Não vou discutir se fumar maconha no campus universitário é crime. Quem me conhece sabe que eu não reconheço como “crime” um ato que não prejudica ninguém além do próprio autor. Mas invadir e depredar prédios públicos é crime. Desobedecer ordem judicial de desocupação de prédio invadido é crime. Estocar coquetéis molotov, gasolina e explosivos para resistir à ação policial determinada pela justiça é crime. Agredir jornalistas é crime. E depredar viaturas policiais é crime. Então, caríssimos, o episódio não tem nada a ver com “perseguir maconheiros” e sim com prender uma quadrilha criminosa travestida de “grupo de estudantes” supostamente fazendo “política estudantil”.

As besteiras inomináveis que estão sendo ditas sobre este episódio são impressionantes. Eu separei somente três delas para comentar, porque minha paciência anda bem curta para lidar com o besteirol vomitado ora por gente mal intencionada, ora pelos inocentes úteis de sempre.

Besteira 1: os estudantes lutam por democracia, a PM reprime

Vejamos: a maconha é proibida hoje, mas de fato ninguém prejudica terceiros por fumar maconha. Cabe, portanto, de modo perfeitamente democrático, questionar essa proibição, realizar manifestações e até atos de desobediência civil organizada (como uma “nuvem de protesto”), desde que ninguém seja prejudicado no processo.

Até aí é possível falar em “lutar por democracia” dentro da democracia, pois os usuários de Cannabis são uma minoria injustamente reprimida.

Mas será que se pode falar em “lutar por democracia” dentro da democracia quando se invade e depreda um prédio público tentando obrigar a universidade a extinguir processos administrativos e romper um convênio firmado para garantir a segurança dos estudantes no campus?

Uma ocupação como a da reitoria da USP pode ser válida para chamar a atenção para uma causa, mas será legítima a ação “pela democracia” de 70 estudantes que participaram de uma assembléia que deliberou pelo final da desocupação do prédio da reitoria e que, tendo sido voto vencido, decidiram pela antidemocrática não-aceitação da decisão da maioria e insistiram em manter a ocupação?

Será que permanece válida quando o prédio é depredado?

Será que permanece válida quando a justiça determina a desocupação e uma assembléia constituída por indivíduos que não possuem a menor representatividade do corpo discente decide ignorar a ordem judicial?

Será que permanece válida quando estes mesmos indivíduos fabricam coquetéis molotov e estocam explosivos para enfrentar a polícia quando esta cumpre seu estrito dever legal e garante o cumprimento de uma ordem judicial?

Será que permanece válida quando os supostos “combatentes pela democracia” agridem jornalistas e reúnem-se em bando para jogar paus e pedras contra viaturas da polícia, depredando patrimôno público?

Besteira 2: os estudantes são presos políticos

Preso político é o sujeito que é preso em função de suas opiniões.

Invadir e depredar prédios públicos não é manifestar opinião, é crime de dano.

Agredir jornalistas não é manifestar opinião, é crime de agressão.

Atacar em bando viaturas da polícia para depredá-las não é manifestar opinião, é crime de formação de quadrilha.

E o fato de haver estocagem de explosivos e materiais incendiários entre os invasores da reitoria da USP mostra claramente que suas intenções eram violentas, tornando completamente ridículo o discurso de que a presença da PM é que traz violência ao campus.

Besteira 3: a PM atuou como na ditadura militar

Façam-me o favor… a PM atuou sob ordem da justiça, rigorosamente dentro dos parâmtros da lei, como mostram inúmeras gravações feitas por celulares dos próprios detidos. A paciência e o protocolo dos policiais foram elogiáveis.

Ninguém se feriu. Ninguém tem uma marca de tortura no corpo. Ninguém foi submetido a tratamento cruel ou degradante. Ninguém sofreu abusos ou maus tratos. Que raio é esse de alegação de tortura, então?

Esse pessoal que se negou a obedecer ordens judiciais, preparou-se para um enfrentamento violento estocando explosivos e materiais incendiários, foi preso sem levar uma porrada de cassetete e está reclamando que aguardar o depoimento dos outros dentro de um ônibus é “tortura” ofende e envergonha os ativistas e os inocentes presos, espancados, torturados, mutilados e mortos na época da ditadura militar.

