Sabem aquelas operações de resgate de animais de áreas inundadas por represas? Numa única palavra: picaretagem. Deixem os bichos morrer, abram uma mini-temporada de caça ou levem-nos para jardins zoológicos, porque operações de resgate não funcionam. Elas constituem um imenso desperdício de dinheiro, produzem resultado ambiental zero ou negativo e só servem mesmo para enganar quem desconhece ecologia e manipular a opinião pública. 

Com ou sem operação de resgate, da área inundada nada se salva.

Todo ecossistema tem uma capacidade de suporte. Este é o número máximo de indivíduos de uma dada espécie que podem viver naquele ambiente. 

Toda população biológica cresce até atingir a capacidade de suporte do meio. Ou seja, na natureza não existe ambiente que não esteja tão saturado quanto possível. 

Quando uma área é inundada pela construção de uma represa, os animais daquela área simplesmente perdem seu habitat. Sem lugar para viver, morrem. 

Aí vêm os políticos espertos, os ecopilantras e os ecopanacas e gastam imensas quantidades de dinheiro em operações espetaculares que não raro utilizam até mesmo helicópteros para “resgatar” os animais de grande porte daquela área – onças, veados, tamanduás, araras, etc. – e os levam para “estações de passagem” onde vão se “recuperar do stress” para posterior “reintrodução no habitat natural”. 

Mas em que habitat, se o deles foi destruído e não existe mais? 

Resposta: em geral no habitat de outras populações da mesma espécie. 

Que, como eu disse acima, já estão completamente saturados. 

Não cabe mais ninguém lá! 

Para que um entre, um tem que sair – o que significa morrer. 

Lógico, é tudo muito lindo na TV: políticos, engenheiros, empreiteiros e ecochatos posando de salvadores de animais, todo mundo muito contente por “minimizar o impacto ambiental”, muita gente ganhando dinheiro para participar dos trabalhos de captura, cuidados temporários e reintrodução dos animais na natureza, a imprensa fazendo reportagens melosas sobre a “consciência ambiental” dessa patota toda, as professorinhas na escola mostrando aos aluninhos como é lindo preservar a vida animal… 

… e tudo isso é mero jogo de cena. Ou não sobra um único bicho vivo, ou o impacto ambiental é estendido para novas áreas, produzindo uma situação ainda pior que a criada pela inundação original. 

Quando os animais são reintroduzidos em áreas já ocupadas por sua espécie, eles encontram um ambiente já completamente ocupado. Ou eles morrem porque não conseguem competir com os residentes, ou eles precisam tomar dos residentes os recursos necessários a sua sobrevivência, causando assim a morte dos residentes. 

Quando os animais são “reintroduzidos” em áreas não ocupadas por sua espécie, ou seja, quando na verdade eles são introduzidos em alguma área nova, eles são uma espécie invasora para aquele ambiente, gerando um novo impacto ambiental. Ao invés de uma só área impactada, tem-se duas. 

Seria muito mais útil e sincero abater essa bicharada à bala e fazer um churrasco. 

Mas, é claro, sem maquiagem o show não causa o mesmo efeito. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 14/02/2012

33 thoughts on “A farsa do resgate de animais

  1. Manga-Larga

    14/02/2012 — 15:26

    Estou ainda ansiosamente esperando por aquele artigo sobre quadros mentais X política de drogas.

    1. Sim, está no forno. Mas ainda quero pensar mais um pouco a respeito.

  2. O pior é quando resgatam pinguins perdidos na praia e os devolvem a custos exorbitantes para a Antártida. O que estão fazendo é permitir que aqueles desorientados passem seus genes sem rumo para a perdição (com duplo sentido) da sua descendência.

