O que é caráter? Qual sua importância na vida profissional? Como aferir o caráter de alguém? Afiem suas foices. Esta discussão é interessantíssima e merece de destaque. O artigo “Quem certifica o certificador?” gerou a maior discussão da história do blog e acaba de gerar um artigo derivado. 

Esta discussão começou em função de minha afirmação de que um indivíduo de mau caráter, mesmo que seja tecnicamente atualizado e competente, não é confiável e portanto não pode ser considerado um bom profissional.

Dois comentários muito interessantes me instigaram a abrir um espaço próprio para esta discussão.

O primeiro foi da Paula:

Vamos ver quem passaria num exame de caráter, sem o qual você não pode ser aprovado no exame de certificação da profissão.

1. Você verifica que a caixa do supermercado ou o garçon no restaurante esqueceram de cobrar por um item. Você volta imediatamente e avisa do esquecimento, para poder pagar pelo que levou/consumiu.

2. Seu chefe não se deu conta que o fulano estava na fila por uma sala melhor, e quando uma sala fica vaga, e ele te chama, voce então lembra o chefe que o fulano estava na fila pela sala, e que você prefere ficar na sua sala perto do esgoto por mais tempo, até’ que uma outra sala boa fique disponível.

3. Você tinha namorado (a) e foi “seduzido”, e resolveu dar uns beijinhos fora do relacionamento, afinal era carnaval e daí pode.

4. Você é casado (a), é  “seduzido” e resolve passar uma noite com uma boa transa, fora do relacionamento. Não é sempre, respeito minha mulher (marido), não dá nada. Vai até dar uma refrescada na minha vida sexual…

5. Você quer ir a todos os encontros profissionais fora da cidade para ver se pinta aquela transa fora do casamento.

6. Você bateu o carro. Mandou consertar, mas não ficou legal. Põe à venda e avisa a todo comprador em potencial que é carro batido.

7. Você cometeu um erro no trabalho e não falou para ninguém, quem sabe assim ninguém se dá conta e fica por isso mesmo.

8. Você fez um julgamento falso sobre uma pessoa e se deu conta. Você então procura a pessoa para pedir desculpas pelo seu engano.

9. Você viu uma poça de vômito no metrô, ou no saguão da entrada do seu trabalho, e procurou a administração imediatamente para avisar, assim a coisa pode ser limpa, causar menos transtorno e ser menos arriscada (quedas).

10. Você entra no elevador do seu trabalho e ele está estragado. Você se atrasa para aquela reunião. Sai dali furioso e frustrado. Pega o telefone e liga na mesma hora para a manutenção, para que outros não se atrasem como você, pelo fato de o elevador estar estragado.

11. Você nunca sonegou impostos. É contra os seus princípios.

12. A sua empresa não tem caixa 2. Caixa 2? O que é isso?

13. Você compra itens genéricos e vende como se fossem de marca, para lucrar mais.

14. Você compra itens de marca falsificados, pois são mais baratos.

15. Você nunca pirateou uma música, um CD, ou um game.

16. Blablablablablablablablablabla.

Quem define caráter? Bom caráter, mau caráter? Quantas vezes a pessoa tem que fazer as coisas acima? Sempre, nunca, na maior parte das vezes? Se fez só no passado, é porque o caráter mudou?

Quem certifica o definidor de caráter????

A capacidade profissional é mais facil de definir, ainda que uma prova teórica não seja como a vida real na prática.

Para mim, defender que atributos imensuráveis como o caráter sejam incorporados na avaliação para certificação profissional é uma ação deliberada e obstrutiva para que a coisa NUNCA aconteça.

O segundo foi da Li:

Sei que tinha dito que o assunto, para mim, estava encerrado, rs.

Não posso deixar de definir o que seja ética profissional para mim.

Primeiro,não tenho como saber se meu médico trai a esposa, e mesmo que soubesse isso não é da minha conta.

Assim como tantas questões que você colocou.

O que EU disse foi o seguinte:

Se meu médico é um cara legal, bom caráter, ético, e preza pelo direito alheio, ele vai me tratar com dignidade, vai me informar de todos os tipos de tratamento que existem para a doença que tenho.

Vai me olhar nos olhos, vai PERDER tempo comigo, e se digo que preciso de um determinado medicamento, ele vai aceitar, mesmo que depois me questione sobre o uso do mesmo.

Veja o caso do Arthur, só para ilustrar.

Se meu cirurgião é ético, ele vai me orientar segundo minhas necessidades reais e não visando sua conta bancária.

Um excelente profissional põe a necessidade do paciente/cliente antes dos seus interesses.

Se o profissional for um exelente profissional e não tiver ética nenhuma, fatalmente vai chegar o dia que vai me tratar como trata a si mesmo.

E não estamos falando dos bons profissionais, estamos falando de como nos proteger dos MAUS.

Um MAU profissional, por mais qualificado que seja, não tem ética, não tem dignidade e não tem respeito pelo outro.

Meu cunhado vive fazendo palestras para quem trabalha na área da saúde, sobre dignidade, ética, direitos do paciente, cuidado, acolhimento… e todas essas coisas que todos sabem faz tempo.

Óbvio que não temos como saber se uma pessoa é boa ou má.
Mas podemos avaliá-la pela forma como somos tratados.

Eu acho que um cirurgião que me opera e nunca mais procura saber se estou bem não está fazendo bem seu trabalho.

Já passei por isso, e foi ruim.

Se confio a minha vida a um profissional espero que ele demonstre um minimo de interesse pelo resultado do seu trabalho, no caso EU.

Ao contrário de outros que são verdadeiros anjos no cuidado de seus pacientes, e também os conheço, rs.

Um cirurgião, por melhor que seja,que me trata como uma COISA, me faz mal. Ele deixa um vazio no meu coração, porque espero por uma atenção que não chega.

Não exijo sua atenção permanente, mas um ” Olá, tudo bem?” com certeza.

Se contrato um arquiteto para desenhar MINHA casa, espero que ele perca seu valioso tempo comigo, indagando de meus gostos e necessidades, e respeite-as.

O mesmo vale para QUALQUER profissional.

Se uma pessoa não se respeita, ela não tem como me respeitar. Errar é humano, perdoar é divino, mas os maus profissionais estragam a reputação dos colegas.

