A TV estava ligada no Jornal Nacional lá na sala e eu ouvi a edição de ontem. Lá pelas tantas tive um insight e fiz algumas anotações no celular. Vamos analisar o “conjunto da obra” para avaliar a utilidade do jornal mais assistido no país? Pense comigo. 

Seguem as notícias do JN de 16/07/2012 e algumas considerações sobre cada uma. 

Um ônibus bateu em um caminhão, despencou numa ribanceira, matou alguns estudantes que se dirigiam a um congresso e feriu dezenas. 

Qual a relevância desta notícia para as pessoas que não são parentes ou amigas dos mortos e feridos? O que aprendemos com ela? Foi um fato isolado ou foi reflexo de algum problema crônico da estrutura viária do país ou do comportamento dos motoristas? Qual a chance de acontecer algo assim comigo ou com você? O que deve ser feito para evitar novas ocorrências deste tipo? 

Não sabemos nada disso. Descontextualizado, um acidente é apenas um acidente – um acontecimento trágico que serve apenas para atrair audiência com curiosidade mórbida e vender espaço de propaganda. Ninguém ficou melhor informado por saber disso. 

Um guri caiu dentro de um buraco aberto pela prefeitura e os bombeiros demoraram três horas para tirá-lo de lá. 

Qual a relevância deste acontecimento para quem não é parente ou amigo da família afetada? Quantas vezes por ano acontecem acidentes deste tipo? Qual a necessidade de aquele buraco estar aberto? Que tipos de cuidados deveriam ser tomados quando da realização de obras daquele tipo? A tecnologia e a metodologia usadas para resolver o problema que exigiu a abertura daquele buraco são adequadas? Quais as alternativas e quais seriam as vantagens e desvantagens técnicas e financeiras de cada uma? O método usado pelos bombeiros para retirar o guri do buraco é adequado? Quais as medidas de segurança que foram negligenciadas e o que deve ser feito para evitar novos acidentes deste tipo? Nossas equipes de resgate ao redor do país estão qualificadas e possuem os equipamentos necessários para salvar as nossas vidas em casos de acidentes semelhantes? 

Não sabemos nada disso. Trata-se de mais uma notícia sensacionalista e inútil, apresentada sem o menor interesse de informar algo útil. Puro entretenimento mórbido

Proibida mais uma substância. Antes era possível adquiri-la no exterior, agora é proibido entrar com ela no território nacional até mesmo para consumo pessoal. 

Essa medida é razoável? Com que fundamentação? Quem tem o direito de tutelar o cidadão que não prejudica terceiros contra a vontade deles? Por que alguma autoridade deveria ter o direito de dizer o que é melhor para mim ou para você quando eu ou você queremos arrebentar somente a nós mesmos? Por que o Estado se acha no direito de controlar o que eu ou você podemos ou não podemos fazer conosco mesmos ao invés de simplesmente nos informar as alternativas e as conseqüências de cada alternativa, arcando com a responsabilidade sobre nossas próprias decisões? Por que a solução apoiada pela Rede Globo é reduzir a liberdade ao invés de ampliar a cidadania

Não sabemos nada disso. Esse tipo de questionamento não aparece nem é sugerido. Ao invés disso, o que aparece como natural é o controle crescente do Estado sobre o cidadão – desde que o Estado não atrapalhe a liberdade de imprensa, claro. Reduzir a liberdade no olho do outro é colírio. 

Água sendo desperdiçada no nordeste. 

Ora… Qual a novidade? Há quantos anos isso acontece? Quantas reportagens foram feitas a respeito? Qual o acompanhamento que será dado ao caso? Uma vez informados sobre o caso, devemos ficar com ele na memória 24h/dia e buscar informações na internet diariamente para saber o que está sendo feito a respeito? 

É impressão minha ou a Rede Globo realmente nunca dá continuidade alguma às reportagens que apresenta, exceto quando são de seu interesse direto, como foi para gerar a lei dos crimes hediondos por causa do assassinato da filha da Glória Perez, para cobrar ações de retaliação policial contra os traficantes que mataram Tim Lopez e para impor o Estatuto do Desarmamento Só do Cidadão Honesto? 

Inúmeras cidades dos EUA em estado de calamidade pública devido ao mais quente verão desde o início dos registros. Dezenas de mortos pelo calor. 

