Recentemente fiz algumas críticas pesadas ao sistema de saúde e à classe médica – principal responsável pelas regras e parâmetros de gestão do sistema de saúde. Como sempre acontece, não entendo por que motivo, pessoas a quem não foram endereçadas as críticas se sentiram atingidas. Cabe, portanto, fazer alguns esclarecimentos. 

Eu sei muito bem que há inúmeros ótimos médicos, verdadeiramente vocacionados, que se dedicam à clínica e à pesquisa com o mais puro sentimento humano e uma ardorosa vontade de ajudar as pessoas a não sofrer e a viver com melhor saúde, muitas vezes à custa de sacrifícios pessoais. É lindo, é digno e é louvável. Eu exulto de felicidade quando encontro uma pessoa destas. Mas isso não me impede de ver o fato de que “a classe médica”, ou seja, a categoria enquanto agente político, representada por seus órgãos de classe, defende muito mais os seus interesses corporativos do que a saúde e o bem estar da população. E tanto os cidadãos doentes quanto os bons médicos pagam caro por isso.

Eu, como cidadão que teve um problema de saúde, passei um inferno na mão de um sistema de saúde autoritário e excludente, dominado por uma única categoria profissional, que em defesa de seus próprios interesses chega ao ponto de me impedir de cuidar de minha própria saúde.

Tendo sido humilhado e forçado a se submeter a abusos e arbítrios, denunciei tais abusos e arbítrios neste blog, como voz solitária e impotente, mais por desabafo pessoal do que por ativismo político, porque sei que não há como um indivíduo solitário furar o bloqueio dos interesses de classe que dominam a medicina.

E agora me vejo forçado a abordar o tema mais uma vez porque minhas críticas ao sistema de saúde e aos interesses de classe da categoria médica foram interpretados como generalizações indevidas e ofensivas.

Isso não é verdade.

Eu não tenho preconceitos contra os médicos, nem minhas críticas pretendem ser universais e muito menos ofensivas. Mas também não é verdade que eu tenha tido uma “frustração com poucos“. Eu não fui vítima do Fulano ou do Sicrano, eu fui vítima de um sistema de saúde e dos interesses corporativos de uma categoria profissional que prejudica tanto a mim, quando me vejo na situação de (im)paciente, quanto os bons médicos, que infelizmente se sentiram ou se sentem atingidos por críticas que não lhes foram endereçadas.

Vamos analisar isso.

1. Quem age como a Máfia que nome merece?

Eu tive minha vida ameaçada e passei duas semanas com dores e com medo de ter que enfrentar uma cirurgia de emergência, de sofrer um imenso trauma emocional e de ficar com seqüelas que iriam destruir meus planos de vida porque a classe médica fez lobby para monopolizar a prescrição de certas substâncias e assim roubou de mim e de todo cidadão não formado em medicina o direito de cuidar da própria saúde.

Poucas coisas fedem mais a fascismo do que impedir as pessoas de fazerem o que quiserem com suas próprias vidas usando a justificativa de que é para o bem delas. Se você quiser realmente me ajudar, então coloque seu conhecimento e seus serviços a minha disposição. Você pode até me cobrar um valor justo por isso, mas não me obrigue a obter o seu consentimento e a seguir as suas ordens e não imponha obstáculos para que eu tropece se eu não quiser a sua ajuda.

A diferença entre uma empresa de segurança e a Máfia é que uma empresa honesta não impede que eu contrate outra empresa nem que eu me defenda por conta própria se eu assim preferir.

2. Quem é responsável?

Eu não voto nas eleições para os Conselhos Estaduais de Medicina nem para o Conselho Federal de Medicina. Nem eu, nem qualquer outro cidadão exceto os médicos. 

A eleição dos indivíduos que comandam cada categoria profissional através de seu Conselho é democrática e representa a vontade da maioria. 

Claramente, ou mais de 50% dos médicos aprovam este absurdo, ou a categoria teria outras lideranças e portanto outra atuação como agente político. 

3. As conseqüências para o cidadão

Ciente disso, toda vez que sinto a dor que acusa a chegada de uma nova crise, meu primeiro pensamento não é se dessa vez eu vou escapar de uma cirurgia de emergência ou mesmo se eu vou sobreviver, mas sim se eu vou conseguir ser atendido em tempo hábil por um profissional que pertença à minoria dos que não se acham mais donos do meu corpo, da minha saúde e da minha vida do que eu mesmo, ou se eu terei que passar quatro, oito ou doze horas peregrinando entre diversos hospitais até encontrar um plantonista acessível e razoável.