Uma avaliação profissional deve incluir o relacionamento com os pacientes/clientes, os antecedentes do profissional e até mesmo as multas que ele já teve. 

Um cara que vive avançando o sinal, que usa a direção de forma perigosa e que não respeita vaga especial… deve ser olhado com algum cuidado. 

Conheço médicos que se drogam, assunto proibido entre eles. Só eu sei? Não. Todo mundo sabe, fazem vista grossa, por mil motivos.

A avaliação também deve passar por aí.

Porque tenho certeza que uma criatura amorosa vai levar isso para sua profissão, seja qual for. 

Temos portanto dois posicionamentos diferentes e interessantes: a Paula dizendo que o espectro de avaliação seria difícil de definir, provavelmente excessivo e na prática paralizante, e a Li dizendo que nem tanto, porque os aspectos particulares não importam diretamente e na própria prática profissional aparecem elementos para perceber que um indivíduo não é flor que se cheire e que isso deve ser provavelmente suficiente para avaliar o indivíduo.

Minha posição é a seguinte:

1. Se você descobrir que o seu profissional contratado está traindo a esposa ou marido, DEMITA o sujeito ou AFASTE-SE dele! Quem trai a pessoa que supostamente ama não hesitará em trair o patrão, o colega ou o cliente se vir nisso uma boa oportunidade. O mesmo vale para qualquer vendedor ou prestador de serviços.

2. Se você descobrir aparentes deslizes do profissional a respeito dos quais existe controvérsia filosófica, como baixar músicas ou filmes da internet, AVALIE o entendimento do sujeito em relação ao ato praticado. O que importa não é o ato em si, mas como a pessoa que o pratica o interpreta. Muita gente considera perfeitamente justo baixar músicas ou filmes da internet porque a indústria fonográfica é uma máfia monopolista que impõe preços abusivos. Quem tem essa visão de mundo pode ter valores diferentes dos seus, mas não tem necessariamente mau caráter.

Alguns dos critérios propostos pela Paula me parecem tão obviamente denunciadores de mau caráter que nem precisavam estar na lista. Vender gato por lebre é sempre coisa de gente mau caráter, pouco importa se é um carro ou um tênis marca-diabo com etiqueta falsificada.

Outros dos critérios me parecem indicadores de um bom caráter especial, como a pessoa que gasta seu tempo para avisar que um conserto ou uma limpeza são necessários, mas dado o padrão cultural vigente não indicam necessariamente um mau caráter se não são preenchidos. A avaliação do caráter de alguém não se faz no vácuo, é necessário avaliar o contexto em que se vive.

Mas para mim uma coisa é certa: não existe isso de ser um sujeito de bom caráter numa situação e de mau caráter em outra. Quem dá mostras de ter mau caráter não é confiável nunca.

E às perguntas da abertura do artigo acrescento a seguinte: se fosse possível fazer um exame de sangue e descobrir se o  sujeito tem bom caráter ou mau caráter, você concorda que esse exame deveria ser obrigatório para quem se propõe a assumir qualquer função ou cargo público, seja ele eletivo, em comissão ou de carreira?

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 20/02/2012

 

151 thoughts on “A certificação do caráter

  1. Tendo participado dos dois lados da coisa eu digo de novo: a chance de empreendimento amador dar certo e’ infinitamente menor do que de profissional.

    Nao, eu nao acho a coisa mais natural do mundo aceitar ou desejar trabalhar de graca.(Paula)

    Milhares de amadores pelo mundo já provaram que isso é possível,rs.

    Depende do trabalho.
    Se eu sei que meu trabalho ” de graça” vai render muitos bons frutos,eu posso abrir mão do meu lucro em benefício de outros.

    Se eu sei que meu trabalho não é devidamente valorizado por questões de
    interesses desonestos,vou exigir cada centavo a que tenho direito.

    Venho de uma região que valorizava MUITO o voluntariado.
    Cresci sabendo que posso abrir mão de certas coisas,em benefício alheio.

    E pra falar a verdade,nenhum autor de livro técnico/didático perde,se esse livro for adotado
    em escolas.
    Se o autor recebber 2 Reais por cada exemplar
    que custar 12 Reais,quanto ele vai receber por milhares de livros vendidos?

    Todos ganham,o autor ganha dinheiro e seu trabalho divulgado,de quebra tem a chance de ajudar muitas pessoas.

    O governo,além de ajudar as pessoas,tem chance de provar que usa o dinheiro do povo
    de forma correta.

    Os estudantes ganham porque recebem um trabalho de qualidade por um preço que podem pagar.

    1. Sim tb acredito em voluntariado, e sempre participei de atividades como voluntaria. E ainda participo, com muito gosto e entusiasmo.

      Mas no final de cada mes, tenho que por comida na mesa para alimentar a familia. Entao, nao posso trabalhar de graca em atividades que demandem 120% do meu tempo, como por exemplo, escrever um capitulo ou editar um livro tecnico. Fiz quando nao era eu quem me sustentava. Agora nao da’ mais.

      O proprio Arthur citou o risco que se corre ao colocar alguma informacao que possa ser entendida como errada, por estar errada de fato, ou por ser mal interpretada. O cuidado deve ser mais que redobrado. Escrever texto tecnico nao e’ a mesma coisa que escrever romances ou opinar num Blog. Se alguem seguir uma recomendacao errada de tratamento de alguem, tirada de um livro, os autores sao responsaveis! Ja’ pensaste nisso?!

    2. O problema é: quem está interessado em “ajudar pessoas”?

    3. Paulinha, eu sei que a gente tem que se sustentar, que não dá pra viver de brisa… mas podes ter certeza de que não é disso que estamos falando quando falamos de mercado editorial neste nível. Não se trata mais de sustentar-se e sim de encher os bolsos com muito dinheiro. Muitas vezes não é realista aplicar princípios de uma escala em outra escala.

    4. eu estou interessada em ajudar as pessoas e sei que nao sou a unica.

      tb sei que muita gente nao esta’ interessada nas pessoas.

    5. O que nós precisamos é de um método para reunir estas pessoas – que querem ajudar as outras pessoas – e colocá-las para trabalhar juntas, nas mais diversas áreas, para obter sinergia.