E

Milhões de pessoas afetadas por chuvas torrenciais na Ásia. Dezenas de mortos. 

A explicação: isso tudo é normal. Trata-se de um pouquinho mais de umidade aqui, de um pouquinho mais de vento ali. Só isso.

O agravamento dos extremos climáticos registrados consistentemente em todo o globo é ou não é devido à desestabilização climática? O papel da superpopulação humana na devastação dos ecossistemas cuja estrutura e funcionamento suaviza os efeitos destes fenômenos é ou não é relevante? A cultura de consumo orgiástico de recursos não renováveis e a política (suicida) assassina de reintrodução de carbono fóssil na biosfera não tem nada a ver com o assunto? Os relatórios do IPCC dizem alguma coisa que a população deveria saber? O público não precisa ser informado destas coisas para poder tomar decisões que evitem que o planeta pegue fogo? Isso é ou não não é papel da imprensa? 

Não sabemos nada disso. Tudo que foi apresentado foi uma pseudo-explicação absurdamente ridícula – no nível de “a enchente aconteceu porque choveu” – mas 99% das pessoas não conseguem perceber isso porque não tem nem sequer os conhecimentos mais básicos necessários para fazer as perguntas certas. E a imprensa não somente não levanta estas perguntas como ainda desconversa. 

Crise sei lá eu onde. 

O vizinho passou esgaçando o motor do carro em alta rotação embaixo da minha janela, não pude ouvir a notícia. E tem gente que acha que o carro elétrico não é uma boa porque é silencioso e pode aumentar os atropelamentos. Quem sabe a gente inverte a coisa, põe uma sineta no pescoço de cada pedestre e deixa a responsabilidade para os motoristas? 

Não, não vai dar certo. Pouca gente sabe o que significa “responsabilidade”. Talvez por isso a crise. Mas divago… 

Proibida a venda de novas linhas de celular e de internet 3G em Porto Alegre. 

Resumidamente, tanto a disponibilidade quanto a qualidade do sinal de todas as operadoras estão tão ruins que o número de reclamações no PROCON bateu todos os recordes este ano, então a medida foi tomada para obrigar as operadoras a qualificar os serviços antes de vender novas linhas. E no mesmo dia a ANATEL entrou em greve. Até que essa informação estava completa. 

Mas o que interessa isso para o resto dos brasileiros? A falta de qualidade (e o alto preço) dos serviços de telefonia em Porto Alegre são localizadas ou as mesmas operadoras possuem mais ou menos as mesmas práticas em todo o país? A disponibilidade e a qualidade do sinal de telefonia e de internet 3G é homogênea ou heterogênea no país? Se for heterogênea, qual o padrão que melhor explica a disponibilidade e a qualidade do sinal? Como é esta realidade nos outros países em que estas mesmas empresas atuam? O preço por minuto falado e por megabyte transmitido é o mesmo no Brasil e nos outros países em que estas empresas atuam? Qual o ranking das operadoras em disponibilidade e qualidade de sinal? Como se faz para registrar uma queixa? Devo me dirigir ao PROCON, à ANATEL ou ao bispo? Qual a utilidade desta queixa? Posso ser indenizado pelo serviço pago mas não recebido? Como? 

Não sabemos nada disso. Novamente, nenhuma contextualização é feita, nenhum estudo comparativo é apresentado, nenhuma informação útil é trazida para o telespectador. 

Bolsas em queda. FMI reduz a expectativa de crescimento do Brasil. Instituições financeiras do Brasil prevêem quadro ainda pior. Deputados aprovam Medidas Provisórias para aquecer a economia. 

Ué?! Mas o Brasil não estava imune à “marolinha”? O que fez as bolsas caírem? Por que o Brasil está sendo afetado? O que faz as instituições financeiras do Brasil terem uma visão mais pessimista que o FMI? Qual a diferença de critérios? Que medidas deveriam ter sido tomadas pelo governo e não foram tomadas? O que são estas medidas de aquecimento da economia? Vão aquecer mesmo a economia ou vão nos meter numa fria? Se são medidas estruturais, por que não foram tomadas antes? Se são medidas circunstanciais, terão mesmo o alcance necessário para evitar que o Brasil entre em recessão? Que setores estão sendo privilegiados e por quê? As prioridades escolhidas pelo governo correspondem às reais necessidades do país? Qual o nexo causal pressuposto e o sistema de valoração utilizado para tomar tais decisões? Que resultados de longo prazo são esperados? O que podemos fazer para não perder o emprego, para não ir à falência, para não perder o crédito, para não passar dificuldades, para ajudar o país a se manter no rumo de uma economia sólida? 

