No início do Orkut, eu deixava o campo “orientação sexual” do meu perfil em branco. Sabem por que eu fazia isso? Porque pensava assim: “para mim é fácil preencher esta informação, porque eu sou heterossexual, mas para meus amigos e amigas homossexuais isso gera constrangimento, então em solidariedade e como forma de protesto eu não vou preencher este item”. Mas o movimento LGBT me abriu os olhos e mudei de atitude. 

Eu discuti a questão da “visibilidade forçada versus proteção da privacidade” em alguns tópicos e num e-mail para a Equipe Orkut, solicitando que este campo fosse removido do Orkut porque poderia causar constrangimento a algumas pessoas, mas fui ignorado tanto pelos gays e lésbicas quanto pelos heterossexuais. 

O resultado prático de minha atitude foi que 100% das pessoas que leram a respeito vieram com piadinhas idiotas sobre minha sexualidade, nenhum gay ou lésbica (absolutamente nenhum) jamais reconheceu o gesto e algumas mulheres heterossexuais se afastaram de mim alegando que, se eu não dizia claramente que era heterossexual, então é porque não era. 

Mesmo assim eu mantive minha decisão. 

Meu perfil no Orkut continuou omitindo esta informação até o dia em que uma lésbica de quem eu era amigo disse que não iria sair comigo em um passeio porque a namorada dela “não suportava homem heterossexual” e quando eu disse que isso era discriminação por orientação sexual ela respondeu que eu tinha que respeitar a opinião da namorada dela. 

Neste dia eu postei sobre este episódio e quase todos os gays e lésbicas que responderam disseram que a cretina que me discriminou tinha que ser respeitada. Então eu abri meu perfil do Orkut e marquei a opção “heterossexual”. 

Algum tempo depois eu tive que ler que “homem branco heterossexual não tem motivo para ter orgulho” e que qualquer um que não seja contra o Dia do Orgulho Heterossexual é um “nazista filho da puta maldito de merda lazarento cria do satã”. E ao reclamar deste absurdo eu fui bloqueado em um site e denunciado como spammer em outro. Essa foi a gota d’água de minha tolerância em relação aos absurdos dos movimentos sociais. 

Não foi portanto o pessoal contrário aos DH que me abriu os olhos quanto à intolerância do movimento LGBT, foram os supostos defensores de DH ligados a este movimento social que pisaram tanto na bola que não foi mais possível concordar com nada do que eles defendem, porque é tudo radicalmente contrário à DUDH e seus princípios. 

E eu fico aqui pensando: pobres dos meus amigos que são gays ou lésbicas, porque sofrem preconceito por um lado e acirramento de ânimos contra si em função das péssimas lideranças que os “representam”. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 04/04/2012 

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Precisamos com urgência de um Novo Movimento pelos Direitos Humanos que se afaste dos “movimentos sociais” sectários e intolerantes e restitua o campo dos Direitos Humanos à trilha dos “direitos universais, inerentes, inalienáveis e iguais para todos os membros da família humana”. 

18 thoughts on “O que o movimento LGBT ensina na internet

  1. Arthur, tenho uma porrada de amigos gays aqui em João Pessoa que concordam com você. E alguns, extremistas, que querem revisionismos a todo custo. O problema é que os extremistas são sempre mais “midiáticos” que os sensatos.

    1. Sim, e o povo favorece esse viés. Tanto é que um palhaço analfabeto é o recordista absoluto de votos em toda a história do Brasil.

  2. Pena que no perfil das mídias sociais não consta a opção “machista e boçal”. Eu marcaria essa.

    Huahuehauhauehuahuea!!!

    1. Taí um cara vacinado contra os politicamente corretos! 🙂

  3. Pensei em perguntar o significado de LGBT (em ano de eleições, com tanta salada de letrinhas, nunca custa tirar a limpo pra não dar fora!), depois pensei aonde foi parar o GLS, em que afinal parecia que me enquadrava, pois aparentemente englobava os simpatizantes que agora foram banidos na nova sigla (não perdendo o paralelo, algo assim como ser do DEM descarta os PFL que tinham ranço de PDS por que eram viúvas da ARENA!). Acho que entrou muita coisa na conceituação e deixaram de fora o S que democratizava e “despreconceituva”. Agora me bateu uma dúvida: com todo aquele babado das guinadas nas rotas metabólicas da formação dos hormônios sexuais, que até fazem criacionistas pensarem numa revisão no quesito quem foi criado da costela de quem, o que, exatamente, é um heterossexual? Será que vamos ter que apelar pro Gauss? de novo?