    1. Exato! Falei isso uma vez no CECLIMAR e quase fui linchado. Mas é verdade.

  3. Rafael Holanda

    14/02/2012 — 19:54

    Estagio no Laboratório de Biogeoquímica Wolfgang C. Pfeiffer e temos como foco a hidrobiogeoquímica do mercúrio no Rio Madeira e afluentes, mas temos contato com os laboratórios envolvidos no resgate de fauna das construções das usinas de Santo Antônio e Jirau. Eu passei esse artigo para eles. Vamos ver a resposta.

    1. Boa! Fiquei curiosíssimo! 🙂

  4. Voce tem provas de que o animal resgatado e relocado nao sobreviva?

    1. Para contemplar adequadamente as afirmações que faço no texto, esta pergunta está incompleta. Vou completá-la:

      “Você tem provas de que o animal resgatado e relocado não sobreviva, ou que algum outro animal não tenha que morrer para que ele sobreviva?”

      A questão é esta:

      Antes da operação de resgate tínhamos a área “A”, com digamos 20 animais da espécie “X”, e a área “B”, digamos que com a mesma extensão e as mesmas características e também 20 animais da espécie “X”.

      Aí chega a patota eco-iludida e captura 10 animais da área “A”, cuida deles por um tempo e os solta na área “B”.

      A menos que toda a ciência ecológica, todos os conceitos de dinâmica de populações e toda a razoabilidade do que sejam as exigências fisiológicas e comportamentais de uma espécie biológica estejam completamente erradas desde sempre e até hoje, a área “B” não tem condições de sustentar 30 animais da espécie “X”, caso contrário ela já teria 30 animais da espécie “X” vivendo ali.

      Dentre os animais capturados e realocados, 100% está na condição de “visitante” em relação aos que já estão ali, na condição de “residentes”. Conheces o ditado que diz que “galo no terreiro alheio é pinto”? Pois este ditado é perfeitamente válido em ecologia: o exemplar que já está no local tem o domínio do local e luta por ele com total empenho, enquanto o animal que chega e encontra essa resistência tem bem menor chance de se firmar no território, a não ser que tenha uma evidente superioridade.

      O resultado, portanto, é que provavelmente mais de 80% dos animais realocados morram, enquanto uns 20% consigam sobreviver à custa da morte de residentes mais fracos, porque a mera introdução de novos animais da espécie “X” numa área onde já existem outros animais da espécie “X” não tem como aumentar a capacidade de suporte do meio para a espécie “X”.

      Na verdade, o mais provável é diminuir esta capacidade de suporte por um bom período devido à superexploração de recursos que ocorre enquanto não morrerem animais em número suficiente para recolocar a população da espécie “X” dentro dos limites suportados pelo ambiente. Assim sendo, é bem provável que ao final do processo acabemos tendo uma área “A” com zero animais da espécie “X” e uma área “B” com apenas 17 animais da espécie “X”, o que é muito pior do que se tivéssemos simplesmente não feito nada para “salvar” os animais da área “A”.

  5. Esta e’ uma postagem muito seria e so pode ser levada em consideracao SE EXISTIREM EVIDENCIAS CIENTIFICAS QUE A COMPROVEM, caso contrario e’ uma teoria que pode ou nao ser comprovada.

    1. Nã-na-ni-na-não! 🙂

      A minha posição é a posição ortodoxa da ciência ecológica. As minhas alegações não são extraordinárias, são ordinárias. Ou seja, eu não preciso de provas extraordinárias para sustentar a minha posição. O ônus da prova não é meu.

      O ônus da prova de que operações de resgate promovam uma efetiva sobrevivência a médio e longo prazos de um maior número de animais é de quem propõe este tipo de intervenção que contraria toda a fundamentação teórica da ciência ecológica.

      Eles terão que provar ou que as áreas receptoras dos animais resgatados possuem uma capacidade de suporte não explorada pela espécie “X”, ou que a capacidade de suporte destas áreas aumenta quando se faz a introdução de novos exemplares da espécie “X”. Eu não imagino o que possa justificar qualquer uma destas pretensões.

