Pouca gente está entendendo o que eu quero dizer quando questiono “onde estamos errando” em artigos como “Mãe tortura e droga a filha de um ano e cinco meses” e “Chegamos a conhecer as pessoas?“. Vejamos se agora as coisas ficam mais claras. 

Por “nós” eu estou me referindo à humanidade. Estou incluindo tanto o erro da mãe que tortura e droga a filha quanto o erro do pai que mata a esposa e o filho – e também os erros das pessoas próximas desta mãe e deste pai, e também os erros das autoridades que gerenciam o país em que estas pessoas vivem ou viviam, e também os erros das diversas instâncias supra-nacionais que gastam muita saliva, muito papel e muito dinheiro para produzir resultados nulos ou pífios, e também o seu erro, caro leitor, que não está nem aí para tudo isso e alega que “não pode fazer nada” enquanto reclama que alguém deveria fazer alguma coisa. Por ação ou omissão, somos todos culpados. 

Vejamos o caso do “Monstro da Tristeza”. Aquele sujeito era funcionário público e trabalhava na mesma instituição que eu há anos. Estava casado há cerca de uma década. Tinha familiares, amigos e colegas que viram inúmeros sinais de que havia alguma coisa errada e não se importaram , não tomaram qualquer atitude para ajudar o sujeito a lidar com suas angústias e problemas – que podem até mesmo ser problemas fisiológicos dos quais ele não tenha culpa alguma. 

Por exemplo: 

A enfermeira Márcia Calixto Carnetti, 39 anos, cujo corpo foi encontrado na quinta-feira pela manhã em uma casa na zona sul de Porto Alegre, era ameaçada havia meses pelo marido, o bioquímico Ênio Luiz Carnetti, segundo o delegado Cléber dos Santos Lima, da 1ª Delegacia de Homicídios.

Na tarde desta sexta-feira, o delegado ouviu a empregada da família e colegas de trabalho de Márcia.

Todas referem que sabiam da relação tormentosa da vítima com o suspeito. A Márcia inclusive referiu para colegas de trabalho que se ela fosse para o céu, o culpado seria o Ênio, porque ele já tinha ameaçado ela. O depoimento da empregada corrobora esse fato — afirma Lima.

Segundo o delegado, Márcia não prestou queixa na polícia, embora tenha sido orientada por colegas a fazê-lo, porque acreditava que o marido seria incapaz de concretizar a ameaça. 

Nos últimos meses, últimas semanas, a coisa se tornou mais acintosa, porque decerto ele começou a desconfiar mais da traição dela.

Fonte: Zero Hora.

E tem mais: 

Uma amiga de Márcia Calixto Carnetti, 39 anos, que teve identidade preservada por segurança, disse a Zero Hora que Ênio Luiz Carnetti, 46 anos, perseguia a mulher no trabalho:

— Ele ficava na frente do trabalho, escondido, espiando. Ligava várias vezes. Era uma posse doentia.

As entrevistas tomadas pela Polícia Civil até o momento confirmam a versão da amiga. De acordo com o delegado Cléber dos Santos Lima, Ênio era um homem possessivo e ciumento:

— Ele ia no trabalho dela de surpresa, ligava três, quatro vezes por turno — relata o delegado. 

Fonte: Zero Hora

Quer dizer… este caso todo é a crônica de uma tragédia anunciada.

Todos sabiam que algo estava muito errado, mas ninguém interferiu de modo resolutivo.

A própria vítima sabia que estava correndo risco de ser assassinada e não levou a sério o risco, não tomou nenhuma providência para garantir a própria segurança, simplesmente seguiu a cartilha burocrática de pedir a separação e esperar uma decisão de terceiros! Mas peraí… a pessoa que dorme a seu lado diz que desconfia que você a está traindo e que vai lhe matar e você simplesmente vira pro lado e continua dormindo?! 

Os familiares, amigos e colegas da vítima sabiam que o ciúme do sujeito era doentio, sabiam do comportamento abusivo do sujeito, sabiam das ameaças… e se limitaram a aconselhá-la a prestar queixa?! Porque eles mesmos não prestaram queixa?! 

Mas não é só isso. Parece que tudo é feito para não funcionar. 

Por exemplo: 

O principal suspeito, Ênio Carnetti, de 46 anos, foi preso em flagrante, mas não foi ouvido ainda porque está internado no Hospital de Pronto Socorro. Ele tentou o suicídio se esfaqueando e pulando da Ponte do Canal Furado, na BR-290. De acordo com o delegado Cleber Lima, responsável pelo caso, o homem só será ouvido após a alta.

– Ele deve ter todos os direitos garantidos, inclusive o direito a uma boa recuperação sem a influência de agentes externos, que no caso seria nós. Seria um trauma pra ele, vamos esperar ele ter alta e aí vamos ouvi-lo – afirma [o delegado]. 

Fonte: Rádio Gaúcha

Mas que raios?! O sujeito trucida a própria família a facadas, matando a esposa no dia do aniversário e o filho de cinco anos que estava dormindo… E o delegado resolve esperar para interrogá-lo somente após a alta hospitalar para não traumatizar o coitadinho?! É piada?? 

Esse é o tipo de palhaçada que queima o filme dos Direitos Humanos. É óbvio que “ele deve ter todos os direitos garantidos” em um Estado de Direito, mas não existe o “direito de ter tempo para inventar uma história para enrolar a polícia”. Se o sujeito não estiver correndo risco de morte ou seqüela física em caso de demora de atendimento médico, a boa técnica policial é interrogá-lo o quanto antes

E não é só isso. 

