Os piores crimes são os mais chocantes ou os crimes mais chocantes são os piores? A questão não é trivial como saber se Tostines vende mais porque é fresquinho ou se é fresquinho porque vende mais. Nos dois paradoxos, se estiver correta a primeira alternativa, estaremos no reinado da ética. E, se estiver correta a segunda alternativa, estaremos no reinado da estética. São dois mundos muito diferentes. 

Este artigo nasceu a partir deste comentário do Elvis:

“Pelo que entendi do espírito do seu artigo, o problema que você acha pior é a ocorrência crimes que chocam, como uma mãe torturar e drogar uma filha, e não um assassinato mais genérico, tipo um jovem morto pelo tráfico por dívidas.” (Elvis)

“Sim e não”, comecei a responder, mas logo percebi que a resposta era mais complexa do que parecia. 

Por um lado, todo ato egoísta que gera dano ou sofrimento desnecessário ou evitável a terceiros – sendo que os atos mais graves deste tipo costumam ser chamados de “crimes” na maioria das sociedades – é reprovável.

Por outro lado, alguns destes atos são realmente mais reprováveis do que outros, tanto porque causam danos maiores ou sofrimentos mais intensos quanto porque dependem de atitudes ou pressupostos ainda mais vis e degradantes.

Assim sendo, um traficante balear o outro no meio de uma guerra por território, ou um cliente endividado para dar o exemplo, é um ato reprovável e provavelmente causa mais dano físico que uma queimadura de cigarro… mas a vileza e a degradação moral necessárias para uma mãe queimar a língua da própria filha de um aninho e cinco meses são muito piores que as necessárias para dar um tiro em um desafeto não aparentado. 

Então, não é que eu ache piores os crimes que chocam, é que eu me choco mais com os crimes piores – e com o descaso e imobilidade geral perante a ocorrência de tais crimes, fatores que me levaram a perguntar “o que há de errado com a humanidade“. Mas assim sou eu, um indivíduo extremamente preocupado com a ética. 

Desconfio que meu modo de pensar e sentir seja uma exceção nesta área também. 

Quando um político – ou uma quadrilha com mais de 500 deles – desvia verbas da saúde e da educação para colocar metade nas próprias cuecas e metade em esquemas de superfaturamento de obras inúteis como estádios de futebol, muitas pessoas morrem nas filas das emergências hospitalares por falta de atendimento adequado e muitas pessoas se desviam da cidadania para a criminalidade por falta de boa orientação adequada. Mas eu não vejo o povo dizer que desvio de verbas públicas é pior que homicídio, embora mate mais gente e destrua mais famílias. 

Com o que se conclui que o mundo está a porcaria que está por causa da solução errada do Paradoxo Tostines. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 25/07/2012 

22 thoughts on “O Paradoxo Tostines e a reação social à criminalidade

  1. Uma dúvida: a lei da palmada não deveria coibir esses crimes chocantes?

    1. Falta muito ainda para o pessoal entender que só quem cumpre as leis são as pessoas para as quais não seria necessário haver leis.

  2. Para uma pessoa quem detém o senso ético e empatia, tal colocação colocada pelo comentarista soa horrivelmente relativista.
    Não dá para mensurar qualquer ato ofensivo ainda mais quando se trata de tortura e assassinato, são dois delitos graves a honra e a dignidade alheia.Pior ainda quando se trata de tortura, não tivemos vítimas da tortura na época da ditadura militar, então? Vão me dizer que há diferenças de torturas nas ideologias seja ela de esquerda ou de direita?
    O assassinato e tortura são atos de desumanidades extremas onde se mesclam a crueldade e completa desvalorização do sentido da vida, não cabem comparações, são chocantes do mesmo jeito.Não há meio termos para essas coisas horrorosas.

  3. Acho legal você usar um comentário meu para refletir e fazer um artigo.
    Mas eu gostaria de deixar claro que eu só estava apresentando a minha interpretação da sua opinião, não a minha opinião, de forma alguma.
    E que o argumento no meu comentário do qual esse trecho foi extraído continua em pé.
    Eu já te critiquei por aderir à discursos de esquerda, por interpretar tudo como relações de poder. Mas nesse caso, eu acho que você está enxergando as coisas errado, vendo perversidade “pra menos” na mídia.

