Assisti estarrecido o contador de visitas do Pensar Não Dói desabar justamente nos dias seguintes ao anúncio de que eu procuraria assumir uma postura mais positiva. Pensei: o que é isso? As pessoas preferem ler meus textos quando eu estou cuspindo marimbondos ou prevendo uma morte horrível para mais de 60% da humanidade? Será isso mesmo?

Pensei imediatamente no seguinte: “relaxa, Arthur, isso é resultado das férias, é natural que nessa época o tráfego na internet caia muito”. Mas fiquei remoendo aquilo e não pude me conter: corri para os registros dos anos anteriores para verificar as tendências de visitação do blog no mês de janeiro.

Horrorizado, no primeiro momento em que olhei para o gráfico de visitação eu percebi que nos dois anos anteriores não houve a menor tendência de queda no mês de janeiro – pelo contrário, em um ano não houve alteração e no outro ano houve um aumento do número de visitas em janeiro! Ó vida! Ó azar!

Aí parei para pensar: peraí, será que é isso mesmo? Hmmm… que tal verificar os números discriminados de “novos visitantes” e de “visitantes que retornaram”, conforme o vocabulário do Google Analitycs? Aí as coisas começaram a ficar mais claras.

De fato, o número de “novos visitantes” sempre cai no início do mês de janeiro e permanece menor que a média ao longo de todo mês de janeiro. Além disso, em janeiro de 2010 eu só postei dois artigos, o que fez o blog desabar no ranking do Google, que privilegia os sites atualizados com maior freqüência.

Já o número de “visitantes que retornaram” nunca oscilou muito e no geral sempre manteve uma ligeira tendência de crescimento, tanto que o Pensar Nâo Dói, segundo o calculador de pagerank, chegou a pagerank 3 (e não deve demorar muito para chegar a pagerank 4) sem jamais fazer propaganda nem estabelecer qualquer estratégia de parcerias com vistas ao crescimento – eu sempre linkei e fui linkado espontaneamente e sem interesse no pagerank, como aliás acho mesmo que deve ser.

Depois eu comparei o número total de visitas ao longo da existência do blog. Houve algumas oscilasções significativas, mas todas elas foram associadas a eventos específicos – normalmente quando eu reduzia a freqüência das postagens, o que afinal é o óbvio ululante que deve acontecer. Fora as crianças pequenas, que gostam de ouvir várias vezes a mesma história, quem mais gosta de ler várias vezes o mesmo texto?

Então eu tive um estalo (boa tradução tupiniquim para insight, né?) e me dei conta de que havia muito mais ali do que os números. A história do blog tinha uma lição bem mais importante para me ensinar.

Parei, pensei, comparei os melhores momentos do blog na minha memória com os resultados dos indicadores estatísticos e cheguei à seguinte conclusão: os melhores momentos do blog não foram necessariamente os momentos em que havia mais leitores, nem os momentos em que houve as mais acaloradas discussões; os melhores momentos do blog foram aqueles em que eu batia os olhos na coluna da esquerda, reconhecia quem havia comentado e tinha maior gosto em clicar para ver o quanto antes o que aquele amigo ou amiga “virtual” tinha dito a respeito do que eu havia escrito, ou do que outros amigos e amigas haviam comentado.

É impressionante, mas eu absolutamente não percebi nem quando nem como o Pensar Não Dói deixou de ser apenas o espaço em que eu expunha as minhas idéias para debate e se tornou o lugar onde eu gosto tanto de conversar com meus amigos e amigas “virtuais”. (Interessantemente, poucos dos meus amigos “presenciais” lêem o blog e menos ainda são os que comentam.)

É lógico que eu gosto de ver o relatório do Google Analitycs mostrar que o blog cresceu em número de leitores. É evidente que isso faz qualquer blogueiro se sentir valorizado e é um ótimo combustível para alimentar o desejo de continuar escrevendo. Mas nada é tão compensador quanto perceber que alguém continua lendo e conversando não somente em função das coisas que eu escrevo mas até mesmo apesar das coisas que eu escrevo, por já me conhecer o suficiente para saber que eu posso até dizer besteira e pisar na bola, porém nunca farei isso por negligência ou dolo. (Da imprudência no debate e da imperícia com as palavras eu sei que não estou livre.)

Não sei se alguém presta atenção à URL dos artigos, mas este aqui eu comecei a escrever sob a categoria “mundo virtual”, porque se tratava de uma análise do blog, mas decidi publicar sob a categora “relacionamentos”, porque no fundo é de relacionamentos que trata o artigo.

Na verdade, é de relacionamentos que trata a vida.

Graças a você que vai comentar este texto eu compreeendo isso muito melhor hoje em dia.

Muito obrigado.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 05/01/2012

21 thoughts on “Post blog, ergo propter blog?

  1. Sempre acompanho o blog, mas só comento quando acho que tenho algo útil pra acrescentar (ou seja, raramente). Creio que deve ter muita gente que faz como eu, então não fique encucado se porventura o número de comentários não acompanhar o nível das postagens do blog. Continue escrevendo, continuaremos lendo.

