Se você é usuário do Ubuntu Linux, não atualize sua versão para o Oneiric Ocelot (11.10), nem seu Firefox para o 7.0.1, ou você vai se arrepender! Se você não quiser acreditar em mim e fizer questão de testar por conta própria, tudo bem, siga o Kalama Sutra, mas primeiro faça backup de seus dados e tenha em mãos o CD de instalação da versão que você está usando hoje, de preferência a Lucid Lynx (10.04, versão estável com 4 anos de suporte) ou como alternativa a Natty Narwal (11.04, última versão razoável).

O Oneiric Ocelot deveria se chamar Jaguatirica Tiririca. Pior do que está não fica.

O Ubuntu 11.10 é uma distro numa camisa-de-força, totalmente ao contrário da filosofia Linux. Tudo nele é pesado, fechado e travado, você não consegue nem sequer mudar a aparência da área de trabalho a não ser entre quatro temas padrão. No tema que vem instalado o visual das janelas é confuso e pesado, com uma barra de título marrom escuro que se confunde com a barra de menus (você tem que passar o mouse em cima para alternar entre uma e outra). Os botões de minimizar, maximizar e fechar janelas passaram para o lado esquerdo e ficaram redondos, como se fossem uma cópia mal-feita do MAC OS. Em alguns sites o ponteiro do mouse não muda para uma mãozinha ao passar por cima de um link, fica parecendo que os links não existem. E isso tudo é o “menos pior”.

Para acessar os programas, ao invés do tradicional menu drop-down discreto e funcional que ficava no alto, o Oneiric Ocelot tem uma chamativa e larga barra vertical do lado esquerdo da tela, que rola sobre si mesma e onde alguns programas são fixos e outros surgem e somem sem que a gente saiba como acessá-los. Essa barra aparece e desaparece quando bem entende. Teoricamente ela deveria aparecer sempre que se coloca o cursor do mouse contra a borda esquerda da tela e desaparecer quando ele é retirado de lá, mas não é isso que acontece: eu abri um site para assistir um filme e a barra lateral continuou onde estava, impedindo a visão do filme, não importa o que eu fizesse.

Se você minimizar uma janela no Oneiric Ocelot, pode começar a rezar. As opções são duas: ou ela vai parar na barra lateral maluca que aparece e desaparece quando tem vontade, ou ela vai simplesmente desaparecer no Limbo, consumida para todo o sempre. Meu modem 3G instala um programa controlador chamado Mobile Partner. Quando eu minimizei a janela deste programa, ele simplesmente sumiu. Quando a conexão caiu, eu tive que reiniciar o micro para estabelecer uma nova conexão, porque não havia maneira de chamar o programa!

O navegador padrão da Jaguatirica Tiririca é o Firefox versão Lesma Lerda, que além de ser muito lento – demora quinze ou vinte segundos para abrir uma janela e uns três segundos para formatar uma palavra em itálico! – dá travadinhas irritantes do tipo “congelar a tela” o tempo todo. Se você clica “enviar” em um formulário de uma aba e clica em outra aba para ler algo enquanto o computador remoto processa seus dados, ele não muda de aba até que a atual tenha atualizado, o que já demorou bem mais de trinta segundos aqui.

Às vezes você gira o botão de rolagem do mouse para cima e para baixo e a tela continua parada. Então você vai com o ponteiro do mouse até a barra de rolagem, puxa a barra para cima e para baixo e a tela continua parada. Então você percebe que a tela está congelada e pensa “putzgrila, deu pau!” e congela também. Aí a tela pira de repente e rola sozinha para cima e para baixo diversas vezes, atendendo os comandos que você deu há cinco ou dez segundos atrás. E você tem vontade de colocar as cabeças dos desenvolvedores do Firefox sobre um balde de ácido sulfúrico e movê-las para cima e para baixo.

O Firefox 7.0.1, além de Lesma Lerda, também é daltônico: ele mutila as cores dos links. Meu blog tem o nome em verde, mudando para laranja quando se passa o mouse em cima, mas o Firefox Lesma Lerda apresenta o nome do blog em preto. Os links das colunas laterais, que deveriam ser cinzas, também ficam pretos. E não há qualquer coerência na conversão das cores dos links: os links dos textos do meu blog deveriam ser azuis e são apresentados em verde, que é a cor do texto no qual estão inseridos, e os links das tags, que também deveriam ser apresentados no mesmo azul dos links do texto, são apresentados em preto.

Com tanta coisa funcionando mal, eu fui dar uma olhadinha em como estava funcionando a mesma versão do Firefox no Windows. Descobri que neste caso a mancada não é do Oneiric Ocelot, mas dos desenvolvedores do Firefox, porque a versão para Windows apresenta os mesmo problemas. Decidi, então, instalar o Chromium no Oneiric Ocelot para fugir da Lesma Lerda Daltônica. E vocês acham que consegui?

