Um familiar meu passou por uma cirurgia bem importante há poucos dias. Só pra variar, todo contato que tenho com nosso sistema de saúde me tira um pouco de saúde, porque nada funciona como deveria ser. Desta vez a quizumba foi no Hospital São Lucas da PUCRS. Segue um relato meio desestruturado devido ao stress dos últimos dias.  

A cirurgia foi na tarde de sexta-feira. Durou quatro horas. Horário de visitas da sala de recuperação: das 20:30 às 21:00. Trinta míseros minutos, mas suficiente para perceber que a estrutura da sala de recuperação é tudo menos adequada para a recuperação dos pacientes. Mais de vinte leitos na mesma sala. Luz acesa 24h/dia. Bips de aparelhos de monitoramento soando sem parar. Técnicos de enfermagem andando apressados por todo o lado. E o paciente não pode ficar nem mesmo com os óculos ou com o celular. Um ambiente emocionalmente hostil. 

Por que o paciente não pode ficar com o celular, mesmo desligado? “Porque já aconteceu de celulares caírem da cama e quebrarem, ou serem mandados para a lavanderia no meio dos lençóis, então, para evitar novos problemas deste tipo, agora é terminantemente proibido ficar com celular na sala de recuperação.” Certo. Eu já tive um automóvel furtado na rua, então, pela mesma lógica, a prefeitura deveria proibir terminantemente a circulação ou o estacionamento de automóveis nas ruas. Evitaria “novos problemas deste tipo”, sem dúvida. 

Meu familiar passou pouco mais de 28h na “sala de recuperação” acima citada, então passei outro horário de visitas lá no sábado. Às 21:35 de sábado, quinze minutos depois que eu havia deixado o estacionamento do hospital, ligaram para meu celular avisando que meu familiar iria para o quarto “dali a uns vinte minutos”. Eu estava chegando no supermercado, então decidi fazer as compras antes de voltar ao hospital com a sacola de roupas e objetos pessoais que não puderam entrar na sala de recuperação. Demorei cerca de uma hora para retornar ao hospital e fui direto ao quarto cujo número me informaram. Meu familiar não estava lá. 

Fui ao posto de enfermagem mais próximo do quarto perguntar onde estava o paciente que deveria estar no leito n° tal. “Ah, não é aqui, é no outro posto de enfernagem.” Dirigi-me então va-ga-ro-sa-men-te ao posto de enfermagem mais distante do quarto, já me concentrando para me manter calmo, porque o ar estava com aquele inconfundível cheiro de “o pior ainda não veio”. Dito e feito. 

No posto de enfermagem mais distante perguntei novamente pelo paradeiro do meu familiar. Informaram o número do quarto de onde eu acabara de sair. Falei que o paciente ainda não tinha chegado lá, apesar de eu ter recebido um telefonema há mais de uma hora dizendo que ele estaria no quarto em vinte minutos. “Ah, é que agora é horário da janta, nós estamos só em três aqui e são necessárias duas pessoas para ir buscar o paciente no outro bloco, então não dá ir buscá-lo agora, porque não dá pra ficar uma pessoa só no posto. Pode ser que alguém chame e aí não dá pra deixar o posto de enfermagem vazio. O senhor vai ter que esperar o resto do pessoal voltar da janta.” 

Voltei à sala de recuperação para pelo menos informar meu familiar que eu estava ali esperando. Não me deixaram avisá-lo. Por quê? Porque não era horário de visitas. Além disso, ele logo iria para o quarto. Quando ele chegasse lá eu poderia falar com ele e dar o aviso que quisesse… 

Decidi não dar trela ao dono desta lógica maravilhosa e voltei ao andar dos quartos. Esperei quase uma hora. Aí passaram duas técnicas de enfermagem empurrando uma cama e entraram no elevador. Perguntei se estavam indo buscar o paciente tal, da sala de recuperação para o quarto tal. Ouvi um “é” e elas desapareceram dentro do elevador. Mais uns quinze minutos e estavam de volta. E meu familiar informou que estava há mais de uma hora me esperando na sala de recuperação para acompanhá-lo até o quarto, porque eu tinha sido avisado duas horas antes, mas como eu não aparecia resolveram levá-lo sem me esperar. 