Até hoje eu tive sorte: ainda não precisei apelar para o terceiro hospital. Mas quem me garante que na próxima vez não terei que apelar para o quarto, ou o quinto?

4. Um caso verídico devido ao abuso institucionalizado

Você tem idéia do que é saber resolver um problema referente a sua própria saúde, podendo gastar menos de R$ 100,00 e vinte minutos em frente a um balcão de farmácia, e no entanto ser proibido de cuidar de sim mesmo, ser obrigado a enfrentar horas de espera em uma emergência, ser atendido por alguém que não tolera a idéia de que você saiba qual é o próprio problema e muito menos que saiba qual é a solução adequada, ser completamente ignorado e receber a informação de que, para receber a autorização para cuidar de si mesmo, tem que antes passar por exames desnecessários, desagradáveis e agressivos a sua saúde, e ainda por cima pagar mais de R$ 800,00 por estes exames? Eu passei por isso.

Você tem idéia do que é ser humilhado e ridicularizado num momento de dor e de necessidade por (uma xxxxx-xx-xxxx) uma médica que ri e se regozija com ares de superioridade sádica quando o paciente diz que não não estaria ali se pudesse comprar o medicamento que precisa para cessar a dor e o risco de morte sem a assinatura dela? Eu passei por isso.

Você tem idéia do que é ser acusado de ser “encrenqueiro”, “grosseiro” e “agressivo” por escrito, inapelavelmente e para sempre em seu prontuário médico, prejudicando todo e qualquer futuro atendimento na mesma instituição, porque lá pelas tantas, por não agüentar mais de dor e de medo que a tua situação se agravasse, perde a paciência e grita “MAS QUE MERDA, SERÁ QUE DÁ PRA ENTENDER QUE EU ESTOU COM DOR!!!???”? Eu passei por isso.

Você tem idéia do que é ser expulso de um consultório médico por reclamar seus direitos, dirigir-se à ouvidoria do hospital, relatar o fato em pé ao lado de um balcão para um funcionário subalterno, ver que este vai até o ouvidor e depois volta informando que o ouvidor não vai nem atendê-lo “porque o paciente não pode obrigar o médico a prescrever o que ele ‘acha’ que tem que tomar” e se descobrir completamente sem amparo institucional justamente no momento em que menos tem condições de lutar por seus direitos? Eu passei por isso.

Você tem idéia do que é ter que ir até outro hospital, encontrar mais um sujeito que diz que você não sabe nada sobre sua própria saúde e ter que ignorar a dor, engolir a humilhação, controlar o tom de voz, bajular e gerenciar o ego de um babaca insensível porque, se o paciente disser para o médico “a saúde é minha, eu não quero passar nem pagar por este procedimento que considero desagradável, desnecessário e caro”, o médico simplesmente não fará a prescrição necessária e o paciente terá que mendigar socorro de porta em porta por horas e horas ao ponto de tornar inevitável uma cirurgia arriscada? Eu passei por isso.

Você tem idéia do que é solicitar a prescrição de um medicamento específico, não ter essa solicitação atendida porque o médico insiste que “esse outro medicamento é melhor”, ter que pegar essa receita mesmo porque já não é mais possível ficar sem alguma medicação, e dali a alguns dias perceber que  tinha razão, que o médico estava errado, que é necessário trocar o medicamento, e tendo plena razão desde o princípio ser acusado de ser o responsável pela falha do tratamento (que não é o que você solicitou) por não querer ter passado pelo tal exame (que você sabe que era desnecessário), ter sua solicitação de substituição da medicação rejeitada e correr risco de vida porque outros indivíduos têm mais direito de decidir sobre seu corpo, sua saúde e sua vida do que você mesmo, mas obviamente não se importam com você como você mesmo? Eu passei por isso.

Você tem idéia do que é passar três dias esperando uma consulta e, quando você acha que finalmente tudo será resolvido, assistir mais um médico ter um chilique por causa de um questionamento, levantar-se e perguntar “quem é o médico aqui? quer sentar na minha cadeira e dar a consulta no meu lugar?”, colocando você novamente na situação de “submeta-se ou morra”? Eu passei por isso.

Você tem idéia do que é, ao invés de poder responder que “sim, deixa que eu decido pela minha saúde, muito obrigado”, ser obrigado a mais uma vez ignorar a dor, engolir a humilhação, controlar o tom de voz, bajular e gerenciar o ego de outro babaca insensível porque a estas alturas já era necessária uma internação e se o sujeito não fosse bajulado e seu ego gerenciado você continuaria sem atendimento? Eu passei por isso.

