É patético que não se consiga estabelecer um debate racional e razoável sobre o melhoramento genético da espécie humana sem que surjam ataques pessoais e falácias do espantalho em profusão. Mas a eugenia em breve será uma necessidade da espécie humana e uma realidade que virá para ficar, então é oportuno e necessário estabelecer um debate racional e razoável sobre o tema antes que ele se imponha por suas próprias forças e possibilite o retorno de ideologias muito indesejáveis.

O termo Eugenia foi criado por Francis Galton (1822-1911), que assim o definiu:

“Eugenia é o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja fisica ou mentalmente.”

Noutras palavras, “eugenia é o auto-direcionamento da evolução humana”.

A definição do problema

Eu não vou perder meu tempo nem gastar o tempo do leitor historiando as vinculações da idéia da eugenia com os nazistas e outros grupos racistas, nem tampouco analisando o mau uso político das ciências biológicas. Qualquer busca pela palavra “eugenia” retornará milhares de artigos com este ponto de vista na internet. Meu objetivo não é produzir mais da mesma histeria e sim propor um debate racional e razoável sobre como evitar a deterioração do pool gênico humano dada a supressão da seleção natural pela medicina e pela previdência social.

Antes da medicina e da previdência social, nossa espécie estava sujeita às mesmas regras de seleção natural que qualquer outra espécie: indivíduos mais adaptados deixavam maior número de descendentes férteis que indivíduos menos adaptados e assim os genes deletérios (como os das doenças hereditárias) iam sendo eliminados gradativamente.

Depois da medicina e da previdência social, esta lógica mudou. Indivíduos com doenças hereditárias, que dificilmente conseguiriam se reproduzir nas condições inóspitas da “natureza selvagem de dentes e garras”, passaram a ter suas vidas salvas e sua reprodução garantida devido ao avanço da ciência médica e da organização social.

O resultado deste impedimento à ação da seleção natural é muito positivo para o indivíduo, mas deletério para o fundo gênico da espécie. O indivíduo míope, ou hemofílico, tem sua vida salva antes da idade reprodutiva, deixando de ser morto na natureza para passar seus genes adiante em um ambiente antrópico com segurança biológica artificial.

Assim como este indivíduo passa adiante seus genes deletérios, também seus filhos o farão, e seus netos, e assim por diante, fazendo permanecer no pool gênico da humanidade genes cada vez mais inadaptados à vida independente de tecnologia e seguridade social. A longo prazo, a tendência é cumulativa: os indivíduos se tornarão cada vez mais dependentes de um sistema tecnológico e político cada vez mais caro que no entanto produzirá indivíduos cada vez mais débeis e problemáticos.

As gerações hoje viventes não sofrem deste mal porque o gigantesco avanço da medicina e da previdência social que gerou nosso mundo de hoje é extremamente recente, tendo sido deflagrado à época da Segunda Grande Guerra Mundial, cujo início se deu há menos de um século. Mas as futuras gerações – especialmente se o aquecimento global vier a reduzir as áreas de terra firme do planeta e tornar o clima mais inóspito – sofrerão estas conseqüências negativas da medicina e da previdência social de modo terrível. Por isso este debate é oportuno e necessário.

O jeito errado de fazer eugenia

Só para me certificar que nosso debate não vai enveredar por caminhos tortos e obscuros, vamos deixar bem claro desde o princípio que eugenia não tem nada a ver com racismo. O fato de o termo ter sido apropriado pelos nazistas e por outros grupos racistas com ideais supremacistas não diz respeito a qualquer característica intrínseca da idéia de eugenia, tendo sido apenas um mau uso político de uma idéia que em si é neutra.

A grande questão que se impõe é como resgatar o potencial positivo da idéia eugênica, sem ceder ao emocionalismo que a vincula às aberrações políticas que foram cometidas em seu nome, para produzir benefício sem violar a dignidade e os direitos de ninguém – mas de ninguém mesmo, nem mesmo de uma única pessoa.

Fique portanto bem claro: toda e qualquer proposta que viole os Direitos Humanos é uma proposta do jeito errado de fazer eugenia. Este critério não pode estar ausente de nossa mente nem mesmo por um único segundo ao debater este tema.

E qual é o jeito certo, então?

A idéia básica da eugenia é o melhoramento genético. Ora, existem diversas técnicas usadas para promover o melhoramento genético de plantas e animais, e nós conhecemos e praticamos inúmeras delas. Não se trata, portanto, de um debate sobre técnicas, mas sobre a ética na aplicação das técnicas.

– Como eliminar genes inadaptados sem eliminar a liberdade das pessoas, sem violar sua dignidade e sem cercear seus direitos?

Esta é a questão.

Possibilidades

Vou apresentar somente duas, para não tornar o artigo muito extenso.