Supostamente a Jaguatirica Tiririca deveria poder baixar programas do repositório Universe. Supostamente. Entrei na Central de Programas do Ubuntu, digitei “Chromium” e lá apareceu ele no meio de mais outros três programas. Cliquei nele e fui direcionado para outra tela onde aparece a informação “disponível a partir da fonte ‘universe'” e um botão inativo com o rótulo “usar esta fonte”. Quer dizer… a Jaguatirica Tiririca me diz que existe o programa que eu quero, me diz que ele está disponível a partir de uma determinada fonte, me apresenta um botão para autorizar que eu baixe o programa a partir daquela fonte e não permite que eu clique neste botão para dar a autorização! Pior que isso, só duas vezes isso.

Entrei nas “configurações do sistema” e fui em “fontes” – que afinal foi o vocabulário usado pelo próprio Oneiric Ocelot para referir-se aos repositórios de software. Pois é, mas na central de programas do Ubuntu a palavra “fonte” significa “repositório”, enquanto nas “configurações do sistema” significa “tipo de letra”. O usuário precisa se dar conta sozinho de que existe uma inconsistência de vocabulário e que nas “configurações do sistema” os repositórios são chamados de “canais de software”.

Pois bem, eu entrei nas “configurações do sistema”, entrei nos “canais de software” e lá estavam marcados “aplicativos de código aberto suportados pela canonical (main)” e “aplicativos de código aberto mantidos pela comunidade (universe)”. Ou seja, o repositório “universe” já estava habilitado, ele simplesmente não funciona!

Enfim…

Se depois de menos de doze horas de uso eu já me incomodei tanto com esta versão do Ubuntu, eu recomendo sinceramente (jogar os desenvolvedores do Ubuntu e do Firefox para os tubarões) evitar esta versão e manter o uso do Lucid Lynx ou do Nasty Narwal e a versão anterior do Firefox – sendo que é necessário bloquear as atualizações automáticas para não ter seu Firefox 6 substituído pela versão Lesma Lerda!

Antigamente era assim que se bloqueva as atualizações automáticas:

Como desativar a atualização automática do Firefox

1. Abra o Firefox.

2. Vá em “Ferramentas” e selecione “Opções…”.

3. Selecione a opção “Avançado” e em seguida, a aba “Atualizações”.

4. Desmarque as opções “Firefox”, “Complementos instalados” e “Mecanismos de pesquisa” e clique em OK.

Fonte: TecMundo (Percebam que eles dão uma orientação contrária à que eu dou. Mas há quatro anos atrás ninguém poderia imaginar as mancadas de hoje.)

Tentei seguir estas instruções e nem encontrei a opção “opções”. Maldita nova versão. Mas na segunda-feira um colega que é técnico em informática vai me ajudar a fazer o downgrade para a versão Lucid Lynx, Ubuntu 10.04, que contém o Firefox 6, e então eu atualizarei este artigo se houver necessidade. Ou se alguém me der alguma dica legal.

Se você quiser ajudar o Ubuntu a se manter como distro líder no mundo Linux devido a sua amigabilidade, praticidade e funcionalidade, por favor, escreva para os desenvolvedores! Diga que você quer um Ubuntu e não um Urubu numa camisa-de-força! Diga para removerem essa porcaria de Unity e retornarem ao Gnome! Diga que você prefere a tela azul do Windows à tranqueira do Firefox versão Lesma Lerda! Diga que você prefere pagar cinco mil dólares por um Mac amigável a usar de graça um Oneiric Ocelot impossível de personalizar! Explique para os caras que eles cometeram um atentado contra o futuro do Linux no planeta! Faça alguma coisa, Mutley!

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 04/02/2012

6 thoughts on “Usuário do Ubuntu Linux: fuja do Oneiric Ocelot e do novo Firefox!

  1. Lucas do povo

    04/02/2012 — 12:39

    Vários artigos sobre informática, rsrs, conseguiu algum emprego como técnico ou algo assim? Ou é só uma fase?

    1. Putzgrila… nem me dei conta! É que eu normalmente eu escrevo de modo muito espontâneo, sem “planejamento de pauta”, então aquilo que mais está me ocupando acaba tendo uma alta chance de aparecer no blog.

  2. Nunca fui muito com a cara do Linux mesmo. Fica como tá o meu… no bom e velho Chis Pê.

    1. Tchê, o Linux é uma maravilha de sistema operacional e o Ubuntu costuma ser uma ótima distro, mas desta vez a pisada na bola foi monumental.

  3. Que azar..nunca usei Lnux ( aliás faz pouco tempo que tenho PC só meu) e quando resolvi pegar uma cópia do Ubuntu para experimentar instalei logo essa versão (baixei do site) nem sabia dessa. Depois tentei o Fedora mas não rodou. Vou tentar algum outro.

    1. Ou usas a versão anterior do Firefox, que tem que ser instalada manualmente, ou passas para um dos dois Ubuntu anteriores, ou para um dos dois Kubuntu anteriores, que foi o que eu fiz. Só não esquece de desativar a atualização automática do Firefox assim que instalares tudo, antes de acessar a internet.

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