No último dia de 2011 eu postei o mais pessimista e catastrofista artigo da história do blog, no qual eu previ nada mais, nada menos, que o extermínio de mais de 60% da população do planeta de um modo terrivelmente cruel. No dia seguinte eu desejei a todos um feliz ano novo, repleto de paz, saúde e felicidade. Eis a reação do leitor e amigo Gerson B: “… e depois deste post ele ainda deseja Feliz Ano Novo!!!!!!!!!!!!!!” (São 14 pontos de exclamação, eu contei.) Calma, calma, eu explico!

A verdade é que eu sou um otimista. Um grande otimista. Eu acredito em lutar até o último segundo com esperança na vitória e em usufruir o melhor da vida mesmo enquanto nos preparamos para uma tarefa árdua ou uma batalha difícil.

Considerando algumas das coisas que eu escrevo aqui no blog, se não fosse um otimista eu já teria me pendurado pelo pescoço em alguma árvore. No dia em que o blog deixar de ser atualizado sem nenhuma explicação e eu não responder nenhum contato no Facebook e no Orkut, aí sim será sinal de que a coisa ficou preta…

Você conhece a diferença entre o otimista e o pessimista?

O pessimista espera o pior e não se prepara para o melhor.

O otimista espera o melhor, mas se prepara para o pior.

(Quem espera o melhor mas não se prepara para o pior não é otimista, é um tolo iludido que acabará cavando a própria cova.)

Eu disse já em dois artigos que eu pretendo comprar um veleiro e mantê-lo permanentemente abastecido e preparado para poder rapidamente zarpar e passar um ano isolado em alto mar no caso de haver algum ataque de terrorismo biológico em larga escala ou alguma outra convulsão social gravíssima, o que eu considero altamente provável que aconteça em um futuro não muito distante. É verdade. Mas eu não vou deixar de viver normalmente e com muito gosto por causa disso.

Decidi batizar este veleiro de “Plano B” porque meu Plano A será curtir uma vida alegre e saudável com minha família e meus amigos, produzir alimentos, construir moradias, escrever alguns livros, tocar um projeto educacional e talvez um projeto político inédito. Só coisas positivas e construtivas, voltadas para produzir o bem e tornar as pessoas mais saudáveis, mais confortáveis, mais autônomas e mais conscientes. O próprio “Plano B” vai servir para deliciosos passeios com os amigos junto à natureza.

Seria tão tolo viver com medo, ou com raiva, obcecado por perigos e incapaz de aproveitar a vida, quanto viver de modo negligente, irresponsável, desligado dos perigos e incapaz de proteger a própria vida. Uma coisa é ser paranóico, outra é ser previdente. Uma coisa é ser alienado, outra é viver com leveza. Não existe virtude sem sabedoria.

Mas atenção: também não existe fórmula pronta. Encontrar a estratégia que tornará cada um de nós mais feliz e produtivo requer decisão, planejamento, determinação, esforço, atenção, reavaliação constante e disposição para aprender novos conhecimentos e corrigir constantemente o rumo de nossa vida. Que bom que Pensar Não Dói.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 02/01/2012

10 thoughts on “Seja otimista, mas não seja tolo!

  1. Escrevi meio de gozação, mas a verdade é que não vi brechas no teu raciocínio. Mas esse estado de espírito não exatamente com boas espectativas já me acompanha há tempos, Arthur. Seu post foi só mais uma gota, somando-se à leitura prévia de Colapso (Jared Diamond), Crimes contra a natureza (anos 70), A próxima Idade Media (Roberto Vacca) e outras amenidades. Não se culpe.

    Tambem tenho um plano Bzinho, mas tenho dúvidas se vai funcionar. Mas a incerteza faz parte do jogo, não?

    1. Gostei do “não exatamente com boas expectativas”. Belo eufemismo. 🙂 Mas foi por isso mesmo que escrevi o presente artigo. Eu sei que há uma grande chance de não conseguir evitar que a vaca vá pro brejo, mas eu vou insistir até o último minuto em explicar pra vaca que, se ela for pro brejo, ela vai atolar por lá.

      Lógico, eu adoraria poder desmontar da vaca, mas se isso não for possível então eu quero pelo menos um snorkel para poder respirar caso a vaca afunde demais. 😛

      Vou procurar estes livros que citaste.

      Mas teu Plano B não é uma cápsula de cianeto de potássio, né?

    2. Não se preocupe, se fosse ter um Plano B desse tipo ele envolveria C4 e uma visita a uma cidade recem-construida no Planalto Central… se fosse pra sair sairia em grande estilo!

