Uma coisa que sempre me causou estranheza foi a insistência de pessoas aparentemente inteligentes em exigir respeito à religião em um nível absolutamente incompatível com a capacidade da religião justificar seu próprio merecimento de respeito. 

Se eu digo que acho que dois mais dois são cinco, eu posso pedir respeito a esta minha opinião até o ponto em que surge uma evidência que a negue. A partir deste ponto, eu não tenho mais direito a ter uma opinião sobre o resultado da soma de dois e dois. Ou melhor, ter o direito de manter essa opinião até que eu tenho – ser imbecil ainda não é crime – mas não tenho o direito de exigir respeito a esta opinião, simplesmente porque ela está errada e isso pode ser facilmente conferido. 

Todavia, se eu digo que acredito por motivo religioso que dois e dois são cinco, por algum motivo irracional eu tenho direito de exigir respeito a este disparate. Mais do que isso, eu passo a poder exigir o direito de “manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular” (Artigo XVIII da DUDH).

Ou seja… se eu for engenheiro, de acordo com a DUDH e o direito internacional eu posso manifestar “pela prática” a minha crença de que dois e dois são cinco ao construir um prédio! Basta alegar que uma estupidez qualquer tem fundamentação religiosa para que o exercício da estupidez assuma ares de direito fundamental do ser humano. 

É claro que na prática o que acontece é um pouco diferente: a Santa Hipocrisia entra em ação para nos salvar de engenheiros que acreditam que dois e dois são cinco. Dá-se um jeito de impedir que engenheiros “manifestem essa crença pela prática”. Afinal, é uma questão óbvia de bom senso.

Mas por que o bom senso vale em relação aos engenheiros e não vale em relação aos políticos e outros atores da sociedade?

Tem muita gente por aí (e tive que resistir à tentação de linkar alguns vídeos) “manifestando pela prática” a noção de que dois e dois são cinco, acobertados pelo direito internacional para construir prédios que vão desabar sobre os outros. 

Eu sempre considerei a DUDH o mais perfeito documento de garantia da dignidade humana já produzido neste planeta, mas sou obrigado a reconhecer que o artigo XVIII (e mais um sobre o qual falarei em outro artigo) é irracional e prejudicial à dignidade humana. Ele precisa ser reescrito da seguinte maneira:

Artigo XVIII

        Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular, desde que não interfira nos direitos de terceiros

Não basta a ressalva do Artigo XXX de que “nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição  de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos”.

Não basta porque a inexistência de hierarquia entre os artigos da DUDH na prática inibe todas as ações contra a estupidez travestida de religião. Em nome dos Direitos Humanos, dois e dois continuam sendo cinco. Isso é uma vergonha. 

Vamos deixar bem claro, entretanto, que eu não estou advogando o ateísmo. Se há uma coisa que considero ridícula por excelência é a pretensão estúpida de certos ateus auto-proclamados “céticos” e “racionalistas” de provar a inexistência de Deus ou do sobrenatural. Para estes eu jamais cansarei de repetir: a ausência de prova não é prova de ausência. O ateísmo é somente uma religião como qualquer outra, na qual os fiéis crêem na ausência de um Deus, algo para o qual eles não possuem provas

Vamos deixar bem claro, também, que eu não estou dizendo que somente as crenças corroboradas são verdadeiras. Eu admito tranqüilamente que um indivíduo possa crer em algo verdadeiro para o qual ele não dispõe de provas, seja por pura coincidência, seja por algum fenômeno ainda não estudado ou compreendido pela ciência. 

 

Voltando portanto para a questão do “respeito à religião” – seja ela teísta ou atéia – temos uma clara oposição entre as formulações de realidade baseadas em crenças e as formulações de realidade baseadas em evidências

Se pretendemos ser responsáveis, não podemos basear a política, a economia, a moral, a educação – ou qualquer ramo da atividade humana que interfira no bem estar de terceiros – em hipóteses baseadas em crenças, pois não há como saber se estaremos apostando o bem estar e o destino das pessoas em crenças verdadeiras (área cinza do diagrama) ou em crenças falsas (área azul do diagrama). 

A situação mais absolutamente intolerável, entretanto, ocorre quando apostamos o bem estar e o destino das pessoas em hipóteses descartadas pelas evidências, ou seja, em crenças sabidamente falsas, para as quais não somente não há provas em favor como há provas em contrário. 

Optar por qualquer crença que esteja em desacordo com as evidências é uma imensa estupidez. E o direito à estupidez só pode ser protegido até o ponto em que não interfere no direito de terceiros, caso contrário estamos cometendo uma imensa inversão de valores

Em um mundo minimamente civilizado e racional não se pode exigir o respeito pela inverdade ou pela mentira que interferem no bem estar e no destino de terceiros, seja qual for a alegação, muito menos em nome dos Direitos Humanos, pouco importa que o rótulo dado à inverdade ou à mentira seja “religião” ou “crença”. Cometer uma insanidade deste porte constitui uma completa afronta à dignidade humana. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 08/08/2012 

 

99 thoughts on “Até que ponto a religião merece respeito?

  1. As pessoas falam da inquisição com se tivesse fogueiras em todas as esquinas, como um festival pirotécnico diário. Foi exatamente a inquisição que substituiu o se sistema acusatorial pelo inquisitorial(investigativo), as vezes durava anos para ser julgados.

    1. Sim, belo sistema de investigação: joga o cara na água – se ele afundar, sendo “aceito pela água”, ele é inocente, mas morre afogado; se ele flutuar, sendo “rejeitado pela água”, ele é culpado, então morre na fogueira.

      Ma-ga-vi-lha!

  2. E não como esses paspalhos dizem o absurdo que se alguém colocasse um boneco de voodu na sua casa e fizesse um denuncia, vc era torrado na hora.

    1. Nelson, tu acreditas que um judeu assassinado há dois mil anos está vivo em algum lugar do universo e voltará para julgar cada um de nós, decidindo se vamos ressuscitar com o mesmo corpo e viver em êxtase eterno ou se vamos ser jogados em um lago de fogo para sofrer terríveis dores e sofrer por toda a eternidade?

    1. Genial!!! (E fofo rs)!

    2. HUAHUAHUAHUAHUA!!!

      Incrível como espelha a realidade!

      O pior é que, mesmo que ele ache a última peça, ela vai acusá-lo de ter encaixado as peças errado e desfigurado o pato!

  3. Vi esse quadrinho e lembrei de uma resposta do Arthur onde ele escreve:

    “Teoria da Conspiração Divina! 🙂

    Um Deus que se preocupa em plantar pistas falsas para desencaminhar as conclusões dos cientistas e ocultar a si mesmo!

    Genial o alcance da negação! Muito pior que os casos de gente espancada e ameaçada de morte que continua dormindo ao lado do algoz “porque ele é uma pessoa boa”.”

    E isso é religião!

    Respeito todo modo de pensar, mas prefiro nem saber sua religião! hehhe

    1. Falando nisso, vou escrever um artigo sobre a minha única crença irracional. 🙂

    1. Um budista mesmo, um seguidor de Buda acho que não ligaria tanto. Um cultuador de Buda, um adorador sim.

    2. Eu não veria problema nem em um papel higiênico com a cara do Buda com a língua para fora. É bobagem valorizar essas bobagens. Só serve para dar ainda mais visibilidade para a marca e não leva ninguém um milímetro adiante no caminho da iluminação.

  4. Isso não tem nada a ver com censura, isso é um insulto ao Buda e os seus praticantes, prostestem.

    1. Vou escrever um artigo em protesto. 🙂

      (O Nelson vai odiar.)

  5. “Um budista mesmo, um seguidor de Buda acho que não ligaria tanto. Um cultuador de Buda, um adorador sim.”

    Respeiro não tem nada a ver com apego, por favor, estudar os sutras. No sutra do nirvana e do Lótus diz que o budista deve repreender aqueles que distorcem e desrespeitam o Darma. Buda censurava aqueles que tinham visões errôneas sobre o darma, expulsava e criticava quem o desrespeitava.