Você tem tem idéia do que é ter que sofrer uma internação hospitalar, passar uma semana sem conseguir dormir, levando agulhadas de heparina na barriga de doze em doze horas e fazendo flebite pelos braços devido à agressão dos medicamentos endovenosos até ser impossível encontrar um acesso venoso por mais que a enfermeira padrão tentasse (os técnicos de enfermagem desistiram antes), tudo isso por não poder comprar um medicamento administrável por via oral para cuidar da própria saúde? Eu passei por isso. 

E eu passei por tudo isso porque a classe médica fez lobby e conseguiu tornar-se minha proprietária do meu corpo, da minha saúde e da minha vida, tendo sobre mim direitos que eu mesmo não tenho.

5. A solução exigida

Para “solucionar” o problema, ao invés de defender radicalmente o direito de cada cidadão dispor de seu corpo, de sua saúde e de sua vida como melhor lhe aprouver, oferecendo seus serviços a quem desejar contratá-los, a classe médica “sugere”… que eu contrate seus serviços numa base mais permanente, ao invés de recorrer a ela somente quando necessário!

Ao invés de eu poder assumir a responsabilidade pela minha própria saúde, a “solução” é que eu pague diversas consultas desnecessárias para um ou dois médicos, que por sua vez vão solicitar diversos exames desnecessários que também serei eu a ter que pagar, só para que eles me dêem o número dos seus celulares e eu possa acionar rapidamente um pistolão que me facilite as coisas no dia em que eu tiver outra crise.

Será que ninguém percebe o absurdo?

Primeiro roubam o meu direito de cuidar de mim mesmo.

Depois me tratam como lixo quando eu preciso de cuidados.

Então me dizem que para ter bons cuidados preciso pagar a quem me roubou.

Como é que eu não vou me revoltar contra esse sistema?

E como é que eu não vou generalizar se a categoria decide por sua linha de ação na sociedade segundo a vontade da maioria de seus membros?

Não concorda? Então responda:

Se em uma democracia o representante é escolhido pelos votos da maioria e se os órgãos de representação dos médicos fizeram lobby e conseguiram aprovar uma lei que me impede de comprar um medicamento que eu preciso para cuidar da minha própria saúde sem primeiro ter que me submeter aos caprichos de um médico, pagar pelas decisões dele e ser impedido de tomar minhas próprias decisões a respeito de minha própria saúde, então que evidência existe de que a maioria dos médicos seja contra esse tipo de abuso e de arbítrio?

O reconhecimento de uma minoria virtuosa

Sim, existem os bons profissionais, que se dedicam à medicina porque acima de tudo querem ajudar as pessoas, mitigar o sofrimento e cuidar da saúde delas para que possam ser felizes. 

Os bons médicos, além de fazerem questão de se manterem tecnicamente atualizados, são profissionais que ouvem seus pacientes, que discutem com eles as alternativas de tratamento, que esclarecem os prós e contras de cada alternativa e que tomam decisões em conjunto com o paciente, porque, se por um lado sabem que são tecnicamente responsáveis, por outro entendem que ninguém tem mais direito a tomar decisões sobre sua própria saúde e sobre sua própria vida que aquela pessoa a quem ele está tentando ajudar.

Já conheci alguns médicos assim. É ótimo ser atendido por estas pessoas quando se precisa de ajuda médica, porque muito rapidamente se percebe elas realmente estão ali para ajudar e não para nos enquadrar em um protocolo e impor um procedimento sem levar em consideração nossos próprios conhecimentos, sentimentos e necessidade. Mas na minha experiência tem sido cada dia mais difícil encontrar pessoas deste tipo do outro lado do estetoscópio. 

Um alerta aos bons médicos

O que estas pessoas precisam entender é que não adianta tapar o sol com a peneira e ofender-se com as críticas à classe médica, porque elas mesmos são prejudicadas pelos abusos e arbítrios que cada vez mais se tornam a tõnica da atuação da categoria enquanto agente político.

O profissional insensível, mero solicitador de exames e cumpridor de protocolos, que simplesmente determina ao paciente “faça isso e não faça aquilo”, sem levar em conta os conhecimentos, os sentimentos e as necessidades e dificuldades do paciente, será sempre protegido por um Conselho corporativista, com viés autoritário e controlador, interessado mais na auto-promoção e na auto-proteção do que na promoção e na proteção da saúde das pessoas.