    2. Alguém fez um comentário a respeito disso no Facebook e eu me dei conta que existe uma situação em que é possível capturar animais da espécie “X” na área “A”, levá-los para a área “B” e garantir a sobrevivência tanto dos visitantes quanto dos residentes: isso pode acontecer nos casos em que a área “B” tenha sofrido recentemente uma depleção de organismos da espécie “X”, ou seja, caso a área tenha sofrido impacto recentemente e a população local ainda não tenha se recuperado.

      Nota que isso não constitui uma exceção à regra, pois trata-se apenas do caso de matar os animais da área “B” antes e não depois da chegada dos animais resgatados na área “A”. Noves fora, nenhum animal foi salvo.

    3. Por que biólogos e ecólogos não denunciam isso?

      Pelos mesmos motivos que os médicos não denunciam a homeopatia:

      – ou eles não têm competência para perceber o erro (ou a fraude);

      – ou eles se beneficiam do erro (ou da fraude);

      – ou eles não querem se indispor com o conselho da profissão, que dá respaldo aos picaretas (que cometem ou erros, ou fraudes);

      – ou eles não se importam com o erro (ou com a fraude) ao ponto de tentar fazer alguma coisa.

      É sempre mais fácil e cômodo “deixar pra lá” do que tentar salvar o mundo.

      Como eu sempre digo: não importa qual seja o diploma, a mão que o carrega é sempre da mesma espécie.

  6. “… eu não preciso de provas extraordinárias para sustentar a minha posição. ” – Arthur

    Este teu comentario inspira MUITA preocupacao.
    A tua tese ‘e absolutamente teorica e pode se tornar perigosa, se pela tua boa labia, convenceres pessoas de que seja um FATO, em vez de uma posicao TEORICA.

    O teu texto ‘e interessante, traz uma preocupacao com a pratica atual, mas APENAS GERA UMA HIPOTESE. Se voce tiver compromisso verdadeiro com a tua posicao social de ecologista, nao podes fazer uma acusacao destas sem ter provas. Ja’ tem genet no blog querendo que facas parte do gabinete do Governo!!!! Eu estou achando que estas manipulando a opiniao alheia em teu beneficio! Ja’ pensou nisso?

    Dizer que nao precisas provar a tua afirmacao, e que podes sair por ai dizendo o que foi dito neste texto, como se fosse FATO, equivale a eu sair por ai dizendo que encontrei a cura do cancer, porque nos meus estudos pre-clinicos um tal remedio funciona, e que eu esteja convencida de que vai curar o cancer de pessoas.

    O profissional serio NAO PODE FAZER ISSO. Tu sabes disso.

    1. Agora quem ficou preocupado fui eu. 😮

      Paulinha, dizer que “eu não preciso de provas extraordinárias para sustentar a minha posição” quando minha posição é a mais ortodoxa dentro de um campo de conhecimento científico é o básico do básico da primeira disciplina de método científico!

      Eu não estou apresentando nenhuma tese que precise de comprovação experimental. Eu estou apresentando a mais pura ortodoxia de um campo de conhecimento científico bastante sólido. Quem está pisando na bola não é toda a ciência da ecologia desde os seus primórdios, é o pessoal que faz uma coisa espetacular que não tem o menor respaldo teórico.

      Eu não estou gerando hipóteses, nem de longe. O meu texto equivale a dizer “a gravidade existe e portanto não é possível atirar uma moeda para cima e atingir a Lua”.

      O trabalho de quem resgata animais é que está na desconfortável situação de dizer “é possível atirar uma moeda para cima e atingir a Lua”.

      Entende uma coisa: não é porque tem um monte de gente fazendo essa bobagem que isso tenha qualquer razão técnica ou científica de ser. É perfeitamente possível – de fato, é a realidade – que um imenso contingente de profissionais esteja simplesmente fazendo algo pura e simplesmente errado.