    1. Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros. Depois meteram na sigla os Transexuais e Travestis e a sigla ficou LGBTTT. Depois meteram Todo Tipo de Tarado e a sigla ficou LGBTTTTTT. Aí, pra xingar, meteram “Tu Também, Tá?” e a sigla ficou LGBTTTTTTTTT. Quando alguém respondeu “Te Tasco Tabefe, Trouxa!” e a sigla ficou LGBTTTTTTTTTTTTT eu cansei de contar os Ts e passei a zoar só com o cacófato inicial. 🙂

      E eu também me senti discriminado quando pararam de usar a sigla GLS, que me incluía, e passaram a usar a sigla LGBTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTT, que me exclui. Isso foi um marco no desmascaramento dos movimentos sociais, a partir de quando eles se tornaram abertamente discriminatórios.

  4. http://www.youtube.com/watch?v=_3o6XPxtbgI

    Arthur, o que achou do video sobre a militancia gay e pra que esses movimentos sao usados?

    1. Não assisti, Nelson. Bati o olho em “Olavo de Carv…” e cliquei no “x”. Sinceramente, eu tenho tanta coisa boa para ver que eu ainda não consegui assistir devido a outros compromissos ou problemas de conexão que gastar tempo ouvindo qualquer opinião do Olavão é minha pós-última prioridade.

  5. Blue Na Resistencia

    23/11/2012 — 14:11

    É tudo o que querem os revolucionarios… jogar uns contra os outros… estão se lixando para gays, conservadores ou qualquer outra denominação… o que importa é sua agenda de conquistas sobre a liberdade da população indefesa… não entremos no jogo desses canalhas… abram os olhos… toda essa mixornia começa entre os supercapitalistas internacionalistas que compraram a esquerda mundial, inclusa a nossa, que diga-se de passagem, é uma merda… inclusive a famigerada ala fefeleche da USP, tal como dona Marilena Chaui e outros degenerados comunistas… eles se riem qndo alguns incaltos passam a defender posições que, se bem pensassem, não perdiam seu precioso tempo… homossexualismo é so um comportamento… alça-lo ao status de representação de parte da população não levara os seus defensores a lugar algum se não lhes dermos motivo… deixem eles de lado… o que querem é IBOPE… sem a polemica não são NADA… o GAYZISMO sim, é perigoso… ainda mis qndo usado politicamente para criar odio entre classes criadas artificialmente, uma vez que a antiga guerra entre classe pobre e rica não mais tem lugar neste mundo… precisamos sim de seres humanos de verdade, preocupados com as novas gerações alienadas pelo consumismo e sem perspectivas de serem educadas corretamente em um pais onde o MEC fomenta a politica do “qnto pior, melhor”… bom para a elite politica que assola a nação… e tamos discutindo GAYZISMO?… to fora…

    1. A homossexualidade é “só um comportamento” tanto quanto a heterossexualidade é “só um comportamento”. A partir do momento em que alguém – de qualquer viés ou matiz ideológico – cria uma diferença de direitos entre os cidadãos com base nessa distinção entre “meros comportamentos”, o tal “mero comportamento” se transforma em bandeira política. Quem começou a guerra das orientações sexuais foi quem primeiro disse que os homossexuais não deveriam ter suas uniões reconhecidas pelo Estado da mesma maneira que os heterossexuais, ou que não deveriam ter qualquer direito de que os heterossexuais desfrutam.

  6. Blue Na Resistencia

    23/11/2012 — 20:16

    De que direitos estamos falando?… união entre pessoas que não seja para procriação, carissimo, não passa de uma sociedade, figura juridica ja amplamente agasalhada pela legislação civil pátria… querer dar o status de casamento ha pessoas do mesmo sexo é disfigurar a instituição e formar novos modelos de familia… onde passa um boi, passa uma boiada… heterossexualidade também é um comportamento, claro, mas com fins, diria, mais proveitosos e menos egocentrista… que frutos podemos tirar de uma relação calcada simplesmente em uma relação sexual/afetiva?… que sociedade esperamos ter onde seus membros buscam somente o prazer a todo custo, uma sociedade edonista e desprovida de uma moral edificante… lembrando sempre que tudo me é permitido, mas nem tudo edifica… se toda moral é aceita, por que reclamarmos da moral dos bandidos do PCC?… eles também a tem… logo concluo que ha moral e MORAL… saudações…

    1. De TODOS os direitos. Não venha com esse papo de que o objetivo do casamento é a procriação. Isso é ridículo e obviamente falso. Sociedade nenhuma depende do casamento para a procriação. Em nenhuma sociedade as pessoas vão deixar de se reproduzir porque o casamento é um direito garantido também aos homossexuais ou a quem não quer ter filhos.