    1. A monk once asked Ummon, “What is the Buddha?” Ummon answered thus: “A dried shit-stick!” (Note: A ‘dry shit stick’ was the medieval equivalent of toilet paper. Hence Yunmen’s reply is sometimes translated as “Something to wipe your arse on!”
      http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_koans_by_Yunmen_Wenyan

      E não, eu não vou “estudar” os sutras. Não como um manual.

    2. Quem disse que só o Arthur pode ser rrrrrrrrrrrrradicallllllllll?

      Quero mais é matar o Buda na estrada(só não quero perder pontos na carteira)!

    3. Eu nunca deixo de me impressionar com o quanto os “seguidores” dos Grandes Mestres da humanidade se apegam a detalhes externos ao invés de modificar seus corações e mentes e caminhar com suas próprias pernas e discernimento na direção apontada pelos Grandes Mestres.

  6. Estreou neste fim de semana o filme “Corações Sujos”. Se puderem assistam. O filme trata da colônia japonesa no BR nos tempos da 2º guerra, aonde japoneses mais radicais não aceitavam a notícia de que o Japão havia se rendido. A alegação é que o imperador era deus e a “verdade universal era que o Japão sempre ganhava a guerra”. Nem diante das evidências, das notícias e até das FOTOS se alteravam as opiniões dos radicais, pois a “verdade” da ESCRITA era maior que a verdade das FOTOS. Dezenas de japoneses foram assassinados como traidores do “Deus-imperador” por aceitarem as evidências da rendição incondicional do Japão. A história é real.

    1. Isso me lembra um antigo ditado: “Se os fatos não se encaixam na teoria, mude-se os fatos.” 😛

  7. Qualquer coisa, dito, religião, filosofia, doutrina, etc… que ponha a “verdade da fé” acima da verdade dos fatos comprovados NÃO MERECE RESPEITO ALGUM. Por uma razão muito simples: Quem quer respeito, ANTES se de ao respeito. Quem diz que “o japão ganhou a guerra porque esta é a verdade escrita” OU QUALQUER OUTRA COISA DO TIPO não respeita os fatos, não respeita as pessoas, não respeita a dissidência, não respeita QUEM PROVA O CONTRÁRIO, portanto não se dá ao respeito.

    1. Esse é o problema básico de discutir com qualquer religioso. Eles precisam manter a fé inalterada mesmo perante provas cabais em contrário, o que obviamente é impossível na presença da lógica e da honestidade intelectual. Aí só resta desrespeitar ou a lógica, ou a honestidade intelectual, ou ambas – o que, em qualquer caso em que isso aconteça conscientemente, inclui um grande desrespeito ao interlocutor.

  8. Curiosamente fui ver este filme no cinema junto de meu irmão. Na parte em em que alguns japoneses recebem “a sagrada missão de matar japoneses traidores e de corações sujos”, meu irmão murmura ao meu lado: “PT e Celso Daniel”!
    É como eu disse, qualquer coisa que coloque a “verdade universal da nossa sagrada doutrina” acima da razão e dos fatos não merece respeito algum.

    1. Boa sacada essa do teu irmão.

  9. Eduardo Marques

    28/08/2012 — 23:45

    A partir do momento em que religiosos saem por aí dizendo que a ciência criacionista desmerece a teoria da Evolução provando que os dinossauros viveram harmoniosamente com outros animais porque, segundo cálculos bíblicos, a Terra só teria uns 6 000 anos, existe alguma coisa muito errada aí.

    http://www.conservapedia.com/Dinosaurs#History_of_dinosaurs

    1. HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUA!!!!!!

      Os caras são humoristas de primeira:

      Creation science asserts that the biblical account, that dinosaurs were created on day 6 of creation[3] approximately 6,000 years ago, along with other land animals, and therefore co-existed with humans, thus debunking the Theory of Evolution and the beliefs of evolutionary scientists about the age and creation of the earth.
      Creation science shows that dinosaurs lived in harmony with other animals, (probably including in the Garden of Eden) eating only plants[4]; that pairs of each dinosaur kind were taken onto Noah’s Ark during the Great Flood and were preserved from drowning[5]; that many of the fossilized dinosaur bones originated during the mass killing of the Flood[6]; and that possibly some descendants of those dinosaurs taken aboard the Ark are still around today.[7] At least 300 distinct genera of dinosaur have been identified.[8]
      Archaeological, fossil, and documentary evidence supports the logical conclusion that dinosaurs co-existed with mankind until at least relatively recent times.[citation needed]

      Fala sério, isso é um site humorístico estilo Desciclopédia, né? (*) 🙂

      .