A engenharia genética provavelmente será a maior promotora de eugenia entre os humanos se conseguirmos decifrar o genoma humano. Na verdade, a engenharia genética me parece extremamente desejável para esta finalidade, uma vez que ela pode permitir a livre reprodução de pessoas portadoras de doenças hereditárias sem que seus filhos recebam estes genes específicos.

Imagine: Fulano, míope; Sicrana, portadora de hemofilia; Beltrano, filho de ambos fertilizado in vitro, com visão perfeita e não-hemofílico graças à substituição do gene da miopia de seu pai e do gene da hemofilia de sua mãe por alelos saudáveis nas respectivas células gaméticas. Nenhum direito violado, nenhum dano à dignidade de qualquer dos envolvidos e um ganho imenso em independência de tecnologia e previdência social, além do ganho maior que é a saúde perfeita de Beltrano.

A autocontenção premiada é uma alternativa não-tecnológica de alta viabilidade, o que pode torná-la o caminho mais suave, de baixo custo e de amplo alcance caso estejamos dispostos a discuti-la politicamente. Trata-se simplesmente de premiar de modo significativo as pessoas portadoras de doenças hereditárias que se dispuserem a ter um número de filhos menor que a média, ou seja, zero ou um. Não é necessário que seja zero, pois a lógica da autocontenção premiada é estatística: se um gene se reproduz em taxas menores que a média, a tendência é que ele desapareça gradualmente.

Imagine: Fulano, míope; Sicrana, portadora de hemofilia; Beltrano, filho de ambos, míope e hemofílico, porém com financiamento total de suas necessidades médicas pelo SUS (como todo mundo) e adicionalmente uma bolsa especial condicionada ao compromisso dos seus pais de não terem um segundo filho. Nenhum direito violado, adesão totalmente voluntária e um auxílio financeiro adicional a todos os programas governamentais a que tiver direito devido a sua condição de saúde.

Conclusão

De um modo ou de outro, em algum momento a espécie humana terá que lidar com a questão da qualidade de seu pool gênico. Ao contrário de tentativas passadas que trataram esta questão de modo ideológico e arbitrário, com freqüente viés racista, hoje a recolocação que faço da eugenia no plano do debate político visa a garantir a qualidade de vida das futuras gerações sem que no processo haja qualquer violação à dignidade humana ou aos Direitos Humanos. Resta descobrir se já existe maturidade suficiente para enfrentarmos este debate sem evocações de estereótipos do passado e com a devida lucidez.

Alea jacta est.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 29/11/2011

45 thoughts on “Eugenia: em breve, próxima de você

  1. Me admira que voce, que sempre foi contra atividades e pensamentos que beirem o fascismo, tenha escrito o tal texto.

    Ok, buscaremos eugenia. Mas quem ‘e que vai decidir que gene deve ser o eleito? E dai, ter cabelos encaracolados ‘e melhor que lisos? Ou ser resistente no exercicio ‘e melhor do que ser rapido? Ou ter risco elevado de cancer ‘e melhor que de doencas cardiovasculares? Quem vai ser o imperialista a decidir o que ‘e o eugenico, o padrao?

    Civilizacoes muito antigas ja’ sabiam da importancia de garantir a diversidade genetica na populacao. Exemplos sao os costumes de oferecer as esposas para viajantes visitantes, dentro de comunidades restritas geograficamente.

    Este artigo tem muita ficcao, e da’ asas para a imaginacao, mas seu amago esta’ enganado. A especie resistente e duradoura ‘e a diversa. Eugenia pressupoe oligodiversidade.

    1. “Me admira que voce, que sempre foi contra atividades e pensamentos que beirem o fascismo, tenha escrito o tal texto.”

      Paula, acho que você não entendeu nada do artigo.

      E diversidade genética não significa promover artificialmente um crescimento no percentual de genes deletérios na população. Isso está acontecendo. Vai haver problemas. O artigo propõe um debate sobre como resolver isso sem sofrimento, ou com o mínimo de sofrimento.

    2. Paulinha, oi!, é o Arthur aqui! 🙂 Sou absolutamente anti-fascista, anti-racista, anti-sexista, anti-qualquer-porcaria-que-atente-contra-a-liberdade-e-a-dignidade-humanas.

      Quando eu falo em eugenia, nem de longe penso em escolher um “ser humano padrão”. Minha idéia é evitar sofrimento reduzindo a freqüência de genes deletérios para que não aconteça de um nosso tataraneto seja míope, fenilcetonúrico, hemofílico e huntington ao mesmo tempo.

