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As feministas e o aborto masculino

As feministas são a favor do aborto. As feministas dizem que lutam pela igualdade entre os sexos. Logo, as feministas deveriam reivindicar o direito ao aborto masculino. Como elas não o fazem, OU não são a favor do aborto, OU não lutam pela igualdade. Simples assim. A não ser, é claro, que o silogismo tenha sido “promovido” a instrumento machista do patriarcado falocêntrico historicamente opressor. 

Um homem e uma mulher fazem sexo consensual. Do sexo consensual surge uma nova vida. Dizem então as feministas que a mulher deve ter o direito de matar essa nova vida que cresce dentro dela segundo seus próprios interesses e conveniências.

Ignorando momentaneamente o absurdo de reivindicar o “direito ao homicídio de inocentes incapazes de se defender”, porque é isso o aborto, quero avaliar a coerência das feministas em reivindicar a “luta pela igualdade”. 

As feministas não chamam o feto de bebê, criança, ser humano ou filho – elas o chamam de “mero aglomerado de células” – e não chamam a mulher grávida de “mãe”, alegando que ela só se tornará mãe após o feto passar a ser um ser humano (afinal, “feto” é uma samambaia). 

Ora, as feministas dizem que a mulher deve ter o “direito soberano” de decidir pelo aborto em qualquer situação, ou seja, de fazer o que bem entender com seu próprio corpo, inclusive sexo desprotegido e irresponsável, e pela mesma lógica “tirar o corpo fora” mesmo que isso implique a morte de um ser humano inocente. E dizem que lutam pela igualdade. 

Supondo verdadeiros – para mero exercício intelectual – os discursos feministas pelo aborto e pela igualdade, as feministas deveriam reivindicar direitos iguais para o homem, o que inclui o direito de fazer sexo desprotegido e irresponsável e depois “tirar o corpo fora”, que é o que significa a expressão “aborto masculino”. 

No chamado “aborto masculino” o homem não influi sobre o corpo da mulher, que decide livremente sobre seu próprio corpo, mas também não permanece refém da decisão da mulher, reservando-se o direito de não se tornar pai da criança que nascerá. 

Manifestas em tempo hábil fixado em lei e igual para ambos os sexos, a vontade de “não se tornar mãe” e a vontade de “não se tornar pai” do “mero aglomerado de células” que se tornará uma criança deveriam ser rigorosamente simétricas. 

Vejamos como seria um discurso coerente: 

- Segundo as feministas, a mulher que não quer se tornar mãe pode usar um método anticoncepcional, mas se não o fizer ou se este falhar ela tem o “direito soberano de decidir sobre seu próprio corpo” e não se tornar mãe através de uma técnica chamada “aborto”, que nada interfere com o corpo do doador do espermatozóide. 

 - Segundo as feministas, o homem que não quer se tornar pai pode usar um método anticoncepcional, mas se não o fizer ou se este falhar ele tem o “direito soberano de decidir sobre seu próprio corpo” e não se tornar pai através de uma técnica chamada “aborto masculino”, que nada interfere com o corpo da doadora do óvulo. 

Não é lógico? “Direitos iguais” é isso: ambos, homem e mulher, devem ter a mesmíssima possibilidade de decidir se podem ou não arcar com o ônus de ter um filho, segundo seus próprios interesses e conveniências, e a mesmíssima possibilidade de se desonerar destes ônus independentemente da vontade do outro, como as feministas reivindicam para as mulheres.

As feministas querem que a mulher tenha sempre, a todo o momento, antes durante e depois do ato sexual, o direito de decidir sobre ter ou não ter o filho que gerou. 

Mas as mesmas feministas querem que o homem, a partir do momento em que o ato sexual foi consumado, não tenha qualquer direito de escolha sobre ter ou não ter o filho que gerou, permanecendo refém da decisão da mulher e tendo a obrigação adicional de pagar por duas décadas e meia por uma decisão que não foi sua e que era contrária a sua vontade. 

Vamos deixar bem claro, então: para que o discurso feminista fosse coerente, as feministas teriam a obrigação de reivindicar OU que o aborto só possa ser realizado se ambos, homem e mulher, forem da mesma opinião, OU que o homem possa praticar o “aborto masculino”, desligando-se completa e definitivamente de qualquer obrigação em relação ao filho que a mulher decidiu sozinha que viria a nascer. 