Conclusão

Um pouquinho de coerência e de razoabilidade não faz mal a ninguém. Será que não ensinam isso na USP? Ou será que esse pessoal perdeu essa aula porque estava muito ocupado manufaturando coquetéis molotov?

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 08/11/2011

 

38 thoughts on “Fazer política é uma coisa, cometer crimes é outra

  1. Manga-Larga

    08/11/2011 — 18:12

    Esse pessoal se apoiou no movimento pela legalização da maconha apenas para dar um fundo político aos seus atos, no fundo nem eles sabiam porque lá estavam. Foi uma queimação de filme para os que militam pela legalização, sempre observando os princípios legais.

    O pior é saber que toda (pouca) legitimidade conquistada pela Marcha da Maconha à duras penas agora está ameaçada por um grupo radical, que não tem nada a ver com o movimento. E que daqui pra frente, sempre que o cidadão ouvir falar da Marcha vai achar que é coisa “dos vagabundos lá da USP”

    1. Pior é que o próprio perfil da Marcha da Maconha no Twitter estava divulgando as informações do ponto de vista do DCE da USP…

  2. Todo mundo que estuda em universidades públicas (pelomenos as estaduais Paulistas) sabe q esse pessoal aí é sempre o mesmo grupinho de meia dúzia de pseudo-revolucionários que passa 7 anos na faculadde só incitando greve e fod*&%$ com a vida dos outros. Sempre vencem pelo cansasso as assembléias estudantis e “tomam o poder” dos D.A.s. O movimento estudantil acabou há anos.
    Posso dizer, com toda certeza que essa minoria NÃO representa os estudantes de bem.

    1. Às vezes eu penso em fazer um outro curso universitário, mas um dos motivos pelos quais eu sempre desisto da idéia é que eu sei que não vou conseguir evitar de participar em política estudantil e montar uma chapa para DCE. Eu proporia uma gestão 100% voltada para as questões da universidade, incluindo coisas “banais” como qualidade de aulas, funcionamento de bibliotecas e laboratórios, critérios de seleção para estágios e pós-graduações, etc. Ou seja, eu faria política estudantil ao invés de tentar derrubar o imperialismo ianque e implantar a revolução socialista depredando o prédio da reitoria e mantendo a PM fora da universidade. No jargão deles, eu seria “um pelego alienado enfraquecendo ‘a verdadeira causa’ dos estudantes”, etc….

  3. Manga-Larga

    08/11/2011 — 19:00

    Aqui vai uma ótima compilação dos erros dos caras.
    http://contraversao.com/post/12515378293/a-revolucao-nao-sera-shareada

    E a frase das frases:

    Primeiro de tudo, quem mais perdeu com essa história toda foi justamente o movimento pela legalização da maconha,. que teve anos de discussão jogados na fossa. Afinal, eles conseguiram provar que a imagem do maconheiro alienado, playboyzinho e inútil era “verdadeira”.

    1. HAHAHAHAHA!!!! Ótimo texto! Concordo com 99% do que o cara disse. Discordo deste trecho: “A briga não é pela retirada da polícia do campus, que é uma baita burrada devido a violência que o cerca, mas por uma nova política com relação ao uso da cannabis.” Acho que não é esse o caso. Aquele pessoal não luta pela legalização da Cannabis. Aquele pessoal não tem um foco construtivo. Tudo que eles querem é criar problema e aparecer na TV, mesmo.

      A não ser, é claro, que sejam “revolucionários socialistas” tentando “derrubar o imperialismo ianque” ao invadir a reitoria. Aí eu concordaria que o caso não é de polícia… e sim de internação psiquiátrica.

    2. Manga-Larga

      09/11/2011 — 15:02

      Pois é, existem várias brigas na real. O cara do texto fala da briga dele, que não era a mesma dos estudantes.

    3. E o que aquela turba dos 70 da USP queria? Acho que nem eles sabem direito.

  4. sim, o movimento da legalizacao da maconha esta’ manchado por estes radicais.

    mas ‘e de certa forma ridiculo ver estes estudantes terem a pretensao de serem comparados a estudantes de movimentos como os da epoca da ditadura militar, ou do impeachment de Collor.

    simplesmente ridiculo.

    o pior ‘e que outros alunos da USP, que nada tem a ver como o pato, estao levando a fama de vandalos. Sim, estudantes da USP e participantes dos movimentos pela legalizacao da maconha estao igualmente radicalizados e prejudicados com estes fatos.