Assim que o sujeito foi identificado como suspeito de ter cometido um crime bárbaro e chocante, por que não temos previsão legal para obter dados para estudo quanto à fisiologia e à mente destes indivíduos?! 

Muito pouco ou quase nada é sabido sobre o que leva alguém a cometer um ato absurdo como o deste episódio. Então, por que ninguém jamais se lembra de produzir um protocolo de investigação adequado para que possamos obter mais conhecimento e melhor entendimento sobre estes casos? 

Por exemplo, eu faria, numa primeira aproximação, uma coleta de sangue, uma coleta de líquido cefalorraquidiano e um PET-SCAN ou SPECT-SCAN durante o interrogatório policial. A partir de um conjunto de exames sobre este material talvez se possa começar a rastrear alguma  alteração metabólica ou alguma particularidade do funcionamento do cérebro de indivíduos que cometem atos aberrantes como assassinar a própria família. Mas isso tem que ser feito o mais rápido possível, não depois da alta hospitalar. 

Mas quem se importa? 

Os Conselhos de Medicina estão mais preocupados em impedir o acesso do cidadão às drogas que ele deseja comprar. 

Os políticos estão mais preocupados em aproveitar estes casos para “exigir leis mais duras” depois da porta arrombada. 

O povo quer mais é futebol e novela e reclamar que nada funciona porque os médicos e os políticos é que têm que fazer alguma coisa. 

E as pessoas que se importam em sua maioria não se importam o suficiente para se organizarem e buscarem uma soluções para o mundo. 

Por isso eu digo que o “Monstro da Tristeza” também é uma vítima.

Ele é uma vítima da negligência e da inação de todas as pessoas ao redor dele que não o ajudaram a repensar seus valores e lidar melhor com suas angústias.

Ele é uma vítima da negligência e da inação de todas as pessoas que não o pararam quando ele passou a apresentar atitudes abusivas. 

Ele é uma vítima da negligência e da inação de todas as pessoas que não estudaram casos semelhantes ao dele no passado para identificar o nível de risco que ele representava para terceiros e para si mesmo. 

Ele é uma vítima da negligência e da inação de todas as pessoas que não legislaram de modo a priorizar a busca de conhecimentos necessária para lidar com as mazelas psicológicas que geram a violência. 

Ele é uma vítima da negligência e da inação de todas as pessoas que não se importam e dizem que essas coisas não são problema seu e que não podem fazer nada a respeito. 

Ele é uma vítima da negligência e da inação de todas as pessoas que não se esforçam para buscar soluções para este mundo corrompido e depravado. 

Todos acham ruim quando alguém comete uma monstruosidade. 

Só eu acho uma monstruosidade a omissão geral perante o sofrimento evitável? 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 30/07/2012

46 thoughts on “O “Monstro da Tristeza” também é uma vítima

  1. Penso que um caso desses é como um acidente de avião. Muitos aspectos colaboram para o resultado final, mas dado o contexto, algum evento sempre será o mais importante. Nesse caso, a recusa da mulher em procurar ajuda ou sair de casa foi decisiva. Para mim, vítima só a criança.

    1. Pois é, este é um daqueles casos em que a culpa em parte é da minissaia: http://arthur.bio.br/2012/05/25/comportamento/a-culpa-e-da-minissaia-em-parte-e

  2. Manga-Larga

    30/07/2012 — 18:54

    Eu também acho que pouco poderia ser feito. E uso um caso particular pra exemplificar. Minha irmã também está envolvida em um relacionamento doentil, onde ela inclusive é agredida. Já tentei intervir e como resposta fui hostilizado por ela, que partiu em defesa de seu “companheiro”. Como ela é uma maior de idade, e como sou defensor das liberdades individuais, e como ela já manifestou que não quer que ninguém interfira, fico apenas de longe lamentando o problema e torcendo para que nada de pior aconteça. Pobre dos filhos que sofrem mais do que os adultos. Caso complexo por certo! No caso dela ao menos, de acordo com os fatos minha irmã cita seu conjuge como um ótimo marido ou um ser desprezível. Mas os conceitos mudam tão fácil quanto os dias. Cheguei a conclusão que trata-se de um karma só dela e pouco posso fazer.

    1. O que eu acho que deve haver nestes casos é coerência. O que mais importa não é se a tua decisão vai ser de denunciar o caso à polícia ou não (a não ser que o cara espanque ou maltrate os filhos menores de idade, caso em que eu considero a denúncia obrigatória), mas como tu vais tomar a decisão e como vais agir após um eventual desfecho trágico.

      É possível simplesmente ignorar o caso em nome da liberdade dela de escolher se arrebentar como bem entender? É, desde que ela esteja em plena posse de suas faculdades mentais, que aja de livre e espontânea vontade, que conheça as diversas alternativas com suas respectivas conseqüências, que possua um código de valores consistente para avaliar a situação e que saiba articular verbalmente estes valores de modo coerente e compreensível por terceiros. Isso é a mesmíssima coisa que eu sempre digo a respeito dos usuários de drogas.

      Mas atenção: existe uma diferença entre o cara que fuma um baseado no final de semana para relaxar e o cara que fuma vinte a quarenta pedras de crack todo dia e não consegue mais funcionar de modo saudável.

      Então, se achas que tua irmã preenche todos os requisitos necessários, então tua escolha está perfeita – mas deves estar preparado para não te surpreenderes nem sofrer com um eventual desfecho trágico.