Não sabemos nada disso. Somos informados apenas que “há uma crise”, como se fosse algo mágico, inacessível à compreensão dos não-especialistas, sem saber o que fazer para nos proteger ou para mudar de rumo. O povo é mantido como espectador – mesmo quando alguém entra na sala metralhando a platéia. Não reaja. Não há nada que você possa fazer. Deixe a contagem de corpos conosco – e assista na próxima edição… se puder. 

Depósitos na poupança continuam a crescer apesar das novas regras. 

O Jornal Nacional mostrou economistas dizendo que a poupança é o melhor investimento, “muito atraente” e “muito seguro”. 

Sei. Deve ser por isso que todo o dinheiro do George Soros está investido na caderneta de poupança do Brasil. 

Vamos pular para a próxima notícia, que comentar essa me faz mal para o fígado. 

Câmara passa a divulgar os salários e benefícios de deputados e servidores na ativa e aposentados. 

Bela medida. Aparentemente aumenta a transparência na administração. Mas na prática… Para que serve isso? Temos como demitir quem ganha demais? Temos como saber quem ganha demais em comparação com sua produtividade? Temos como influir no sistema de salários dos próprios deputados? Ou isso é só mais conversa-para-boi-dormir e mote para discursos demagógicos? 

Não sabemos nada disso. Não houve uma análise das prováveis conseqüências da medida. Não houve uma análise da proporcionalidade dos salários com a responsabilidade ou grau de exigência técnica dos cargos. Não houve uma análise comparativa dos salários praticados nos diversos setores do funcionalismo público. Na verdade não houve qualquer análise. 

Velódromo do Rio de Janeiro custou R$ 14.000.000,00 e precisa de reforma que custa R$ 70.000.000,00 para atender aos padrões olímpicos. 

Mas peraí… Esse velódromo não foi construído há pouco tempo? Por que não foi construído já para atender os padrões olímpicos? Onde estava a imprensa para questionar isso antes do gasto das verbas? Não sabia de nada, como agora é hábito neste país? Como pode a reforma custar cinco vezes mais que a construção do velódromo? Por que um novo velódromo tem que ser construído no mesmo local? O Rio de Janeiro é pequeno demais para comportar dois velódromos? Temos tão pouca gente assim interessada neste tipo de esporte? Então para que usar dinheiro público para construir sequer um deles quando há gente morrendo nas filas das emergências do SUS? Quem foram os responsáveis por estas decisões desastradas e desperdiçadoras de dinheiro público? 

Não sabemos nada disso. Não fomos informados sobre o quanto esses valores representam em percentual do orçamento destinado à promoção do esporte, nem sobre os parâmetros necessários para avaliar o retorno destes investimentos. Para que então serviu essa informação? 

Roger Federer é considerado o maior jogador de tênis de todos os tempos.

Antes dos trinta anos de idade o cara embolsou mais de R$ 150.000.000,00 só para bater numa bolinha com uma raquete. E você aí que faz alguma coisa que preste, ganha quanto? 

Ah, deixa para lá, vá assistir a novela, que já vai começar. Plim-plim! 

Conclusão 

Pior do que não informar é desinformar – e dar a impressão de que informa quando na verdade não se apresenta nada útil é desinformar. 

Não há contextualização nem análise crítica na cobertura jornalística do Jornal Nacional. Os fatos surgem do nada e vão para o nada, são jogados na tela um atrás do outro sem qualquer ligação entre causas e conseqüências, ou entre ações e resultados, de modo que o telespectador fica mesmerizado diante de um desfile de “informações que não informam”, caóticas, fragmentadas, descontextualizadas, acríticas, inúteis. 

Então…

Para que serve o Jornal Nacional? 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 17/07/2012

38 thoughts on “Para que serve o Jornal Nacional?

  1. Grande mídia hoje no mundo está na mão do mesmo grupo, os Bilderbergs, grande mídia hooje só serve para duas coisas, censura e controle social, mais nada, o que sai hoje na grande mídia é o inverso ou nada que está realmente acontecendo.