    Como eu disse, aquela tabela não prova que os crimes mais perversos têm ocorrido mais. Pode ser que o número de homicídios que aumentou se referia majoritariamente a homicídios (relativamente) menos perversos. E eu acho que o mais provável é que a mídia simplesmente tenha passado a noticiar mais os “piores crimes”. Você que não está percebendo que isso deve ser uma estratégia da mídia (imperialista, golpista, burguesa!) e não um sinal dos tempos.

    Com o que se conclui que o mundo está a porcaria que está

    Pra quem? Quão limitado é esse comentário? Você fala em nome de dez mil pessoas ou de mil conhecidos? De cinco milhões ou de cinco amigos? De mundo em que um bilhão de pessoas vivem ou do seu mundo, da sua realidade?

    Não precisa citar índices de mortalidade, fome, etc, porque estamos falando sobre o mundo estar uma porcaria, e, obviamente, mortalidade, fome, etc na história são regra geral, e paz e comodidade são excessões.

    Depois, se há algo “mais sinistro” que esteja causando maior ocorrência de crimes, provavelmente devem haver vários efeitos óbvios, várias evidências que você poderia citar suportando essa afirmação. Poderia você fazer isso agora?


    1. “eu gostaria de deixar claro que eu só estava apresentando a minha interpretação da sua opinião, não a minha opinião, de forma alguma.” (Elvis)

      Fica tranqüilo, eu entendi.

      “aquela tabela não prova que os crimes mais perversos têm ocorrido mais” (Elvis)

      Teoria interessante essa… Quer dizer que agora só estão acontecendo “homicídios bonzinhos”? 🙂

      “Você que não está percebendo que isso deve ser uma estratégia da mídia (imperialista, golpista, burguesa!) e não um sinal dos tempos.” (Elvis)

      Elvis, a mídia sempre preferiu mostrar os crimes mais espetaculosos – porque são os que mais trazem audiência. No máximo o que os códigos de ética do jornalismo levam em consideração é não mostrar imagens “fortes demais” – não que eles achem isso anti-ético, é que isso na verdade espanta audiência.

      “Você fala em nome de dez mil pessoas ou de mil conhecidos? De cinco milhões ou de cinco amigos?” (Elvis)

      Não peguei as assinaturas de todo mundo na procuração, mas acho que falo em nome de uns cinco bilhões, mais ou menos. 🙂

      “Não precisa citar índices de mortalidade, fome, etc, porque estamos falando sobre o mundo estar uma porcaria, e, obviamente, mortalidade, fome, etc na história são regra geral, e paz e comodidade são excessões.” (Elvis)

      E não deveriam ser. Ou deveríamos nos contentar com as mesmas estatísticas das zebras nas savanas, com a única diferença que os leões são da mesma espécie?

      “devem haver vários efeitos óbvios, várias evidências que você poderia citar suportando essa afirmação. Poderia você fazer isso agora?” (Elvis)

      https://www.google.com.br/search?q=crime&num=30&hl=pt-BR&safe=off&gl=br&tbm=nws&source=lnt&tbs=qdr:h&sa=X&ei=WKsRUJ__McqO7AGgqYHoDQ&ved=0CCoQpwUoAQ&biw=1024&bih=645

      O link acima é a pesquisa Google para a palavra “crime” na seção de “notícias” do buscador, limitado às ocorrências na última hora. No momento em que fiz a pesquisa, eram cerca de 5.500 resultados. Essa avalanche de notícias de crime por hora serve como indicador?

  4. Para você se convencer, precisa então que alguém próximo de você sofra algum tipo de violência?
    Hummm, sei não, pois simplesmente esses seus argumentos não se sustentam. Vai falar isso para quem sofreu na pele a violência, seja ela direta ou indiretamente.
    Seu ponto de vista é sombrio, há uma evidência clara da negação do fenômeno da violência.
    É provável que você seja uma pessoa amoral, mas há quem acredite que isso possa ser imoral, varia de acordo com o ponto de vista de quem encara o que foi escrito.