      Mas, se achas que algum destes requisitos necessários estão ausentes, então podes chegar para a tua irmã, munido do link deste artigo e deste comentário que faço, e dizer para ela o seguinte: “eu não quero ver acontecer contigo isso que aconteceu com esta vítima; eu me sinto na responsabilidade de defender tuas liberdades individuais, mas eu também me sinto na responsabilidade de fazer alguma coisa para te defender caso estejas fora de condições de tomar decisões conscientes, bem informadas, adequadamente valoradas e conseqüentes; portanto, se quiseres que eu não interfira, tu deves me provar que tens esta capacidade com um laudo psiquiátrico… caso contrário eu mesmo vou denunciar teu caso e agüentar as consequências de ser odiado por ti, porque isso é melhor do que a culpa que vou sentir caso sejas aleijada ou morta sem que eu tenha feito nada nem para te proteger, nem para me certificar de que eu não deveria interferir.”

      Isso seria o melhor dos mundos. Claro que eu sei que as emoções, o histórico familiar, a esperança de que tudo vai dar certo no final e outros fatores são complicadores difíceis de lidar, mas fica aqui a idéia para tua análise.

  3. Penso que um caso desses é como um acidente de avião. Muitos aspectos colaboram para o resultado final, mas dado o contexto, algum evento sempre será o mais importante. Nesse caso, a recusa da mulher em procurar ajuda ou sair de casa foi decisiva. Para mim, vítima só a criança. [2]

    Nada mais que um contexto bárbaro gerado a partir de um monte de pequenos erros.

    1. É por isso que qualquer caso deste tipo precisa de uma meta-análise. Tomados individualmente, pequenos erros são pequenos erros. Tomados em conjunto, pequenos erros são grandes erros.

      E isso que eu nem estou metendo Teoria do Caos na parada, porque de acordo com o Efeito Borboleta pequenas causas podem produzir grandes resultados. Já é bem complicado nos 99% de casos em que o mundo se comporta de modo mais euclidiano-cartesiano para eu meter Mandelbrot, Poincaré e Lorenz na jogada…

  4. o que voce queria que fosse feito?

    1)que a mulher que participa da doenca mental do marido (que ‘e comum e exemplificado por Manga-Larga), tivesse um momento de lucidez e fosse denunciar o marido? E entao sacramentar o risco, que antes da denuncia era teorico e depois passa a ser oficial?

    2) Que uma PET/CT ou exames de sangue digam alguma coisa sobre as causas da psicopatia do elemento?!

    3) que algum amigo fizesse a denuncia pela vitima, e depois fosse taxada de idiota por todos, casal, familiares, delegado etc, pois em briga de marido e mulher nao se mete a colher?

    4) se voce trabalha com o elemento ha anos, porque nao fez alguma coisa? ele nao te deu elementos suficientes para que tomasses uma atitude?

    arthur estes questionamentos sao todos teoricos.

    A mulher tentou num momento de lucidez se separar do marido, mas as coisas pioraram pois o fato alimentou os delirios paranoides do psicopata. E qdo nao estamos falando de favelados, que ‘e so’ sair de “casa” pois nao ha’ bens em jogo, e’ uma coisa, mas familia de bairro nobre com filho, a coisa e’ muito diferente…

    Alem disso, para continuarmos vivos precisamos do mecanismo de defesa negacao ativo. A mulher nao pode imaginar que o cara fosse fazer de fato algo contra ela ou conttra o filho, afinal, ela o conhecia ha’ anos, conheciam-se as familias, etc…

    Eu te disse que me mandei de perto de meu ex-marido, quando senti algo no ar, mas foi facil, pois eu nao tinha filhos com ele, e nao dependia dele para sustento…e foi exagero? nunca saberemos.


    1. “o que voce queria que fosse feito?” (Paula)

      O seguinte, Paulinha:

      1) Que a mulher tivesse não somente um instante de lucidez mas uma estratégia lúcida para lidar com a situação. Pedir a separação num caso de ciúme doentio é a mesma coisa que denunciar na polícia.

      Quando ela tomou a decisão de se separar, devia ter se separado de fato, mudando-se para outra moradia (de preferência a de algum parente próximo e confiável, ou de um amigo ou amiga com quem pudesse contar, ou para um apartamento alugado) e no mesmo dia deveria registrar ocorrência e entrar com a ação de separação.

      E, na boa, a hora certa de fazer isso é na primeira ameaça grave.

      2) Que sejam feitos estudos sobre estas condições. Eu citei exames de sangue, líquido cefalorraquidiano e a PET-SCAN durante interrogatório porque estes são os lugares mais óbvios para começar uma investigação. Muitas anomalias metabólicas podem ser detectadas com uma longa série de exames dos dois primeiros materiais e tenho a forte intuição de que a comparação do funcionamento do cérebro em funcionamento destes indivíduos com indivíduos normais saudáveis pode trazer boas pistas para investigação.

      3) Que algum parente, amigo ou colega fizesse isso: http://arthur.bio.br/2012/07/30/comportamento/o-monstro-da-tristeza-tambem-e-uma-vitima/comment-page-1#comment-160177

      4) Trabalhei no mesmo corredor que ele por alguns meses e nunca vi ou fiquei sabendo de nada suspeito naquela época. Depois saí daquela seção e daquele prédio, tendo perdido completamente o contato com ele e com as colegas daquela seção. Como fico na minha e não troco fofocas com ninguém aqui, nunca fiquei sabendo de nada. Igualzinho ao Lula. 😛


    2. “arthur estes questionamentos sao todos teoricos.” (Paula)

      Argh… Se soubesses o quanto esse uso da palavra “teoria” me incomoda… Grunf!

      Paulinha, todo questionamento é teórico. Não existe “questionamento prático”. Se for prático, então não é questionamento, é ato. Ninguém pensa a não ser de modo teórico, então não faz sentido essa suposta crítica!