      Promover uma diversidade saudável é uma coisa, mas garantir a ampliação da diversidade de doenças não me parece tão bom… 😉

    3. Gerson, exato: isso já está acontecendo. Tão logo tenhamos uma população estabilizada ou decrescente, o problema ficará evidente. E as técnicas de eugenia já estão em uso, conforme podemos ler no artigo linkado pela Li, logo abaixo. Só falta chamar a coisa pelo nome verdadeiro. 😉

      (OBS: sou contra a seleção de embriões, mas aprovo a seleção de gametas e a engenharia genética em gametas.)

  2. No meu entendimento,nem seria necessário qualquer intervenção artificial,bastaria a consdcientização
    das pessoas portadoras de doenças genéticas.

    Se eu amo meu filho não vou querer que ele sofra tanto quanto eu.

    Conheço uma moça que tem transtorno bipolar severo.
    Todas as mulheres da família de sua mãe também,algumas agravado com esquzofrenia.
    Algumas pessoas desta família já se suicidaram.

    Nas longas conversas que tive com ela, ao longo dos anos,a convenci a não ter filhos.

    Pedi a ela que se orientasse melhor sobre o assunto.
    Que conversasse com sua psicóloga,e ela chegou a conclusão de que não iria ter um filho nessas condições.

    Sem contar que para ter um filho ela teria de interromper o tratamento e fficar totalmente limpa,coisa impensável em sua situação.

    Realmente,é um assunto que muitos não discutem por questões éticas ou religiosas,mas certamente é algo que devemos discutir.

    Principalmente,nós,as mulheres. Já que a maioria dos filhos dependem unicamente de nosso grau de informação para vir ao mundo sãos ou doentes.

    http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1563343-5603,00.html

    Por mais que eu seja contra teus argumentos em alguns assuntos,não posso deixar de
    admirar teu bom senso,e de aprender com ele.

    1. Grato, Li. Esse artigo que linkaste é um exemplo perfeito de eugenia, só falta começarmos a chamar a coisa pelo nome verdadeiro.

      (OBS: Desaprovo a seleção de embriões em humanos, porque implica em matar os embriões com genética indesejável. Penso que há outras técnicas que devem ser preferidas.)

  3. Fala aprendiz de Nazista, como eu sei que todos que vão contra suas “fantasticas” idéias são chamadas de Ogros (falta de imaginação)já lhe poupei o trabalho.
    Há tempos deixei de ler este blogzinho de quinta e quando acho que vc melhorou, surpresa: o tempo te deixou pior.
    Eugenia (nome de uma tia véia que eu tenho lá na Paraiba) é coisa do capeta, aquele mesmo capeta que faz gente tonta feito vc não acreditar em DEUS.
    Suas ideias são no minimo um atentado a uma sociedade que as pessoas de bem tentam manter.
    Mas não adianta, vc já viu que os acessos no seu besteirou diminuiram , e muito…..
    Suas ideias furadas não vão vencer àquelas a que tanto presamos: FAMÍLIA, TRABALHO, RELIGIÃO, E PRINCIPALMENTE CARATER.
    Sai, projeto falido de belzebu!!!!!

    1. Obrigado pelas risadas que me proporcionaste, bundão. Quando tiveres coragem de te identificar talvez eu leve a sério algo que digas.

      E os acessos não param de aumentar. 🙂

    2. Se não gosta do blog porque volta aqui? Fica na sua e não enche. Eu não vou em blog de cristãos ver o que eles ficam discutindo. Não tem mais o que fazer? Reza pro seu deus pra ele te dar bom senso.

    3. “Reza pro seu deus pra ele te dar bom senso.”

      HUAHUAHUAHUAHUA!!!

  4. Esquerdistas vão esquerdar, mas eu não vejo problemas com isso. Não vejo problemas em selecionar características que todos, ou a maioria, aprecia em embriões.

    Contanto, claro, que não se diminuam as possibilidades de vida de quem já está vivo.

    1. Olha só, Eduardo, eu nem cheguei ao ponto de sugerir que mexêssemos em outras características que não a simples eliminação de genes deletérios e já houve quem me chamasse de nazista (apesar dos alertas em contrários já contidos no texto), imagina se eu tivesse dito que a partir de agora todo mundo poderia ter o corpo do Conan ou da Jessica Rabbit! 😛

  5. Mas, sei lá, receber uma recompensa do governo para não ter filhos me parece uma proposta tão deprimente.

    1. É mesmo estranho, né? Mas creio que se trata de uma questão cultural. Hoje o problema citado no artigo não é considerado de grande relevância social, mas talvez daqui a poucas gerações atinja cifras que tornem muito mais razoável e aceitável esta estratégia “deprimente”. Será que ainda estaremos vivos quando este dia chegar?

  6. Numa nossa sociedade cada vez mais tecnológica o indivíduo mais adaptado não é aquele com melhor intelecto? É possível fazer eugenia tendo em vista esse objetivo?
    Com a atual queda na taxa de fertilidade, temos que discutir logo a desoneração da produção de filhos.