      .

      .

      (*) Eu sei que não é. Só estava tentando me enganar por um instante. Ó Céus… Não caiam sobre minha cabeça, por Tutatis!

  10. Estava lendo e gostando até que parei aqui:

    “(…)a ausência de prova não é prova de ausência(?). O ateísmo é somente uma religião(?) como qualquer outra, na qual os fiéis crêem na ausência de um Deus, algo para o qual eles não possuem provas.

    Com todo respeito (MESMO), mas, na “minha época”, quem cabia afirmar se algo é verdadeiro ou existe, é quem afirma e não o contrário. Se for assim, segundo a sua afirmação é possível então que não só deus existe, mas papai noel, coelho da páscoa e fadas também, já que “ausência de prova não é prova de ausência” não é mesmo?

    Apesar de ser ateia, ainda assim respeito todas as religiões (a muito contragosto, mas respeito), contudo, dizer que ateísmo é religião, foi demais para mim, pois segundo a wikipédia:

    Religião é um conjunto de sistemas culturais e de crenças, além de visões de mundo, que estabelece os símbolos que relacionam a humanidade com a espiritualidade e seu próprios valores morais.

    Nós ateus APENAS não acreditamos em deus ou deuses, simples assim. Meus valores morais se baseiam principalmente em minha CONSCIÊNCIA, ou seja, não desejo e nem faço com os outros aquilo que eu não quero que façam comigo. Também respeito, mesmo quando não acredito ou não concordo, com a opinião dos outros.

    1. O problema é que existe muito maior suporte e universalidade para a idéia de Deus do que para a idéia de Papai Noel. É difícil colocar os dois exatamente no mesmo nível. E mais uma coisa.

      O ateísmo não é “não acreditar em Deus” – pelo menos não o neoateísmo militante. “Não acreditar” é uma coisa, “acreditar que não existe” é outra. Se tu “acreditas que não existe”, tu és atéia – e isso é uma crença.

      O “não acreditar” – apenas isso – e também não desacreditar, mantendo a mente aberta para a possibilidade chama-se agnosticismo. É uma posição muito mais defensável, porque não viola o princípio de que “ausência de prova não é prova de ausência”, que é crucial na ciência.

      Lógico… Alegações extraordinárias requerem provas extraordinárias. Mas isso não anula o princípio anterior. Eles são simultaneamente válidos.

  11. Você comete um engano ao dizer:

    “a ausência de prova não é prova de ausência”.

    Lembre-se que o conhecimento empírico (na minha compreensão, a existência de deus é uma questão empírica) é probabilístico. Se H é a hipótese e E a evidência que a fortalece, temos:
    P(H|E) > P(H)
    Pela definição de probabilidade condicional:
    I. P(H∩E)/P(E) > P(H)
    Sabemos também que:
    II. P(H|¬E)=P(H∩¬E)/1-P(E)
    III. P(H) = P(H∩¬E) + P(H∩E)
    Portanto,
    IV. P(H∩E) = P(H) – P(H∩¬E)
    Substituindo P(H∩E) em I, obtemos:
    V. P(H)-P(H∩¬E)>P(H)*P(E)
    VI. P(H)-P(H)*P(E)>P(H∩¬E)
    Vou provar por contradição que P(H|¬E) = P(H).
    a. P(H∩¬E)/P(¬E) >= P(H)
    b. P(H∩¬E) >= P(H)*(1-P(E))
    c. P(H∩¬E) >= P(H)-P(H)*P(E)

    Porém c contradiz VI. Portanto P(H|¬E) < P(H)

    1. Corrigindo:
      Vou provar por contradição que P(H|¬E) < P(H).
      (Ou seja, se você não observa a evidência E, você passa a crer menos fortemente na hipótese H).
      No passo seguinte, que rotulei (a), assumi o contrário de P(H|¬E) = P(H). E derivei uma contradição.

