pelo professor de ciências, biologia e química no ensino fundamental séries finais e ensino médio, a fim de dirimir as curiosidades dos alunos… os vídeos até são interessantes, mas os professores tem de fazer verdadeiros cursinhos pra não passarem apuros com as mais variadas perguntas que surgem (vale lembrar que quanto mais velhos os alunos, mais sacanas as perguntas)
    Não é fácil ser professor nesse país.

  • Lúcio Reis

    O enorme “x” da incognita é que, o estado tem sob sua preocupação primordial as armações para a corrupção e, releva a plano quaternário a qualidade da educação sob todos os aspectos e, assim, o professor fica acossado pela baixa remuneração quando se trata de ensino público e, no privado que se destina ao alto poder aquisitivo, no qual os pais, normalmente estão envolvidos em falcatruas e acreditam que tudo podem, apesar de que o que podem orientar na criação de sua prole, não o sabem, porque o que muito sabem mesmo é tramar para subtrair do erário e, assim eis as consequências que hoje testemunhamos. Não obstante tudo o acima, ainda há o enorme preconceito.

  • Lunah Lan

    Então…, desculpe-me, mas não encontrei mais o link, o meu notebook onde estava salvo queimou, mas eu estava trabalhando como professora no começo do ano quando surgiu a campanha (março/2011) inclusive com pequenas pinceladas no programa “Malhação” da rede globo. O nosso colégio recebeu o vídeo e instruções aos professores de química, ciências e biologia e panfletos. Mas não encontrei na net, não sei se sumiu, ou se é falta de prática de procurar.
    Desculpe-me.

    • Baixei a cartilha e a li inteira em cerca de cinco minutos. Se essa cartilha com desenhinhos estereotipados e absoluta superficialidade é o melhor que o Brasil pode produzir como material de orientação para educadores… pobres das crianças e adolescentes quando precisarem de orientação sobre a questão das drogas!

  • Lunah Lan

    Não. Era um vídeo de um muro, um rapaz ia andando e o vídeo ia explicando sobre as diferentes drogas, etc. bem moderninho! Os panfletos que acompanhavam tinham a imagem do vídeo.

  • Lunah Lan

    Desconhecia a cartilha, mas vou dar uma olhada, conhecimento nunca é demais. he he he

  • Eu responderia assim:

    Não há uma quantidade máxima de consumo de cocaína que causa overdose no indivíduo, por vários motivos:
    1-nunca se sabe o grau de pureza da droga; quanto mais pura, menor a quantidade que se pode usar sem risco;
    2-não se sabe o grau de tolerância do indivíduo à substância; como exemplo, tem gente que toma uma taça de vinho e fica bêbado; outros tomam uma garrafa e não ficam.
    3-por conter variáveis que o usuário não conhece, melhor ficar afastado da droga para não correr o risco de overdose.

    Acho que com uma resposta dessas, meu emprego de professor não correria riscos, e a pergunta serviria para passar outras informações sobre o assunto aos alunos.

    • É, Vinícius, não há dúvida de que esta seria a resposta mais cautelosa dentro do atual paradigma. O grande problema é que o pressuposto do teu item 3 dificilmente é atendido.

      É o tal do negócio: se o aluno perguntar as mesmas coisas em relação ao álcool, em tese as mesmas respostas seriam válidas, mas quem deixaria de beber uma latinha de cerveja estupidamente gelada só porque o professor diz que como não se sabe o grau de tolerância de cada indivíduo ao álcool o melhor é ficar afastado da cerveja para não correr o risco de porre/coma?

      Dizer para que as pessoas se mantenham afastadas das drogas é simplesmente uma não-solução. Equivale a dizer para as pessoas não andarem de carro para não correr o risco de acidentes de trânsito.

      Na prática o sujeito provavelmente vai experimentar por conta própria até descobrir os seus limites, independentemente de qual seja a droga escolhida – e é isso que me incomoda, porque para que raios serve todo o conhecimento que temos sobre as drogas se não podemos utilizá-lo de modo realista para manter as pessoas em segurança?

  • Elise

    Ontem mesmo eu estava lembrando de um livro que nos foi “indicado” para ler no ginásio: “O Estudante”. Todos ficamos horrorizados, é lógico, pela trágica história contada ali. E me lembrei de outra coisa, também: ninguém NUNCA tocou no assunto “drogas” na escola; nós lemos o livro, ficamos assustados e aquilo, pelo jeito, foi considerado suficiente. Tanto é que, dos 12 aos quase 20, se alguém falasse alguma coisa sobre drogas perto de mim, eu desconversava, porque achava que a pessoa estava querendo me oferecer alguma coisa. Ninguém nunca me disse que conversar sobre drogas não ia me matar.

    • Para algumas pessoas o terrorismo emocional gera aversão ao tema (teu caso), mas para outras pessoas o terrorismo emocional gera curiosidade pelo tema.

  • Elise

    Então, o engraçado é que, mesmo com aversão ao tema, eu sempre tive vontade de experimentar pelo menos a maconha, porque eu sou curiosa ao ponto de querer saber o efeito que algumas coisas ou situações causam em mim. Quando experimentei, depois dos 20, concluí que eu tinha sido enganada a adolescência inteira, porque eu não me viciei imediatamente, nem entrei em surto psicótico e muito menos tive vontade de continuar fumando.

    • Pois é, a postura oficial de todas as iniciativas anti-drogas que eu conheci até hoje sempre foi de sonegar e distorcer informações.

      Fico imaginando quantos adolescentes devem ter percebido que seus pais, seus professores e as autoridades estavam mentindo e com isso perderam a confiança neles e foram descobrir por conta própria qual era a verdade sobre as drogas.

      Quanto sofrimento poderia ter sido evitado pela simples verdade!

      Mas, ao invés disso, muita gente prefere que os adolescentes se arrebentem “pra aprender a confiar” em quem mente para eles!

  • Elvis

    Você argumenta que o valor do sistema de ensino é mensurável por quanto ele capacita os alunos para enfrentarem questões práticas na sua vida. Por outro lado, se o único valor for esse, todo o conhecimento avançado, que tende fortemente a ter pouca utilidade para o aluno individual, vai ser jogado no lixo. Porém, para manter a sociedade funcionando com os níveis de consumo e populacional atuais, precisamos de muitos engenheiros, e outros profissionais qualificados. Além disso, o progresso nessas áreas demanda pesquisa científica. Acho que algo de valor em um sistema de ensino, e que você ignora, é a formação de profissionais qualificados e produção de ciência. Matemática faz bem para o cérebro.

  • Daniel

    como faz pra mudarmos nossa foto

    • Digite gravatar no Google, é o serviço que o Gerson citou pra você. Fazendo um mini cadastro, em todo site que wordpress que você digitar seu nome e e-mail (se não tiver um site próprio, isso é opcional) sua foto vai aparecer no lugar dessas imagens automáticas.

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