    1. Por incrível que pareça, o indivíduo com maior intelecto é com freqüência rejeitado em nossa sociedade. Dá uma olhada no primeiro artigo da história do blog e confere.

      Mas não precisamos de eugenia para tornar alguém muito mais inteligente do que a média de hoje. Basta alfabetizar uma criança em duas línguas a partir dos quatro anos e ela será um gênio perto da média de sua coorte.

  7. Interessante você enfatizar “eugenia não tem nada a ver com racismo”. É meia verdade. Ela só não tem a ver com racismo para quem não acha que existem seres humanos melhores que outros seres humanos. Mas quantas pessoas você conhece que acha que ser branco é melhor que ser negro? Ou que ser heterossexual é melhor que ser homossexual? Ou ter olho azul é melhor que ter olho preto?

    Outra coisa: você coloca a miopia, por exemplo, como um defeito que poderia ser superado. Mas espera aí: se, atualmente, há uma forma de corrigir esse defeito sem o menor prejuízo à pessoa, e ela terá uma vida competitiva como qualquer outro indivíduo, então é mesmo um defeito a ser superado? Ora, na selva, a miopia certamente é uma desvantagem. Mas na nossa sociedade, não é. Simplesmente é algo indiferente.

    O Dr Plausivel já escreveu sobre a eugenia: http://drplausivel.blogspot.com/2008/01/eu-gnio.html.

    Ele diz que já fazemos isso com as plantas e os animais. É verdade. E para que fazemos isso? Simples: pq, nos casos em que fazemos isso, os animais e as plantas são ferramentas, ou meios. Os fins somos nós mesmos. Se isso acontecer com os seres humanos, é isso que seremos: ferramentas, ou meios. Ok, do ponto de vista dos genes, é isso que somos. Mas, do nosso próprio ponto de vista??? Muito, muito errado! Até pq, seríamos meios para quais fins? Certamente haveria uma pequena parcela da população, aquela com acesso a recursos indisponíveis à maioria, que seria beneficiada.

    Ora, a tecnologia de ponta não está no SUS. Mesmo se houvesse um hospital do SUS em cada esquina, e cada um deles fosse igual a um Albert Einstein, quem tem dinheiro teria acesso a algo diferenciado. Isso é de se esperar. O problema é quando esse “algo diferenciado” começa a oferecer a possibilidade da hegemonia. Nossa sociedade é baseada na idéia da possibilidade de mobilidade social. Se isso acabar, que sociedade teremos? Aquela de Admirável Mundo Novo? Lá todos eram felizes, pois eram condicionados desde embriões à classe que lhe era destinada. Aquilo, para você, é uma sociedade perfeita? Não há nada antiético na forma como aquela sociedade é descrita?

    1. É, eugenia não tem nada a ver com racismo. O fato de os racistas terem se apropriado da idéia da eugenia em um determinado período histórico não implica que não possamos mais falar em melhoramento genético humano com propósitos muito mais elevados e métodos muito mais dignos do que aqueles que eles propunham.

      Sobre a miopia, eu usei este exemplo porque eu mesmo sou míope. Uso óculos ou lentes de contato, enquanto meu irmão fez a cirurgia da miopia e está com a visão perfeita (eu não fiz ainda porque morro de medo de alguma coisa dar errada na cirurgia). Pode parecer um problema menor, mas minha vida gira em torno de minha miopia! Não posso ver TV sem os óculos. Não posso dirigir sem os óculos. Não posso caminhar pela cidade sem os óculos. Praticamente não posso sair da cama sem os óculos. E há ocasiões em que até na cama eu preciso dos óculos. Então, André, na nossa sociedade ou em qualquer outra, ser míope é sim uma grande desvantagem. E para que se incomodar com paliativos se dá pra eliminar a miopia pela raiz?

      Quanto ao Admirável Mundo Novo… menos, menos… eu quero apenas evitar que as pessoas sofram de doenças hereditárias. Deixa o debate sobre a criação de super-homens para quando as doenças genéticas tiverem sido eliminadas.

  8. “Esquerdistas vão esquerdar, mas eu não vejo problemas com isso. Não vejo problemas em selecionar características que todos, ou a maioria, aprecia em embriões.”

    Isso é foda… Ainda ler que achar isso um absurdo é coisa de esquerda… É por isso que a direita tá no buraco… Assim a esquerda nem precisa de trabalho para acabar com a direita. A própria direita já faz esse serviço muito bem…

    Tem eugenia para corrente política?

    1. Já que tocamos no assunto… Qual seria o problema em selecionar características altamente positivas e engenheirar geneticamente gametas para gerar crianças supersaudáveis?

  9. Como eu disse,acho que a alta tecnologia nos ajuda a viver melhor,mas não tão melhor assim,rs.

    Eu jamais concordaria em “modificar” meu filho,salvo se sua vida estivesse correndo risco.