    1. Bilderbergs na Wikipédia:

      “A alegada justificativa do grupo pelo sigilo é que isso permite que os participantes falem livremente sem a necessidade de ponderar cuidadosamente como cada palavra poderia ser interpretada pelos órgãos de comunicação de massa. Alguns, entretanto, consideram a natureza elitista e secreta das reuniões como antiético em relação aos princípios da inclusão em sociedades democráticas.

      Adeptos e pesquisadores da teoria da conspiração acreditam que os membros do Grupo Bilderberg são Iluminatti.”

      É… TEM cara de teoria da conspiração… 🙂

  2. Serve para o cachorrinho fazer cocô em cima. Opa, nem para isso serve.

    1. HUAHUAHUAHUA!!!

  3. Aliás, hoje faz 5 anos do acidente da Tam. Os motivos do acidente segundo a Wiki:
    1) Problema no reverso do avião;
    2) que junto a uma falha no ajuste dos manetes de potência dos motores;
    3) induziu o software do avião ao erro;
    4) que induziu a tripulação ao erro;
    5) em um avião cuja carga não dava muita margem para o erro;
    6) numa pista que não dava muita margem para o erro;
    7) numa situação climática que não dava muita margem para o erro.
    Então eu pergunto sem esperar resposta:
    1) A legislação quanto a defeitos em geral, e no reverso em particular, foi melhorada?
    2) Os procedimentos de pouso e decolagem e os alarmes de defeitos foram readequados para todas as situações emergenciais possíveis de serem imaginadas pelos especialistas?
    3) Os softwares já pararam de tentar adivinhar o que o piloto deseja?
    4) As regulamentações de máxima carga permitida em situações críticas de pistas críticas foram readequadas?
    Ou a única coisa importante nessa merda toda é a porra da pracinha que fizeram no local do acidente?

    1. Sei não… mas acho que o JN não esclareceu isso.

  4. Se a greve da Anatel for nacional o povo aqui na cidade vai ter que aprender a ler.

    Quinta feira passada a Anatel bloqueou o sinal das retransmissoras de TV de 400 cidades (aqui entre elas) alegando inadimplência nos repasses das concessões. O prefeito chegou ao cúmulo de falar em entrevista ao jornal Hoje em Dia, que teme um aumento de violência (aqui é uma cidade de 7.000 habitantes. (sem tv o povo sai pra beber com maior frequência, o que aumenta o número de ocorrências, segundo ele)

    O caso inclusive virou joguete na briga política por aqui. Situação acusa oposição de ter mechido uns pauzinhos. E oposição prepara um panfleto chamando o prefeito de mentiroso e incompetente.

    A cidade não poderia estar melhor.

    1. A cidade está sem TV? 😮

  5. Talvez a pergunta certa seja para quem ou a quem serve o Jornal Nacional.

    1. Está incluído no pacote. 😉

  6. Jarson Brenner

    17/07/2012 — 18:47

    Uau! Por isso abandonei telejornais e agora só seleciono algumas notícias online que consigo perceber uma real importância. O triste foi numa prova de vestibular, ou concurso, que caiu uma pergunta específica sobre um acontecimento num campeonato de futebol! Aí é pra acabar!! Não acompanho futebol e julgo totalmente irrelevante saber qualquer coisa sobre um jogador de nome sei-lá-o-quê que ganha milhões pra correr atrás de uma bola e que além disso largou o colégio para se dedicar ao futebol quando não foi passado a força. Concordo com tudo no seu texto! Esses jornais só empurram nada pra turma. Pão e circo é do que vive a televisão brasileira.

    1. A Ilha de Santa Catarina, parte insular do município de Florianópolis, tem três pontes que a ligam ao continente: Hercílio Luz (desativada), Pedro Ivo (entrada) e Colombo Sales (saída).

      CAIU NUM CONCURSO a pergunta “quais são respectivamente a ponte que entra e a ponte que sai da Ilha de Santa Catarina?” – numa evidente intenção de favorecer os moradores locais perguntando algo irrelevante que somente eles conheceriam. Uma indecência.

      Uma coisa dessas merece um processo por improbidade. Adivinha se rolou? Claro que não. E certamente em primeira instância qualquer juiz de lá teria indeferido a reclamatória e provavelmente em segunda instância alegariam “in dubio pro reo” alegando que “não fica claramente caracterizada a improbidade em função de uma única pergunta que segundo interpretação possível pode assumir pequena porém não nula relevância patati-patatá”.