*suspiro* 

Eu estava com outro familiar a espera do que passou pela operação. Fomos ambos então até o quarto ajudar o outro a se acomodar e deixar a maleta com as roupas e objetos pessoais. Pois não é que o cara do corredor – sei lá o nome do cargo, então vai “cara do corredor”, mesmo – nos interpela e diz que só é permitido um acompanhante?! Eu nem diminuí o passo, segui em direção ao quarto e informei andando: “vou só levar essa mala no quarto tal e sair”. E o que o cara do corredor diz? “Não pode demorar, ou eu vou chamar o segurança.” 

Como é que é? Eu vou levar as roupas para um paciente que está há trinta horas mofando imóvel num leito sem sequer poder colocar seus óculos e a primeira coisa que o cara do corredor diz é que vai chamar a segurança?! Igualzinho à cretina que nem sequer quis abrir meu prontuário e chamou a segurança para me expulsar do consultório quando eu reclamei?! Muito interessante isso, esta deve ser a orientação padrão dos Irmãos Maristas, donos da PUCRS e do São Lucas. Muito católico. Mas enfim. 

O quarto (tinha) tem tamanho para três camas, mas (havia) há quatro leitos nele. Três na posição esperada, com as cabeceiras contra a mesma parede, e um quarto metido no que deveria ser o corredor aos pés dos outros leitos, com a cabeceira contra a janela. Sugiro à Unilever fazer a próxima propaganda do desodorante Rexona nas dependências do Hospital São Lucas. É bem apropriado. 

No dia seguinte, domingo, eu voltei novamente ao hospital, desta vez no único horário de visitas daquela ala: das 13:00 às 14:00. Demorei uns quinze a vinte minutos para conseguir entrar no elevador, porque havia uma fila imensa de familiares de pacientes aguardando para subir até o sexto andar. Detalhe: há cinco elevadores que poderiam levar esse pessoal até o sexto andar, mas somente um elevador estava disponível. Dois dos outros elevadores não atendem o sexto andar, um é exclusivo para macas e cadeiras de rodas e o outro estava estragado – e continua assim até hoje. 

Quer dizer… A PUCRS estabelece um único horário de visitas para todos os pacientes do sexto andar e deixa somente um elevador disponível para esse povo todo. Quem não quiser esperar que suba pelas escadas, ora… Afinal, são apenas seis andares… 

Ah, sim: o estacionamento custa R$ 4,30 para quem fica até uma hora e R$ 7,00 para quem fica mais de uma hora e menos de quatro horas. (Se alguém ficar mais de quatro horas o custo do estacionamento pula para R$ 14,00.) Como o horário de visitas é de uma mísera horinha diária, a maior parte das pessoas chega um pouco antes e logicamente só sai ao final do horário, tendo ainda que ir até o quiosque “validar o ticket” – o eufemismo hipócrita usado para “pagar o estacionamento”. Por causa de uns poucos minutinhos a mais em relação à hora cheia, a maior parte das pessoas acaba pagando R$ 7,00 de estacionamento para poder passar uma horinha com seus familiares. Uma boa estratégia para tungar o bolso de quem quer passar uma hora com um parente doente, não é mesmo? 

A estimativa de uma fonte interna é que o estacionamento do Hospital São Lucas da PUCRS gere um lucro de cerca de R$ 130.000,00 por dia (cento e trinta mil reais por dia) em média. Multiplicando isso por 30 dias, são “só” R$ 3.900.000,00 por mês (três milhões e novecentos mil reais por mês). Pouquinho, né? Agora eu entendo por que é necessário colocar quatro leitos em um quarto onde só cabem três, por que só há um elevador disponível para centenas de pacientes e por que não há pessoal suficiente para atender adequadamente os pacientes na hora da janta dos funcionários: deve ser por causa do voto de pobreza dos Irmãos Maristas, que usam toda essa grana para fazer caridade.

Longe de mim pensar em uma infâmia como achar que a PUCRS visa lucro com o estacionamento do Hospital São Lucas e que o atendimento de alta qualidade para pacientes e familiares não seja uma prioridade. Só mesmo uma mente muito pervertida poderia imaginar uma hipótese degenerada destas. Acho que eu tenho que me confessar e acender uma vela para São Lucas. A propósito: obrigado a você também, Lula. A saúde no país está mesmo muito bem resolvida. O SUS é uma maravilha tanto em termos de agilidade quanto de qualidade. 