      Se o teu medo é a formação de novos tipos de família, lamento muito informar, mas tu estás uns dez mil anos atrasado. 🙂 Basta ler os dois primeiros parágrafos disso aqui: http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/historia/vale-tudo-homossexualidade-antiguidade-435906.shtml

      Adivinha! O mundo não ficou despovoado nos últimos dez mil anos!

      Quanto a pretender que a heterossexualidade tenha “objetivos mais proveitosos e menos egocêntricos“, eu dei risada aqui. Não consigo imaginar coisa mais egocêntrica do que pretender tolher o direito dos outros serem felizes alegando que a sexualidade deles influi na vida de quem não quer fazer sexo com eles.

      E se tudo te é permitido, mas nem tudo te edifica, então cuida para tirar primeiro a trave do teu olho antes de pretender proibir o teu irmão de ficar com um cisco no olho. E se teu irmão for e voltar a pecar, lembra que não deves julgar para não seres julgado. Não são estes os ensinamentos corretos?

  7. Blue Na Resistencia

    24/11/2012 — 01:59

    O que vc esta pregando é o relativismo moral absoluto… não disse que dependiamos de homossexuais para reproduzir, mas que NUNCA antes na historia humana o homossexualismo foi alçado a categoria de modelo familiar… essa é a diferença… conheço casais heteros que não teem pretenções de procriar, mas isso não os torna diferentes dos que me referi acima… querem apena curtir sua curta passagem por este mundo… o casamento não garante procriação mas garante que os frutos do relacionamento entre homem e mulher sejam criados por um PAI e uma MÃE… vamos ver com o tempo se as criança criadas por casais homossexuais serão felizes… o tempo dirá… porque será que a esquerda, grande defensora do nomossexualismo como modelo familiar não se revolta frente aos movimentos fundamentalistas islãmicos que tanto defendem e que tratam a mulher como capacho?… novamente vemos esse levante homoideologico ganhar força somente no ocidente, graças ao predominio que a esquerda vem tendo no universo cultural e sua sanha em usa-lo com fins eugenistas de controle populacional e dominio cultural… em tempo: ja percebestes a ultima moda da cultura ocidental?… agora podemos comprar confecções para crianças com a figura dos Skull and Bonnes estampados nas roupas e calçados… rsrsrsrsr… isso sim, é cultura da morte… caveirinhas e ossinhos… lindos… mas não fazem mal a ninguém… é só uma brincadeirinha sem resultado algum… vc acredita?…

    1. EU pregando o relativismo moral? :-O

      HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUA!!! 🙂

      Blue, não força. Já percebi que tu és homofóbico por motivações religiosas. Se tem uma coisa que eu aprendi bem aprendida, do pior jeito possível, é que o percentual de pessoas que conseguem identificar, questionar e superar a lavagem cerebral religiosa imposta na infância é ínfimo. (Aliás, esse é exatamente o motivo pelo qual os religiosos insistem em doutrinar crianças.) Pessoas assim doutrinadas se tornam impermeáveis à logica e à racionalidade, o que impede qualquer avanço em qualquer debate.

      Por exemplo:

      1) No início tu te referiste a “união entre pessoas que não seja para procriação” e disseste que isso “não passa de uma sociedade, figura juridica ja amplamente agasalhada pela legislação civil pátria”.

      2) Em seguida eu registrei que existem casais heterossexuais que se casam sem a menor intenção de procriar.

      3) Ato contínuo, ao invés de afirmar a conseqüência lógica necessária da tua definição anterior, ou seja, de que essas uniões também “não passam de sociedade, figura jurídica blá-blá-blá”, tu mudaste tua linha de argumentação para “casais heteros que não teem pretenções de procriar” que “querem apenas curtir sua curta passagem por este mundo”. EXATAMENTE o que pretendes negar aos gays e lésbicas. Mas, como a relação é heterossexual, aí pode. A definição original que se dane, né?

      4) Pior ainda foi a saída lateral “o casamento não garante procriação mas garante que os frutos do relacionamento entre homem e mulher sejam criados por um PAI e uma MÃE”. Nem de longe isso é verdade.