    1. Pois é, Paulinha… os caras são tão errados, mas tão errados, que conseguiram nos fazer concordar 100%! 🙂

  5. “Agredir jornalistas não é manifestar opinião, é crime de agressão.”

    Em se tratando de jornalistas brasileiros, acho que discordo.

  6. Rafael Holanda

    09/11/2011 — 00:36

    O mais difícil pra mim, que sou estudante da Universidade Federal de Rondônia, é ver que um movimento estudantil de greve todo errado como este consegue gerar mais debate e, de certa forma, adquirir mais apoio do que a greve justa que vem acontecendo nos últimos dois meses na UNIR, e tudo isso por causa da abençoada localização geográfica.

    Faço meu os votos de todo o jornalismo brasileiro de que essa questão seja resolvida de maneira rápida, justa e, se possível, pacífica. Enquanto isso, nós desse “país” chamado Amazônia ficamos aqui, parados, perdendo os nossos cursos importantíssimos de Manufatura de jóias com miçangas e Histórias pra se contar à beira da fogueira da aldeia.

    1. Pois é, basta ser na USP que qualquer bobagem vira notícia no ato. Para uma mobilização estudantil na Universidade Federal de Rondônia conseguir a mesma visibilidade, os estudantes teriam que picotar o reitor e servir bifes do fígado dele no Restaurante Universitário… é um inferno isso.

  7. Já vi absurdos imensos quando fui parte do Movimento Estudantil, desde greve de estudantes (que produção industrial foi prejudicada pela interrupção dos “trabalhos” dos estudantes?) até chapas de DCE que lutavam pelo Sufrágio Feminino (ou seja, na cabeça deles, as mulheres ainda não podem votar). Certa vez, a chapa do PSTU e do PCO propuseram “lutar contra a ALCA, o FMI e o Banco Mundial”, ao que respondi: “gente! é só o DCE”.

    Pois é, acho que os filhos dessa geração (por sinal, me considero metade parte dela) olharão para seus pais com uma certa vergonha social.

    1. ALCA, FMI e Banco Mundial jamais ficarão sequer sabendo da existência da porcaria da chapa para o DCE.

      Esse pessoal que quer lutar contra o mundo inteiro deveria começar por lutar a favor de alguma coisa útil em uma escala bem menor. Por exemplo, podiam montar uma rede de estudos extra-classe para ajudar quem está com dificuldade de aprender os conteúdos das disciplinas do próprio curso e para estudar um pouco além daquilo que é oferecido em sala de aula, complementando os conteúdos oferecidos pela universidade. Isso seria uma boa política estudantil, não a revolução socialista.

  8. Parabéns pelo texto, você é um dos poucos caras da internet brasileira que sabe defender seus pontos de vista com argumentos sólidos sem babaquices, viagens, partidarismo ou paranóia. Concordo plenamente com tudo que você falou ae. Ganhaste mais um leitor de IMENSA importância: eu. 🙂

    Continue lúcido assim e faça uma visita pra nós lá do Fórum Clock-Up, um dos poucos fóruns do brasil sobre cultura pop sem mimimis nem bububus.

    1. Obrigado pelo comentário e pelos elogios, Fábio. Eu só discordo da parte “sem viagens”, não deves ter lido o artigo sobre trocar a máquina de lavar louça… 🙂 Hehehehe…

  9. Leia a matéria do Papo de Homem. Quem escreveu é de lá e conta como as coisas funcionam por dentro e explica o que se passa na cabeça desses retardados.

    http://papodehomem.com.br/8-mentiras-que-voce-anda-lendo-sobre-a-pm-na-usp/

    1. Li. Conheço o Flávio faz tempo.

      Discordo radicalmente de uma afirmação do texto: “Acontece que, enquanto elas não são legalizadas, não se deve fumar. É tão simples quanto parece.”

      Não, não é.

      Este argumento é falacioso.