    3. Sobre a última parte de teu comentário (numerado para facilitar resposta, se quiseres responder):

      5) Sim, ela alimentou os delírios dele. Por isso eu disse que não se deve pedir a separação e continuar dormindo ao lado de quem nos ameaça.

      6) Para a família de bairro nobre com filho a separação é mais fácil do ponto de vista econômico, pois não existem limitadores como “e agora, onde eu vou morar?” – o problema é bem outro, é não querer se incomodar, não querer vexame, não querer ser apontado como precipitado ou intolerante, etc. Frescuras que matam.

      7) O mecanismo de defesa “negação” ativo é um perigo! Não entendi essa tua afirmação.

      8) Não há o que saber sobre uma situação que nunca aconteceu nem nunca acontecerá. O que há é a medida mais razoável a ser tomada agora. Se o risco te pareceu suficiente para o afastamento, então agir de acordo com essa percepção foi o melhor. Pior teria sido achar uma coisa e agir como se achasse outra.

    4. Sim Arthur, nos concordamos que a mulher tinha que ter se separado, sumido, dado parte, se protegido e protegido a seu filho. Mas eu e tu falamos facil, DEPOIS do fato, e NAO CONTIDOS no ambiente familiar…

      A mulher que ‘e ameacada ou agredida tem maior risco de morte ou injuria fisica causada pelo marido ameacador ou agressor. Ha’ dados em todos os paises para isso. E’ tao gritante que ‘e ate’ tema de novela. Mas a mulher que ‘e parte desde casal esta’ doente e precisa de ajuda para desfazer o relacionamento e abrir mao do “investimento de vida” no sujeito, com direito a filho, etc. Nao ‘e assim simples. Pergunte aos psiquiatras que frequentam teu blog.

      Qto aos exames para detectar marcadores de doenca ou de risco de atitudes agressivas e perigosas, infelizmemte a ciencia ainda esta’ longe de desenvolver este metodo. O teu impeto ‘e correto: partir de um caso para definir um perfil. Mas estes eventos tendem a ser multifatoriais (multiplos genes, mais fator ambiental passado e presente, mais presenca ou nao de substancias intoxicantes que possam interferir no evento). Alem disso, dada a complexidade dos exames exploratorios atuais com tecnologia “high througput” para rastreio de genes, RNA ou proteinas, seria necessario mais de 50 casos muito semelhantes, com coleta de amostras em momento validado (e’ na hora? ‘e antes? ‘e 1 dia depois? 7 dias depois?), mais os mesmos 50 casos de pessoas comparaveis mas “normais” (defina normalidade) para comparacao e exploracao de marcadores em potencial. Isso se for um modelo mais barato de estudo caso-controle onde se parte do desfecho. Eu nao sei quantos centros de pesquisa no Brasil tem acesso a este tipo de tecnologia (high throughput). Entao, por isso disse ser teorico.


    5. “Mas a mulher que ‘e parte desde casal esta’ doente e precisa de ajuda para desfazer o relacionamento (…)” (Paula)

      Sim, nem preciso perguntar, afinal foi justamente por isso que eu dei aquela dica lá em cima para o Manga Larga.

      “(…) estes eventos tendem a ser multifatoriais (…) seria necessario mais de 50 casos muito semelhantes, com coleta de amostras em momento validado (…)” (Paula)

      Paulinha, Paulinha… Se eu tiver três casos destes, com coleta de amostras no momento “o quanto antes”, e encontrar uma mesma proteína anômala em dois deles, já terei material suficiente para sugerir uma hipótese de alta relevância e de alta probabilidade de correção.

      Daí a delinear um bom estudo exploratório eu sou The Flash. 🙂

      O problema é que ninguém está fazendo nada neste sentido. Nem sequer “alguma” coleta de dados se tem. Nada. Zero. Temos centenas ou talvez milhares de cobaias adequadas que poderiam ser estudadas nas prisões e nada de alguém fazer algum estudo desta natureza.

    6. e qual seria o metodo fantastico para identificar esta uma proteina diagnostica desconhecida no sangue de 3 pessoas que cometeram assassinatos?

    7. Ué, temos tantos métodos disponíveis… Que tal algum tipo de cromatografia ou de espectrometria? O importante é começar a fuçar pra ver se achamos algo que não deveria estar lá, ou se não achamos algo que deveria estar lá, ou se achamos o que deveria estar lá em proporções incomuns, ou se nada disso acontecer descartamos esta linha de análise e começamos a procurar outra coisa em outro lugar.

      A minha tese é apenas que devemos começar a procurar alguma resposta. Intensamente. No início o processo pode ser meio aleatório, baseado em “chutes” como o meu, mas com o tempo vão surgindo hipóteses mais razoáveis. O que não dá pra fazer é assistir uma desgraça atrás da outra e não fazer nada pra tentar identificar as causas disso.

  5. O item 1 citada pela Paula é bem coerente, quantos casos ouvimos ou até vemos de forma indireta e no entanto não podemos fazer nada, pois envolve coisas do âmbito privado. Afinal de contas a violência doméstica envolve questões de intimidade e privacidade. Não podemos interferir ao bel prazer, o que torna a questão por si só complexa.
    Quantos casos de violência contra a mulher em que todos estão vendo as evidências e a vítima no caso se auto-nega e pior ainda justifica os abusos do próprio algoz?
    Realmente são poucas que reagem e nessas horas algumas famílias se negam a ajudar, às vezes as vítimas denunciam e obtém mandados restritivos contra ex-parceiros e mesmo assim não funciona.
    Isso lembra o caso de uma cabeleireira assassinada pelo ex diante das próprias câmeras de segurança que ela mesma instalou no salão.(Pelo que consta ela sabia que a própria teria um desfecho trágico). Tinha ido à delegacia uma dezenas de vezes, tinha mandato e tudo mais, a polícia o prendeu? Não, deu no que deu. Ela usou todo os meios que a lei permitiu, e mesmo assim, foi vítima de homicídio.