    Na sociedade em que vivemos a ética não ganha o devido espaço,e as leis não são para serem respeitadas,embora eu ache que as coisas das quais falas,já estejam acontecendo.

    A história da humanidade tem mostrado que qualquer descoberta para o bem,imediatamente ganha o lado B.

    E eu não aceito transplante,nem qualquer parafernália que prolongue sofrimentos desnecessários.

    Entendo que devemos discutir todas as coisas que possam nos atingir de alguma forma.

    Não vejo onde um debate não possa ser feito,já que somos adultos e “supostamente” inteligentes.

    O que me incomoda profundamente é que a sociedade se faz de cega,surda,e burra,quando lhe interessa.

    Que nossa amplidão de horizontes possa se estender a TUDO e a TODOS.

    Porque se engessar em algumas coisas e correr como o vento para outras,não faz o menor sentido.

    1. Não aceita transplante? Que estranho! Por que?

    2. Eu não falei para fazer engenharia genética com as pessoas, in vivo; citei a idéia de fazer isso com os gametas, in vitro.

  10. Não aceito,Gerson,por questões que seria complicado explicar aqui.

    Defendo que cada um tenha o direito de fazer da sua vida o que bem entender.

    A a dignidade humana merece ser respeitada.

    Dignidade humana é o poder que a pessoa tem de escolher se quer viver ou morrer.

    1. ??? Tudo bem. Mas eu sou grato à tecnologia de transplantes. Mantem viva alguem importante pra mim.

    2. Pois é… também não entendi no que a tecnologia de transplantes pode ferir a dignidade humana. Se eu precisar de um rim e alguém compativel morrer em um acidente de automóvel, no que haveria de ferir a minha dignidade ou a do falecido caso eu receba um rim dele?

  11. Entao Arthur. Voce que ‘e miope severo, que descreve sua vida como girando em torno da miopia (eu tenho miopia, mas nao ‘e severa e minha vida nao gira em torno de meus oculos). Voce aceitaria dinheiro do governo para nao ter filhos?

    Abriria mao do seu livre arbitrio de escolher ter ou nao ter filhos a qualquer tempo, por projetos ou programas “sociais” do Governo? Nao estaria entao chamando o governo de fascista por oferecer $$ para as pessoas abdicarem de seu direito? (acabaste de sugerir isso ha’ alguns textos atras, quando debati as campanhas norte americanas de combate a drogas como o tabagismo)

    E depois de receber o $$, se mudasse de ideia, tivesse uma crise existencial e achasse que na verdade rale-se a miopia e o custo que gera para a sociedade, rale-se o dinheiro ganho, voce queria mesmo era exercer o livre arbitrio e ter um filho biologico. Ia ter o filho mesmo assim e burlar a lei, continuar com o $$ no bolso e dizer que o filho nao era seu, que era de criacao, ou adotado? Ou ia ficar frustrado para sempre, nao ter o filho e obedecer? Hum, e se recebesse o $$ do governo, ia optar por um metodo anticoncepcional masculino 100% eficaz como por exemplo vasectomia? Ou ia continuar ali no preservativo, “torcendo” para ele nao explodir? Ah nao, claro, prevencao de gestacao ‘e assunto da mulher, tinha esquecido. Me desculpe mas esta ideia que apresentaste de o Governo estimular as pessoas com doencas geneticas como a miopia a nao terem filhos nao faz sentido algum para mim.

    1. Paulinha, eu tenho 6,5 graus de miopia e mais 1,5 de astigmatismo, nos dois olhos, bem simétrico. Eu posso caminhar na rua sem óculos e sem medo de ser atropelado, sem problemas. 🙂

      Se eu aceitaria dinheiro do governo para não ter filhos? Ou pelo menos para ter somente um filho e assim reduzir a freqüência dos genes da miopia na população? Acho que não, porque eu quero muito ter filhos e a miopia não é uma prioridade alta para um esforço eugênico neste século, comparado por exemplo com a anemia falciforme ou com a hemofilia. Creio que os governos deveriam eleger prioridades muito bem definidas para gastar o dinheiro público com um projeto deste tipo, priorizando as doenças que trazem maior sofrimento/incapacitação e maior custo de tratamento.

      Mas o que tem que ficar claro é que não aceitar a proposta é uma escolha minha. Outras pessoas poderiam aceitar a proposta e ficar bem contentes com isso. Enquanto cada um tiver a possibilidade de escolher livremente, qual o problema de uma iniciativa destas?

      Oferecer uma grana para facilitar a vida de alguém que pode dar uma contribuição para as gerações futuras através de uma contenção voluntária de um direito não é fascismo. Fascismo seria determinar quem pode e quem não pode se reproduzir, seja lá qual for o critério, por mais positivo que possa ser o resultado desta medida para as futuras gerações. Fascismo seria constranger as pessoas a tomar esta decisão.

