O policial canadense Michael Sanguinetti fez a seguinte afirmação em uma palestra: “Me disseram que eu não devia dizer isso, mas as mulheres não deviam se vestir como vadias se não querem ser estupradas”. O resultado foi que “as alunas da universidade se revoltaram e sairam às ruas, ‘vestidas de vadias’, para afirmar que a culpada pelo estupro não é a vítima e nem a roupa que ela usa, mas sim, a conduta do estuprador.” Mas pouca gente percebe que por um certo ângulo o policial tinha razão. 

Atenção: este é um artigo sobre
GERENCIAMENTO DE RISCO.
Não se prenda a um exemplo só.

A intenção central da fala deste policial eu nunca vejo reconhecida e muito menos analisada – e ela tem um imenso conteúdo de verdade.

Se uma pessoa não quiser morrer em um acidente automobilístico, o que ela deve fazer para melhorar suas chances? Dirigir sóbria e dentro do limite de velocidade considerado seguro para a via ou tomar um porre e ir disputar um racha?

Se uma pessoa não quiser levar um tiro na cabeça, o que ela deve fazer para melhorar suas chances? Manipular a arma com responsabilidade ou brincar de roleta russa?

Se uma mulher não quiser ser estuprada, o que ela deve fazer para melhorar suas chances? Assumir uma postura recatada segundo a moral sexual vigente onde vive ou parecer uma vadia que não desperta nenhum respeito e expor-se na hora errada, no local errado, do jeito errado, para a pessoa errada? 

Vamos parar de fingir que vivemos em um mundo perfeito em que se pode vestir um uniforme militar, se enrolar na bandeira estadunidense e atravessar as ruas de Bagdá ou Teerã assobiando Yankee Doodle tranqüilamente “porque é um direito de qualquer pessoa vestir-se como quiser e manifestar seu orgulho patriota livremente sem ser perturbada, pois não está desrespeitando ninguém”. Mas principalmente vamos parar de fingir indignação quando as coisas saem do controle quando alguém comete uma estupidez dessas. Isso não é indignação, é o barulho que faz quando cai a ficha de quem achava que o mundo tinha a obrigação de satisfazer todos os seus desejos e caprichos.

Um conhecido meu entregou seu revólver na campanha do desarmamento e contou para todo mundo no bar. Na mesma noite a casa dele foi assaltada por três encapuzados que lhe deram uma surra e roubaram o dinheiro da indenização da arma, todos os seus aparelhos eletrônicos e seu carro. A responsabilidade pelo ocorrido é só dos ladrões? 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 25/05/2012 

211 thoughts on “A culpa é da minissaia? Em parte é.

  1. Você vê aonde vai a hipocrisia, ser gravado fazendo oração, agradecendo a propina recebida,colocando dinheiro na cueca, nos bolsos e nas meias, não é imoral, mas como havia tórridas cenas de sexo e olha que não foi no ambiente do congresso, foi num ambiente particular. Mas como se trata de sexo ai a conversa é outra. Parece que atingiram o pudor dos congressistas. Não há dúvida que foi deslealdade.Não duvido que puxaram o tapete dela, mas o jeito de piriguete dela deve ter desagradado muita gente, portanto cometer um ato de sabotagem contra ela, não seria nenhuma surpresa.

    1. É… O povo tem essa mania de achar que aqueles de quem não se gosta devem ter menos direitos. 🙁

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *