Nos comentários do artigo “Restabelecendo o bom senso” a Paulinha perguntou: “Por que você acha que um adolescente que tem, teoricamente, uma vida inteira pela frente, se deleta usando crack?” Eis a resposta. 

Tudo na vida é definido por uma mistura de escolhas, esforço e sorte. 

Nascer em uma família bem estruturada, receber atenção, afeto, boa educação e bons exemplos é questão de sorte. A maioria dos usuários de crack não tem esta sorte. 

Não tendo a sorte de receber do destino as benesses acima, fazer escolhas bem informadas, com ampla disponibilidade de alternativas, é muito difícil, porque faltam requisitos importantes como visão de mundo, capacidade cognitiva e valores morais. 

E, mesmo querendo fazer escolhas melhores, quem se encontra nestas condições raramente dispõe da fibra moral necessária para manter suas decisões, enfrentar dificuldades e perseverar num caminho saudável e produtivo. 

Há exceções para ambos os lados, é claro: há gente que nasce abandonada pela sorte e consegue se erguer e há gente que nasce privilegiada pela sorte e mesmo assim afunda fragorosamente. Mas as exceções não são tantas que não permitam perceber o mecanismo geral:

A lógica do abandono, do descaso e da corrupção por um meio moral e fisicamente degradado pela miséria afetiva e econômica é o principal fator que conduz nossa juventude ao inferno das drogas e do crime – e ainda seria o principal fator de perdição para os jovens mesmo na completa ausência de substâncias psicoativas. 

É por isso que campanhas de conscientização quanto aos males e perigos do crack ou de outras drogas são inúteis. Elas só atingem quem de modo geral já está em uma situação de baixa vulnerabilidade. 

É por isso que não adianta fazer “guerra às drogas”, apreender as substâncias e prender os miseráveis que as comercializam. Fazer isso só traz como resultado terminar de destruir a vida de quem já havia sido abandonado pela sorte desde muito cedo. 

Mais uma vez eu digo: há exceções para ambos os lados, é claro. Há gente muito pobre e que recebeu muito pouco afeto e instrução que mesmo assim não se corrompe e há gente que teve todas as condições do mundo e chafurda com prazer na corrupção, como qualquer que já tenha ouvido falar nas quadrilhas chamadas de “partidos políticos” sabe muito bem. Mas as exceções não são tantas que não permitam perceber o mecanismo geral: 

A solução para evitar a maior parte dos casos de drogadição e da criminalidade (associada ou não ao tráfico de drogas) é oferecer algo melhor à juventude, no mínimo em dois níveis: o nível da capacitação para fazer escolhas conscientes e bem informadas e o nível da oportunidade para que tenha escolhas a fazer. 

Em resumo: 

Por que um jovem ou adolescente usa crack? 

Na maior parte das vezes, porque lhe faltou afeto, educação, bons exemplos e boas oportunidades para viver de modo mais saudável e produtivo. 

Existem outros motivos? 

Sim, desde a simples curiosidade até o prazer da transgressão, mas são muitíssimo menos freqüentes que os acima citados. 

Existe solução? 

Sim. 

No atacado, educação de boa qualidade e programas de estímulo à autonomia, além de  programas que desarticulem a lógica do tráfico

No varejo, nada como o equilíbrio adequado entre firmeza e sensibilidade, sempre com o mais puro interesse no bem estar e no desenvolvimento reto próprio e do outro. 

Solução este mundo tem. Falta é gente boa e corajosa disposta a se organizar política e economicamente para enfrentar os que por ignorância ou má intenção não querem ou não permitem implementá-las. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 04/07/2012 

39 thoughts on “Por que um jovem ou adolescente usa crack?

  1. Tenho compaixão pela sociedade e pelos familiares, esse negócio de colocar o rebanho em risco em prol de uma ovelha desgarrada, não faz o menor sentido.

    1. Falando de gado não faz muito sentido, mesmo. Mas estamos falando de gado?

  2. Da mesma forma que o jovem pobre marginalizado quer fugir das agruras, o jovem rico foge do tédio da vida confortável graças aos mimos dos papais ricos.
    Como diria a minha velha mãe: Se você olha para cima não tem fim, se você olha para baixo idem. Portanto tanto um como o outro vive na eterna insatisfação seja por falta ou por excesso. O ideal seria somar tudo e dividir por igual( o que seria utopia ), mas como isso não existe. Quem vive no vazio do tédio da vida fútil e o seu respectivo vazio existencial apela para as drogas, para ver se tem algum barato. Já o jovem marginalizado procura um alívio para a sua carência.

    1. É, mas tem tanta maneira de fugir que não envolve intoxicação e dependência… Não dá pra quem tem condições arranjar uma fuga ou mesmo um vício mais saudável, não? Por exemplo, em esportes, em viagens, em estudos, em caridade, em meditação…

  3. Nessa roda viva, o traficante vende as fantasias que a droga gera, e por que não? O pessoal não anda deprimido?
    Não é de agora que o ser humano procura fuga da sua realidade se entorpecendo. Seja com droga lícita ou ilícita, o pessoal não toma ansiolítico, então?
    Não é à toa que está mais que na hora de discutir a questão da droga, o pessoal anda abusando, pior de forma cada vez mais precoce, o pessoal faz uma escarcéu danado com a maconha e no entanto fecha os olhos para as bebidas alcoólicas.
    Toleramos a bebida e ainda estimulamos. O consumo das drogas começa com a bebida e não com a maconha como proferem os conservadores, isso sem levar em conta que o pessoal faz um cocktail com outras substâncias dentre elas o ecstasy, de resto só contemplamos seus resultados nefastos.

    1. Mas quem se vicia em drogas lícitas, obtidas com receita médica, não entra na classificação de “viciado”. O problema não é se viciar, é se viciar com algo sem receita, que não precisa pagar consulta…

  4. O Arthur é tão picareta quanto o safado do Olavo. Só que você está agindo igual aos judeus, jogando uma classe contra a outra. Não custa nada lembrar que os judeus são os que mais apoiam a subversão, a promiscuidade, e as drogas.

    1. Olha o troll aí!

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