      Do jeito que o mundo está hoje, estas pessoas sempre acabam parasitadas. Sempre. É um inferno. Isso faz com que cada um se recolha em seu mundinho e assim a sinergia é eliminada.

      O meu maior projeto tem justamente a ver com isso. Mas agora eu ainda não tenho como fazê-lo avançar. Estou reunindo ativamente as condições necessárias para viabilizá-lo, mas ainda vai demorar um pouco.

  2. arthur, veja resposta ao comentario anterior, por favor.

    1. Respondido, mocinha. 🙂

  3. Mas no final de cada mes, tenho que por comida na mesa para alimentar a familia. Entao, nao posso trabalhar de graca em atividades que demandem 120% do meu tempo, como por exemplo, escrever um capitulo ou editar um livro tecnico. Fiz quando nao era eu quem me sustentava. Agora nao da’ mais. (Paula)

    Paula,com um pouco de boa vontade,até que dá para entender,rs.

    Veja bem,um profissional que escreve um livro,já tem um trabalho.
    Certamente fará isso nas horas vagas,que é o que todo mundo faz.
    E se esse livro for adotado,vai lhe trazer merecida recompensa financeira.
    Afinal,ele estará investindo em sua carreira visando sua conta bancária.

    1. Tem isso, também. Às vezes é um investimento no escuro, feito sem querer.

    2. quem escreve livro tecnico no brasil ganha $ zero.
      nao tem como se sustentar com isso.
      ganha sim, MUITA incomodacao.
      e’ uma das tarefas mais dificeis que ja’ enfrentei na minha vida.
      nao faco mais de graca.

    3. Peraí… então eu pago R$ 1.200,00 por um livro e o autor só ganha incomodação?

      Estamos chagando ao ponto: estás vendo como há interesses muito podres envolvidos neste mercado?

      Ou será que o lógico e correto num mercado é o produtor se matar de trabalhar, o consumidor pagar caríssimo pelo produto e o produtor não ver a cor do dinheiro?

    4. Na execucao de uma obra tecnica, os direitos de venda da obra pertencem `a Editora.

      O autor dos capitulos so’ ganha um tapinha nas costas…Na verdade ganha a massagem no ego por ter sido convidado a escrever o capitulo, a incomodacao, a inveja dos colegas que queriam ter sido convidados, a inveja dos colegas que tiuveram ideias, fizeram projetos, queriam escrever um livro mas nunca botaram o trazeiro na cadeira e comecaram. Tambem ganha um paragrafo a mais para colocar no curriculo, o orgulho de ter concluido uma tarefa, muitas reclamacoes de que escreveu coisa “errada” ou pouco clara (quando quem reclama sabe da missa a metade e nao se dei o trabalho de fazer a extensa revisao da literatura para saber pq seu questionamento nao procede), e $$, isso SO’ SE TIVER COBRADO PARA ESCREVER O CAPITULO.

      Se voce for o editor do livro, piorou, pois alem do disposto acima, voce ganha a frustracao e represalia eternas dos colegas que voce NAO convidou para escrever capitulos, e uma tarefa a mais que ‘e ir atras de quem se comprometeu a escrever e nao o fez, te quebrando em todos os prazos possiveis. Seu livro tem 30 capitulos? Multiplica a caca (c-cedilha) ao autor por 30.

      – Fulano, seu capitulo esta’ pronto?
      – Nao, bah, to cheio de enrolacao…Uns matam a avo’, outros matam uma tia, outros dizem que a mulher teve um ataque de nervos, mas o mais comum ‘e “o meu chefe me pediu para fazer um trabalho urgente que eu nao tive como recusar”…dai, como ‘e na base do vamu la’, no amadorismo, eu tenho que implorar para o cara que esta’ escrevendo, para ELE me dizer qual ‘e o prazo novo do capitulo dele, a beleza.
      E dali ir na editora, implorar para mudar o prazo para entrega dos capitulos.

      Sim implorar porque se voce perder a editora, nao tem livro.
      A editora da universidade? Sim trabalhei com a Editora da Universidade na primeira edicao. Fizemos o que foi possivel, dentro das condicoes. Mas o fato ‘e que ‘e uma opcao limitada, em comparacao com editoras que visam o lucro, por motivos obvios. Na Editora da Universidade havia uma meia duzia de romanticos (como eu chamo), que sao abnegados e incriveis. Mas o trabalho inteiro de uma universidade de ponta nao pode ficar limitado aos recursos disponiveis na editora da universidade, mesmo que as pessoas que trabalhem la’ dentro sejam fantasticas. Precisava de 100 pessoas como aquelas, nao 10.

      Voltando aos paragrafos de cima: enfim, nao da’ para fazer no amadorismo.

      Faz um contrato, convida a beleza para escrever o capitulo, paga tanto, o capitulo tem que estar pronto ate’ dia tal. Assim se cria um compromisso PROFISSIONAL para a execucao da tarefa.

    5. ah, sendo autor de capitulo no Brasil voce tb ganha um exemplar do livro. O livro custa uns U$20.00 – U$ 40.00 que ‘e para concorrer com os estrangeiros, que custam o dobro.
      legal!!! pode ficar feliz.

      Se voce for um autor remunerado num livro tradicional de medicina, com mais de 200 capitulos, custando aqui nos US U$ 250, mas no Brasil (nao sei por que matematica) U$ 600 (ou R$ 1100,00), voce ganha $$ para escrever o capitulo.

      Se voce for o editor do livro aqui, nao sei quanto ganha, ou se ganha algo, pois ‘e uma posicao de absoluta notoriedade. Mas voce ganha muitas copias do livro para distribuir para residentes, colegas, etc.

    6. “Na execucao de uma obra tecnica, os direitos de venda da obra pertencem `a Editora.”

      Lembra agora quando eu falei dos interesses escusos que constituem o verdadeiro motivo da proteção à propriedade intelectual?

      Pois é disso (entre outras coisas) que estou falando.

      CLARAMENTE este sistema não serve para proteger e não protege quem produz a informação de qualidade, a música de qualidade, o filme de qualidade (se bem que essa indústria é mais fechada e remunera melhor os produtores), etc.

      O sistema de proteção de “propriedade intelectual” é voltado para proteger os interesses de quem domina estes mercados e só. Pequenas exceções aqui e ali não invalidam a regra.

