O sistema de recompensas não meritocrático do socialismo e de outras ideologias coletivizantes produz inevitavelmente degradação social e econômica devido ao desestímulo à competência e à produtividade. Essa tese é bem exemplificada no texto abaixo, que foi postado pelo Nelson como comentário em outro artigo aqui no blog

Um experimento Socialista

Um professor de economia na Universidade Texas Tech disse que ele nunca repetiu um só aluno antes mas tinha, uma vez, repetido uma classe inteira.

Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e “justo”. O professor então disse, “Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas em testes.”

Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam “justas”. Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém repetiria. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um A…

Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam Bs. Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando o segundo teste foi aplicado, os preguiçosos estudaram ainda menos – eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como um resultado, a segunda média dos testes foi D.

Ninguém gostou.

Depois do terceiro teste, a média geral foi um F.

As notas não voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da
atmosfera das aulas daquela classe. A busca por “justiça” dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala.
Portanto, todos os alunos repetiram… Para sua total surpresa.

O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque ele foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes. Preguiça e mágoas foram seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado.

“Quando a recompensa é grande”, ele disse, “o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável.” 

Antes de mais nada, vamos deixar bem claro: este texto é falso. Eu sei disso e não estou argumentando com base em qualquer engano ou dúvida quanto a sua veracidade. Mas esse texto é tão falso quanto as fábulas de Esopo ou de LaFontaine, que contém lições muito verdadeiras que são ensinadas através de textos ficcionais. Meu interesse não é na veracidade histórica do evento, mas em sua estrutura lógica. E a estrutura lógica desta fábula moderna é consistente e bastante coerente com a realidade. 

Dito isso, vamos comparar a lição da “fábula do experimento socialista” com o atual carro-chefe da política brasileira, reivindicado tanto pelo governo quanto pela oposição: o Programa Bolsa-Família. 

O Bolsa-família não exige nenhuma contrapartida exceto a simples presença em sala de aula das crianças em idade escolar.  Não exige dedicação. Não exige esforço. Não exige resultados. Não ensina ninguém a ter compromisso com o próprio aperfeiçoamento. O indivíduo simplesmente recebe aquilo que é produzido pelos outros, exatamente como acontecia na sala de aula do texto citado.

Ao contrário da fábula do experimento socialista, entretanto, o Bolsa-Família é real e trará danos reais à cultura das classes mais pobres e portanto da maioria da população do Brasil. 

O Bolsa-Família institui um sistema de recompensas que reforça a manutenção da atitude que leva à miséria: ele recompensa o miserável por ser miserável e por continuar miserável, enquanto pune o sucesso na vida com a retirada do benefício.

Esta é a receita behaviorista clássica para um condicionamento operante bem sucedido e está sendo aplicada em mais de cinqüenta milhões de brasileiros para que eles mantenham o mesmo padrão de comportamento miserável e dependente. 

O Bolsa Família atende mais de 13 milhões de famílias em todo território nacional. A depender da renda familiar por pessoa (limitada a R$ 140), do número e da idade dos filhos, o valor do benefício recebido pela família pode variar entre R$ 32 a R$ 306.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Ter mais de treze milhões de famílias, o que significa mais de cinqüenta milhões de pessoas, todas recebendo reforço para se manterem miseráveis e punição caso se tornem responsáveis, esforçadas, produtivas e resolutivas, é sem sombra de dúvida uma desgraça.

Esta realidade está sendo acobertada pelos índices econômicos porque todas as avaliações até agora só podiam ser de curto prazo. A projeção de longo prazo, porém, é bem diferente da propaganda oficial. Se no curto prazo doar algum dinheiro permite um maior acesso ao mercado, no longo prazo este acesso se manterá totalmente dependente da esmola oficial, uma vez que nenhuma contrapartida em qualificação é exigida. 

Como a perspectiva futura de melhores condições de vida não é um reforçador eficaz para que as pessoas se tornem responsáveis, esforçadas, produtivas e resolutivas, caso contrário já não haveria quem assim não o fosse, inserir neste contexto um reforçador das atitudes que conduzem à miséria é terrivelmente temerário. Na verdade, é um crime contra o país. 

A mensagem aqui é bem clara: o Brasil está fazendo um imenso experimento socialista com o Programa Bolsa-Família, com o mesmo sistema de recompensas  descrito na fábula que lemos acima.

Se nenhuma outra variável for inserida no Programa Bolsa-Família – notadamente a exigência de freqüência com aproveitamento na escola regular para as crianças e em cursos profissionalizantes para os pais – qual a chance de obtermos um resultado diferente com os beneficiários do Bolsa-Família do que a que foi obtida pelos alunos que receberam “Bolsa-Nota” dos seus colegas mais estudiosos? 

E que tipo de reação se espera da classe média, que é quem sustenta de verdade a economia, se tal sistema de malversação de recursos constituídos por impostos for mantido? 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 22/02/2012 

201 thoughts on “Um experimento socialista

  1. Projetar a utopia é muito fácil. O problema é que ninguém responsabiliza o intelectual se o projeto deles desanda. Imagine se isso acontecesse com um engenheiro. Ele projetaria um prédio maravilhoso. Porém o prédio sempre desabada durante a construção. Cem anos depois de várias tentativas de construir um prédio como aquele e outros parecidos, todas falharam em algum grau. Pior: quanto mais parecido com o projeto inicial, maior foi o desastre. Outros prédios de projeto tradicional mas que adotaram inovações desse engenheiro também tiveram desempenho inferior aos anteriores.

    Ainda assim, depois de 100 anos, os novos engenheiros e até a população em geral acham que o engenheiro foi brilhante.

  2. Arthur,

    Será que essas pessoas do governo, não pensam nas consequencias civilizacionais que o bolsa família e o excesso de empregalismo público vai causar no povo brasileiro lá na frente?

    1. Claro que não pensam nisso. Eles pensam em manter-se no poder e usar a força para controlar os problemas que não conseguirem contornar com a corrupção.

  3. Mitt Romney, a primeira coisa que vai fazer é acabar com o Obamacare, os americanos estão pressionando desde o implemento pelo cancelamento daquela palhaçada, americano não estar acostumados com esse tipo de política, Obama pensou que EUA é uma republiqueta de bananas tipo Brasil no qual políticos vagabundos faz programas populistas com o dinheiro dos outros e fica por isso mesmo.

  4. A Escola Austríaca e a refutação cabal do socialismo

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1386

  5. Mais dois comentários do Nelson deletados na íntegra. Cansei. Se tiver que perder o leitor, dane-se.

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