Percebam que em nenhum momento minha argumentação reivindica o direito de influir sobre a decisão da mulher. Nada disso. Eu reivindico lógica e coerência. Se a mulher pode decidir sobre o aborto e assim fugir da responsabilidade de criar um filho indesejado, então o homem também deve ter o mesmo direito. E, se o homem não pode ter esse direito, então a mulher também não pode tê-lo. É isso que significa “direitos iguais”.

É por direitos iguais que as feministas dizem que lutam. Vamos ver se elas serão coerentes e encherão a caixa de comentários do Pensar Não Dói com a reivindicação explícita do direito do homem de não se tornar pai após o ato sexual tanto quanto querem que a mulher tenha o direito de não se tornar mãe após o ato sexual. Se isso não acontecer, ficará evidente – mais uma vez – que o que as feministas reivindicam não são direitos iguais, são privilégios sexistas. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 15/05/2012

85 comments to As feministas e o aborto masculino

  • Li

    E PENSANDO BEM…

    A sociedade INTERINHA nunca lutou por direitos destes ou daqueles.

    O que temos é uma sociedade onde cada um luta por si.

    Tem sido assim até hoje.

    Espero que isso um dia possa mudar,mas até agora …

    • Mas isso é a essência dos Direitos Humanos ORIGINAIS – lutar igualmente por todos. O que estragou o campo foi a intromissão da esquerda inventando “direitos coletivos” que NEGAM todos os avanços na área e pouca gente percebe.

  • Lidia

    Sem entrar no discurso contra ou a favor do aborto, acredito que existam pontos que foram desconsiderados nessa logica e coerencia:

    Por uma questao meramente biologica è sò a mulher que pode abortar. Sò existirà aborto masculino no dia que em um homem for capaz de gerar dentro de si uma nova vida e decidir eliminà-la antes do nascimento. O que vc chama de aborto masculino è, na realidade, abandono de menor.

    Quando uma mulher aborta, a nova vida acaba ali e com ela todas as responsabilidades, seja para a mae seja para o pai. No que vc chamou de aborto masculino, essa nova vida “abortada pelo pai” nasce, cresce e tem direito a consideraçao social, a autoestima, a integridade psiquica.

    Ainda que a mae tome pra si todas as responsabilidades de criar o filho, nao è o pai que tem direito de “nao ser pai”; è o filho que tem direito de ter um pai, com todas as consequencias decorrentes desse vinculo.

    Por isso, acredito que nao sao “as feministas que querem que os homens nao tenham direito de escolha sobre ter ou nao o filho”. E’ que, gostem ou nao, justo ou injusto, efetivamente os homens nao tem direito de escolha: antes do nascimento por uma questao biologica (è a mulher quem engravida) e depois do nascimento pq devem ser considerados os direitos da nova vida que nasceu.

    • André

      Lídia,
      Enquanto o aborto for proibido eu concordo com você, nenhum dos dois tem direito de evitar a criança depois da concepção. Mas, se o aborto for legalizado, por uma questão de igualdade de direitos, o homem deveria ter o direito de abrir mão da paternidade (não obrigar a mulher a abortar), e deveria ser exatamente essa a reinvindicação de quem luta por direitos iguais (assumindo que o feto até 12 semanas mão teria direitos). O argumento de que “a natureza fez assim portanto se conformem” não pode ser válido para essa situação sem que fosse válido para outras situações, e lembre-se que a natureza nos fez mais fortes fisicamente.

    • Lídia:

      Ótimos questionamentos! Por isso vou responder por partes:

      “Por uma questao meramente biologica è sò a mulher que pode abortar. Sò existirà aborto masculino no dia que em um homem for capaz de gerar dentro de si uma nova vida e decidir eliminà-la antes do nascimento. O que vc chama de aborto masculino è, na realidade, abandono de menor.” (Lídia)

      Pelo mesmíssimo critério, isso que se chama de aborto é, na realidade, homicídio duplamente qualificado (mediante pagamento e com o uso de recursos que tornam impossível a defesa da vítima).

      “Quando uma mulher aborta, a nova vida acaba ali e com ela todas as responsabilidades, seja para a mae seja para o pai. No que vc chamou de aborto masculino, essa nova vida “abortada pelo pai” nasce, cresce e tem direito a consideraçao social, a autoestima, a integridade psiquica.

      Ainda que a mae tome pra si todas as responsabilidades de criar o filho, nao è o pai que tem direito de “nao ser pai”; è o filho que tem direito de ter um pai, com todas as consequencias decorrentes desse vinculo.” (Lídia)

      É por isso que as feministas são radicalmente contrárias à “produção independente” e estão lutando para criminalizar esse ato hediondo com a mesma pena de seqüestro com a agravante de grave sofrimento físico ou moral para a vítima, ou seja, de dois a oito anos de reclusão?