O profissional sensível, com boa noção de cidadania, que sabe que sua função é ajudar e não controlar a saúde das pessoas e portanto não se prende a protocolos insensíveis e desumanos, procurando não cumprir  cegamente um conjunto de regras padronizadas e sim agir com discernimento e bom senso em busca de seus verdadeiros objetivos, está e estará cada vez mais em péssima situação perante um tal Conselho, sendo a vítima preferida dos espetáculos de execração pública e punição exemplar que de vez em quando são necessários para acalmar a opinião pública perante os erros médicos.

A má medicina institucionalizada prejudica tanto o paciente quanto o bom médico. Por isso é importantíssimo que os bons médicos sejam também bons cidadãos e se organizem para assumir o controle da classe médica e colocá-la em defesa da cidadania ao invés de defender interesses corporativos. 
Conclusão
Existem boas e más pessoas e bons e maus cidadãos de ambos os lados dos estetoscópios. Para que os maus tomem conta do mundo, basta que os bons cruzem os braços… ou que tomem para si as críticas feitas aos maus, discutam entre si e percam de vista o verdadeiro objetivo que é corrigir o que está errado e fazer o sistema de saúde se tornar um promotor de saúde e cidadania ao invés de um feudo monopolizador de recursos e ditador de regras absurdas que faz política em causa própria, escraviza quem deveria emancipar e prejudica quem deveria ajudar. 
A revolta dos cidadãos contra abusos e arbítrios que ferem diretamente a dignidade e os direitos de quem tem uma saúde para cuidar é absolutamente justa. 
Minhas críticas são endereçadas aos maus profissionais e à classe médica enquanto agente político. Os bons médicos, que compõe a minoria da categoria, não devem vestir a carapuça. Porém, se os abusos e arbítrios que descrevi aqui continuarem acontecendo, o tipo de crítica que faço aqui se tornará cada vez mais comum, até o ponto em que surgirá uma reação organizada da sociedade contra toda a classe médica, porque chega um ponto em que aquele que se omite se torna tão culpado quanto aquele que promove a injustiça. 
Meu apelo é para que os bons médicos, que compreendem que a medicina deve ajudar a promover a saúde e não monopolizar o controle da saúde,  se organizem e atuem mais intensamente para que a atuação política da classe reflita este princípio. Eu e muita gente aqui do outro lado do estetoscópio vamos apoiá-los nesta luta. 
Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 08/02/2012

32 thoughts on “Desagravo aos bons médicos

  1. Caro Arthur! Enquanto você perguntava reiteradas vezes “você tem idéia?” eu ia lendo e mentalmente respondendo “tenho (e como tenho!)”. Mas, convenhamos, eu e você não somos pacientes típicos. E esse aparente handicup transforma-se paradoxalmente numa dolorosa desvantagem quando enfrentamos a corporação a que você se refere. Pois nós não só sentimos a dor como a vemos! As regras são formuladas para o todo e não há critérios estabelecidos que definam o diferenciado. Podemos até questionar os regulamentos muitas vezes evacuados em escritórios por auditores não auditados e sem o mínimo senso de realidade ou conhecimento da relação médico-paciente. Bons técnicos (e até bons filhos de caras que foram bons profissionais), mas que não sabem um ovo sobre vômitos, fraldas, e dores. Esse é o Sistema. Esperamos que um dia isso evolua para um Organismo não comprometido e preocupado com seus objetos. Bem feito por viver na pré-história! Se eu e você fôssemos espertos não nos teríamos metido num óvulo tão cedo. Em algumas décadas (ou em alguns século, pelo andor)(se a humanidade não der um jeitinho de se matar antes) poderíamos ser historiadores e começar nossos pitacos com “in illo tempore”… 🙂

    1. [Camargo mode ON]

      É, eu sou hiperativo, devo ter me precipitado para encarnar por pura impulsividade. 😛

      [Camargo mode OFF]

      O que me deixa mais louco é a impossibilidade de fazer uma criatura pensar. Às vezes até parece que eles estão pensando, a gente pergunta “entendeu?”, eles respondem “entendi”, a gente diz “então vamos fazer assim”, eles respondem “braaaaaaains, mooooooore braaaaaaains”…

      Cruel.

    2. Tens idéia de como surgiu essa tradição médica?

  2. Joaquim Salles

    08/02/2012 — 19:32

    Caro Arthur,

    Passei por algo semelhante ao que vc relata. Os abusos da lógica básica feito por esse pseudo-médicos é gritante. Parto, hoje é para ser 100% cesária a revelia do paciente. Obeso é fonte de riqueza pois “só a cirugia resolve” para esses 171 profissionais. Nunca e jamais discutem alternativas e os riscos envolvidos.