    1. Farei meus melhores esforços para isso, Teles. 🙂

  2. Eu estou por aqui diariamente, e não só eu, meu namorado, meus clientes e também apresento as páginas do seu blog para alguns amigos virtuais. Meu namorado diz: “Não há como discordar desse cara, ele é tão bom que é só confirmar o que ele diz.” É porque ele tem uma postura muito crítica ao que se escreve na net e vive contestando quando pode. Eu apaixonei-me pelos artigos, por compartilhar de muitas idéias, embora de muitas outras que estão por aqui, eu seja leiga ou até mesmo ignorante.Mesmo assim, leio com atenção e comento quando acredito que posso acrescentar (geralmente com minhas experiencias). Também procuro a coluna do lado esquerdo do blog para ver quem comentou e embora eu leia todos sempre tem os mais preferidos. Apenas eu comento, com ideias minhas, mas juntamente comigo, 5 pessoas acompanham assiduamente o blog. Só há um porém, tentei registrar-me no blog, estou esperando a senha no e-mail até hoje.

    1. Obrigado pela companhia, Lunah. E obrigado por mostrar o blog a outras pessoas.

      Quanto ao reistro no blog, não és a primeira a reclamar, e eu ainda não descobri como resolver isso. 🙁

  3. Arthur, gosto de ler teus textos aqui porque, desde que entrei no orkut em 2006, acompanho sua participação nos fóruns do Perguntas Cristãs Complicadas, Direitos Humanos e Religião & Vida (e até no fórum esporadicamente do Ficção Científica, do qual terminei expulso) e sempre gostei de concordar e discordar de você, apesar de na época minha participação ser um tanto “avulsa” e “esporádica”. No blogue, a interação é bem maior, e bem mais acirrada, e as discussões, por acaloradas que sejam, possuem qualidade bem maior que nos fóruns de internet.

    1. Bons tempos aqueles, antes de as moderações de cada uma daquelas comunidades cometer algum abuso grave contra a comunidade. Não por acaso, todas as comunidades de que eu fui expulso ou foram deletadas, ou expulsaram os melhores debatedores e degeneraram em lamaçal, ou viraram panelinhas que perderam completamente o sentido da proposta original, ou simplesmente deixaram de receber postagens. Nenhuma, absolutamente nenhuma teve uma boa evolução.

      É incrível que eu não tenha ligado os pontos… eu simplesmente não tinha me dado conta de que nos conhecemos há tanto tempo. 🙁 Tu me conheces desde o tempo da PCC-nazi-n°1, do Shayllon? A gente chegou a debater na PCC-nazi-n°2, roubada pela moderação eleita? Uau! Isso foi no tempo dos dinossauros!

      Valeu por me aturar esse tempo todo! 🙂

    2. Isso, Arthur, sou do tempo de Shayllon…

    3. Se bem que nem cheguei a participar da nº 2, depois de sair da nº 1 vi que deu no que tinha que dar, até moderadores como Alex e Nelson acabaram se irritando com aquilo tudo e saíram depois.

    4. Alex e Nelson eram da PCC-nazi-n°1. Na PCC-nazi-n°2 eram outros, que acabaram tendo o mesmo piripaque de autojustificação do poder pelo poder, com a mesma desculpa do famoso versículo de que toda autoridade emana de Deus.

  4. Cara, sumi dos teus comentários mas eu sempre leio aqui, e só te perdoo por ainda não ter me dado os contrargumentos naquela história de ética porque você teve um monte de problemas. Minha namorada também é leitora e de vez em sempre discutimos alguma postagem. Você torna meu namoro mais divertido, Arthur.

    1. É, eu sei que estou devendo aquela discussão sobre ética. Eu não esqueci. De fato eu ando bem atrapalhado, mas não esqueci.

      E dei muita risada aqui quando li “Você torna meu namoro mais divertido, Arthur”. Eu nunca imaginei que o blog pudesse ter essa função. Adorei. 🙂

    2. Arthur dá devendo uma sobre ética e uma sobre posicionamento político.

    3. Eu sei, eu sei, mas são assuntos densos e profundos, posicionar-se a respeito deles não é como levantar um debate sobre o uso do celular e do rádio nos automóveis.

  5. Bom,como minha comunicação via email foi pelo ralo,este é o único espaço que tenho para chegar até você,rs.

    És tu,meu elo com uma Internet,que já não existe mais.

    Claro que estou falando de algumas comunidades que existiam.

    Deixei de comentar por perceber que minhas opiniões só interessam a mim.

    Leio um milhão de coisa por aí,mas no maior silêncio do mundo.

    O silêncio,afinal,é um dom.

    1. Putzgrila… eu não consigo acostumar a usar e-mail. O blog eu verifico sempre, o Orkut com muita freqüência, o Facebook de vez em quando e o e-mail de vez em nunca. 😐 Eu tento, mas esqueço. Ainda vou me disciplinar para verificar o e-mail diariamente, sei lá, acho que vou começar a deixar uma janela do navegador sempre aberta no e-mail. Mas por enquanto o mais certo é mesmo aqui, e mensagens privadas no Facebook eu demoro uns dias mas leio.

  6. Também cadastrei e ainda no aguardo da senha 🙁

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    1. Já tentaste de novo?

  8. Sim, e a mensagem é de que meu email já está registrado.
    Tentei recuperar a senha, então, para que mandasse outra no meu email, e nada. Nem caixa de SPAM.
    🙁

    1. E em que situação ele pede a senha?

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