    E sinceramente cara Paula, essa sua última frase é emblemática, e quer saber?
    É preferível não saber, tem horas que a ignorância é uma benção, na dúvida ainda mais quando se trata de integridade física, a melhor coisa é ter caído fora. Arrependimento nessas horas não tem o menor cabimento. Nunca menospreze sua intuição, seu sexto sentido.Ainda mais quando se trata da intuição feminina, isso eu respeito e muito.


    1. “Isso lembra o caso de uma cabeleireira assassinada pelo ex diante das próprias câmeras de segurança que ela mesma instalou no salão.(Pelo que consta ela sabia que a própria teria um desfecho trágico). Tinha ido à delegacia uma dezenas de vezes, tinha mandato e tudo mais, a polícia o prendeu? Não, deu no que deu. Ela usou todo os meios que a lei permitiu, e mesmo assim, foi vítima de homicídio.” (Alexandre)

      Se isso é verdade, então o tema principal deste artigo está correto: quem está se preocupando, pensando no caso e fazendo alguma coisa para que as pessoas não fiquem assim desamparadas?

      Essa é precisamente a questão central sob análise.

    2. E’ verdade, eu confio na minha intuicao. E acho que homens e mulheres devem fazer o mesmo. Numa ocasiao eu fui convidada a liderar um centro de pesquisas numa cidade tal. Fui la’, fiz varias visitas, me inteirei do lugar, da ciencia, dos pacientes e dos colegas. Ja’ estava separada daquele e ainda solteira. Parecia uma otima, mudava de ares, vida nova, desafios novos, etc…Entao fui conhecendo os “colegas”, um a um. Fiquei sabendo que tinha um “colega” que estava incomodado com minha presenca, por competicao por pacientes, fonte de renda, laureas, fama, espaco fisico, you name it. Um dia conheci o “colega”. Bad vibe. O cara me mostrou sem palavras diretas, que nao me queria por perto e que era agressivo. Eu solteira, mulher, em terra de gente poderosa, e cheia de jaguncos por aqui e por ali…No fim acabei nao indo trabalhar la’, e acho que aquele cara foi uma das razoes. Meses depois da minha decisao o cara estava sendo acusado de mandante num crime, etc, um jagunco dele tinha resolvido um problema que ele tinha… Nao sei se foi condenado e nao interessa…

    3. Aí é que está o problema: interessa, sim. Mas a gente deixa pra lá quando se livra do problema. Aí estoura na mão de outro, e de outro, e de outro… E quantos problemas que estouram na mão da gente não poderiam ter sido evitados se alguém tivesse se interessado antes?

      Eu sei que não é fácil – eu mesmo já passei por isso e deixei para lá. Fui o primeiro colocado inconteste em uma seleção de mestrado (31 concorrentes, 5 provas, 1° lugar em 4 das provas, 2° colocado em uma prova, 12 vagas) e a Comissão de Carreira (sei lá por que esse nome) responsável pelo concurso disse que eu não fui classificado porque “não tinha o perfil requerido”. De fato: eu era o único biólogo entre 30 engenheiros e fui o primeiro colocado na prova de engenharia. Doeu nos calos deles.

      Fiquei furioso. Contatei o Conselho de Biologia e solicitei providências – afinal, minha inscrição fora aceita com o caras sabendo que eu era biólogo. Eu PAGUEI uma inscrição, perdi dois meses estudando para a prova, viajei para fazer a prova, tirei a primeira classificação e fui rejeitado porque era biólogo. No dia seguinte o Conselho me deu um retorno: a Comissão de Carreira já havia respondido a solicitação de informações do Conselho. E respondeu com um fax mostrando o edital do concurso, no qual constava a informação:

      “(…) as provas serão subsídios para a escolha dos classificados (….)”

      Ou seja, era um jogo de cartas marcadas. Dentro de uma instituição pública de nível de pós-graduação.

      O que eu deveria ter feito? Entrado em juízo contra todos os membros da Comissão de Carreira por improbidade administrativa. Afinal, o simples fato de estabelecer tal critério de admissão já é prova de improbidade administrativa.

      Mas, conhecendo bem o Poder Judiciário devido a ter tido vários amigos advogados, que juiz teria vergonha na cara o suficiente para reconhecer isso?

      Assim é. Poucas pessoas têm vocação para Dom Quixote. Mas se uma massa crítica de gente decente se reunisse para fazer política e educação, poderíamos mudar o mundo. Pena que tão poucos topam sair da zona de conforto.

    4. Mas Arthur, eu nao deixei para la’ o assunto que um individuo que mora em outro Estado esta’ sendo investigado por um homicidio. Eu nao tenho nada a acrescentar no caso: nao fui testemunha, nao tenho nenhuma relacao com os implicados, nao trabalho na policia, nao sou legista do caso e nao sou jurista. Eu nao deixei para la’. Eu fiquei sabendo pelo noticiario que havia uma suspeita sobre uma pessoa de outro Estado, sobre um crime que eu sei la’ se ele cometeu!