      Os detalhes técnicos/operacionais que citaste são relevantes, mas ainda não chegamos sequer no ponto de reconhecer que é interessante tomar alguma medida para evitar que milhões de pessoas padeçam de doenças genéticas múltiplas no futuro, não achas que devemos primeiro discutir o principal para depois discutir o acessório?

  12. Entao Arthur II.
    Considerando a sua miopia, recem descrita acima.
    Voce que decidiu ate’ hoje nao fazer a cirurgia curativa mesmo que o seu irmao tenha feito com sucesso, por medo dos riscos do procedimento, aceitaria que alguem do Governo sugerisse ser necessario fazer MANIPULACAO GENETICA DO EMBRIAO DO SEU FILHO, para previnir a miopia???!!!

    Eu nao acho que possa acrescentar mais nada neste debate.

    1. Não, Paulinha, eu não aceitaria uma manipulação genética no embrião. Se alguma coisa der errada no procedimento, isso significaria mutilar ou eliminar uma vida humana. Não considero esse risco aceitável. Mas eu aceitaria uma intervenção genética em gametas se tivéssemos um modo de fazer isso e testar a integridade do gameta antes de utilizá-lo para uma fecundação. O problema é que eu duvido que isso seja possível ainda em nosso tempo de vida.

  13. “evitar que as pessoas sofram de doenças hereditárias”. Pois é, começa assim. Não tenho dúvida que qdo vc pensa isso, tem a melhor das intenções. Mas você vê como para “selecionar características altamente positivas” é um pulo??

    Aliás, até pouco, bem pouco tempo atrás, homossexualidade estava na lista de doenças da OMS, não estava??? Se tivessem a tecnologia que você cita, então o povo de poucos anos atrás poderia ter evitado que as pessoas sofressem dessa terrível doença hereditária que é a homossexualidade, não?

    Muito bem. Como já dissemos lá no outro post: há discriminação contra negros e gays. Então, do ponto de vista daquele que discrimina, ser negro ou ser gay é uma característica negativa. Quando você diz “características altamente positivas”, vc sabe que há muita, muuuita gente que está lendo “heterossexual, loiro, olhos azuis, 1.90m, etc.”, não sabe?

    Como disse o Dr. Plausível: deixa a natureza cuidar disso. Tenho certeza que a humanidade nunca vai PRECISAR lidar com a qualidade de seu pool genético. Ora, qual o pior cenário? Vamos imaginar que os genes da homofilia e da miopia dominem! Todo mundo é hemofílico e míope, mas todos continuam bem, se reproduzindo, graças a remédios e óculos. Bom, vamos supor que tudo isso começasse a ficar muito caro, e houvesse um colapso no sistema. O que aconteceria? Não iriam morrer alguns, os menos aptos para enfrentar a competição, e a população cairia não até desaparecer, mas somente até estabilizar, com os genes vencedores se proliferando? E, se esses vencedores venceram, foi pq tiveram alguma habilidade que compensou a hemofilia e a miopia, não é?

    Então é melhor deixar a natureza cuidar disso… Melhor do que, no fim, deixar para uma meia dúzia cujo poder econômico falará mais alto decidir…

    1. André, vamos analisar a questão de “selecionar características altamente positivas” sem preconceitos.

      Numa primeira hipótese, temos o financiamento público ou para a manipulação genética de gametas ou para a autocontenção voluntária do direito reprodutivo por parte dos portadores de doenças genéticas. Ora, neste caso o governo idealmente deve eleger prioridades com base em critérios de gravidade da condição a ter sua freqüência gênica reduzida. Eu, por exemplo, que sou míope, jamais veria um centavo de um governo minimamente razoável para um projeto destes, porque a miopia é um problema menor entre as inúmeras doenças genéticas graves que trazem grande sofirmento/incapacitação e alto custo de tratamento. Eu citei acima a hemofilia, mas há outras ainda mais graves. Estas seriam as prioritárias. E eu faço questão de lembrar que minha idéia é apenas oferecer essa possibilidade. Topa quem quer. O efeito é estatístico.

      Numa segunda hipótese, temos o financiamento privado. Digamos que eu seja homozigótico para cabelos e olhos castanhos e queira ter filhos loiros de olhos azuis, porque este é o padrão de beleza mais desejado. Se eu mesmo vou pagar por isso, qual é o problema? Quem estará sendo prejudicado? Uma criança que nascerá bela e saudável?

      Indo além.

      A homossexualidade não é genética, mas vamos supor que fosse. Hoje em dia é melhor nascer heterossexual ou homossexual? Qual seria o dano de garantir que todas as crianças nascessem heterossexuais? Absurdo é desrespeitar uma pessoa homossexual em função de sua sexualidade, ou retirar-lhe direitos, mas qual seria o problema se tão somente não mais existisse a homossexualidade? Quem seria prejudicado com isso?