      E nenhuma horda invade o STF e põe fogo em tudo. Nem a imprensa pia.

      Brasil.

  7. Lucas do Polvo

    17/07/2012 — 21:27

    O Jornal Nacional tem como objetivo levar ao povo brasileiro as informações mais sensatas do dia-a-dia. [/ironic] kkkk

    O Jornal Nacional não serve para porra nenhuma. Tudo que é transmitido lá pode ser encontrado na internet. Sem falar que por aqui podemos achar opiniões mais críticas sobre o assunto.

    Provavelmente, o motivo desta falta de questionamentos que você está relatando se deve ao objetivo da imparcialidade do programa (eles não querem ser muito criticados). Mas é claro que isso não vai valer quando os interesses ”deles” estão em jogo. Neste caso, vão fazer de tudo para convencer as massas pouco inteligentes da ”verdade”.

    1. Isso é exatamente o que me incomoda. Quando a informação serve para o bem da cidadania do telespectador, ela não é apresentada com profundidade, nem com análise crítica, nem com contextualização histórica, nem com insistência. Mas quando interessa à Rede Globo todos estes fatores brotam mais rápido que cogumelo depois da chuva.

  8. Baah, meus caros amigos internautas, a resposta é simples: O Jornal Nacional serve para vermos a previsão do tempo(embora eu ache que a fonte deles é a mãe Dinah, talvez) kkkkkkkkkk…
    Mas realmente, o que você disse é bem válido, o JN passa notícias como uma sucessão de slides tornando-as só entretenimento e perda de tempo para as pessoas. Eles, como o maior veículo informativo brasileiro, deveriam ter noção da sua grande responsabilidade e poder de formar opiniões e poderiam fazer um jornalismo mais crítico e esclarecedor.

    PS: Fico feliz que não seja só eu que fico revoltado quando vejo uma notícia na Tv sobre algum gato que ficou preso numa árvore e foi salvo pelos bombeiros e blá blá blá…Tanta coisa que poderiam exibir e me exibem algo sobre gatos, não sei como meu aparelho de Tv já não foi pela janela!!

    1. Deixa eu fazer uma provocaçãozinha… 🙂

      Por que os gatos sobem nas árvores e não conseguem descer? Isso realmente acontece ou é lenda? Qual a melhor maneira de fazer o gato descer em segurança? É necessário chamar os bombeiros? Qual o custo de uma operação de resgate deste tipo para o Estado? É aceitável gastar dinheiro público com esta finalidade? Que prioridades deixam de ser atendidas para salvar gatos que sobem em árvores?

      Até este assunto poderia ser salvo se fosse analisado pelo prisma de um jornalismo sério. 😉

      Hehehehehe…

  9. É uma pergunta bastante provocativa, diga-se de passagem que a pergunta por si só revela uma coisa que já constatei anos atrás: O J.N perdeu relevância, tanto que já se passaram anos e perdi a conta de quantos anos não assisto o J.N.
    Como temos um problema crônico de analfabetismo funcional melhorar o conteúdo do jornal, corre-se o risco de perder a audiência.
    Portanto a pergunta só revela o que muitos já sabiam, quem assiste e ainda acha que o conteúdo é bom, no mínimo revela uma pobreza cultural ou ignorância total.Ai, meu caro fica a seu critério.

    1. De vez em quando eu assisto o JN… Mas acaba sendo mais para poder conversar com outras pessoas sobre o que elas se “informam” do que para qualquer outra finalidade. Quando eu quero me informar mais adequadamente sobre algum assunto eu recorro a fontes mais confiáveis e que fazem análises mais profundas.

  10. “Deixa eu fazer uma provocaçãozinha…
    Por que os gatos sobem nas árvores e não conseguem descer? Isso realmente acontece ou é lenda? Qual a melhor maneira de fazer o gato descer em segurança? É necessário chamar os bombeiros? Qual o custo de uma operação de resgate deste tipo para o Estado? É aceitável gastar dinheiro público com esta finalidade? Que prioridades deixam de ser atendidas para salvar gatos que sobem em árvores?”