      Aliás, achas que o lobby das editoras não tem nada a ver com a recente reforma ortográfica RIDÍCULA E ESTÚPIDA da língua portuguesa?

      Basta olhar quem lucrou e quem perdeu com a reforma:

      Lucrou: todas as grandes editoras.

      Perdeu: todo o resto do mundo.

      Na virada deste ano, TODAS as bibliotecas, coleções e obras em língua portuguesa foram oficialmente tornadas obsoletas e precisam ser REIMPRESSAS para se adequarem à nova ortografia sem que isso acrescente uma vírgula de conteúdo ou utilidade.

      A língua portuguesa PIOROU com essa nova ortografia. A retirada do acento do ditongo decrescente das paroxítonas foi uma cagada monumental. Herói continua com acento mais heróico agora se escreve heroico e a tendência natural é ler heroíco, só para citar um exemplo. O hífen continua incompreensível, nenhuma mudança foi significativa e toda a movimentação só serviu mesmo para fazer milhões de pessoas terem dificuldade de adaptação, milhões de crianças terem a alfabetização bagunçada na metade, milhões de horas de estudo serem perdidas, milhões de horas de estudo extra serem necessárias e bilhões e bilhões de lucros para o mercado editorial.

      Estás entendendo a que nível chega a corrupção deste mercado?

    7. a propriedade intelectual deve ser protegida.
      o comercio que explora mercadorias, palpaveis ou nao, deve ser regulado.

      eu sou escritora e editora, e recebo pagamento pela minha producao.
      sim ja’ trabalhei de graca e me orgulho por isso. mas nao faco mais livro de graca, a menos que algum grande amigo peca. faco outras coisas de garaca, mas nao edito livro no amor.

      eu sou cientista e produzo tecnologias as quais precisam ser protegidas para assegurar desenvolvimento. sem protecao de propriedade intelectual, nada do que eu produza tem valor comercial, e assim, quem me contrata, tem que me contratar “no amor”. em vez de ficar esperando pelo “amor” alheio, eu protejo minhas invencoes com patentes. desta forma, se cria uma via para o seu desenvolvimento.

    8. acredito e me revolto.

      como eu nao uso muito mais o portugues, me vejo escrevendo como minha avo’, ha’ 30 anos atras…escrevia pharmacia e coisas assemelhadas.

      nao, eu provavelmente nunca conseguirei modificar minha maneira de escrever em portugues.

    9. “a propriedade intelectual deve ser protegida.”

      Não da maneira como é feita hoje no mundo inteiro. Não sei se percebeste, mas a ideologia da propriedade intelectual prejudica acima de tudo os próprios autores das idéias supostamente protegidas. Tu mesmo deste o exemplo de como é escrever um livro. Quem menos lucra é o autor.

      Eu acreditaria um pouco mais em propriedade intelectual se ela fosse absolutamente intransferível. Aí sim estaríamos falando em proteger os autores das idéias. Editoras são impressoras e distribuidoras de idéias, não podem lucrar com a venda de um livro mais do que o autor. (Bom critério, diga-se de passagem: no mínimo 51% do lucro tem que ser do autor.)

      Por outro lado, uma vez publicada a idéia (seja qual for, seja em que formato for), o autor não pode mais sob hipótese alguma interferir em sua divulgação. Não pode, por exemplo, desautorizar uma edição de sua própria obra. Informação publicada é informação tornada pública. O autor tem o direito de receber uma justa remuneração (afinal, sem suas idéias, os livros seriam cadernos em branco). Mas é só.

      Morreu o autor, morreram os direitos de propriedade intelectual, ou talvez possam ser mantidos por uns anos por justiça à família do autor, mas jamais podem ser mantidos como propriedade de terceiros, sejam pessoas ou empresas.

      Já estou até vendo a corrupção no mercado tentando se adaptar a estas normas: registrar descobertas importantes no nome de laranjas jovens para poder reter por muito tempo os direitos de propriedade intelectual. 😐 Por isso a necessidade de aferição da verdadeira propriedade intelectual, coisa que hoje ninguém comenta porque ela na verdade não é protegida, o que é protegido são os interesses do grande capital.

    10. A editora nao obriga o autor a publicar com ela.

      A palavra que esqueces e’ a NEGOCIACAO.

    11. Negociação? Entre a raposa e a galinha, para definir a dieta da raposa? Que chance tem a galinha de convencer a raposa a comer milho também?

    12. Sendo a raposa ou a galinha, tem que negociar.
      Ou preferes nao produzir o livro porque es contra a acao das editoras? Ai paralizou de novo!

      As editoras e livrarias estao falindo, Arthur, porque a internet esta’ ai.
      Quem paga por livros ainda sao pessoas que precisam por algum motivo da copia impressa da obra. Eu nao sei ha’ quantos anos nao compro um livro texto tecnico. Mas eu tenho acesso a 90% dos artigos publicados sobre minha especialidade, em 5 segundos, de casa ou no trabalho. O artigo na integra, que eu nem preciso aprender pelos olhos do outro que me conta num capitulo.

      Pode ser que numa relacao de A com B, A seja galinha e B raposa, mas entre B e C, B passa a ser a galinha. Isso ‘e capitalismo, um predando o outro. E assim, suscessivamente…Fazer o que, tem que trabalhar e dar a volta por cima das dificuldades.

      Fiz la’ os livros, pelos “premios” que listei. E ainda hoje me sao uteis, no meu CV. E mesmo que muita gente por este Brasil a fora possa ter tido a chance de ler sobre o tema, porque fizemos um livrinho barato, em preto e branco, papel jornal, nao divulgado profissionalmente porque era a Editora da Universidade, ‘e claro que tem carinha que me odeia ate’ hoje, porque ele NAO FEZ, e ficou enciumado.

      Ai’ vem o despejo que expressoes que agradam demais quem fez um livro de graca. Um nao, dois:
      1) deve ter embolsado uma grana da universidade para conseguir fazer o livro;
      2) deve estar dando para o diretor da Editora, so’ assim poderia sair um livro;
      3) livro lixo, nao discutiu o assunto A ou B;
      4) livro lixo, tem informacao errada (o que nao procedia, verifiquei);
      5) mas vem ca’, quem ‘e que ela pensa que e’ para estar escrevendo livro?

      Todas veridicas.

      Imagina as de que eu nao tenha ficado sabendo.