      E olha bem o que dizes:

      “Bom, vamos supor que tudo isso começasse a ficar muito caro, e houvesse um colapso no sistema. O que aconteceria? Não iriam morrer alguns, os menos aptos para enfrentar a competição, e a população cairia não até desaparecer, mas somente até estabilizar, com os genes vencedores se proliferando?”

      Como é que achas que deixar os hemofílicos morrerem sangrando em desespero devido a um colapso no sistema pode ser melhor do que garantir que as pessoas nasçam saudáveis ou mesmo que possuam algumas características mais apreciadas? Que tipo de compaixão e preocupação com o bem estar das pessoas é esse?

  14. Não sei se isso seria uma questão cultural. Vc mesmo fala que homens são diferentes das mulheres por causas biológicas. Acho que a vontade de ter filhos é um instinto, não é cultural.

  15. Sim, tem mais uma coisa relativa a este artigo. Selective inbreeding e’ uma tecnica utilizada na agricultura e pecuaria ha anos. Muito antes da manipulacao genetica ser possivel.

    A ultima vez que eu soube de alguem sugerindo, planejando e’ executando esta tecnica com seres humanos foi com a criacao das tropas da SS, em que soldados eram escolhidos a dedo por Hitler, por serem loiros, fortes em de olhos azuis. A recomendacao para estes soldados era de que procurassem procriar por onde passasem, independente de seu estado civil. O objetivo era a criacao da raca ariana.

    1. Sim, Paulinha, o nazismo era uma ideologia racista que se aproveitou das técnicas de eugenia. Só por isso agora temos que banir todos os benefícios que a utilização racional e respeitosa destas técnicas podem nos trazer? Não é muito mais razoável combater o racismo?

      Não vejo como confundir uma coisa e outra. Em um caso havia uma ideologia louca que matava pessoas que não se encaixassem dentro de um padrão racial. No outro temos a possibilidade de evitar a propagação de doenças genéticas que trazem sofrimento, incapacitação e dependência de tecnologias de alto custo, sem desrespeitar ninguém nem violar os direitos de ninguém. Não faz sentido misturar as coisas.

      Talvez a tua revolta com este artigo seja a resposta à dúvida que expressei na conclusão do artigo: “Resta descobrir se já existe maturidade suficiente para enfrentarmos este debate sem evocações de estereótipos do passado e com a devida lucidez.”

      Parece que ainda teremos que esperar que toda a nossa geração morra antes de poder debater esse tema do modo como considero adequado, devido à excessiva proximidade histórica do nazismo. É uma pena.

  16. Arthur, te convido a ler e reler teus artigos e comentarios de diferentes textos, para perceberes o tamanho da diferenca de criterio de um para outro.

    Se a discussao sobre eugenia tivesse sido proposta pelo Governo do Brasil ou pelos USA eu aposto que estarias chamando todos de fascistas, “querendo me obrigar a fazer manipulacao genetica no embriao do meu filho”, blablabla.

    Quando o Governo Brasileiro ou o Americano propoe o debate de algo que tenhas comentado no blog, como por exemplo, sobretaxar a droga (no caso o cigarro) para pagar o tratamento das complicacoes causadas por esta (no caso o cancer de pulmao), silencias, em vez de apoiar, mesmo que um artigo sobre o tema tenha sido discutido no blog 2 semanas antes do pronunciamento da autoridade em questao, quando malhaste o governo por nao propor sobretaxacao na venda de drogas como forma de obter recursos para tentar reparar o dano causado por ela.

    Para mim, tu estas sendo 2 pesos e 2 medidas…

    1. Peraí, peraí, peraí, Paulinha.

      Primeiro: se qualquer governo quiser obrigar as pessoas a se enquadrarem em um processo eugênico, eu serei sempre o primeiro a gritar contra. No nosso tempo de vida, qualquer iniciativa deste tipo (obrigar) seria absolutamente irrazoável. O que eu proponho é que comecemos a debater a questão porque ela será importante em poucas gerações para evitar muito sofrimento e isso demooooora para ser adequadamente trabalhado em termos culturais.

      Segundo: onde eu falei em “sobretaxa”? Não lembro disso. Eu lembro de ter defendido a criação de um seguro obrigatório, incluído no preço da mercadoria ou do serviço que tenha potencial de dano suficiente para impactar os cofres públicos, justamente para garantir a liberdade de cada um se arrebentar como quiser sem prejudicar a terceiros.

      A minha defesa é sempre da liberdade individual, com o único limitador de não prejudicar a liberdade individual de terceiros (não existe isso de “bem comum”, existe o meu bem e o bem dos outros, que devem ser harmonizados).