      Ou o filho da “produção independente” não nasce, cresce e tem direito a consideraçao social, a autoestima, a integridade psiquica?

      Ou o filho da “produção independente” não tem o direito de ter um pai?

      “Por isso, acredito que nao sao “as feministas que querem que os homens nao tenham direito de escolha sobre ter ou nao o filho”. E’ que, gostem ou nao, justo ou injusto, efetivamente os homens nao tem direito de escolha: antes do nascimento por uma questao biologica (è a mulher quem engravida) e depois do nascimento pq devem ser considerados os direitos da nova vida que nasceu.” (Lídia)

      Ora, ora… concordamos neste ponto! De fato, eu acho que os homens não tem mesmo que ter esse direito. A diferença é que eu digo que a mulher também não, pelos mesmos motivos que tu citaste: antes do nascimento, por uma questão biológica (a nova vida já foi concebida e deve ser protegida) e depois do nascimento porque a nova vida tem direito a ter pai e mãe amorosos e responsáveis.

  • Li

    Lidia,por uma questão de coerência e justiça,não é justo que um homem seja penalizado
    com responsabilidades que não desejou ter.

    Se este homem não desejou o filho o certo é que ele não tenha este filho.

    Discordo de muitas coisas que são ditas neste espaço,mas não posso fingir que,
    neste caso, os homens não estão com a razão.

    Se temos o direito de pedir pensão e de ter o filho,eles possuem o mesmo diteito.

    Tudo bem…se uma mulher quer ter o filho,ela avisa o pai e dispensa qualquer cuidado
    que ele tenha que ter legalmente com o filho.

    A criança,neste caso,pertence unicamente a mãe,assim como sua responsabilidade.

    Por que uma criança deve ser amada por quem não a desejou?

    Amor não se compra,ele existe ou não.

    Amor não tem preço.

    Concordo que o direito tem muito que mudar para atender de forma justa a todos.

    • Maravilha! Isso é coerência!

      Claro que eu discordo do suposto direito ao aborto, mas não posso deixar de reconhecer a coerência.

  • Lidia

    O que eu quis dizer è que a paternidade vai alem da pensao alimenticia e do obrigar o pai a amar o filho indesejado. A mae pode muito bem sustentar o filho sozinha e o pai nao tem obrigaçao amar ninguem.
    Mas quando entra uma terceira pessoa jà nascida nessa equaçao, acredito que o direito de abrir mao da paternidade nao pode se sobrepor aos direitos do filho. E nao me refiro aos direitos economicos, mas principalmente ao direito a uma identidade.
    Se serviram 2 pessoas pra me botar no mundo, eu quero saber quem è a outra pessoa! Eu quero ambos os nomes na minha certidao de nascimento, eu quero conhecer minhas origens, quem sao meus avos paternos? eu tenho tios, irmaos? eles sabem que eu existo? eles tem o direito de saber que eu existo?
    Tem gente que vive feliz na ignorancia, mas tem gente que vive angustiada por nao saber quem sao seus pais…
    Se o aborto masculino pudesse ser feito nos mesmos moldes que o aborto feminino, ai sim eu falaria de direitos iguais. Aborto masculino nao è aborto, è abandono. Para que exista aborto, tem que existir a morte. Para se falar em direitos iguais, o pai deveria ter o direito de matar o recem nascido, pondo fim a todas as responsabilidades, seja para o pai, seja para a mae, decorrentes dessa nova vida, como acontece no aborto feminino.
    Nao dà pra falar em direitos iguais em situaçoes diferentes. Homens sao mais fortes, mulheres engravidam… C’est la vie e vive la difference!
    Sò pra esclarecer, eu nao acho que o argumento das feministas seja valido. Eu defendo o aborto pq acredito numa “escala de valores” da vida e nao pq eu sou mulher e faço o que eu quero do meu corpo.
    Pra mim, a vida de uma pessoa jà nascida vale mais que a vida de uma pessoa nao nascida; a vida de um feto no 8° mes vale mais do que a vida de um embriao no 1° mes; a vida de um ser humano vale mais que a vida de um cachorro; a vida de um cachorro vale mais que a vida de uma barata…
    Alias, acho que jà escrevi isso em algum lugar, eu nao sou a unica a acreditar nessa “escala de valores” da vida, a sociedade jà è organizada dessa forma: a pena do homicidio è o dobro da pena do aborto e usar a pilula do dia seguinte sequer è considerado crime. Ah, e nunca vi nenhuma manifestacao das sociedades protetoras dos animais em favor de baratas e aranhas…