      Em primeiro lugar, porque sempre existe a possibilidade de separação, ou seja, a criança pode acabar sendo criada por apenas um dos genitores.

      Em segundo lugar, porque o mundo está cheio de casos em que um casal se separa porque um dos dois descobre a própria homossexualidade – e não deixa de ser pai ou mãe por isso, o que faz muitas crianças serem cuidadas por:

      a) um solteiro heterossexual e um solteiro homossexual;

      b) um solteiro heterossexual e um casal homossexual;

      c) um solteiro homossexual e um casal heterossexual;

      d) dois casais, um heterossexual e outro homossexual.

      Em terceiro lugar, porque ser solteiro ou ser homossexual não implica esterilidade – há inúmeros casos de mães e pais solteiros e homossexuais por aí.

      Toda essa grita anti-casamento-homossexual não passa de histeria homofóbica causada pela idolatria de um texto preconceituoso e obsoleto de uma cultura alienígena e ultrapassada. Se todo esforço exegético e argumentativo feito para justificar essas bobagens fosse aplicado em prol da promoção da felicidade de todos, sem preconceitos ou discriminações, o mundo seria muito, muito, muito melhor.

  8. Blue Na Resistencia

    24/11/2012 — 02:05

    Em tempo: “E se teu irmão for e voltar a pecar, lembra que não deves julgar para não seres julgado.”… pelo que pude depreender de sua resposta, então vc considera o homossexualismo um pecado?… in verbis ou foi modo de falar?… rsrsrsrsrsrsr…

    1. Eu apenas citei alguém em quem tu pareces acreditar. Se acreditas mesmo, segue as palavras dele! Mas só as dele. Acha uma citação dele em que ele condene a homossexualidade e traz aqui. 😉

  9. Blue Na Resistencia

    24/11/2012 — 22:11

    rsrsrsr… realmente, agora consigo verificar que o que disses sobre a influencia da religião (ou mitologia transcendente como querem alguns) na raiz da formação de convicções morais é muitas vezes esteriotipada por quem, como vc parece transpirar, me permita a advinhação, teve uma infancia com influencias mecanicistas e secularistas que lhe impede de ter uma visão menos estratificada do caso em tela… claro esta que estamos esquiando em terrenos diversos, tendo vc suas razões inquestionavelmente racionais (como apregoa no alto da pagina) e eu as minhas baseadas em uma fé trancendental em uma humanidade mais espiritualista e menos racionalista… em tempos seculares, fica plausivel quem perdera essa guerra frente a “opinião publica”, ainda que a pratica da historia humana mostre quem acabara por produzir mais ou menos felicidade… observe que qndo menciono “casal” o faço a luz de uma união entre homem e mulher que pretendam participar de um projeto que requer alguns predicados, tais como seriedade, comprometimento, maturidade espiritual e outros quesitos que deveriam compor uma união em que a convivencia armoniosa é condição sine qua non para o sucesso da relação e posteriormente as condições necessarias a uma criação de pequenas pessoas em um ambiente saudavel e promissor… não é terreno para aventureiros que diante da primeira onda abandona o barco… não passa em minhas ponderações a proibição da união de fato de entes homoafetivos, mas o combate ao nivelamento do casamento hetero com esta união entre seres do mesmo sexo como algo necessario e imprescindivel a qualquer sociedade… não prego o moralismo, mas a saudavel estruturação da celula familiar tradicional que é a base e pilar de uma sociedade que queira vingar e produzir frutos saudaveis… falo isso não por convicção religiosa, que alias so fui descubrir a verdadeira em minha maturidade (não, não sou evangelico ou catolico fervoroso)… apenas parto de uma agradavel experiencia pessoal… assim como vc, o fato de conhecer textos judaico-cristãos não fazem de nós religiosos desde criancinha… o que digo, digo do alto do conhecimento espiritualista e da sabedoria (minima, diga-se de passagem) que adquiri com meus cabelos brancos … Arthur, vc não me parece desconhecedor que, na época de Jesus, em uma sociedade hiper-teocratica, homossexuais não tivessem existencia reconhecida… isso não era tema que fosse de importancia, tanto que não fora citado pelo Senhor, ainda que seus discipulos, como Paulo (mesmo que este não fosse diretamente discipulo e que tivesse presenciado a pregação do Senhor) trata do tema com precisão (notadamente sob a optica de uma sociedade machista e altamente homofobica)… mas isso é outra historia…