    Um dia escutei de um animal diplomado – vulgo medico – que o zumbido que tenho no ouvido era psicológico, ao que respondi, que “psicológico” ia ser o exame de toque que faria nele 🙂

    Amigos, que são médicos, também reclamam disso. Qual a necessidade da maioria dos exames urológicos serem doloroso, por exemplo? Pra que tanto exame desnecessário se já sabe a causa? Alguns alegam que a culpa é dos advogados de plantão que processam os médicos por “falta de provas”….

    E animais de UTI? Uma psicologa conhecida fez analise de vários e quase 100% tem incapacidade de relacionamento humano, por isso estão na UTI pois não precisam falar com o paciente. O paciente é tratado com um saco de batatas.

    Sem falar da ANVISA que proíbe medicamentos que seu medico indica. Esse é o caso da Sibutramina. Ora a mesma mafia, via ANVISA, acaba denegrindo os próprios médicos.

    Abraços

    Joaquim

    1. “Animal”, para um biólogo, jamais será um termo ofensivo. Quando me chamam de “animal” eu tendo a rir pensando “óbvio, pensavas que eu era o que, uma samambaia?”. 🙂

      Mas isso de fazerem exames desnecessários é mesmo terrível.

      Eu peguei o hábito de perguntar aos médicos: “Para que é esse exame? O que significa se o resultado for este ou aquele? De que modo essa informação vai auxiliar no tratamento?”

      Já fui abandonado no meio de um atendimento por fazer estas perguntas. O cara se levantou, saiu da sala sem dizer nada e a secretária veio informar que ele tinha ido embora. Terminei de ser atendido por um colega dele, que soube responder minhas perguntas na boa e foi muito gente fina.

  3. Bom, não ando com muito tempo pra comentar e muito menos pra acompanhar as discussões aqui, mas continuo sempre que possível lendo suas postagens, como sempre, muito boas, não que eu sempre concorde com tudo, mas isso faz parte (:
    Mas é sempre bom fazer algum comentário de vez e quando e dar um sinal de vida hahahaha. E olha só, além de tudo o que você disse, venho acrescentar que por mais caras que sejam as consultas, e os exames também, e por mais que você pague tudo direitinho, te tratam como se estivessem fazendo favor pra você, isso acontece não só na área médica, que sem dúvidas é um dos casos mais graves, se não o mais, mas em qualquer relação de prestação de serviço ultimamente, salvo algumas exceções. Nas extremas situações de raiva, me lembro do filme “Um Dia de Fúria”, já assistiu? Aposto que se fosse alguém com um 38 assaltando uma farmácia, ninguém ia pedir receita pra entregar remédio algum, é um absurdo querermos comprar um remédio, principalmente em uma situação de urgência, e não conseguirmos por falta de um pedaço de papel maldito dizendo que você tem que tomar aquele remédio. Acho que seria uma solução efetiva, comprar remédios apontando a arma pro atendendente. Mas tenho uma dica melhor, na próxima vez, se tiver tempo, obviamente, vai correndo em todas as farmácias que puder e fale para chamarem o gerente, ou de preferência o DONO, explique sua situação pra ele, as vezes funciona, e não estou te dizendo isso por achismo, algumas vezes meu pai viajou e precisou comprar remédios, sabendo qual remédio precisava, mas sem saber em que hospital ir e muito menos sem saco algum (e você melhor do que ninguém deve saber que passar por uma situação dessas saudável já seria um saco, mas doente as coisas pioram muito) pra passar por toda a maldita-tortura-burocratica-hospitalar, enfim, não custa tentar.

    1. Ô se lembro de “Um dia de fúria”! Só não assisto de novo para não me entusiasmar com a idéia…

      Eu tinha percebi do teu sumiço. Bom ver que continuas rondando a carniça. 😛 Dá sinal de vida com mais freqüência, certo?