      Assim ficou provado que P(H|¬E) < P(H).

      Interpretando isso: se você espera que observar milagres acontecendo, ou oração tendo poder vai fortalecer sua crença em deus, não observar essas coisas racionalmente deve enfraquecer sua crença.

    2. Bom, a prova ficou mal explicada e faltaram umas vírgulas, se alguém se interessar explico melhor.

    3. “O conhecimento empírico é probabilístico”? Como assim? Acho que essa premissa está errada.

      Se eu te cortar a cabeça com um machado qual a probabilidade de eu não saber se estás vivo ou morto? 😛

    4. Você, tendo mestrado e tudo, deve já ter lido vários artigos científicos. O estudo da natureza feito pelas ciências empíricas usa como ferramenta a estatística. Para medir correlações, você observa o mesmo fenômeno várias vezes. Muitos fenômenos são incertos. Por exemplo, a exposição ao vírus da gripe não causará gripe em 100% das pessoas. Nem por isso deixamos de associá-lo com a doença, de entender que é o vírus que causa a gripe.

      Mas eu levo a questão epistemológica do conhecimento empírico ser probabilistico ainda mais longe. Acho que a melhor resposta ao ceticismo é o teorema de Bayes. Se você cortar minha cabeça, um cético poderia dizer que você não tem certeza se eu estou morto ou não, pois você poderia estar alucinando. O testemunho dos sentidos é enganoso. Porém, ao observar que estou morto você certamente aumenta na sua cabeça a probabilidade de eu estar morto.

      Essas não são ideias originais minhas. É o normal hoje: compreender que a probabilidade é a ferramenta correta para compreender, modelar e guiar os raciocínios indutivos.

    5. Elvis, pensar assim é uma boa estratégia para ficar maluco. 🙂

      Lembra de René Descartes e de Isaac Newton? Aqueles cujas teorias foram “demolidas” pela Teoria da Relatividade de Albert Einstein?

      Pois é.

      O fato é que nós continuamos vivendo em um universo perfeitamente cartesiano-newtoniano.

      A soma dos quadrados dos catetos continua sendo exatamente o quadrado da hipotenusa.

      A velocidade de dois trens que se cruzam, quaisquer que sejam os trens, quaisquer que sejam as velocidades, continuam a ser somáveis com exatidão.

      Não precisamos calcular a probabilidade da hipotenusa, nem a distorção espacial dos trilhos devido à gravidade ou a distorção temporal das rotas dos trens devido a suas velocidades.

      O fato de haver teorias mais avançadas e complexas que explicam fenômenos em escalas muito menores ou muito maiores do que a escala em que vivemos não altera a realidade, nem a percepção da realidade, nem a descrição da realidade na escala em que vivemos. As fórmulas “demolidas” pela relatividade continuam valendo como sempre. E nosso cérebro continua funcionando do mesmo modo.

      Nós não acreditamos em algo probabilisticamente. Nós não temos 67,3% de certeza da existência de Deus, com uma margem de erro de 2,4 pontos percentuais para cima ou para baixo. Nós acreditamos, ou não acreditamos, ou temos dúvidas. E estamos certos, ou errados.

      Não multiplica as entidades além do necessário. 😉

    6. Aliás, este texto acima vai virar artigo. E é pra já. 🙂

  12. Claúdio Ricardo

    03/02/2014 — 04:39

    Muita gente fala hoje em ciência e religião como se fossem algo separado, muito pelo contrário, foram os religiosos que desenvolveram a ciência, lembra da história da ervilha?lembra da Navalha de Occam?.foram dois monges que desenvolveu. Quem tem um pouco de estudo sabe do quão falsa é essa associação de secularismo e ciência. Se colocar a lista de religiosos na ciência, da pra escrever o dois livros. 500 anos de secularismo, não se criou praticamente nada no ocidente.

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