      Entao, pelo menos cobrar pelo esforco, acho que nao tem nada demais, pois trabalho e’ trabalho, e nao tem trabalho mais importante que trabalho. Receber honorarios pelas atividades profissionais ‘e um direito que cabe a cada trabalhador.

    13. “Sendo a raposa ou a galinha, tem que negociar.
      Ou preferes nao produzir o livro porque es contra a acao das editoras? Ai paralizou de novo!”

      Uma coisa eu sei: não estou disposto a bancar a galinha nesta negociação.

      “As editoras e livrarias estao falindo, Arthur, porque a internet esta’ ai.”

      E por que achas que foi feira a reforma na língua portuguesa? O objetivo foi exclusivamente prolongar a vida deste modelo abusivo de mercado.

      Mas a L&PM não me parece estar em vias de falir. Por que será? 🙂

  4. O proprio Arthur citou o risco que se corre ao colocar alguma informacao que possa ser entendida como errada, por estar errada de fato, ou por ser mal interpretada. O cuidado deve ser mais que redobrado. Escrever texto tecnico nao e’ a mesma coisa que escrever romances ou opinar num Blog. Se alguem seguir uma recomendacao errada de tratamento de alguem, tirada de um livro, os autores sao responsaveis! Ja’ pensaste nisso?!(Paula)

    Só um idiota vai queimar seu filme escrevendo ERRADO.
    E mesmo assim dá para corrigir.
    Afinal,se espera de um técnico que ele saiba o que está dizendo.

    1. ninguem escreve errado de proposito.

  5. por isso que se deve INVESTIR muito tempo e ENERGIA na execucao de uma obra tecnica.

    por isso que nao pode ser AMADOR.

    1. Não sei o que tem a ver ser amador ou ser profissional com a qualidade do material produzido. Investimento de tempo e de energia não é o que separa um do outro.

    2. Se voce pegar um jogador de futebol da varzea e colocar na zaga do Flamengo por um dia, ele vai se matar de correr, jogar como um louco, mais do que ele mesmo num jogo decisivo na varzea. Mesmo assim, os gols do Fred do Fluminense vao acontecer TODOS em cima dele.

      O jogador de futebol profissional pode nao jogar “NADA” na nossa opiniao muitas vezes. Mas ele passou por um processo de selecao dos mais rigidos que se conhece, e conseguiu chegar onde chegou. O jogador amador, pode ser uma perola perdida na varzea, mas a regra e’ que se ele fosse mesmo uma perola, tinha conseguido se tornar profissional.

      O amador SEMPRE pode dar o seu melhor, e conseguir jogar 45 min x2, jogo inteiro, conluir o campeonato. Mas nao compara o campeonato da 4a divisao com o da primeira, que ‘e OBVIO, que ‘e diferente.

      O processo de SELECAO ‘e o que diferencia quem atua no amadorismo ou no profissionalismo.
      Selecao formal ou informal.

    3. Putzgrila… Einstein jogava na várzea da ciência e fez o que fez.

      A comparação entre 1ª divisão e 4ª divisão é entre profissionais melhores e piores. E garanto que tem gente que joga melhor na várzea do que muito cara da 3ª divisão! 🙂

      Mas a parte que importa é: nem sempre o processo de seleção é adequado. Aliás, normalmente muita coisa influi além dos critérios que deveriam influir. Aí está um grande problema.

    4. Sim, os processos de selecao nao sao de todo justos. No proprio caso dos jogadores de futebol, as provas mais importantes da vida deles acontecem quando eles ainda sao criancas. Ja’ pensou? Durissimo.

      Mas no amadorismo, NAO HA’ SELECAO alguma. Salve-se quem puder.

    5. Te enganas, se nao me falha a memoria, o time do Caxias que acaba de eliminar o Gremio do Gauchao disputa a 4a divisao do Brasileiro.

    6. Paulinha, dá licença, usa outro exemplo, futebol não serve. É um esporte com lógica de contingência (no popular: o perna-de-pau freqüentemente ganha do craque). Vê se no basquete costuma acontecer “zebra” com a freqüência do futebol. Nem em sonhos.

  6. Conheço pessoas bem próximas de mim que escrevem onde podem,e quando podem.

    Minha cunhada escrevia ao lado do marido morimbundo.
    Se não fosse o livro que estava escrevendo(sobre pscologia)ela é professora,acho que teria enlouquecido.

    Meu marido escreve até em guardanapo de restaurante.
    Acorda durante a noite para escrever.
    Usa boa parte de domingos e feriados para escrever suas coisas.

    E tenho amigos que também escrevem assim,
    por amor ao que fazem.

    O que falta,em meu país,é projetos que ajudem as pessoas a desenvolverem seus trabalhos,sem ser nas horas vagas,no caso de escritores.

    1. as minhas horas vagas, no momento, se destinam ao meu filho, que passa as minhas horas laborais (que nao sao poucas), longe de mim.

      nao me sinto culpada por isso.
      nao me sinto mau carater por isso.
      na verdade me sinto orgulhosa de destinar 100% do meu tempo “vago” (se que isso existe de fato) para minha familia.

      sera’ que esta’ errado querer ser remunerado por uma atividade profissional, tal como escrever um livro tecnico?!

    2. Não está errado querer ser remunerado por uma atividade profissional. Está errado não ser avaliado nem adotado como livro didático um livro excelente só porque não foi produzido por figurões da área ou pela universidade bam-bam-bam da área ou editado por uma grande editora da área.

    3. “Está errado não ser avaliado nem adotado como livro didático um livro excelente só porque não foi produzido por figurões da área ou pela universidade bam-bam-bam da área ou editado por uma grande editora da área.” – Arthur.

      Eu nao disse isso.

      Acabei de dar o meu proprio exemplo!

    4. Mas isso é o que mais acontece, Paulinha.

    5. o livro que produzimos na universidade local com a editora da universidade foi adotado por duas universidades e menos que meia duzia de cursos.

      o livro que produzimos com editora privada foi adotado por varias universidades de todo o pais, inumeras faculdades, e ainda passou a ser literatura listada para concursos publicos.

      sim, acontece de adotarem o livro local, mas depende muito da divulgacao profissional da obra. era so’ o que faltava eu ter que ir divulgar o livro (tipo, bate o corner e ainda esta’ na area cabeceando!).

      tudo o que eu ganhei foi a sensacao de saber que sou capaz de fazer a coisa, pontos para meu curriculo, o reconhecimento de poucos, o ciume de muitos, e um livro de cada.