    5. “Fiquei sabendo que tinha um “colega” que estava incomodado com minha presenca, por competicao por pacientes, fonte de renda, laureas, fama, espaco fisico, you name it. Um dia conheci o “colega”. Bad vibe. O cara me mostrou sem palavras diretas, que nao me queria por perto e que era agressivo. Eu solteira, mulher, em terra de gente poderosa, e cheia de jaguncos por aqui e por ali…No fim acabei nao indo trabalhar la’, e acho que aquele cara foi uma das razoes.” (Paula)

      O “deixar pra lá” a que me refiro é sobre esse tipo de situação. Nós somos ensinados a fazer esse tipo de coisa que tu fizeste – e que eu já fiz também. É nosso padrão cultural, e eu o considero pernicioso.

      Voltemos ao caso do massacre na Noruega, por exemplo. Mais de 85 vítimas fatais. Por quê? Porque no mundo inteiro cada vez mais somos ensinados a mijar perna abaixo, chorar copiosamente e implorar por misericórdia quando alguém engrossa conosco, mesmo que isso nos custe a vida.

      Eu quero uma sociedade em que ninguém tente engrossar sem razão porque sabe que a resposta será à altura no ato. Uma sociedade onde jagunço nenhum se crie, porque tão logo espiche as garras alguém as corte com um machado. Uma sociedade onde abusos simplesmente não são tolerados e onde tentar abusar de alguém resulta em grave risco de injúria física ou cadeia.

      Muita gente aqui não entendeu quando eu disse que não andar de minissaia ou roupas provocantes num bairro barra pesada no meio da madrugada é uma estupidez. “Ah, mas eu tenho esse direito!” Sim, use esse direito com um livro de leis embaixo do braço e seja estuprada e morta. Mas use esse direito com uma .40 na bolsa e saia viva e com o prazer de ter ajudado a melhorar a sociedade como efeito colateral do exercício da legítima defesa contra um agressor injusto da pior estirpe.

      Não defendo morticínio. Não defendo truculência. Não defendo abusos. Mas sou da opinião de que TODOS os cidadãos deveriam seguir as seguintes “diretivas básicas”:

      1. Serve the public trust (servir à população)
      2. Protect the innocent (proteger os inocentes)
      3. Uphold the law (cumprir a lei)
      4. Classified (não tolerar a intolerância)

      Sendo que a hierarquia correta entre elas para mim é 2-1-4-3.

  6. Arthur, acabo de chegar da rua e falei com o porteiro, e quero tirar uma dúvida contigo. Ele é um sujeito pacífico, evangélico mas que antes de se casar gostava de mulherada e brigas, e é mais com nostalgia que arrependimento que ele conta isso. Mas é um cara bacana, brincalhão e que não se envolve em fofocas e conflitos.

    Ele disse que sua cunhada foi pega traindo seu irmão. Ele disse que falou para sua esposa que, caso ela o traísse, a mataria.

    O que eu devo fazer para não permitir que meu porteiro seja vítima de ser um homicida?

    1. Podes não dar em cima da mulher dele. Isso faria muito bem para os três. 🙂

      Piadinhas à parte, creio que as informações que trouxeste já evidenciam que o risco é baixo: “é um cara bacana, brincalhão e que não se envolve em fofocas e conflitos”.

      E o simples fato de teres trazido estas informações já demonstra que as consideras relevantes, ou seja, que tens uma noção de que fatores são importantes na análise.

      Tu não descreveste o porteiro como um cara fechado, ciumento, obsessivo, que com freqüência dá sinais de ter uma personalidade perigosa. A nostalgia da farra me parece muito mais a prova de que ele está descontente com as limitações atuais da vida de evangélico, coisa que ele pode resolver ampliando um pouco seu círculo social e suas atividades de lazer. Definitivamente ele não me parece um paranóico prestes a explodir.

      Mas sejamos nós os paranóicos, para o exercício do raciocínio.

      O cara disse para a mulher que a mataria se ela o traísse. Existem indícios de que ela o trai? Ou pelo menos existem indícios de que ele pensa que ela o trai? Ele parece ter esse assunto em mente com freqüência e com jeito de quem está realmente preocupado? Ele ri de piada de corno ou fecha a cara?

      O primeiro passo de qualquer linha de conduta é identificar o nível de risco. Um mero desabafo – ou uma “ameaça” do tipo “estou deixando claro com palavras que não gosto disso, mas meu tom de voz e minha linguagem corporal não corroboram o alcance de minhas palavras” – não constituem indícios suficientes de que haja risco real. Mas se ele aparenta mau humor, conflito, revolta, auto-contenção forçada, intolerância crescente ou outros sintomas, como telefonar diversas vezes por dia para vigiá-la ou espionar a esposa quando ela vai ao trabalho, então é caso de pensar em fazer alguma coisa.

      Não existe fórmula que cubra 100% das possibilidades, nem que garanta 100% de segurança, mas a avaliação lúcida dos sinais que os indivíduos transmitem quanto a seu caráter, sua personalidade e suas tendências comportamentais costumam ser reveladoras na maior parte dos casos. O problema é que costumamos ignorar isso.

  7. Precisamos da negacao todos os dias, por exemplo para negar a nossa finitude.
    Negar ‘e do cotidiano.
    Negar o numero de homicidios na nossa cidade, e o numero no nosso bairro. E sequestros relampago, ali na nossa esquina. Negar que voltar do cinema de carro e entrar na garagem ‘e perigoso, pelo menos at’e estar com o carro na porta da garagem, quando entao ‘e bom agir rapidamente e fugir do risco. Mas na hora de convidar a gata, escolher o filme e tal, a gente nao deixa o medo de voltar para casa sao e salvo interferir na decisao de sair.
    “Nao essas coisas nao acontecem com a gente.”
    “Nao, nao vai acontecer comigo…”
    Se nao negarmos diariamente certas coisas, ficaremos reclusos e nao conseguiremos viver. Pergunte, mais uma vez, aos psiquiatras que frequentam o blog, eles vao poder dar mais explicacoes que eu.