      Em muitas demandas por legalização (ou por proibição) da sociedade, o ato ou o item a ser legalizado (ou a ser proibido) tem que ser utilizado (ou proscrito) por força das ações dos indivíduos / do grupo social antes que a legalização (ou proibição) ganhe corpo legal.

      Negar essa dinâmica social é o mesmo que dizer que basta colocar uma lei no papel para mudar o mundo, como se as práticas sociais fossem elementos a priori dependentes das leis, o que é tão verdadeiro quanto uma nota de três Reais.

      Mas, fora o item 4 inteiro, que contém este argumento falacioso, o resto do artigo é coerente.

  10. to me especializando em ressuscitar artigos antigos kkkk, mas gostaria de tirar algumas dúvidas…

    tu disse em alguns artigos aqui que considera que o judiciário faz política ao invés de justica, que a democracia não é um sistema justo por que algumas vezes uma maioria burra e desinformada decide sobre a vida de uma minoria inteligente e bem informada, mas nesse caso usa uma decisão judicial e uma decisão anti-democrática dos estudantes pra deslegitimar o protesto na usp…

    sobre os coquetéis, tu disse que era a favor da paz armada, e eu acho que os estudantes deveriam ter sim o direito de se defender dos policiais caso eles viessem cometer algum abuso…

    é válido usar o exemplo de uma marcha que até pouco tempo atrás era proibida pela justiça e observar os abusos que os policiais cometiam contra os manifestantes…

    no mais, acho válida a ocupação de prédios – e até a pichação deles – como forma de protesto, mesmo que a maioria da “classe” não apoie o protesto…

    por favor, não pense que eu estou te apontando o dedo, foram só algumas dúvidas q eu tive em relação aos seus argumentos lendo esse artigo e alguns outros 😀

    1. “no mais, acho válida a ocupação de prédios – e até a pichação deles – como forma de protesto, mesmo que a maioria da “classe” não apoie o protesto…”

      Uma minoria decide depredar prédios públicos e impedir o funcionamento de instituições públicas. Onde está validade disso? E os outros alunos?

    2. Pois é, você não está legitimando coisas demais ao dizer que é válido invadir e pichar prédios? Por exemplo: se o meu professor me der uma nota baixa, eu sozinho, uma minoria, não poderia fazer isso como protesto contra uma suposta perseguição dele contra os alunos? E, por causa disso, milhares de alunos da universidade terão de estudar em um local depredado.

    3. a validade está no próprio protesto e do mesmo não usar meios violentos*, e os outros alunos têm a opção de aderir à causa, ignorar ou manifestar-se contrários…

      sim, eu tenho a consciência de que estou legitimando qualquer protesto, mas acho essas medidas mais extremas como greves e ocupações, considerando a ocupação como sendo a última alternativa, justas à medida que forçam as negociações entre as partes…

      * acho que esse protesto na usp usou de meios violentos ao agredir jornalistas e atirar objetos nos carros da PM, mas eu não considero pichação um meio violento, afinal nada está sendo destruído e nada nem ninguém está sendo ameaçado, óbvio que a pichação deve ser feita no prédio que a mensagem se dirige, não concordo em pichar “2,45 é roubo” em uma parede que não seja a da prefeitura ou da ATU…

    4. em “nada nem ninguém está sendo ameaçado” quis dizer que nem a propriedade, nem alguma pessoa está sofrendo algum dano…

    5. “no mais, acho válida a ocupação de prédios – e até a pichação deles – como forma de protesto, mesmo que a maioria da “classe” não apoie o protesto… [Wagner]

      Wagner, antes deste episódio da reitoria, aconteceu um episódio bizarríssimo na FFLCH. Os pagamentos dos terceirizados da limpeza estavam atrasados, por diversos motivos que eu não vou lembrar agora, e a sujeira foi se acumulando. Um dia, chegamos na Letras e havia lixo por todo lado. Alguém achou que era uma boa ideia protestar contra os atrasos dos terceirizados mostrando o que acontece depois de um dia ou dois sem o serviço deles e espalharam o lixo pelos corredores. Não digo que ninguém se sensibilizou com a situação deles, mas no meu entendimento não havia muita coisa que pudéssemos fazer em relação aos pagamentos. Alguns estudantes, voluntariamente, recolheram todo o lixo e deixaram o prédio limpo. No outro dia, adivinha? Tudo sujo de novo, com direito a foto na imprensa de uma ALUNA chutando o balde cheio de lixo. Aquela semana foi perdida, porque quanto mais alguém limpava, mais ia alguém pra espalhar o lixo de novo.
      Eu não consigo ver esse tipo de ocupação – porque indiretamente o prédio foi ocupado pelo lixo e pelos que espalhavam o lixo – como uma forma de protesto válida; a primeira vez, OK, serviu pra mostrar mesmo a situação dos terceirizados, mas a partir do momento em que alguns estudantes limparam e outros foram sujar tudo de novo, o protesto já virou palhaçada e já perdeu a validade.