      Não confunde a prática de uma profissão com o conhecimento científico que deveria embasar a prática desta profissão. 😉

  7. A pratica de uma profissao se BASEIA no conhecimento cientifico: o de ontem, o de hoje, o de amanha.
    Este estudo sobre a mortalidade dos animais resgatados e mortalidade dos “vizinhos novos” pode e deveria ser feito, se ainda nao foi.

    O que nao ‘e possivel ‘e um cientista achar que a teoria, por mais antiga que seja, deva sempre suplantar o fato e ser indiscutivel. Va’ verificar os fatos, examina’los, analisa-los, descreve-los. Para isso o teu texto neste blog serve: inspiracao para projetos cientificos que coloquem a teoria idosa `a prova. Mas dai’ a “estabelecer” que o trabalho de resgate seja um lixo, sem estar baseado em DADOS, isso ‘e muito perigoso.

    Se todas as ideias que temos diariamente, e que fazem o maior sentido quando confrontadas com o conhecimento vigente, fossem VERDADEIRAS, a ciencia NAO EXISTIRIA.

    1. Não, Paulinha. Isso é wishful thinking.

      A prática de uma profissão deveria se basear no melhor conhecimento disponível, que por uma série de motivos em geral é o conhecimento científico, mas não é isso que acontece no mundo real na maior parte do tempo.

      Se não existisse a ecologia enquanto ciência estabelecida, com um corpo de conhecimentos sólido e muito bem testado, então tu terias razão em ter alguma dúvida a respeito da validade ou não validade das operações de resgate animal e em propor um estudo a respeito para verificar quem tem razão. Mas não é este o caso.

      Vou explicar de novo:

      Se alguém aparecer na minha frente com uma máquina qualquer e disser que se trata de uma máquina do moto-perpétuo, eu não vou nem me dar o trabalho de ouvir o que o sujeito tem a dizer sobre aquela máquina e provavelmente não vou nem querer ver a máquina funcionar. É perda total de tempo, porque nada neste universo pode violar a segunda lei da termodinâmica. Eu não preciso fazer um estudo para saber que a máquina dele não funciona.

      Em ecologia, conceitos como capacidade de suporte estão tão bem estabelecidos quanto a segunda lei da termodinâmica na física. Quem disser que pode resgatar animais da área “A” e colocá-los na área “B” sem que eles morram e sem que os animais da área “B” morram, fazendo a população das áreas “A” e “B” sobreviverem na área “B” no longo prazo, está simplesmente propondo a violação de um conceito básico da ecologia. Eu não preciso fazer um estudo para saber que a atividade dele não funciona.

      O problema aqui é que as pessoas acham lindo “salvar bichinhos”, os políticos se aproveitam disso para parecerem “amigos do ambiente”, os empreendedores que tem interesse econômico em realizar grandes obras se aproveitam disso porque esta é uma maneira barata de viabilizar projetos de altíssimo impacto e os biólogos, ecólogos e outros ólogos e istas se aproveitam disso para ganhar dinheiro, visto que são os “profissionais certificados” da área e por isso são eles os contratados.

      Todas estas profissões deveriam se basear no melhor conhecimento disponível, mas a verdade é que na prática elas se baseiam no interesse econômico dos profissionais. Enquanto estiver colando, que se dane a ciência, porque do jeito certo ninguém ganharia dinheiro. Bem-vinda à realidade. (É assim na biologia e é assim na medicina também, porque não importa o que está escrito no diploma, a mão que o segura é sempre da mesma espécie.)

      Tu podes até dizer “mas eu não tenho certeza de quem está com a razão”, e eu vou te dizer que neste caso quem tem o ônus da prova não é quem defende a posição ortodoxa da ciência e sim quem atua a descoberto da teoria ortodoxa.

      Eu sei como fazer para garantir a sobrevivência dos animais resgatados. Existem várias técnicas que podem ser usadas para isso, algumas delas “light” (superalimentar o animal de modo que ele fique forte e tenha altas chances de vencer a competição por recursos e mesmo lutas diretas), outras delas “hard” (entupir o bicho de anabolizantes) e outras abertamente criminosas (capturar ou matar animais da área receptora para abrir uma janela ecológica). Esta não é a questão.