    • “Se o aborto masculino pudesse ser feito nos mesmos moldes que o aborto feminino, ai sim eu falaria de direitos iguais. Aborto masculino nao è aborto, è abandono. Para que exista aborto, tem que existir a morte. Para se falar em direitos iguais, o pai deveria ter o direito de matar o recem nascido, pondo fim a todas as responsabilidades, seja para o pai, seja para a mae, decorrentes dessa nova vida, como acontece no aborto feminino.” (Lídia)

      Como é que uma pessoa que escreve esse parágrafo consegue ser a favor do aborto?

      Como é que alguém pode achar mais simples e perdoável matar do que abandonar?

      E como é que alguém que acha ruim o pai abandonar o filho não acha o fim da picada uma mulher ter a prepotência absurda de cometer uma “produção independente” negando desde o princípio ao filho que diz amar o direito de ter um pai?

      “Pra mim, a vida de uma pessoa jà nascida vale mais que a vida de uma pessoa nao nascida; a vida de um feto no 8° mes vale mais do que a vida de um embriao no 1° mes;” (Lídia)

      O que vale mais, a vida de um adolescente ou a de um idoso?

      Muita gente concorda contigo que o feto deve ser protegido mais que o embrião. Muita gente afirma que o adolescente deve ser preferido ao idoso na hora de ocupar o único leito disponível na UTI porque o adolescente ainda tem muito a viver e o idoso já viveu bastante. Mas isso significa que salvamos o não-nascido mais velho e o já-nascido mais jovem. Em que momento a prioridade se inverte? Qual é a idade mais merecedora e digna de salvamento?

      O que vale mais, a vida de uma criança 9 anos ou a de um jovem de 19 anos? A diferença é bem maior que os sete meses entre o primeiro e o oitavo mês de gestação.

      E quem tem mais direito a viver, um judeu ou um alemão? Já houve na história quem achasse que tinha uma resposta justa e adequada para esse dilema. O resultado foi a criação do que chamamos de “Direitos Humanos”.

      É nesse tipo de enrascada – as conseqüências da extensão dos critérios que usamos em circunstâncias particulares para outras situações nas quais eles se mostram monstruosos e perigosíssimos – que nos metemos quando nos arrogamos o “direito” de decidir quem tem mais direito a viver e quem tem menos.

      É por isso que eu sou 100% ortodoxo e literal na leitura da DUDH.

      E é por isso que eu sou contra o aborto em qualquer circunstância exceto o risco de vida para a gestante, situação típica em que o feto se danaria de qualquer modo.

  • paula

    Muito interessante.
    Estou aqui pensando que eu acredito em direitos iguais para as pessoas. E busco respeitar os animais.
    Eu sou contra o aborto, a nao ser que seja em casos excepcionais como disse antes.
    Eu acho um absurdo tirar a vida de um ser humano sadio, usando como simples razao: “engravidou na hora errada” (conveniencia), tendo sido dito pela mulher ou pelo homem que geraram a crianca. Se a hora era errada para engravidar, que se reduzisse o risco de gestacao: completamente, com abstinencia sexual, ou parcialmente, por metodos anticoncepcionais (cada um com seu risco de falha).
    E assuma-se a responsabilidade de correr o risco de engravidar.

    Mas eu discordo que abordo feminino ou masculino nao devam ocorrer porque a crianca tem direito a ter um pai, ou um nome numa certidao. Eu conheco um sem numero de situacoes nas quais o nome de um homem consta na certidao, mas este ‘e um ausente, ou pior, um que abusa psicologicamente e fisicamente da crianca “indesejada”. Nao acho que justificar “sim” ou ” nao” para aborto, passe pelo direito da crianca de ter um pai e uma mae. Se for por isso, como ficam os orfaos? Os filhos de pais desconhecidos e maes solteiras? os filhos de doadores de esperma? os filhos de estupro? Existe uma populacao de seres humanos crescendo, sendo filhos de “uma mae”, de ninguem, de “duas maes”, etc. E sao pessoas como todas as outras, com seus direitos, sonhos, e tudo o mais.