    6. Concordo, mas bagunçar o prédio já é um ato de vandalismo…

    7. mania q eu tenho de ir apagando partes do post pra reescrever de um jeito diferente… sempre fica alguma coisa errada, ao invés de “justas à medida que” é “justas já que”… 😀


    8. tu disse em alguns artigos aqui que considera que o judiciário faz política ao invés de justica, que a democracia não é um sistema justo por que algumas vezes uma maioria burra e desinformada decide sobre a vida de uma minoria inteligente e bem informada, mas nesse caso usa uma decisão judicial e uma decisão anti-democrática dos estudantes pra deslegitimar o protesto na usp… (Wagner)

      Sim, eu disse que o Judiciário faz política ao invés de justiça, e que isso é errado. (Se bem me lembro falava especificamente sobre o STF naquela ocasião.) Mas o errado é o Judiciário fazer política, não a simples existência do Judiciário. Alguma instância de solução de conflitos é fundamental para qualquer sociedade complexa.

      Quando o Judiciário age com razoabilidade e não faz política – e mandar cessar uma invasão de prédio público por um bando de baderneiros é razoável e não é fazer política, por mais que os baderneiros tenham interesse em impor essa visão enviesada – ele está cumprindo sua função básica, da qual necessitamos para manter a ordem. Afrontar suas determinações nestas circunstâncias só faz a sociedade regredir a um regime de força, o que ninguém deseja.

      E quanto à decisão anti-democrática servir como desqualificadora da ação dos estudantes, isso se deve ao fato de eles mesmos reclamarem que querem democracia! Mais pela incoerência deles do que pelo valor que eu dou à democracia, que eu considero um sistema incapaz de efetivar seus próprios ideais, que são ótimos.


    9. “sobre os coquetéis, tu disse que era a favor da paz armada, e eu acho que os estudantes deveriam ter sim o direito de se defender dos policiais caso eles viessem cometer algum abuso…” (Wagner)

      Calma lá! Olha o contexto!

      Uma coisa é os cidadãos – ou os governos – utilizarem-se de armas para garantir a própria defesa perante agressões injustas.

      Outra coisa é os cidadãos – ou os governos – utilizarem-se de armas para promover agressões injustas.

      O ladrão não tem o direito de usar uma arma para se defender da polícia quando ela vier impedi-lo de descumprir a lei e prendê-lo. Isso seria uma perversão do conceito de legítima defesa. Não se pode defender legitimamente um ato ilegítimo.

      Aí eu pergunto: a invasão da reitoria, descartada pela maioria e mandada cessar por ordem judicial, além da depredação do patrimônio público e da inviabilização do funcionamento da universidade, eram atos legítimos?

      Se não eram, não cabe falar em legítima defesa, porque o uso daqueles coquetéis molotov até poderia ser para defesa, embora eu duvide disso, mas com certeza não seria para uma defesa legítima.


    10. “no mais, acho válida a ocupação de prédios – e até a pichação deles – como forma de protesto, mesmo que a maioria da “classe” não apoie o protesto…” (Wagner)

      Bom, eu não acho válidas essas coisas.

      Mas o principal problema é outro: se os caras queriam invadir e pichar de qualquer jeito, por que fizeram uma assembléia antes?

      Quem participa de uma assembléia deliberativa e vota nessa assembléia está obrigado a acompanhar a deliberação da maioria, porque aceitou a regra do jogo ao votar. O que esse pessoal fez foi “se a gente vencer, acatamos a decisão da assembléia; se a gente perder, desacatamos”. Isso é ético?