      Ah, sim, eu também já consegui comprar coisas “proibidas” conversando com o balconista ou o dono da farmácia. Mas é uma coisa “fora do sistema”, uma questão de sensibilidade pessoal, não dá pra computar isso a favor do sistema, muito antes pelo contrário…

  4. Comentei o outro na postagem errada, então, repetindo aqui:

    Arthur, isso se dá, muitas vezes, quando o médico é bem informado, capacitado e quando estuda exaustivamente. Imagina quando os médicos não estão nem aí em se capacitar. Darei meu próprio exemplo:

    Eu, meu pai, meu irmão, meu falecido avô e meu tio-avô somos portadores de uma doença rara nos olhos, de nome esquisito, cujos principais sintomas são desvio de espectro (enxergamos a mesma quantidade de espectro, mas desviando-se para o UV e prejudicando a visão distintiva vermelho-amarelo-laranja-rosa, e criando distinções grandes nas diversas tonalidades de Roxo, Violeta e Lilás), retina hiper-fotossensível, maior tendência à catarata e cegueira gradativa se não tratada. Por isso, uso óculos escuros especiais, fator de proteção UV 800, visto meu avô ter terminado sua vida com a visão ótima, exceto pela visão gradativa para tonalidades de cinza, e meu tio-avô hoje ser praticamente cego devido aos problemas que o UV causou na retina.

    Ok, diante disso, vejamos o que um médico oftalmologista sensato faria:
    1) Leria meu prontuário médico a partir dos médicos que já me atenderam;
    2) Compreenderia meu problema “x-men” como um caso familiar e, portanto, entenderia ser problema congênito;
    3) Por ser um caso de doença rara, colocaria meu problema de visão como semi-prioritário para estudos posteriores.

    Porém, sempre é a mesma história:
    1) Explico meu problema, e o médico ri, dizendo que seres humanos não enxergam UV (mesmo eu dizendo que não exergo UV, há apenas um micro-desvio padrão na visão do espectro de cores);
    2) Quando digo que é verdade, ele se exalta;
    3) Faço os exames de sempre a pedido dele para que sempre ele me prove que ele está certo;
    4) Ele sempre pesquisa até descobrir que meu problema tem um nome: Ceratocone de Retina UV-Receptora Degenerativa;
    5) Sem me pedir desculpas, e sempre depois de todos os exames que faço mais uma vez, ele resolve dar uma olhada nos óculos para fazer as correções devidas;
    6) Para tal, depois de duas semanas, ele resolveu abrir meu prontuário e ler.

    Nesse meio tempo eu fiz vários exames desnecessários, andei na rua debaixo do sol nordestino sem camada de ozônio sem os óculos e esperei mais duas semanas até que as lentes especiais e caras estivesses à disposição. Em resumo:sei precisamente o que você passa.

    1. Hehehehe… e eu respondi lá, depois trago pra cá também. 😛

      .
      .
      .

      (Ou não… dias depois, até esqueci onde foi.) 😛

  5. Joaquim Salles

    09/02/2012 — 02:59

    Lembrei de um fato, que até comentei antes, mas que de fato tornou a medicina mais cara e lenta nos USA: advogados 🙂 Isso também se refletiu aqui.

    Hoje vários médicos pedem exames desnecessário só para ficar no prontuario provando que a pessoas sofre daquilo por causa de um eventual processo.

    No passado os médicos davam um remédio para a doença que suspeitavam e viam o resultado. Na maioria dos caso já resolvia. Hoje precisam de provas e deixam o gajo sofrer.

    Agora o pior de tudo é quando a “samambaia ambulante” fica ofendida quando vc pede uma segunda opinião sobre o tratamento, ou quer entender melhor ou argumentar sobre a linha de tratamento adotada. Se consideram um deus e o que vc disse é crime mortal…

    1. Se tem uma coisa que advogado sabe fazer bem é embolar o meio de campo. Se os técnicos de futebol fossem advogados, todas as partidas terminariam em 0x0 e os campeonatos teriam que ser decididos nos pênaltis. 🙂

      O grande problema é que os bons médicos acabam sendo alvo disso…

  6. Quem é pobre e precisa de atendimento tá f_dido. Porque quem tem $$$ pede lá do médico da família aviar a receita fácil.

    1. Sim, mas para isso é necessário submeter-se à “solução” nos moldes em que a própria classe médica nos obrigou. Não é uma solução verdadeira, nem mesmo uma solução razoável.

  7. Rafael Holanda

    10/02/2012 — 18:20

    Sei que aqui não é o local mais apropriado, mas o seu mais recente artigo (O corajoso morre uma vez. O covarde morre mil vezes) não está permitindo comentários (No local dos comentários existe a frase “Comentários encerrados”).

    Eu gostaria de comentar esse belo artigo que vc acaba de publicar :).

    1. Bá, ainda bem que avisaste, vou verificar já o que houve.

    2. Resolvido!

      Por algum motivo que desconheço, o WordPress definiu nas configurações do artigo “não permitir comentários” e “não permitir pings e backtracks”. Vou ficar de olho nos próximos artigos para não acontecer o mesmo.