    1. Discordo radicalmente. Não temos que negar nossa finitude. Pelo contrário, devemos viver tendo nossa finitude permanentemente em mente, ou jogamos nossa vida fora sem deixar nossa marca no mundo.

      Por existirem seqüestros e homicídios eu não tenho que deixar de ir ao cinema, eu tenho que ir ao cinema armado e estar pronto para meter bala quando um maluco abrir fogo de metralhadora. O problema é que ninguém quer estar preparado – negação – porque é mais confortável assim. E ninguém quer assumir que a responsabilidade pelos maus desfechos é sua, por não estar preparado. É mais fácil culpar o louco homicida ou a incompetência da polícia. É um jogo de “covardia prepotente”, em que o covarde acha que tem razão em ser covarde e que o mundo tem que deixar de ser hostil para respeitar sua covardia. Um inferno.

    2. Quer dizer que todo dia de manha tu te olhas no espelho, racionaliza que pode ser o ultimo dia e vai para a rua, tentando fazer dele o melhor, enquanto tenta se proteger compulsivamente do que possa ser o perigo que vai tirar a tua vida? E lembra de novo ao meio dia, aos escovar os dentes depois do almoco? e depois de chegar em casa, `a noite, antes de dormir, te lembras que pode ser que nao acordes amanha? Te lembras assim, racionalmente 3 ou mais vezes por dia, que pode ser o fim?

    3. Não, né. Mas isso não é negação. É uma questão de prioridades. Não fico com todo o universo na cabeça o dia inteiro. Mas se soubesses quantas vezes já frustrei tentativas de assalto, mesmo desarmado, ficarias assombrada.

  8. Caro Arthur! Todos os elementos das tragédias futuras estão no ar. Como cheiro de fumaça. Podemos até dizer “oh! my god!” quando um avião atravessa o “world trade Center”, mas, “a posteriori”, juntando as peças, constatamos que aquilo já estava escrito; nós só não havíamos sido suficientemente hábeis para ver o grosso dedão divino apontando naquela direção. Spielberg jogou com essa possibilidade em “Minority Report”. Mas imagine bancar um Tom Cruise em nossa e caótica sociedade em que a passionalidade se enrola nas complexas teias de irresponsabilidades e incompetências. Não queria ser o anjo da guarda nesse angu! Já meti a colher em briga de marido e mulher, prevendo um desenrolar trágico, e depois posei de impertinente quando os protagonistas voltaram aos beijinhos. E, além disso, considero os crimes do bioquímico e o da mãe drogada como pecados menores! Em ambos os casos cérebros alterados pela química endógena ou exógena foram os culpados. Crime por crime considero muito maiores os indiretos, maquiados, rubricados, institucionalizados, e tecnicamente justificados, como o que relaciona um horário político “gratuito”, que em 2010 custou 850 milhões (e que interessam a uma ínfima parcela da população), com as mortes que se justificam pela falta de recursos na prevenção e tratamento (que interessam a toda a população).


    1. “Já meti a colher em briga de marido e mulher, prevendo um desenrolar trágico, e depois posei de impertinente quando os protagonistas voltaram aos beijinhos.” (Romacof)

      Eu também. Mais de uma vez. Mas não me arrependo: eu fiz o que achava certo fazer, com boa vontade, boa intenção, cuidado e critério. Pessoas que me culpam por ter me importado com elas e me esforçado por fazer o bem para elas mesmas são idiotas – e eu não me preocupo em manter a amizade com idiotas.

      “Crime por crime considero muito maiores os indiretos, maquiados, rubricados, institucionalizados, e tecnicamente justificados” (Romacof)

      Eu também. Mas toda vez que falo nisso sou chamado de “chato”. E isso encerra toda a complexidade da política mundial: eu sou “chato”.

      Mas o que vou fazer? Não consigo deixar de me preocupar – e de me ocupar – com isso. Alguém tem que fazer alguma coisa. Já que ninguém está fazendo nada, eu quero tentar. Pode até não dar em nada, mas tentar eu quero.

  9. Gente, esta discussão está boa, mas voltando ao foco da matéria, QUEM SE IMPORTA NESTE PAÍS? Para começar, aceito que por negligência, omissão, etc, etc, houve uma tragédia que poderia ser evitável, mas que não era tão evidente assim. Porém, e aquelas pessoas que morrem (também é uma tragédia) nas filas dos hospitais? Seria muito mais evitável, não? E ninguém chama a dona Dilma, ou o ministro da saúde, ou o governador, ou o prefeito de MONSTROS DA TRISTEZA. E no trânsito? e na segurança?
    E no prende e solta entre a Polícia e a Justiça? QUEM SE IMPORTA COM QUEM NESTA TERRA DE NINGUÉM?
    Eu acredito que quase todos os problemas tem solução, o negócio é procurá-la e aplicá-la adequadamente. Partindo da assertiva de que “o conjunto de pequenos erros” pode causar um grande erro, pode-se concluir que é o que temos nesta terra. Muitos (i)responsáveis cometendo pequenos erros, e no final, a Saúde, a Segurança, etc. mergulham em erros monumentais. No caso da Márcia, se ela tivesse feito um BO, nada teria acontecido a tempo (afinal a polícia tem tantas investigações mais importantes para fazer), pelo contrário, teria acuado mais ainda a fera.

    1. Mas eu não acho que ela deveria ter feito um B.O. e pronto. Eu acho que ela deveria ter pulado fora do local onde morava e aí registrado um B.O. – primeiro garantir a segurança física, depois se preocupar com os detalhes legais.