Só para terminar, mais um registro de como a saúde no Brasil está perfeita: a cirurgia de meu familiar foi na sexta-feira. Foi uma cirurgia bastante invasiva e com um risco importante, pois o paciente é cardíaco. Durante todo o sábado e todo o domingo não apareceu um único médico da equipe cirúrgica para saber como estava o paciente. Somente na segunda-feira pela manhã apareceu uma médica, que perguntou se ele estava sentindo alguma dor, ao que ele disse que sim… e ela falou “ah, isso é normal, depois passa, qualquer coisa peça mais medicamento para dor” – e foi embora. 

Qual era o motivo da dor? Uma sonda entupida. Nem a médica viu isso, nem a equipe de enfermagem. Foi o próprio paciente que teve que levantar esta hipótese e pedir para que verificassem, isso depois de já estar há horas com dor e já com febre. Fico imaginando o que teria acontecido se fosse uma daquelas pessoas que acham que “os médicos sabem o que estão fazendo” e tivesse seguido a orientação de apenas pedir mais medicamento para a dor. 

Eu nasci no dia do médico e só decidi não me tornar médico porque não achava que pudesse lidar com a dor de não poder sanar todo sofrimento com o qual me deparasse. Mas eu gostaria mesmo é de poder tomar a decisão de nunca ser paciente

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 24/09/2012

29 thoughts on “Medicina degenerada (3)

  1. Permissão pra achar engraçado.

    1. Permissão concedida. Mas não folga muito ou na próxima vez requererei formulário em três vias registrado em cartório.

  2. É estranho, só damos conta da questão da saúde quando perdemos ela. E quando a perdemos, muitas vezes é tarde demais.Até lá vamos abusando da sorte e vamos nos refestelando na gulodice e outros vícios. Bebendo demais, tomando drogas ilícitas, cometendo promiscuidades sexuais e assim vai.Pé na tábua e quem sabe jamais acertaremos a cara no poste.

    1. É. Também já cometi esse erro. Por sorte acordei a tempo. Ou talvez não por sorte…

  3. Eu não dependo apenas do bom atendimento humano.
    Confio cegamente na ajuda divina que,até agora,nunca falhou.

    Acredito que antes de qualquer coisa exista uma energia planetária,uma força que comanda tudo.

    Acredito também no livre arbítrio e no merecimento.

    Alguém lá no alto deve me amar…

    1. Sem querer ser chato, nunca vi o céu se abrir e descerem anjos para curar alguém na fila do SUS…

  4. Mas que bagunca este hospital!

    Se a cirurgia do teu familiar foi pelo sus, convenio, ou privativa, NADA justifica que nenhum medico o tenha visitado por dois dias seguidos apos a cirurgia. Se ele nao precisasse do medico, poderia estar em casa ou num centro de reabilitacao.

    O atendimento xulo de pacientes so’ tem uma razao: desinteresse por parte da instituicao prestadora de servico.

    Eles pelo visto estao com o hospital lotado, pondo leito extras nos quartos e nao dando condicoes minimas de respeito, acolhimento e conforto a pacientes e familiares. Concorrencia zero, podem fazer qualquer barbaridade que o ganha pao esta’ garantido.

    Espero que a cirurgia de teu familiar tenha sido um sucesso, e que ele esteja se sentindo bem.

    Quando eu ainda trabalhava no Brasil, eu trabalhava em um hospital diferente do que isso que descreves. Este hospital fica num outro bairro da cidade.

    Eu sugiro que transcrevas este texto nos seguintes espacos: 1) FB page do HSL-PUCRS (fica la’ e nao tem como apagar), 2) CREMERS, 3) Correio do Povo, 4) ZH, 5) site ou blog de algum comentarista da midia que esteja ligado as questoes da saude e tenha um tesao especial por colocar esta historia na roda.

    Que absurdo!!!!!!!!!

    1. Queres arrepiar os cabelos mais um pouco? No dia seguinte à redação deste artigo ele recebeu alta. Passou um médico da equipe que o operou no quarto dele, viu que ele estava sem febre, conversou um pouco com ele e disse: “o senhor não tem por que ficar no hospital correndo o risco de contrair alguma infecção – vá pra casa”.

      O médico que sempre atendeu meu familiar não apareceu na sala de cirurgia – pelo menos não até meu familiar estar sob efeito da anestesia geral.

      O médico que realizou a cirurgia nunca falou com meu familiar – nem antes, nem depois do procedimento.

      O médico que deu alta a meu familiar nunca participou de qualquer atendimento, nem da cirurgia.