    11. não nego a importância do judiciário, a questão q eu coloco é se essa decisão não é mais uma das decisões políticas…

      não disse em usar os coquetéis para impedir o cumprimento da lei, disse em usar coquetéis para se defender de possíveis abusos policiais… e já que a causa do protesto alegada pelos estudantes foi a truculência da PM no campus, eu não descarto essa hipótese 😀

    12. Coquetéis Molotov para se defender da polícia, armada com cassetetes, escudos, pistolas .40, espingardas calibre 12, etc.?

      Não, né?

    13. o governo nos libera pistolas e revólveres pra nos defendermos de bandidos que muitas vezes têm fuzis e metralhadoras uahssuhauhasshua

    14. Mas o principal problema é outro: se os caras queriam invadir e pichar de qualquer jeito, por que fizeram uma assembléia antes?
      Quem participa de uma assembléia deliberativa e vota nessa assembléia está obrigado a acompanhar a deliberação da maioria, porque aceitou a regra do jogo ao votar. O que esse pessoal fez foi “se a gente vencer, acatamos a decisão da assembléia; se a gente perder, desacatamos”. Isso é ético? [Arthur]

      Foi justamente isso o que aconteceu aquele dia. A assembleia foi convocada pra discutir a ocupação da Administração da FFLCH, que havia acontecido no dia da confusão com a polícia no prédio da História, e pelo que eu entendi, era só isso que seria discutido; tanto é que o prédio da Administração foi desocupado sem maiores problemas. Outras propostas estavam encaminhadas, e eu acho que uma possível invasão da reitoria não estava entre elas. O que aconteceu foi que, como o teto da assembleia já havia estourado [era 23h e ainda estava rolando assembleia], então as pessoas começaram a ir embora por causa da distância [a maioria dos estudantes mora longe da Zona Oeste]. Daí os mais esquentadinhos – os “ultra”, como a gente chama – começaram a achar aquilo um absurdo, acusaram a mesa de estar dissolvendo a assembleia de propósito e blablabla, daí resolveram que iam descer pra reitoria e invadir tudo. Foi aí que eu tive o pensamento “isso vai dar merda”.
      Nestes termos, não há mesmo como concordar com uma coisa dessas. Depois da ocupação de 2007, que realmente deu resultado sem maiores problemas – ninguém pixou ou destruiu nada – essa galera acha que é só abrir caminho à força que tudo se resolve.

    15. Com o suporte ideológico da cambada de pseudo-intelectuais que bloga coisas como “polícia truculenta invade espaço universitário e agride estudantes” quando acontece algo do gênero, o país vai mesmo na direção do “invade e quebra que se não resolve pelo menos a gente aproveita pra divulgar mentiras que se tornarão hegemônicas”.

  11. Se eu disser que depois deste episódio eu me limito a dizer que estudo Letras, sem mencionar aonde, você acredita? Eu não posso mais simplesmente dizer que estudo na FFLCH sem alguém me perguntar se eu estou do lado dos “vagabundos” ou se eu sou uma estudante boazinha e honesta…

    Eu estava acompanhando de casa a tal da “assembleia” que “deliberou” pela invasão da reitoria. Na hora eu pensei: “isso vai dar merda”. E deu. Eu tenho uma colega que se enfiou lá dentro. Ela me disse um monte de coisas sobre a invasão, a permanência e a reintegração, e eu só respondi de volta: “foi burrice entrar lá dentro daquele jeito, e mais burrice ainda não sair de lá enquanto era tempo”. Eu me dou o benefício da dúvida quanto àqueles coquetéis molotov, eles me pareceram muito mal-feitos, mas eu sinceramente não boto minha mão no fogo pra dizer que não foram eles que botaram aquela tranqueira lá.

    Quanto à questão da polícia, eu tenho uma opinião formada sobre tudo o que aconteceu, sobre tudo o que deveria ter acontecido e sobre o que poderia acontecer se a vontade da Elise fosse levada em conta. Mas eu não costumo comentar sobre isso por dois motivos: eu estudo lá, o que na maioria das vezes já faz com que a minha credibilidade vá pro buraco, e minha posição a respeito da PM lá dentro é digna de gritos e xingamentos por parte da maioria dos alunos de lá.

    1. Isso é o que eu chamo de “ambiente contaminado”.

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