  10. Sinceramente, sou leitor frequente do blog e acho que você é que não quer dar o braço a torcer e admitir que sua tese estava errada, por isso está insistindo tanto no tema.

    1. Qual tese estava errada?

  11. É verdade. Foi muito noticiado na época, tanto que começaram a questionar a efetividade da lei Maria da Penha, assim como outras leis que existem no Brasil.Diga-se de passagem que temos muitas leis, uma verdadeira odisseia de leis e pouca aplicabilidade quanto à elas, por isso aquela coisa do tipo “Lei que pega e lei que não pega”.´Temos uma sequência interminável de interpretações e digressões de todos os gêneros fora a enorme burocracia e inúmeros entraves processual.Tanto que temos caso de um assassino confesso, e esse mesmo livre de qualquer punição.Partindo da premissa que qualquer um pode “recorrer”(por isso, ter dinheiro, faz toda a diferença)o acusado ou suspeito pode adiar inúmeras vezes até dizer chega.
    Se de repente esse sujeito suspeito do homicídio, ficar livre, não me surpreenderá, até lá vamos ver se a polícia e a promotoria serão capazes de investigar, apurar e provar bem os fatos.Vamos ver até que ponto a opinião pública vai influenciar ou não o caso.
    Até lá, vamos deixar a coisa rolar.

    1. Ele pode ter todo o dinheiro do mundo, mas não vai escapar dessa. Aliás, o melhor para ele é pegar uma boa cana, onde talvez ele tenha uma chance de escapar vivo e inteiro. Na rua ele não dura muito.

  12. A verdade é que somos TODOS vítimas,de nós mesmos e também dos outros.

    Somos vítimas de nossa ignorância,de nossa vaidade,e até mesmo de nossos sentimentos.

    O amor nos deixa cegos,surdos,burros.

    Nós,as mulheres,estamos quase sempre acreditando que podemos salvar nossos homens,que temos esse poder…quando esse poder não passa de ilusão.

    E quando existe filho envolvido a coisa se complica mais.
    Quando a família não ajuda tudo fica pior.

    Muitas mulheres ficam dependentes do sexo,coisa ainda “não falada”.

    Muitas mulheres morrem porque são sexualmente dependente de seus parceiros.
    Não conseguem se afastar sem ajuda.
    Sabem que correm perigo,mas procurar ajuda é mais vergonhoso do que enfrentar o medo do outro.
    Muitas apostam nisso e morrem.

    Além de tudo ainda tem uma patinha do Destino misturando tudo,rs.

    1. Mulher sexualmente dependente de parceiro abusivo?

      Num mundo em que mulher alguma que ande na rua deixa de levar uma cantada e que o homem que não tomar a iniciativa normalmente morre virgem?

      Estou no mesmo planeta que vocês?

    2. Que seria tomar iniciativa? Tem umas “celebridades” que não fazem absolutamente nada e recebem propostas na casa dos milhares http://www.redetv.com.br/Video.aspx?124,28,123517,entretenimento,manha-maior,amor-bandido-mulheres-se-sentem-atraidas-por-criminosos

    3. Estou com a internet lenta demais para ver vídeos hoje. 🙁

      Mas não podemos confundir a exceção com a regra, né?

    4. Bom, se eles e outras “celebridades” recebem milhares de propostas, mesmo que sejam pés de chinelo comuns que são apreendidos, ainda recebem propostas, sem fazer nada, na casa de várias, para apenas um, então não são muito bem uma exceção certo.

    5. http://www.youtube.com/watch?v=osQe4e_69s8

      Tenho muito mais videos sobre isso. Ficaria chocado com o quanto isso é comum, então não creio que todos os homens sem iniciativa morram virgens.

    6. Como assim serial killers e criminosos sexuais “não tomam a iniciativa? 😐

      Eles cometem esses crimes só contra quem vai perturbar sua timidez no fundo das cavernas deles? 😛

    7. Lá de dentro da cadeia eles não tomam mesmo não.

    8. Se eles não fossem “pessoas de iniciativa”, não estariam colhendo os benefícios de serem procurados pelas jumbeiras.

  13. Mulher sexualmente dependente de parceiro abusivo? (Arthur)

    Seria cômico se não fosse trágico.

    Lamentavelmente é verdade.

    Tudo começa porque as mulheres não se conhecem direito.
    Milhares de mulheres não atingem o orgasmo e quando encontram um homem que desperta nelas esse
    Nirvana,não conseguem pensar em mais nada.
    Sexo vicia,sabia?

    O problema é que elas acham que jamais irão encontrar outro homem que as faça sentir a mesma coisa.
    Por isso ficam.

    É tão proibido falar sobre isso quanto admitir que muitas mães que amamentam sentem prazer sexual
    enquanto fazem isso.

    Amadurecemos muito?

    Nem um tantinho do que lutamos tanto para ter.

    Pois é…passamos uma imagem totalmente destorcida do que realmente somos.

    Para conhecer as mulheres é preciso conviver intimamente com elas,rs.
    E mesmo assim podem continuar ilhas pelo resto da vida.

  14. Nunca esperamos que uma pessoa com quem se vive há tanto tempo e pai de nossos filhos, será capaz de nos matar e aos seus filhos. Não questiono as atitudes da vítima, dos familiares e dos amigos, pois é difícil, vivenciando a situação, se convencer de um pai e marido há tanto tempo será mesmo capaz de fazer algo tão cruel! Eu, pessoalmente, já tive em situação onde me senti ameaçada pelo companheiro. Acordei no outro dia, sem ele por perto, peguei meu filho, nossas roupas e deixei o resto para trás. Bens não me valiam aquele sofrimento.

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