      Nenhuma reconsulta para revisão foi marcada. Isso é obrigação do paciente – que saiu do hospital com uma sonda cheia de sangue.

      Nenhum antibiótico foi prescrito para a recuperação de uma cirurgia extensa, agressiva, importante (quatro horas com o abdômen a céu aberto). A orientação foi “retornar ao hospital se houver febre”. (E nós sabemos que nem sempre infecções geram febre, certo?)

      Para trocar os curativos, o que precisa ser feito diariamente, a orientação foi “procure um posto de saúde próximo a sua casa”.

      Para retirar os pontos, a orientação foi “retirar os pontos em um posto de saúde em dez dias” – ou seja, a avaliação se já está na hora de tirar os pontos será feita pelo paciente e pela técnica de enfermagem de plantão no dia. A equipe médica não vai nem tomar conhecimento disso.

      Pode?

    2. agora entendi: e’ atendimento pelo SUS.

      mesmo que o governo direcione 50% do PIB para o SUS, nao tem como chegar perto de um atendimento decente.

      por isso nos USA o Obama esta’ tendo muitas dificuldades para implantar um sistema que garanta atendimento a todos: todos nao querem pagar pelo atendimento dos irresponsaveis.

      se nao houvesse irresponsabilidade (que tu gostas de chamar de “minha liberdade de decidir o que quero fazer da minha vida”), haveria dinheiro para pagar pelo atendimento de quem adoece independente de responsabilidade. Assim, o teu familiar que de certo precisa de uma cirurgia por causa nao evitavel, teria acesso a um atendimento mais decente.

      o sus ‘e a ultima instancia, ‘e o minimo dos minimos.
      Infelizmente voce nao pode esperar muito mais que isso. E’ um salve-se quem puder.

      quantos meses teu familiar esperou pela cirurgia ser marcada? eu vi paciente com perna quebrada ser operado 50 dias depois do trauma, por falta de leito ou horario disponivel de bloco cirurgico em Brasilia.

    3. Ai, ai, ai… Vamos por partes:

      “agora entendi: e’ atendimento pelo SUS.” (Paula)

      Sim, até porque a alternativa seria um velório na família devido aos precinhos amigáveis da medicina mercantilizada.

      “mesmo que o governo direcione 50% do PIB para o SUS, nao tem como chegar perto de um atendimento decente.” (Paula)

      Discordo, Paulinha. O que falta ao SUS para propiciar um ótimo atendimento é cultura, não financiamento. Lógico que o financiamento faz muita diferença, mas não existe financiamento capaz de superar as dificuldades geradas por uma cultura de gerenciamento medíocre, burocrático e desumano.

      O Brasil tem piorado rapidamente como país de escolha de moradia para quem aprecia refinamento, qualidade, elegância, eficácia. A cultura implantada em nosso país pela corja “politicamente correta” é uma cultura de nivelamento por baixo, em que todos os valores são ditos iguais, o que é muito conveniente para atrair a simpatia das grandes massas ignorantes, desqualificadas e negligentes para com tudo que lhes ultrapasse os prazeres e benefícios de curto prazo.

      Tu que moraste na Holanda… Qual a chance de convencer o governo de lá a invadir o Brasil? 😛

      “por isso nos USA o Obama esta’ tendo muitas dificuldades para implantar um sistema que garanta atendimento a todos: todos nao querem pagar pelo atendimento dos irresponsaveis.” (Paula)

      ÊPA! Um elemento ideológico beeem reacionário entrou rasgando na nossa conversa com essa frase, Paulinha. Até onde eu sei, o Obama não quer “sustentar irresponsáveis” e sim garantir atendimento de saúde universal – o que inclui muito mais gente que não tem condições de permanecer no topo da pirâmide de renda de uma sociedade altamente competitiva e excludente (como toda sociedade capitalista) do que “irresponsáveis”.

      Como é o sistema de saúde nos países nórdicos, onde existe um baixo coeficiente de Gini e um Estado de Bem Estar Social bastante funcional? É “pague quem puder”? É um lixo como o SUS?

      “se nao houvesse irresponsabilidade (que tu gostas de chamar de “minha liberdade de decidir o que quero fazer da minha vida”), haveria dinheiro para pagar pelo atendimento de quem adoece independente de responsabilidade. Assim, o teu familiar que de certo precisa de uma cirurgia por causa nao evitavel, teria acesso a um atendimento mais decente.” (Paula)

      Afff… Onde raios eu alguma vez disse que o Estado deve sustentar indiscriminada e irresponsavelmente a irresponsabilidade, Paulinha?