    6. Com a internet, divulgação para público especializado é bem mais fácil. Mas a cultura acadêmica não rompe sua ligação com os interesses do mercado. Mais vale publicar por uma editora com ampla capacidade de distribuição do que produzir um material de alta qualidade e ter que se matar com a divulgação.

      Tens dúvida de que há muito lixo que vende muito porque é bem distribuído e muito material excelente que encalha porque é mal distribuído?

    7. A escolha da editora e’ fundamental.

    8. Sim. Mas nas áreas técnicas não deveria precisar ser assim.

    9. Por que?

    10. O problema da Editora “nao privada” e’ que o PRINCIPAL papel da editora ‘e o de DISTRIBUIR o livro.

      No mundo “amador” como eu chamo, o cara se mata, escreve o livro, faz um trabalho legal, vai na editora, e esta IMPRIME o livro. Se eu levar 800 exemplares para minha casa e der um para cada primo, E’ COMO SE MEU LIVRO TECNICO NUNCA TIVESSE SIDO ESCRITO.

      Ou seja, as Editoras precisam se profissionalizar, para poderem competir pelo mercado.

      As Editoras, os advogados, os engenheiros, os escritorios, os consultorios, os padeiros, TODOS. Em terra de cego quem tem um olho e’ rei, mas muita gente tem pelo menos dois olhos, ter um so’ pode ser insuficiente.

    11. Porque os próprios ambientes acadêmicos deveriam se interessar em buscar as melhores bibliografias e portanto fazer grande divulgação interna de tudo que surge de boa qualidade na área. Afinal de contas, teoricamente sãos os professores, estudantes e profissionais da área os maiores interessados em se atualizar e prestar um serviço de alta qualidade.

      Bem diferente da lógica de romances & Cia.

  7. por isso que se deve INVESTIR muito tempo e ENERGIA na execucao de uma obra tecnica.

    por isso que nao pode ser AMADOR.(Paula)

    Depende muito do assunto.

    Depende muito da forma que o livro é planejado.

    Para escrever direito a pessoa tem que ter um profundo conhecimento do assunto que pretende tratar e muito amor pelo mesmo.

    Notas são gravadas(voz)ou digitadas.
    Fotos ou desenhos são encomendados ou pegos de catálogos.

    O escritor pode até se dar ao luxo de errar,porque toda editora tem revisor de texto.

    Conheço um autor que não escreve uma linha de nada,grava tudo e manda para a transcrição.

    Hoje,escrever deixou de ser bicho feio,rs.

    Principalmente com os programas de editoração.

    Aquela estória de que o autor tinha que ter
    partes iguais de imaginação e de colagem,já foi.

    Com o computador tudo mudou.

    Eu posso imprimir mil livros em um dia,em uma gráfica rápida,rs.
    Custa caro,mas pode ser feito.

    Eu mesma posso fazer meu livro,em casa,se quiser.

    Escrevo,faço a diagramação,o cotejamento,coloco imagem e imprimo.Posso até costurar,colar ou grampear.

    Eu brinco com meus amigos fazendo isso.
    Acho original,divertido e não gasto nada.

    Um livro(dois em um)pode custar até 12 Reais.

    De um lado,Dm Casmurro,do outro,O alienista.

    Posso publicar,neste modelo,um livro de poesia e outro de contos.

    1. para um romance em Portugues eu nao teria problema de ditar e usar transcricoes.

      para escrever em ingles, que ‘e a minha rotina no momento, ainda nao encontrei um “text to speak e speak to text” que entenda meu sotaque Portugues ao falar ingles, e da’ uma gana desgracada ter que corrigir o editor das maluquices que entende. eu sinceramente espero que este problema venha a ser resolvido nas proximas versoes de software, num mundo globalizado como o nosso.

      alem disso, em texto tecnico toda a frase ‘e seguida de uma referencia. como eu uso gerenciador de referencias, ‘e mais facil ir digitando e inserindo a referencia, do que ditar, e ir atras da referencia, ditar a referencia, etc…

    2. O meu texto fica completamente diferente quando eu dito o texto e quando eu digito o texto. Prefiro o texto que eu mesmo digito.

  8. Peraí… então eu pago R$ 1.200,00 por um livro e o autor só ganha incomodação?

    Estamos chagando ao ponto: estás vendo como há interesses muito podres envolvidos neste mercado?

    Ou será que o lógico e correto num mercado é o produtor se matar de trabalhar, o consumidor pagar caríssimo pelo produto e o produtor não ver a cor do dinheiro?(Arthur)

    Pensa bem, qual o motivo de terem criado as editoras de universidade?

    Não seria para “burlar” as editoras que cobram caro pela edição do livro?

    E se o dinheiro é dinheiro público,pode-se muito bem comprar o livro do autor….isso é perfeitamente possível,mas não querem fazer.

    Editores são ladrões disfarçados,e ainda tem quem defenda “propriedade intelectual” para que eles fiquem cada vez mais ricos as custas dos escritores que ganham quase nada.

    Dei o exemplo do livro de 12 Reais.
    É um ótimo exemplo do que poderia ser feito,mas que nunca farão,rs.

    1. É o que tenho dito: a defesa da propriedade intelectual só tem sentido se ela garante 51% do lucro para o autor da idéia (texto, música, filme, seja o que for) para o seu verdadeiro criador. Caso contrário é simplesmente uma idéia pervertida para satisfazer o interesse de grandes corporações.

    2. Sim, se voce inventar algo na universidade, e se voce PROTEGER ADEQUADAMENTE a sua invencao usando as leis de propriedade intelectual que existem, voce fica com uma boa fatia dos royalties. Mas nao ‘e 51%, pois a universidade onde voce trabalhou tb ‘e detentora de direitos. Eles deram energia, espaco fisico, recursos materiais e humanos para que a coisa andasse. E se forem 3 autores, divide por 3.

      Depois, na negociacao com empresas interessadas em desenvolver ou comercializar o produto, voce e a universidade podem escolher o % que vao requerer, e a coisa vai de acordo com o interesse da empresa com quem negociam.