      A questão é que, se na área “B” a capacidade de suporte é de 20 animais, então trazer 10 animais da área “A” vai fazer a espécie “X” ficar com 30 animais em uma área com capacidade de suporte para 20 animais. Isso não é sustentável a médio e longo prazos e com absoluta certeza vai causar a morte de pelo menos 10 animais, provavelmente mais que isso devido à superexploração dos recursos e ás lutas diretas. No final das contas, a área “A” vai ficar com zero animais da espécie “X” e a área “B” vai ficar com 17 animais da espécie “X”, ao invés dos 20 que tinha originalmente.

      Se alguém quiser contestar estas informações, o ônus da prova é dele, porque isso não é “minha opinião” e muito menos “uma hipótese”, isso é a ortodoxia da ciência ecológica.

      Existe alguma demonstração que uma área aumenta miraculosamente sua capacidade de suporte por peninha dos bichinhos resgatados? Creio que não. 🙂

  8. Acontece a toda hora com a especie humana.
    O ecossistema pode ser mais elastico do que consideras na hipotese. Talvez levando 200 animais o sistema colapsasse, mas nao com 10. Como sabes o numero que vai levar ao colapso, se nao sabes quantos vivem em B?

    1. Mas eu sei quantos vivem na área B!

      Eu não preciso contar para saber.

      Em B vivem K animais da espécie X.

      K é a capacidade de suporte.

      Se eu somar “n” animais da espécie X na área B e o número “n” for significativo, então “n” animais terão que morrer para o sistema poder suportar K animais.

      Se eu somar “n” animais da espécie X na área B e o número “n” não for significativo, então não faz sentido algum gastar dinheiro com um resgate de faz-de-conta ecológico.

    2. Sim eu entendo matematica. E faz sentido. Mas eu nao estou convencida de que a todo momento, K seja de fato constante. Isso porque os sistemas biologicos sao elasticos e redundantes.

      Exemplos de situacoes ocasionais que podem interferir em K, e fazer com que nao seja de fato uma constante: desastres naturais (chuva, secas, terremotos, vulcoes, tsunamis, ventos), interferencia biologica (provocada – pelo homem, natural – infeccoes que dizimam uma comunidade)..
      Se voce tiver como controlar todas estas variaveis e realmente medir o numero de animais X na area B, tera’ um numero mais fidedigno do que K. Ainda assim, nao sabera’ se aquele numero ‘e ou nao ‘e o mais elastico.

    3. Paulinha, a capacidade de suporte de uma área para uma dada espécie pode variar em função de muitas variáveis, sem dúvida. Se assim não fosse, estariam liberados o desmatamento, a sobrepesca e até mesmo as inundações. Mas qualquer ambiente em qualquer dado momento exceto logo após um evento que tenha matado um número significativo de animais ou sofrido uma alteração significativa em sua estrutura estará sempre preenchido com K animais.

      As operações de resgate, para serem justificadas, teriam que provar que a área de destino dos animais está sub-utilizada por cada espécie com exemplares resgatados e realocados – ou seja, teriam que provar que houve um impacto significativo na área de destino e que esse impacto já cessou, em função do que haverá uma chance real de sobrevivência dos animais realocados.

      Por exemplo, se um fazendeiro acabou de matar uma onça, talvez haja uma chance de sobrevivência para uma nova onça realocada de uma área inundada para aquela fazenda. Talvez, porque ela estará estressada, não conhecerá o território e terá encontros em desvantagem com as ocupantes dos territórios vizinhos.

      Mas qual a chance de uma operação de resgate com data fixa coincidir com um impacto não provocado, significativo porém transitório, em uma área afastada do impacto original, que coloque esta segunda área em condições perfeitas para receber os animais resgatados da primeira, sendo que as duas áreas devem ter aproximadamente a mesma extensão e o número de animais resgatados deve ser grande o suficiente para justificar o investimento da operação e pequeno o suficiente para repor apenas o número de animais mortos pelo impacto na área receptora?