    1. Você se enganou, Alexandre, na verdade eu não sou amoral, eu sou sádico, eu escrevi esse comentário claramente para poder celebrar os crimes violentos, como você não percebeu? Talvez você tenha se enganado porque meu ponto de vista é sombrio, mesmo que haja uma evidência clara, ou talvez porque meus argumentos não se sustentam.

      Proponho que todos nos encontremos em um shopping e de carro, para causarmos muito congestionamento e atrapalhar a vida dos outros. Daí vamos afirmar a existência do “fenômeno da violência”, não deixando dúvidas de sua existência, cometendo todo tipo de atrocidades. Depois podemos marcar uma mesa redonda pra decidir se isso é imoral ou amoral; inclusive, podemos espancar alguns mendigos e chamá-los para debater, visto que quem sofre na pele a violência é o critério para saber se os argumentos se sustentam ou não. Ah, e claro, qualquer coisa a gente depois diz que é tudo culpa do capitalismo que oprime, e de uma tendência recente de “fascistização” (e a gente fala qualquer coisa com Hitler… sempre funciona), e da loucura da sociedade burguesa e consumista da contemporaneidade pós-moderna.

    2. O amor está no ar…

  5. Só passei pra avisar que ao invés de responder sua SMS sobre Avenida Brasil com outra SMS, resolvi fazer um Post no Lacônico.

    Fugi ao viés do seu comentário propositalmente.

    1. Vai ter troco. 🙂 Só não veio hoje o troco porque a notícia de um colega que assassinou a mulher e o filho deram um “reset” na minha cabeça.

  6. Mas assim sou eu, um indivíduo extremamente preocupado com a ética
    Isso foi uma alfinetada por que eu disse que essa tua ética era imaginária, Arthur? :p HAHAHA

    1. Não, seu megalômano… Falei porque é verdade. 😉

  7. Eu fui megalômano mesmo, mas foi só brincadeirinha. Mas essa tua resposta foi uma boa cortada, vou anotar no meu caderno.

    Eu acho provável que a mídia tenha se tornado mais eficiente em noticiar os crimes que dão mais audiência. Eu não disse que a mídia não fazia isso no passado ou que não adotava essa estratégia no passado.

    E sim, o que eu disse foi que essa estatística não comprova que a ocorrência de homicídios relativamente (eu havia usado essa palavra) mais perversos aumentou. Como você deu a entender no outro artigo que pensava que a explicação para o aumento da violência tinha a ver com algo muito sinistro, eu supus que o aumento dos homicídios relativamente menos perversos, embora obviamente indesejável, não era o que te levou a fazer tal suposição.

    E eu não vejo porque um aumento no número total de homicídios necessariamente levaria a um aumento no número de homicídios relativamente mais cruéis, como uma tortura de filho pela mãe.

    Os resultados do Google também podem refletir uma maior eficiência da cobertura jornalística dos crimes, apenas.

    E eu não acho que devemos nos contentar com estatísticas de leões e zebras, mas acho que se assumirmos que um fator que foi mais ou menos constante ao longo da história torna o mundo uma porcaria, o mundo sempre foi uma porcaria. Se a taxa de homicídios sempre foi alta (não sei se isso é verdade, é uma suposição, também), e isso torna o mundo uma porcaria, o mundo então sempre foi uma porcaria. Mas eu acho que a qualidade do mundo é subjetiva, e que muita gente não o acha uma porcaria, e não o achou, ao longo da história.

    Mas me esclareço e repito para não ser mal interpretado: eu acho válido e interessante nos esforçarmos para tornar o mundo melhor, e acho muito legal você pensar em meios de fazer isso.


    1. “Eu fui megalômano mesmo, mas foi só brincadeirinha. Mas essa tua resposta foi uma boa cortada, vou anotar no meu caderno.” (Elvis)

      Afffff… Nem percebi que aquilo podia ser interpretado como uma cortada. Eu estava rindo às pampas quando escrevi e a intenção foi só brincar. Desculpa aí, não foi intencional.

      “Mas me esclareço e repito para não ser mal interpretado: eu acho válido e interessante nos esforçarmos para tornar o mundo melhor, e acho muito legal você pensar em meios de fazer isso.” (Elvis)

      Pois é, camarada, no fundo esse é o foco do blog todo. Quando eu vi a figurinha do Darwinito serrando alegremente o galho no qual ele está sentado eu pensei: isso aqui é a essência da estupidez humana.

