Anders Behring Breivik, o autor do massacre na Noruega, repetidamente apresentou a saudação fascista ao entrar no tribunal ou aparecer perante as câmeras. Mas a grande imprensa – ao menos em língua portuguesa – utiliza o esdrúxulo termo “saudação extremista”. Na blogosfera, entretanto, é amplamente utilizada a terminologia correta. Por que essa diferença? 

Há duas hipóteses:

A primeira hipótese, mais óbvia, é que a terminologia inadequada seja fruto de mera ignorância. O pessoal da minha geração já não se ligava muito nesses “assuntos do passado”. A geração seguinte, então, nem sabe o que é isso. Quando já ouviram falar algo a respeito, acham que foi “um regime que teve lá na Itália”. Não são capazes de ligar os nomes e os símbolos aos fenômenos que eles representam.

Como o jornalista bom para a grande mídia é o jornalista com uma coluna vertebral dobrável, pouco senso crítico e pouca proatividade, não é difícil entender por que uma terminologia esdrúxula acaba sendo amplamente disseminada: copiar o que é dito pelas agências agregadoras de notícias é seguro, questioná-las traz para o jornalista a fama de “o encrenqueiro da redação”. Na blogosfera, onde a maioria dos articulistas é independente, esse fenômeno que impede a correção do erro não existe – e muita gente que conhece a terminologia correta se expressa adequadamente. 

A segunda hipótese, mais perigosa, é que a terminologia inadequada seja intencional. Se a grande imprensa começasse a utilizar os termos “fascista” e “fascismo”, muita gente começaria a ter curiosidade sobre o que é isso. Alunos perguntariam “o que é isso?” em sala de aula. Comunidades do Orkut discutiriam o tema. Fotos e fotomontagens seriam compartilhadas no Facebook. O esclarecimento sobre as características do regime fascista se tornaria corriqueiro. E as pessoas poderiam perceber que há muitas semelhanças entre os ideais do fascismo e as tendências políticas da atualidade, o que não interessa para a grande mídia. 

Temos, então, uma hipótese baseada em incompetência, que parece ser bem plausível, e outra que muitos diriam ser implausível porque baseada em uma suposta “teoria da conspiração” – como se não houvesse conspirações verdadeiras. 

Qual é a verdade? 

No meu entender, um pouco de cada – o que é duplamente indignante. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 27/08/2012

52 thoughts on “Que bobagem é essa de “saudação extremista”?

  1. TODOS sabem do que se trata realmente,mas como vc mesmo disse,não interessa que os
    ignorantes fiquem a caraminholar coisas prejudiciais ao regime vigente.

    O passado está mais presente do que pensamos,rs.

    Torno a te dizer que PENSAR DÓI,e dói muito.

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