      Por exemplo, se for um produto pronto para o uso com risco quase zero de desenvolvimento, os autores/universidade ficam com uma boa fatia dos royalties. Se for um produto que mal e mal esta’ saindo do papel, e muitos testes ainda precisam ser feitos para aperfeicoar, produzir, comprovar utilidade, dai o contrato e’ de maior risco para quem negocia e a tendencia e’ de o autor/universidade ficarem com um percentual menor. Voce pode nao aceitar os percentuais propostos, e dai nada feito, seu invento nao sai da prateleira e com o tempo, perde a protecao de propriedade intelectual. Ai sim, deixa de existir interesse em desenvolve-lo, pois nao ha’ comercio com mercado assegurado.

      Ou seja, esta coisa engessada de 51% faz sentido, mas ‘e teorica, nao existe na pratica.
      Eu nao estou dizendo que isto seja certo ou errado, estou RELATANDO O PROCESSO, para que quem nao esteja familiarizado possa entende-lo antes de emitir julgamento.

    3. Aproveitando teu comentário para falar de outro assunto, não livros: essa questão de o autor não ser o dono de sua produção fez com que eu desistisse de um doutorado. Vou responder o resto dos comentários e depois volto aqui ou escrevo um artigo sobre isso.

  9. Quando voce paga R$ 1200,00 voce paga:
    -por mais de 1000 paginas
    -por mais de 200 capitulos
    -capa dura, frequentemente dois volumes
    -impressao colorida
    -selecao de autores (quem escreve e’ mais que um estudioso, mas quem participa do desenvolvimento do conhecimento)
    – tradicao na edicao do livro.
    -distribuicao internacional da obra
    -impostos (importacao)
    -honorario dos colaboradores.
    -honorario dos autores
    -espaco em estande para venda da obra nos principais encontros profissionais
    -possivelmente o honorario dos tradutores.

    Eu duvido que voce consiga fazer isso na editora da universidade.
    Os objetivos de um e de outro sao COMPLETAMENTE diferentes.

    Se voce puder ler em inglês e puder comprar direto da editora com cartão de credito, o livro passaria a custar em torno de U $ 250.

    1. “-honorario dos colaboradores.
      -honorario dos autores”

      Não acabaste de dizer que isso non ecziste?

    2. “Quando voce paga R$ 1200,00 voce paga: (…)”

      Veja que este comentario se refere ao livro que custa caro; a origem desta lista de comentarios sobre livro medicos vem porque eu perguntei “voce sabe por que o livro custa tao caro?”

      Entao, resumindo o que eu levei 20 comentarios para dizer (sou mesmo prolixa…bah):

      -Honorario de autor, colaborador e tradutor existe no livrinho que custa caro R$ 1200,00, que e’ distribuido internacionalmente e escrito por bambambans. POR ISSO QUE CUSTA CARO.

      -NAO EXISTE honorario no livrinho que a Paulinha escreveu, Paulinha que nao ‘e bambambam, e que nao publicou pelas editoras maximas da Medicina. Qdo eu publiquei pela grafica da universidade ou com uma grafica brasileira de maior porte, nao ganhei $$, so’ aquela listinha de “presentinhos”.

    3. Como assim “a Paulinha não é bambambam”? Esses caras são cegos ou burros? 😉

    4. Rsrsrsrs

  10. Dessa vez a Paula e a Li foram as musas. Mas já houve um post que toca no mesmo ponto, O Diabo mora nos detalhes, do qual fui meio que o muso e no qual não comentei. Respondo aqui:

    Discordo (não 100%) da parte “Se você descobrir que o seu profissional contratado está traindo a esposa ou marido, DEMITA o sujeito ou AFASTE-SE dele! Quem trai a pessoa que supostamente ama não hesitará em trair o patrão, o colega ou o cliente se vir nisso uma boa oportunidade. O mesmo vale para qualquer vendedor ou prestador de serviços.”.

    Como psicoterapeuta creio que a mente das pessoas não funciona sempre assim, de forma coerente e unificada. Há quem guarde as coisas em compartimentos e nem sempre o comportamento que alguem tem num ambiente é o mesmo que em outros. Um exemplo curioso é o do Metrô (Rio de Janeiro, não sei os outros) onde as mesmas pessoas que jogam lixo na rua costumam jogar su lixo nas latas. Não sei se tem a ver com a teoria das janelas quebradas, mas o fato é que mesmo esta mostra que diferentes ambientes levam a diferentes condutas.

    Há casos em que alguem acha correto sacanear financeiramente alguem de fora do seu grupo étnico mas é honesto internamente tambem. E conheço pelo menos um galinhador contumaz que já traiu a namorada (hoje esposa) mas que é honestíssimo em questões de trabalho.

    Concordo que saber de certas coisas deve fazer a gente levantar a orelha, mas não sou tão radical a ponto de demitir imediatamente. Inclusive porque o amor não é necessariamente o que mantem (ou mesmo inicia) um casamento. Colocaria estas questões no mesmo plano do nível 2 de itens controversos como baixar musicas, vendo caso a caso. Isso já é meio um hábito alias.

    1. Todos os meus amigos e amigas que eram “galinhadores contumazes” mas “leais aos amigos” em algum momento pisaram na bola comigo. TODOS.

      Todos os meus amigos e amigas que eram advogados – uma profissão na qual o indivíduo é treinado a mentir e sustentar a mentira com ares de quem dá lição de moral – em algum momento pisaram na bola comigo. TODOS. A única exceção foi um amigo que deixou de ser advogado porque não teve estômago para se manter na profissão.

      Eu não acredito em mentes compartimentalizadas. Ou o cara é 100% ético, ou não é. Quem não é honesto em um assunto, pode até ser honesto em outro em função de alguma piração qualquer ou algum valor estranho, mas não é uma pessoa confiável. PODE com muito maior chance de quem é 100% ético em tudo um belo dia mostrar uma faceta “inesperada” em um contexto que seria bem esperada para quem o conhecesse em todos os contextos.

      O critério principal em questão é: eu me importo com o bem do outro? Respeito o outro? Ajo sempre em relação ao outro como gostaria que todos agissem em relação a mim?

      Se o indivíduo falha nisso em um contexto, por que eu deveria confiar que ele não falharia nisso em outro contexto?