    Vc tà confundindo os programas… As respostas para essas e outras perguntas estao no Globo Reporter! 😉

    1. Não… o Globo Repórter mostra porque as onças sobem em árvores! 😛

  11. Já foi dito que o importante não é dar as respostas certas e sim fazer as perguntas certas. Nesse quesito você foi abusivo. Lembro dessa edição do JN. Minha esposa esperava a novela e eu estava com os fones de ouvido assistindo um capítulo dos Borgias no computador, e, num determinado momento, toda a sacanagem do Papa Alexandre VI ficou abafada pelo zumbido da TV. Falavam sobre a água do Piauí que ao ser jogada fora estragara um caríssimo assoalho de cedro asiático onde haviam sido aplicados os milhões que a poupança rende… ou isso ou algo muito parecido, mas que também me pareceu sacanagem. Como não era a Patrícia Poeta voltei pros Borgias.

    Algumas das suas perguntas foram brilhantes. Dissecantes, bem ao seu estilo. Mas acredito que a última seja apenas retórica. Você sabe pra serve o JN! Desde o tempo dos romanos que pão e circo fazem o povo olhar para o lado que não interessa. Informação educa e faz pensar e isso não é muito interessante no contexto corporativista. E disso que vivem os donos do Plim-Plim. As notícias são irrelevantes contando que os comerciais sejam atraentes.


    1. “Já foi dito que o importante não é dar as respostas certas e sim fazer as perguntas certas. Nesse quesito você foi abusivo.” (Romacof)

      Minha intenção foi mostrar que havia uma grande quantidade de questões fáceis de imaginar que poderiam tornar as notícias úteis e mesmo assim nenhuma delas foi sequer aventada. Poxa… se eu desfiei sozinho essa carreira de perguntas de bate-pronto, assim que anotei as notícias, como pode a equipe de jornalistas responsáveis pelo noticioso televisivo mais assistido do Brasil não pensar em nada disso? Ou não se importar com nada disso? Ou não querer mostrar nada disso?

      “Algumas das suas perguntas foram brilhantes. Dissecantes, bem ao seu estilo.” (Romacof)

      Obrigado. Estou tentando acertar na mão, ao custo de muito Hepatovis, Olina, Enterofigon, Engov, Figatil…

      “Mas acredito que a última seja apenas retórica. Você sabe pra serve o JN!” (Romacof)

      É, né… 🙂

  12. Mais uma prova da paciência que a tua pessoa apresenta.
    Realmente tem que ter um saco enorme para suportar uma coisa dessas.Sério…
    Da última vez que eu assisti, pensei, isso aqui é um exercício de autofagia, pior que isso só assistindo o Brasil Urgente, é um tiro no saco.
    Vida longa e prosperidade para quem tem saco.Porque eu não tenho.Afffff!!!!

    1. Não conheço o Brasil Urgente… Mas lembrei do “Aqui, Agora”.

  13. A programacao dos meios de comunicacao serve a audiencia. Infelizmente ha’ muitos anos me tornei minoria entre os que compoem a audiencia em potencial ao JN. Alternativas para os que, como eu, sao hoje minoritarios na audiencia ao JN: Se voce quiser ficar na mesma emissora, tv aberta, vai precisar acordar cedo para o noticiario diario nacional (Bom Dia Brasil?), que e’ a versao menos pior do que o que era JN ha’ 20 anos atras. Na TV por assinatura pode seguir Globo News (assuntos gerais) ou BBC Londres (assuntos internacionais, em Inglês). Para criar sua propria opiniao sobre politica brasileira, assista Tv Senado ou Tv Camara (sem jornalista interposto). Se quiser saber sobre o dia em Brasilia, ligue o radio as 19:00; muito melhor que noticia sabor rede globo ou band.


    1. “A programacao dos meios de comunicacao serve a audiencia.” (Paula)

      Tanto quanto o traficante de crack serve a clientela. Se concordares neste ponto, não há o que discutir. 🙂

    2. sim, se ha’ trafico de drogas e’ porque existe clientela interessada. Tanto quanto mendigos na sinaleira. Nos USA um mendigo nao fica na sinaleira por mais de 4hr. Nao tem policia nem nada, mas ele nao fica ali, porque nao rende grana. Ninguem da esmola. As pessoas fazem doacoes para instituicoes que sao organizadas para viabilizar saude, comida, agasalho e teto para necessitados. A esmola na rua tem pouca chance de ser destinada a estas funcoes.

    3. Pois então… se a clientela gosta de consumir drogas, então o JN entrega exatamente a mercadoria procurada. Nada a discutir, estamos 100% de acordo. 🙂

      .
      .
      .