  8. O brasileiro não tem interesse por nada,em sua grande maioria,e odeia quando alguém se interessa pelo que ele não querer saber.

    Eu passo por isso o tempo todo.

    Até de enciclopédia ambulante já fui, grosseiramente ,”elogiada”.

    1. Esse “xingamento” eu escuto todos os dias.

  9. As “ouvidorias” não ouvem,rs.

    Eu disse para o ginecologista que NÃO iria fazer reposição hormonal,de forma alguma.

    E que a cirurgia que ele estava indicando eu NÃO iria fazer por ser desnecessária.

    Ele me lançou um olhar assassino,encerrou o prontuário e,gentilmente,disse que não poderia fazer nada por mim.

    Conheço médicos fantásticos,e conheço pragas.

    O bom é que nem todos são iguais.

    1. Sim, em todas categorias existem os Profissionais e os profissionais. O que me incomoda é essa impressão de que está cada vez mais difícil de encontrar gente séria e competente em qualquer lugar, do encanador ao engenheiro, do açougueiro ao médico, do despachante ao advogado.

  10. É verdade,mas muito também depende de nós.

    Se nos curvamos ao que está errado e não tentamos mudar o que pode ser mudado,a sociedade só vai ficar pior.

    E muitas pessoas nada falam porque querem ser “boazinhas”.

    Não querem se incomodar.

    A ORDEM É: não fale,nao pense,não reclame.

    Os três macaquinhos.

    1. Eu não acredito mais em revolução de baixo para cima. A massa nunca vai se mobilizar para assumir o controle e a organização de coisa alguma com boa qualidade. Cadê os caras-pintadas? Foi um espasmo festivo manipulado pela imprensa e logo em seguida o movimento se dissipou. Precisamos de lideranças para direcionar os movimentos.

  11. Outro dia fui em uma consulta com um endocrinologista, ele nem sequer olhou no meu rosto. Me fez algumas perguntas sobre peso, altura, mediações que faço uso. Ele não me disse mais nada começou a digitar meu nome em umas paginas no computador e ia imprimindo aquele tanto de exames. No que falei com ele fui humilhada e ironizada. Ele sequer quis saber as doenças que eu infelizmente tenho. Sai de lá com uma maço de exames, e com a triste declaração: Para você não tem jeito. Só uma cirurgia bariátrica.
    Como para mim não tem jeito, nem viu meus exames, nem sabe se posso fazer uma bariátrica e nem se quero fazer com o médico que ele me indicou. Infelizmente é revoltante o nível dos médicos do nosso país. Raros são os bons especialistas que encontramos. Depois de uma árdua caminhada. Notei que ele queria imitar o Dr House porém sem a inteligência do mesmo, somente a arrogância.

    1. Que pena que não vi esse comentário à época. De fato, tem um doido ou outro que se acha o próprio Dr. House, mas todos se esquecem que o Dr. House do seriado só atua junto com uma equipe de três outros especialistas de alto gabarito que questionam permanentemente suas intuições e decisões. O próprio House admite, em um episódio que se passa no interior de um avião, que não consegue atuar com a eficiência de sempre quando está sozinho – e pede a ajuda dos demais passageiros, o que no entanto não funciona porque eles não possuem conhecimentos adequados nem estão acostumados com a dinâmica do grupo de House.

      Mas não me surpreende nadinha que haja pessoas que só copiem o lado que lhes interessa da ficção. Muita gente queria ser o Homem-Aranha ou o Batman, mas pouquíssimos entre estes se dignariam a patrulhar sua cidade todas as madrugadas para enfrentar criminosos armados e tentar evitar crimes.

  12. E ai, paranóica ou correta? Ou marromenos, alguns pontos corretos + loucura?

    http://amigosdacura.ning.com/forum/topics/a-mafia-medica

    1. Sabe quando alguém acerta no alvo pelos motivos errados? Tipo quando um atirador espirra, aperta o gatilho por descuido e por acaso atinge o alvo na mosca? Bem nessas.

      Que existe uma máfia controladora do sistema de saúde é óbvio. Vide a impossibilidade de o cidadão adquirir um simples antibiótico para cuidar da própria saúde sem antes ter que se submeter à fila da marcação da consulta, a espera da consulta, a fila para a consulta, o pagamento da consulta e a realização e pagamento de diversos exames muitas vezes absolutamente inúteis para somente então receber a autorização de um terceiro para comprar os medicamentos de que necessita. Isso é muito parecido com o “pagamento de proteção” da máfia italiana – que no entanto tinha a vantagem de não proibir a autodefesa, desde que cada “cliente” pagasse os valores exigidos.