    • “Se for por isso, como ficam os orfaos? Os filhos de pais desconhecidos e maes solteiras? os filhos de doadores de esperma? os filhos de estupro?” (Paula)

      Ficam desassistidos, Paulinha. Não por uma falha no sistema de direitos (exceto no caso do doador de esperma, que teria que ter sua legislação revista), mas por uma “falha da natureza”. Tão desassistidos quanto alguém que nasce com HIV, por exemplo. É injusto? É, é injusto. É injusto em função da lei? Não, não é o caso. Não é a lei a causa da “injustiça”. E a lei talvez possa minimizar um pouco essa injustiça, mas não poderá saná-la. São limitações do mundo real que não devem entretanto servir como justificativa para negar direitos universalmente.

    • paula

      Eu concordo contigo.

      Eu estou simplesmente dizendo que a falta de um pai numa vida ou num documento nao ‘e motivo para retirar aquela vida.

      Eu nao tolero a desculpa do era a hora errada, nao foi um momento conveniente para mim, ou ia ficar faltando um nome na certidao, como justificativa para tirar a vida de uma pessoa, “defesa ou indefesa”.

      Orfaos, filhos de estupro, de maes solteiras ou de duas maes (ou de dois pais, ou de pai solteiro, etc) estao ai, sao pessoas como as outras, crescendo, se desenvolvendo e vivendo. E ninguem tem nada a ver com isso.

    • E se alguém quiser ter alguma coisa a ver com isso, que seja para ajudar, não para criar ainda mais empecilhos. ;)

  • paula

    E antes que alguem diga que tenho preconceito contra doentes, porque disse que ‘e um absurdo tirar a vida de gente “sadia”, nao, nao tenho preconceito. A minha vida ‘e tratar de doentes, e trabalho numa especialidade onde 100% dos pacientes estao de fato doentes. Foi uma generalizacao. Eu concordo com quem fez a Lei que rege o aborto no Brasil, de que em casos excepcionais, este deve ser permitido. Isso inclui risco de morte significativo para mae e feto, e certas doencas severas no feto, alem de estupro.


    • “E antes que alguem diga que tenho preconceito contra doentes (…)” (Paula)

      Percebes que a necessidade de fazer esse tipo de ressalva é sintoma de uma sociedade profundamente doente?

    • paula

      Sim, mas nunca se sabe quem esta’ lendo o blog. Amanha tem um dizendo que eu sou nazista e que escolho o que ‘e normal ou anormal, e me acho no direito de eliminar os “anormais”. Imagina.

    • Não preciso imaginar… já disseram isso de mim várias vezes. Por exemplo, naquele artigo em que eu defendi uma determinada forma de eugenia.

  • Lidia

    Pelo que eu entendi, vc considera a fase embrionaria como uma etapa do desenvolvimento humano como a infancia a adolescencia ou a velhice e, seguindo essa linha de raciocinio, concordo com os teus questionamentos sobre o valor da vida de um embriao, de um feto, de uma criança de 9 anos ou de um jovem de 19 anos.
    Mas, ao contrario de vc, eu parto do pressuposto de que a fase gestacional nao è uma etapa do desenvolvimento, mas uma fase necessaria para a formaçao do ser humano que, com o nascimento começa a se desenvolver.
    Numa comparaçao grosseira seria mais ou menos como um bolo, que sò serà um bolo depois que sair do forno. Antes sao sò ingredientes misturados necessarios à sua confecçao, mas nao è ainda um bolo. Depois de assado, o bolo tem o seu desenvolvimento: recem saido do forno tà muito quente, quando esfria atinge o auge e depois de um tempo fica velho. Mas quente, frio ou velho, serà sempre um bolo.
    Eu entendo que antes de nascer o ser humano ainda nao “saiu do forno” e por isso merece menos proteçao do que alguem jà nascido. Pra mim, quem ainda nao nasceu tem mera expectativa de direitos e merece proteçao pelo que “poderà vir a ser” e maior serà essa proteçao quanto mais se aproxima o nascimento. Depois que nasce, vai ser sempre uma pessoa e consequentemente merecedora da maxima proteçao, e nao interessa se essa pessoa è quente, fria ou velha, criança, adolescente, alema ou judia.
    Ah, e eu acho mais perdoavel matar um embriao do que abandonar um recem nascido justamente pq dou mais valor à vida do nascido do que à vida do nao nascido. ;) Fugindo do assunto, esse ponto me fez lembrar uma discussao que li sobre o que seria pior para um condenado: a pena de morte ou a prisao perpetua. Alguns consideravam que a pena de morte è o castigo maximo que alguem pode receber e por isso pior, outros diziam que a pena de morte è menos cruel que condenar alguem a um sofrimento pelo resto da sua vida. Valores…

    • Pelo menos cada um dos dois entendeu como o outro pensa. Mas eu não vejo qualquer explicação ontogênica razoável que possa justificar a idéia de que um ser humano em um estágio inicial de desenvolvimento não seja um ser humano. Tanto quanto o conjunto de ingredientes na fôrma é um “bolo em estágio inicial de desenvolvimento”, diga-se.