    1. “uma infancia com influencias mecanicistas e secularistas que lhe impede de ter uma visão menos estratificada do caso em tela” (Blue)

      Nada poderia ser tão equivocado. 🙂

      1) Tive uma infância com doutrinação cristã por todos os lados, fui católico praticante, batizado, fiz catequese, primeira comunhão e crisma (“confirmação do batismo”). Morava quase ao lado da igreja do bairro, que meu pai ajudou a construir, e assisti as reuniões do ECC (Encontro de Casais com Cristo) do qual meus pais participaram por décadas. O padre da paróquia, que me batizou, morava ao lado da minha casa. Se alguma coisa não faltou na minha vida foi “influência cristã” e não “influências mecanicistas e secularistas”. Mas nem toda influência irracional do mundo poderia me convencer a longo prazo que mitologia é realidade.

      2) Se há alguma “visão estratificada” do “caso em tela” (vocabulário de advogado, né?) é a de quem não conseguiu se libertar da escravidão mental imposta pela exigência da fé e do medo de não ter fé. Fé não passa de “aceitação incondicional de absurdos que não poderiam ser provados de modo algum”. Somente nos aproximamos da verdade quando começamos a perguntar “por que” e “como” as coisas acontecem, testar se é realmente assim e descartar as hipóteses que se provaram falsas. Isso não acontece nos meios religiosos, onde o questionamento é mal visto justamente porque desnuda os absurdos em que o fiel é obrigado a aceitar.

      “uma humanidade mais espiritualista e menos racionalista” (Blue)

      DEUS ME LIVRE de “uma humanidade mais espiritualista e menos racionalista”. Não quero viver rodeado por um inferno desses. Do espiritualismo e da irracionalidade brotaram a Santa Inquisição – praticada por cristãos de quase todas as denominações existentes à época – o apedrejamento de adúlteras, a condenação de crianças à morte por feitiçaria, os sacrifícios humanos, as teocracias, etc., etc., etc., enquanto da noção laica de dignidade humana e da valorização da racionalidade vieram o Iluminismo, os Direitos Humanos, a conservação ambiental e notáveis avanços no campo da ética.

      “seriedade, comprometimento, maturidade espiritual e outros quesitos que deveriam compor uma união” (Blue)

      A chafurda moral nessa área não faz a menor diferenciação entre heterossexuais e homossexuais. Vá a um baile funk e comprove in situ. Sem falar de que eu conheci casais homossexuais com mais de trinta anos de união amorosa séria, com pleno comprometimento e mútuos respeito e amparo. Portanto, a realidade refuta tua tese.

      “não passa em minhas ponderações a proibição da união de fato de entes homoafetivos, mas o combate ao nivelamento do casamento hetero com esta união entre seres do mesmo sexo como algo necessario e imprescindivel a qualquer sociedade” (Blue)

      Quer dizer que, no fundo, é só uma questão de achar que “eu sou melhor que eles e quero reconhecimento disso”? 😛 Por que raios alguém que sabe que é melhor que o outro precisa de reconhecimento de terceiros? Pra não correr o risco de descobrir que isso pode não ser assim?

      Eu acho uma graça incrível dessa história de “se concederem isonomia entre casamento e união homossexual a sociedade vai explodir por causa da desestruturação das famílias”! Primeiro porque a legalização ou a isonomia não possuem o menor poder de mudar a sexualidade de ninguém, só servem para garantir direitos iguais entre todos os cidadãos. E segundo porque é risível a noção de que a felicidade do casal gay que mora na casa ao lado possa afetar a estrutura da minha família.

      “em uma sociedade hiper-teocratica, homossexuais não tivessem existencia reconhecida… isso não era tema que fosse de importancia, tanto que não fora citado pelo Senhor” (Blue)

      Ah, era, sim. Leia Levítico 18:22. Felizmente Cristo não caiu na esparrela de falar bobagem a respeito, mas seus seguidores inventaram um jeito de fazer uma leitura self-service da Bíblia e acham que Levítico 18:22 é válido, mas Levítico 18:29 não. Por quê? Óbvio… Porque “acreditam”, pero no mucho. Seguir 18:22 não dá cadeia, 18:29 dá. E lá vem malabarismos intelectuais para justificar o injustificável e oficialmente obedecer à “Palavra de Deus” só até o ponto em que não dá muita encrenca com a justiça dos homens… 🙂

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