      Eu posso até cometer algum equívoco de avaliação ou mudar de idéia em relação a uma política/estratégia/iniciativa específica, mas não me vejo defendendo coisas incompatíveis ou incoerentes. Se parecer que está acontecendo algo assim, agradeço a crítica para que eu possa reavaliar meu posicionamento e se necessário corrigir a rota. 😉

  17. Blue Na Resistencia

    03/12/2012 — 00:30

    Arthur, rsrsrsrsrsrsrsrsrs, nesta questão fico com o ogro… rsrsrsrssrsrsrsr… apesar de racionalmente também achar que a eugenia seria a solução para muitos males que afligem a humanidade, acho que não temos cabedal moral para faze-la sem que cometivessemos injustiças inimaginaveis… pode ser que Deus tenha nos dados problemas para que com eles aprimorassemos nosso carater e por consequencia nosso espirito… nunca ouvistes falar que o carater é forjado no sofrimento?… ja sofrestes alguma vez?… rsrsrsrsrsrsr…

    1. Primeiro que para aceitar a hipótese “pode ser que Deus tenha nos dados problemas para que com eles aprimorassemos nosso carater” é necessário primeiro provar a existência de Deus, o que até hoje ninguém fez. Então, deixa a hipótese pra lá.

      Segundo que eu não preciso me nivelar ao baixo cabedal moral médio para dar minha opinião. Até porque, se eu fizesse isso, estaria ajudando a abaixar a média. Eu prefiro discutir as idéias em alto nível e ajudar a elevar o cabedal moral médio, ainda que minha contribuição seja apenas 1/7.000.000.000 avos da composição total.

      Mas eu estou plenamente disposto a abaixar os meus padrões em 20% se os outros 7 bilhões concordarem em elevar os seus padrões em 20%. 🙂

  18. Blue Na Resistencia

    04/12/2012 — 08:54

    Noooossa!!!… rsrsrsrsrsrsr… eu não teria tal pretensão… mas ha quem a tenha… o ateismo é, com certeza, o meio mais rapido para que o alto padrão moral que pretendes para uma humanidade destituida do sagrado tenha, venha a cair por terra… ora, se minha fé no sagrado deixa de existir, ou minha esperança é vã, para que eu devo guardar preceitos morais ou eticos se passa a valer a lei do “tudo posso”?… se Deus não pode ser provado por meios racionais, implicito esta que o cristianimo é, também, improvavel… logo, se a fé não é meio probatorio medianamente aceito (pelo menos em teu meio ateu), fica, para aqueles que tiveram a experiencia do Deus vivo em suas vidas, como mentirosos, pois não conseguirão atestar o fato vivido por que deixa de ter, pelos meios utilizados, condições de atestar tais fatos…“Se não há ressurreição de mortos, então Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a nossa fé, e somos tidos como falsas testemunhas de Deus. (…) Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.” – Paulo de Tarso…


    1. “se minha fé no sagrado deixa de existir, ou minha esperança é vã, para que eu devo guardar preceitos morais ou eticos se passa a valer a lei do “tudo posso”?” (Blue)

      E de onde raios tiraste a idéia de que “se a tua fé deixa de existir, vale a regra do Tudo Posso”? Isso é um completo Non Sequitur.

      Primeiro, porque há muitos ateus que são muito mais éticos do que muitos religiosos. A existência de um único destes já elimina a suposta causalidade entre fé e comportamento ético. A existência de muitos prova que a existência de um único não é uma exceção nem uma anomalia.

      Segundo, porque valores iluministas e humanistas são mais do que suficientes para fundamentar a ética.

      “se a fé não é meio probatorio medianamente aceito…” (Blue)

      Não, não é. Tanto não é que há centenas de milhões de pessoas com a mais absoluta e profunda fé em coisas completamente incompatíveis entre si. Se a fé fosse um “meio probatorio medianamente aceito”, teríamos que admitir que o universo tem só um Deus (judaísmo, cristianismo, islã), tem vários Deuses (hinduísmo) e não tem Deus algum (budismo) ao mesmo tempo. Isso é evidentemente impossível.

      E se este ou aquele grupo é o grupo dos mais infelizes dos homens porque acreditam em absurdos dos quais poderiam muito bem se livrar com um pouco de raciocínio lógico-racional, isso não prova nada, nem é problema meu… 😉

  19. Blue Na Resistência

    26/12/2012 — 16:19

    rsrsrsr… saida pela esquerda…

    1. Não, não é “saída pela esquerda”, é nem sequer entrar em debates alucinados de quem acha que alegações extraordinárias jamais provadas devem servir de base para a atuação no mundo de quem quer que seja.

  20. Não levo muita fé nas preocupações éticas deles…
    http://edge.org/response-detail/23838

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