      Mas não, não quero e nem o povo brasileiro merece esse favor. Logo o mar de lama transbordaria de novo.

    3. C4 foi uma boa lembrança. Seria uma saída em alto estilo, mesmo. 🙂

  2. Eu sempre pensei nisso, e o pior, sempre pensei desde criança, e sempre imaginei planos “B”, porém, não concretizei nenhum ainda, quem sabe num futuro próximo, acredito que temos pela frente ainda uns poucos anos de “paz” na terra. Fico feliz de ver que não sou a única “paranoica”, que é assim que as pessoas falam quando falo do que acho q acontecerá no futuro.

    1. Na minha opinião (mas isso é chute) provavelmente estaremos seguros até 2017. É o tempo que teremos para estar com o Plano B em ordem.

    2. Por que 2017!?

    3. Um pouco intuição, um pouco raciocínio, um pouco chute.

      Para desenvolver uma vacina a toque de caixa, inclusive o período de testagem em cobaias, temos aí uns dois anos na melhor das hipóteses, normalmente mais que isso, mas este não é o fator que mais influi nessa estimativa. O grande problema é a logística de proteção dos poderosos, que possui alguns complicadores que demandam extremo sigilo e algum tempo.

      Até a aprovação da nova lei fascista-ao-extremo nos EUA, não havia mecanismos políticos capazes de permitir o desenvolvimento de um projeto deste porte em completo sigilo. O Projeto Manhattan ensinou muito sobre este tipo de logística aos EUA, mas o alcance e o número de envolvidos em uma conspiração genocida em termos de paz para preparar um ataque terrorista biológico em escala mundial é muito maior. Portanto, se o governo dos EUA estiver envolvido nisso – o que é bem possível, dada a sinalização dos eventos desde o onze de setembro – esta escala temporal me parece adequada.

      Lógico que eu posso estar errado e amanhã o William Bonner e a Patrícia Poeta podem informar sobre uma estranha epidemia de uma gripe muito forte que foi identificada em Xangai, Bombaim, Karachi, Deli, Istambul, São Paulo, Moscou, Seul, Pequim, Jacarta, Tóquio, Cidade do México, Kinshasa, Nova Iorque, Wuhan, Lagos, Teerã, Lima, Londres, Bogotá, Bangkok, Hong Kong, Daca, Cairo, Cantão, Rio de Janeiro, Lahore, Tianjin, Bagdá, Bangalore, Calcutá, Santiago e Singapura, superlotando os hospitais, mas até o momento sem identificação nem vítimas fatais… e eu gostaria de já ter o veleiro preparado para poder zarpar antes do final da novela.

  3. Muito bom o blog amigo, gostei da sua clareza de ideias, é bom saber que existem pessoas por ai que não estão alienadas pelo que a sociedade prega…
    Só eu gostaria de saber como você consegue se manter otimista diante de toda a situação, pelo que eu andei lendo seus artigos o mais provável é que vamos todo mundo ‘pro saco’, são ideias perturbadoras e mais pertubador ainda o fato dessas coisas estarem acontecendo. Sério eu ainda mal consigo acreditar que a lei marcial foi aprovada nos EUA, é um absurdo muito grande para mim, muito fora da realidade…. Dá pra entender porque as pessoas taxam tudo isso de ‘teoria conspirativa’, ‘coisa de louco’, etc. Estar diante de fatos assim que podem afetar gravemente a sociedade e não poder fazer nada diante disso é aterrorizador.

    1. Obrigado pelo comentário e pelos elogios, Marcos.

      O “segredo” para manter o otimismo é simplesmente compreender que isso é o melhor que podemos fazer. Se nos afundarmos em pessimismo, teremos menor prazer em viver pensando na possível desgraça futura, teremos menos disposição para fazer o que é necessário fazer para maximizar nossas chances de sobrevivência e ainda influenciaremos as pessoas ao redor nesta mesma direção, piorando as coisas ainda mais.

      Manter-se otimista permite-nos usufruir a vida enquanto os problemas não chegam e preparar-nos para melhor combater os problemas quando e se eles chegarem. O otimismo (e não o descaso!) é simplesmente a opção mais racional e produtiva. Na falta de qualquer outro motivo para ser otimista, no mínimo saber que é o estado de espírito que permite nosso melhor funcionamento deveria servir para que nos esforcemos neste sentido.

      E ainda existe a chance de que esta postura seja o diferencial que nos permita lutar tanto que revertamos as crises ao invés de ficarmos paralizados de medo ou de desesperança e por isso mesmo sermos esmagados por elas.

      Não tá morto quem luta, quem peleia!

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