      Engraçado que para coibir esse tipo de tráfico ninguém propõe legislação, e se alguém propõe praticamente todo mundo se levanta contra tal ignominiosa tentativa de limitar a liberdade…

      Mas isso já é outro assunto.

  14. É o mesmo formato. Sensacionalismo do mesmo jeito

    1. E falta de informações úteis e de análises críticas.

    2. Mas Arthur, O JN nao e’ um programa de comentarios. E’ um programa de noticias. Se quiseres programa com analise de fatos, este ‘e mais uma mesa redonda, debate, etc.

    3. Paulinha, depende do que chamares de “notícia” e de como definires o papel da imprensa.

      Eu acabo de deixar um pedacinho de alface de um sanduíche cair no chão. Juntei e coloquei no lixo. Isso é “notícia”? De um certo ponto de vista, é. E essa “notícia” é tão útil para quem ler este blog quanto a maior parte das “notícias” do JN é útil para o cidadão.

      A diferença é que o meu blog não é uma concessão pública multibilionária com profundo impacto na cidadania de milhões de pessoas. Eu poderia me dar ao luxo de postar somente coisas absolutamente irrelevantes sem correr o risco de afundar a cultura de um país inteiro.

      E olha que eu nem faria questão que todas as notícias fossem comentadas em profundidade. Já me bastaria que metade delas fosse selecionada segundo sua relevância e que a maioria delas fosse melhor contextualizada.

      Por exemplo: ao dar a notícia do guri que caiu no buraco, por que não apresentaram as estatísticas de acidentes semelhantes em obras executadas em ambientes públicos – ou pelo menos questionaram a inexistência de tais estatísticas, se for o caso? Deste modo a “notícia” não seria apenas uma curiosidade mórbida, ela informaria o cidadão sobre algo importante relativo à segurança pública ou à qualidade dos serviços públicos no país. E ainda poderia mostrar a evolução destas estatísticas, para que o povo saiba se o país está sendo melhor ou pior administrado no correr dos anos.

      E, convenhamos… uma dúzia ou duas de pessoas encarregadas de pesquisar estas coisas para compor as notícias do JN de modo mais útil à cidadania não custaria nada à Rede Globo.

  15. Qual substância foi proibida dessa vez°

    1. Não me lembro o nome. Foi um lance para malhação. Parece que era vendido como suplemento alimentar mas tinha propriedades estimulantes ou aumentava a taxa de queima de gordura, sinceramente não registrei na memória.

      Quer dizer… ao invés de obrigar o fabricante a informar as verdadeiras propriedades e os possíveis riscos do uso da substância no rótulo, para que o consumidor possa decidir se quer ou não quer aquilo para si, o governo decide que ninguém deve querer aquilo para si, mesmo que queira.

      Mas temos toda liberdade de reclamar, claro.

  16. Eduardo Muniz

    24/07/2012 — 21:49

    Sempre que minha mãe vem me falar de alguma notícia do JN eu fico me perguntando “qual a utilidade disso”?
    Parando pra assistir o jornal não fica mto implicita essa superficialidade das notícias. Eu sempre achei que o Bonner, a Fátima ou seja lá quem for deveria fazer uma crítica ou algo do tipo…
    É realmente triste isso.
    De qualquer forma, existe a internet e essa geração que lida com ela desde pequena não vai crescer e se tornar parte daquele padrão de brasileiros que assiste o jornal, a novela e vai dormir. Ao menos é o que eu acho né… a esperança ta sempre no futuro

    1. Eu queria ser otimista assim. Mas depois de ler diversas vezes “dá p/ resumir aê” após uma postagem de 2048 caracteres no Orkut… sei não.

      Vê se alguém tem paciência para ler isso uma das maiores obras da literatura mundial de todos os tempos “porque é comprida demais”:

      Parte 1: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=17707 1,82 MB

      Parte 2: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=17708 1,76 MB

      Total: 3,58 MB

      E uma deliciosa obra derivada de nossa literatura: http://www.youblisher.com/p/225352-LOBATO-Monteiro-Dom-Quixote-das-Criancas/ Para fazer o download basta clicar na flechinha que aponta para baixo.

  17. Para que serve o Jornal Nacional?

    R: Para a gente apreciar a beleza do apresentador,rs.

    1. Afff… Nem pra isso. 🙁

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