      Daí a criticar a “medicina científica” é um passo estúpido. Eu tenho náuseas com o fedor de picaretagem quando leio coisas como “O enfermo é o único que pode curar-se. Nada pode fazê-lo em seu lugar. A autocura é a única medicina que cura.” Isso é bobagem. O que o enfermo pode fazer é mudar seus hábitos alimentares, seu ritmo de atividade física e sua maneira de relacionar-se emocionalmente com o mundo e assim colocar-se em situação mais favorável para recuperar sua saúde, melhor nutrido, mais ativo, menos estressado e mais bem disposto. Dizer que isso é “medicina alternativa” ou que é “autocura” é pura picaretagem. Vê se alguém se cura de HIV desse jeito. Ou de uma apendicite. Ou de miopia.

      HAAAAA!!!

      Eu estava respondendo conforme lia o artigo, por pressa. Ainda bem que continuei lendo antes de postar a resposta. Eu estava sendo muito delicado. Essa mulher é uma picareta de quinta categoria. Olha o que ela diz: “as autoridades mentem quando dizem que as vacinas nos protegem, mentem quando dizem que a sida é contagiosa e mentem quando dizem que o câncer é um mistério”.

      Eu tenho minhas dúvidas em relação ao câncer, mas que a opinião dela sobre vacinas e sobre AIDS é uma completa estupidez, disso não tenho a menor dúvida. Tudo de bom que ela poderia trazer de boa contribuição através da crítica do sistema econômico e dos objetivos do lobby farmacêutico se perde devido à picaretagem anti-científica. Igualzinho àquele episódio do site feminista que eu citei uma vez, que tinha uma boa informação sobre as episiotomias mas vomitava asneiras sobre a dominação histórica do patriarcado falocêntrico blá-blá-blá Whiskas Sachê sobre o corpo da mulher – como se fosse uma conspiração machista internacional com objetivos maquiavélicos. Tudo que poderia ser boa informação acaba soterrado pela estupidez ideológica.

      “O que se sabe, sem dúvida, é que o VIH é um retrovirus inofensivo que só se activa quando o sistema imunitário está debilitado.” Afff…

      “eu afirmo que se pode sobreviver à sida… mas não ao AZT. Este medicamento é mais mortal que a sida.” Isso sim é Teoria da Conspiração.

      “o médico alemão Ryke Geerd Hamer demonstrou que todas as enfermidades são psicossomáticas” Olha o nível da imbecilidade.

      “A máfia médica desmoronar-se-á como um castelo de naipes quando 5% da população perder a sua confiança nela. Basta que essa percentagem da população mundial seja consciente e conectado com a sua própria divindade.” Afff…

      “Esquecermo-nos que a natureza humana é divina, o que quer dizer, concebida para nos comportarmos como deuses.” Duplo afff…

      Em síntese: embora tenha razão no que diz respeito à existência de interesses e controles indevidos na ideologia e nas práticas da área da saúde, a resposta que ela pretende dar a isso é absurda, medieval, messiânica e uma baita picaretagem.

  13. Médicos do Sírio e do Einstein abrem clínica particular em Heliópolis

    Bem na entrada da favela de Heliópolis, entre uma agência bancária e uma loja de departamentos, desponta uma clínica médica que só realiza consultas particulares. Não vale convênio, tampouco cartão do SUS.

    Quem passa ali, estranha. Muitos moradores custam a ter coragem de entrar. Só perdem o medo na medida em que o boca a boca se espalha ou quando leem um cartaz bem à frente do portão que informa, em linguagem clara e direta, o valor das consultas: R$ 40 para clínico-geral e R$ 60 para qualquer uma das dez especialidades oferecidas, que pode ser dividido em duas parcelas.

    Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,medicos-do-sirio-e-do-einstein-abrem-clinica-particular-em-heliopolis,903810,0.htm

    1. Beleza. Mas quero ver os preços praticados e os tempos de atendimento daqui a cinco anos.

  14. Como boas pessoas com boas idéias pode da soluções a coisas ruins.

    1. Podem, claro. Só quero ver se darão continuidade a isso ou se a iniciativa vai acabar se corrompendo.

  15. Existem maus médicos e também maus pacientes.

    Nessa mistura os bons acabam perdendo.

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