      Revelação bombástica: por muito pouco o sub-título do blog não foi “um blog sobre a estupidez humana”. Até hoje penso em alterar – ou alternar – mas mantenho como está porque sei que, embora a audiência provavelmente fosse aumentar, a qualidade dos comentários despencaria.

      E o que me irrita mesmo é que o Darwinito não está nem aí para o risco que o ameaça, enquanto eu fico aqui me preocupando com o tombo dele e com a possibilidade de o galho cair em cima de mim.

  8. Ahhh!!!
    Finalmente saiu do relativismo( Ou será que não).
    Por que que tenho de colaborar com o congestionamento, sendo que estou tentando fugir dela? Ficou maluco?
    Realmente você é um sádico.Você não é amoral, é simplesmente imoral,onde se já se viu deleitar-se com a desgraça alheia e ainda colaborar com isso.
    Credo!!!
    O sistema econômico tem pouco haver com a natureza violenta do homem,ou então você acredita na alienação que Marx profetizou?Justo você o defensor voraz do capitalismo.Por que ressuscitar o marxismo, sendo que a história já demonstrou o seu verdadeiro fracasso?
    Nem os próprios comunistas acreditam mais nisso.
    O homem desde os primórdios tem em sua natureza a violência inerente, a ganância, a tirania e agressividade, sempre fez parte do homem, está no instinto animal dele.
    Infelizmente mesmo com todos os avanços feito pelo homem, não conseguiu sobrepujar esse lado negro,pelo frigir dos ovos ele está sendo consumido por isso, mesmo sabendo que toda a ira pode prejudicar a si mesmo, mas pelo jeito não há uma luz no fim do túnel, parece que a sede de sangue está nublando o raciocínio que tanto se gabam.
    Você escreveu aquilo porque considera a sua verdade, portanto não espere outra reação, além daquela da qual eu escrevi.
    Você não saiu do relativismo, pelo contrário está até aprofundando.É lamentável.

    1. Calma! Ele estava apenas sendo irônico! Zoando!

  9. Espancar pessoas, que atitude mais cruel e covarde que você menciona.E quem disse que pode fazer isso? Não cabe discussão, é a modalidade mais antiga da transgressão humana, aliás tem gente espancando pessoas por ai,não são os mendigos. Temos alguns casos feitos por um colega ao outro.
    Foi divulgado recentemente na mídia, duas garotas adolescentes que espancaram até matar a outra, por simples motivo de ciúmes.Que descontrole emocional é esse? Parece animais.
    Capitalismo, Socialismo, seja qual for o sistema econômico, o problema não está no regime vigente, e sim na corrupção que está embutido. Dizer que o capitalismo é fonte de toda a violência é no mínimo pueril.Só os idiotas acreditam nisso.
    Não quero revolução, revolução não resolve, pelo contrário só agravam os problemas, só destrói para entrar o outro pior que o anterior, é uma falácia.É a pior revolta, pois ela por si não tem o menor sentido.A história já demostrou isso, vimos na Revolução Francesa, já vimos na revolução russa de 1917 entre outros que nem vale mencionar.Muita matança e pouca resolução.
    Desejo evolução, quero que a teoria de Darwin seja provada, ou se não estaremos correndo aos passos largos da extinção bem aos estilo dos dinossauros.Aqueles que contemplaram a sua própria destruição, diferente deles, os humanos alienados se deliciam como os sádicos.