  9. Paula, esse negócio de resgate de animais é puro marketing das empresas. E elas não estão erradas, existe uma pressão brutal para que todas as obras sejam “sustentáveis”. Pode ver que eles só resgatam onças, preguiças, tamanduás e macacos. E os insetos, anfíbios, répteis, etc? Esses não ficam bem nos folders e vídeos promocionais.

    1. Exato. O que fica bem no folder promocional é a foto do bravo ecologista abraçado no veado campeiro dentro de uma rede sendo ambos levados de helicóptero para um local “seguro”.

    2. sim, pode ser. Mas se eu sou publicitaria e tenho fotos de todos os bichos sendo resgatados, mas espaco para um quadro, a chance de eu escolher o coelhinho ou o cavalinho ‘e muito maior do que o sapo, ou a ratazana. Tem ate’ uma fabula do principe e do sapo para ensinar as pessoas que mesmo os que se parecem com o sapo podem ter seu valor. A gente ‘e assim.

    3. “Vejam que lindo! Salvamos 400 taturanas, 350 lesmas, 8000 moscas, 50 ratazanas, 150 aranhas, 200 sanguessugas e mais 8500 insetos diversos, inclusive duas espécies desconhecidas de carrapatos!” 🙂

      Retorno do público #fail

      É o que eu disse: é puro espetáculo, não tem nada de ciência nisso. Alguns estudos servem, é claro, para formar coleções, descrever espécies novas, etc. Mas operações de resgate para “defesa dos animais”? 🙂

  10. uma barbaridade.

    1. A gente ser assim? É. É uma barbaridade.

  11. Uma vez assisti um documentário que tinha essa mesma lógica. Falava exatamente sobre um ambiente “zero quilômetro” e um X de animais sendo introduzido nesse ambiente e como, com o tempo, a população aumenta demais e acaba consumindo todos os recursos disponíveis e como consequência sofre uma drástica redução, se não a própria extinção. É até meio óbvio, parece que faz parte do próprio conceito de seleção natural…ou não?

    1. Espécies invasoras ou introduzidas costumam causar grandes impactos no ambiente porque não há mecanismos de controle de suas populações naquele local. Normalmente faltam predadores adaptados para manter seus números sob controle, então elas crescem até consumir todos os recursos e sofrem um violento colapso, sendo extintas ou passando a ser controladas pela fome e por uma intensa competição intra-específica. Procura no Google as palavras “coelhos” e “Austrália” juntas. 😉

  12. E nos casos de variacao extrema em “K” simplesmente devido a invernos ou veroes rigorosos?

    1. Não muda a situação.

      Se K é 200 e trouxerem 20 animais, pelo menos 20 vão morrer.

      Se K cair para 100 e trouxerem 20 animais, pelo menos 20 vão morrer.

      A coisa só muda de figura se K subir de 100 para 200 e antes que a população local tenha tempo de se reproduzir alguém traga 20 animais. Nestes casos sim poderia se dizer que o resgate serviu para alguma coisa – mas isso depende das características da área receptora e quase sempre o que importa nestas operações é somente a data de inundação da área de origem dos animais resgatados. Ninguém espera alguns meses para dar início à formação de um lago de hidrelétrica e deixa de arrecadar milhões de reais para salvar duas onças e alguns tamanduás.

  13. Muito interessante essa dos coelhos na austrália, nunca tinha visto 😀

    1. Saiu na Geografia de Dona Benta. As crianças deviam ler Monteiro Lobato 🙂 !

    2. Uau! Eu vou procurar a Geografia da Dona Benta!

      Eu li O Poço do Visconde! 🙂

      E a Chave do Tamanho, que tem uma defesa do Naturismo!

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