      O bolo não vira bolo de repente. Ele se desenvolve em diversas etapas até atingir o estágio no qual usualmente interagimos com ele. Cada etapa é necessária para o desenvolvimento integral e harmônico do bolo. E um bolo abortado em qualquer fase prévia ao desenforme é um bolo abortado, não é uma pizza, nem uma samambaia. Desde sempre sua essência é a mesma: um bolo.

  • Li

    E continuar casado contigo? (Arthur)

    Sim,21 anos,rs.

    Escolhemos NÃO ter filhos juntos,rs.

    Isso não significa que ELE não possa,em algum momento da vida,ter desejo de ter filho.

    Quem tem “prazo de validade” somos nós e não eles.

    É bom aceitar que coisas vivas não são propriedades.

    Por isso acho que temos que fazer DE TUDO para que o aborto possa não ser a primeira opção de ninguém.

    Não entendo os homens que condenam as mulheres,no caso do aborto,acharem que elas possuem a OBRIGAÇÃO de lutar pelo que ELES negam a elas.

    Os homens que conheço permitem que suas mulheres sejam livres,até mesmo para errar.
    Por entenderem que eles também podem errar.

    E…não estamos discutindo o aborto,e sim um direito de homens e mulheres.

    Um direito que AMBOS possuem.

  • Li

    . Depois que nasce, vai ser sempre uma pessoa e consequentemente merecedora da maxima proteçao, e nao interessa se essa pessoa è quente, fria ou velha, criança, adolescente, alema ou judia.
    Ah, e eu acho mais perdoavel matar um embriao do que abandonar um recem nascido justamente pq dou mais valor à vida do nascido do que à vida do nao nascido. ;) Fugindo do assunto, esse ponto me fez lembrar uma discussao que li sobre o que seria pior para um condenado: a pena de morte ou a prisao perpetua. Alguns consideravam que a pena de morte è o castigo maximo que alguem pode receber e por isso pior, outros diziam que a pena de morte è menos cruel que condenar alguem a um sofrimento pelo resto da sua vida. Valores… (Lidia)

    Lidia,não tenho como discordar de ti.
    Não dá para discutir valores,o máximo que conseguiremos é impor um ponto de vista.

    Homens e mulheres possuem os mesmos direitos.

    O que acontece é que esses direitos não são respeitados.

    Para milhares de mulheres e de homens…que vivem com um inimigo íntimo.

    Mulheres usam os filhos contra os homens e homens usam o sexo contra as mulheres,fazem os filhos para depois abandonar a mulher grávida.

    Filho tem que ser de DOIS.

    Ou apenas de um,como na doação de esperma.

    Nossas leis andam com passinho de lesma.

  • Li

    Certo…

    Tenho muitos filhos do coração,pessoas que amo profundamente e que não nasceram de mim.

    Se meu marido tivesse um filho de outra mulher e essa mulher abandonasse esse filho,certamente ele seria tão meu quanto um biológico.

    O que acho é que se ele desejasse o filho iria desejar também a mãe do filho,rs.

  • Anya

    Claro, porque decidir não ser mãe de um bebê que não chegou a nascer e decidir não ser pai de um bebê que tá aí vivinho da silva são situações exatamente iguais. Iguaizinhas mesmo.

  • Genserico

    Por isso nunca apoiarem causas feministas, essa corjas de vagabundas lutam por direitos exclusivistas e ficam ai pagando de santas dizendo que lutam por direitos iguais. Acham errado o abandono de crianças, mas assassinato não?

    Se o pai não quer a criança então que ela crie sozinha ou aborte, simples assim. Porque a mulher pode fugir da raia e o homem tem de pagar o pato?

    Engraça a decisão cabe a mulher do aborto, mas na hora de criar o homem tem de ajudar já que ela não fez o filho sozinha. Quanta ironia, não?

  • Gerson B

    Não é a mesma situação, mas seria engraçado ver as posições invertidas:
    https://www.youtube.com/watch?v=2eof16W5h8M

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