    2. Eu entendo o que você diz quanto ao bem-estar do outro. Tanto que aquilo que coloca as pessoas na minha lista negra é a crueldade deliberada. Posso ter que ouvir e aceitar alguem assim num consultório, mas realmente a confiança está excluida.

      E como eu disse, fico atento com quem pisa na bola em um quesito. Mas não demitiria na hora uma pessoa adúltera, a moveria para a categoria 2 da Escala Sacaneométrica e tentaria entender. Agora posso entender até pequenas maldades reativas de relações malucas entre casais, situações em que os dois sofrem sem entender o que ocorre. E sem entender que ser esperto é ser burro, que estão se acorrentando, etc. Até pra ajudar a pessoa a mudar/se libertar/crescer a gente tem que ser flexível e aceitador.

    3. “Posso ter que ouvir e aceitar alguem assim [cruel] num consultório, mas realmente a confiança está excluida.”

      Isso.

      “E como eu disse, fico atento com quem pisa na bola em um quesito. Mas não demitiria na hora uma pessoa adúltera, a moveria para a categoria 2 da Escala Sacaneométrica e tentaria entender.”

      Sim, isso é razoável. Na verdade, creio que eu faria o mesmo, justamente porque por não conhecer os detalhes da história é difícil saber se estamos diante de uma situação-limite de stress ou conflito ou se estamos diante de um renomado FDP. Concordo que seja necessário cautela.

      Será que eu preciso maneirar um pouco na forma de expor estes conceitos para não parecer um intolerante insandecido babando na gravata? Eu sei que o pessoal que acompanha o blog sabe que não sou assim, mas começo a me preocupar com a possibilidade de que o estilo de exposição acabe distorcendo a percepção do leitor quanto à intenção do autor…

  11. De certa forma, estes argumentos caem no que o proprio Arthur defende: que o MC status (positivo ou negativo), seja uma condicao mutavel. Que o cara tenha que se esforcar para nao pisar na bola, etc etc etc… para recuperar a chace de ter emprego e sustentar familia.

    Quando eu argumentei sobre o debate de testagem genetica proposto no filme Gattaca, eu tinha em mente a ideia radical que obtive com a leitura do post e de varios comentarios.

    Se o mau caratismo for uma condicao mutavel como o Arthur sugere, voce nao pode demitir sumariamente uma pessoa porque descobriu que esta pessoa traiu o conjuge.

    Estou tentando dizer que o Arthur concorda com o Gerson B, ao propor sua tese de Escala Sacaneometrica (termo cunhado pelo Gerson B), e ao propor um exame de sangue que teste o Mau Caratismo como uma variavel categorica e nao definitiva.

    Entao, se um politico for testado MC+ num dia de rastreio, ele fica afastado do cargo ate’ a proteina MC ficar indetectavel? Ele fica banido do (esporte) cargo por um ano, e se for reincidente, pela vida toda?

    Como fica?

    Tambem concordo com o Gerson B que, mesmo apos os anos da infancia e da adolescencia, praticar atos nao aceitos e aprender com eles nao seja incomum. Este ‘e um processo que faz parte da formacao do individuo como pessoa. Tanto que existe uma maxima: “a gente aprende com os proprios erros”…

    1. Sim, pelo visto agora estamos os três em sintonia.

      Eu não aceitaria um “admirável mundo novo” a la gattacca tanto quanto não aceito a absurda “Doutrina da Graça” segundo a qual 144.000 “escolhidos” vão para o Céu e o resto todo da humanidade vai arder no inferno por toda eternidade porque Deus escolheu assim e não há nada que que o homem possa fazer a respeito. Nada disso é aceitável pelo meu conceito de dignidade.

      BTW, gostei de “Escala Sacaneométrica”. 🙂

      Mas, respondendo isso aqui:

      “Entao, se um politico for testado MC+ num dia de rastreio, ele fica afastado do cargo ate’ a proteina MC ficar indetectavel? Ele fica banido do (esporte) cargo por um ano, e se for reincidente, pela vida toda?
      Como fica?”

      Ele fica fora da política até o teste MC negativar mais um bom período de quarentena, porque senão o indivíduo não vai se esforçar para consolidar uma filosofia de honestidade e confiabilidade.

      Quando eu fui professor no ensino médio eu deixava meus alunos fazerem quantas vezes quisessem as provas, até obter a média necessária para serem aprovados. Toda sexta-feira à noite eu ia para a sala dos professores e quem chegasse lá e quisesse fazer substituição de nota podia fazer, sempre valendo a melhor nota já obtida. Mas havia um porém: a primeira prova era objetiva, todas as demais eram discursivas. Por quê?

      Simples: porque se eu desse somente provas objetivas, o aluno leria a prova por alto, responderia a meia dúzia de questões que já sabia e chutaria as demais. Com uma quantidade grande de repetições, um dia ele daria a sorte de chutar certo o número necessário de questões para passar sem ter estudado nada – e eu teria todo aquele trabalho de corrigir dezenas de provas por nada.

      Do mesmo modo, o político flagrado com MC+ não pode simplesmente ser testado na lógica do “agora vai” e liberado na boa quando um teste der negativo – uma vez tendo dado positivo, ele tem que ser testado e retestado com rigor por um período de tempo razoavelmente longo para que a sociedade não sofra devido a um falso negativo.

      Testagem periódica (conheço duas tecnologias, uma pode ser usada diariamente e a outra só pode ser usada uma vez por ano), na primeira falta detectada com a primeira tecnologia submete o sujeito à segunda tecnologia, se a falta for confirmada são cinco anos de gancho. Na segunda falta são mais cinco anos de gancho. Na terceira vale a regra dos three strikes, ostracismo político perpétuo nele.

      Mas de qualquer maneira o sujeito tem que passar por um teste anual ou bianual com a segunda tecnologia.

      É um esquema altamente generoso, não é?

      Temos que parar com a bobagem de dizer que a política é para qualquer um. A política é para quem é honesto, confiável e preparado tanto tecnicamente quanto moralmente para resistir às tentações de corrupção que certamente se apresentarão. Político tem que meditar todos os dias para se focar no objetivo de promover o bem de todos os cidadãos e na absoluta retidão de caráter que deve manter para ter o direito de continuar a exercer seu cargo.

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