  10. Espancar pessoas é ato covarde, é a modalidade mais antiga da covardia do ser humano perante o seu semelhante mais fraco.É submeter aos caprichos mais toscos da maldade humana aliada a sua vaidade. Vislumbramos isso nas pessoas sádicas e tiranas.
    Teve um caso recente que foi divulgado na mídia, cuja duas adolescentes por um motivo tolo de ciúmes, espancou até a morte a outra colega. Diga-se de passagem que o espancamento é também um ato de tortura.Nem cabe discussão uma coisa dessas ainda mais no aspecto ético-moral.
    Dizer que o capitalismo fomenta a violência, é uma visão pra lá de pueril, ou você está dando razão para a alienação colocada por Marx, nem os próprios comunistas acreditam mais nisso. Diga-se de passagem que o marxismo é um fracasso retumbante, pra que ressuscitar isso, oras pois?!!!!!?????
    O problema não está no capitalismo ou socialismo ou qualquer outro regime econômico vigente, está na corrupção de quem detém o status quo. Teoricamente o capitalismo é brilhante e aplicável empiricamente, não sei que diabos você tem, em criar conspirações contra o sistema econômico?
    Quem não é crítico? Só os conservadores que acreditam que está uma maravilha, quando está evidente que não está, está precisando uma nova evolução, e pessoal confunde com revolução.Revolução é falácia.Já vimos essa história anteriormente e nem vale mencionar…
    Quanto as últimas colocações, é mera ficção e birra infantil, por que mencionar essas coisas, a troco do quê?
    Não prova nada, só prova que não passa um esquerdista enrustido ou direitista perdido no próprio argumento no exercício de sadismo…

  11. “Mas eu não vejo o povo dizer que desvio de verbas públicas é pior que homicídio, embora mate mais gente e destrua mais famílias”

    Eu tava achando ótimo, até aqui. Isso é falso! O desvio de verbas não mata. Se a pessoa está numa fila de hospital, e morre, ela morreu por causa da doença, e não por falta de atendimento. O atendimento poderia, sim, curá-la, mas daí extrapolar e dizer que foi a falta do atendimento que a matou é uma falácia…

    1. Depende de quanto tempo dure a “fila”. Fila não é só gente em pé, é qualquer lista ordenada. Uma fila para cirurgia que demore meses por falta de leitos, profissionais ou equipamentos pode matar. Isso porque do ponto de vista que rege a atuação de um profissional da área da Saude, deixar de atender É matar. Negar atendimento é crime.

      Você não pode separar doença de atendimento/falta de atendimento, a pessoa doente existe num contexto biosociopolíticoeconômicoetcetc. O desvio de verbas afeta todo esse contexto, e é parte do processo que leva à morte. Sem esse desvio a pessoa teria atendimento e viveria. Então vendo o quadro todo o desvio de verbas foi o diferencial que causou a morte sim.

    2. No início da epidemia da AIDS era muito comum os médicos registrarem que o paciente com AIDS tinha morrido de pneumonia, porque a bactéria oportunista Pneumocystis carinii (recentemente reclassificada como fungo unicelular e renomeada para Pneumocystis jiroveci) infestava os pulmões do paciente e o matava sufocado.

      A questão é que este é um microorganismo que reside normalmente nos pulmões humanos sem causar qualquer dano. Ele só mata pacientes imunodeprimidos – caso dos pacientes com AIDS, Síndrome da ImunoDeficiência Adquirida.

      Dizer, portanto, que “quem matou este paciente foi a pneumonia” é uma meia-verdade – o que significa que é também uma meia-mentira. O que matou esse paciente foi uma pneumonia que jamais o teria matado se ele não tivesse AIDS. Portanto, quem realmente o matou não foi a pneumonia, foi a AIDS – por intermédio da pneumonia.

      Do mesmo modo, não julgamos a faca ou o revólver por um homicídio e sim a pessoa que estava segurando a faca ou o revólver. Há um ponto de vista pelo qual se poderia dizer que quem matou a vítima foi a faca ou a bala… Mas de quem é a responsabilidade por essa morte? Do indivíduo que manejou a faca ou o revólver, claro.

      Então, quando dizemos que uma doença matou uma pessoa na fila da emergência, quando ela poderia ter sido salva por um atendimento adequado que não foi possível devido a um desvio de verbas, isso é uma meia-verdade. De quem é a responsabilidade por essa morte? Do indivíduo que manejou a maracutaia, claro.

  12. Ou seja a soma de outros fatores que conjugado, temos o que temos. Tudo isso é consequência.
    Do desvio de verba, à falta de recurso e a burocracia que é criada em função disso, pois todos os trâmites faz com que o dinheiro chegue com mais lentidão,punindo de fato não os delinquentes e sim quem não tem nada a ver com as mazelas.

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