      Minha posição sempre foi: nada deve ser proibido, o cidadão deve ter liberdade de andar de moto sem capacete, de carro sem cinto de segurança, deve poder comprar drogas recreativas no boteco ou na farmácia, etc… Mas deve haver uma regulamentação inteligente que permita o exercício de todos estes direitos sem prejudicar terceiros – inclusive, nos casos em que o exercício destes direitos implique um aumento de custos para o erário público, um sistema de financiamento suportado por aqueles que praticam atividades de risco, como por exemplo um “seguro obrigatório para tratamento de câncer” embutido nos cigarros, um “seguro obrigatório para tratamento de trauma ou paraplegia” para quem salta de bungee-jump, e assim por diante.

      “Liberdade com responsabilidade” era o lema da escola onde nos alfabetizamos. Eu interiorizei o conceito em sua plena extensão. 😉

      “o sus ‘e a ultima instancia, ‘e o minimo dos minimos.” (Paula)

      Mas deveria ser bem mais do que isso.

      “Infelizmente voce nao pode esperar muito mais que isso. E’ um salve-se quem puder.” (Paula)

      Olha bem o que escreveste… deveria ser assim?

      “quantos meses teu familiar esperou pela cirurgia ser marcada? eu vi paciente com perna quebrada ser operado 50 dias depois do trauma, por falta de leito ou horario disponivel de bloco cirurgico em Brasilia.” (Paula)

      Quanto a isso não houve problema. Na verdade meu familiar solicitou adiamento da cirurgia devido a negócios que estavam em andamento e foi prontamente atendido, sem que tenha havido dificuldade para remarcar a cirurgia para uma data próxima e conveniente. Por uma questão de justiça é necessário registrar que neste aspecto não tivemos nada a reclamar. Alguma coisa tinha que funcionar bem, né?

    4. vais financiar o custo do atendimento do tetraplegico que sobreviveu ao acidente de moto enqto dirigia embriagado.

      Ok.

      Quem vai pagar o financiamento? A aposentadoria do elemento? Sim porque ele nao vai mais produzir nada depois do acidente.

  5. Eu odeio comparar, mas eu vou descrever a experiencia de pacientes onde eu trabalho, para ilustrar que existe uma distancia muito grade entre o servico prestado pelo HSL-PUC e algo que seja factivel. Quanto mais comparando com o ideal!

    1) Paciente chega no hospital de carro, para na entrada para desembarque de pacientes, que tem espaco e tempo para desembarque de pacientes de qualquer idade e necessidade.
    2) O atendente de “garagem” verifica que tipo de necessidade o paciente tem e providencia (nada, uma cadeira de rodas, uma maca).
    3) O atendente oferece o servico de Valet (gratis). Se o motorista preferir largar o paciente ali com outro familiar e ir estacionar sua maquina imaculada, o garagista ensina como e onde entrar para estacionar, que elevador ou caminho pegar, etc
    4) Ha’ idosos na recepcao, trabalhando, indicando onde ir para quem esta’ chegando pela primeira vez. Isso ajuda na inclusao social do anciao, que ja’ nao tem o mesmo pique para ser contador, adminstrador, professor , etc
    5) O paciente vai para o check in e recebe um bipe/vibracall. Assim, quando chega a vez do paciente, ninguem grita seu nome aos 4 ventos, preservando sua privacidade (imagina que beleza ouvr o teu nome alto e em bom tom no consultorio de impotencia, ou coisa semelhante).
    6) Nas cirurgias, enqto o paciente estiver no hospital, ele ‘e visto pelo menos 2 vezes pelo seu medico, ou equipe medica. Manha e noite. Mais vezes se necessario. NUNCA um paciente vai ficar no hospital por 24hr sem ser visto por um medico. Isso ‘e inaceitavel.
    7) Atendentes, enfermeiros, segurancas, todos, te atendem com um sorriso e perguntam o que precisas, “how may I help you, sir?” E respondem imediatamente a tua necessidade.
    8) Atendente social determina as necessidades da familia durante a hospitalizacao e em casa apos a alta. Tudo ‘e planejado de antemao.
    9) Ao sair do hospital, se deixaste a tua maquina com o garagista, entregas a ele o tiquete. Ele sai correndo (literalmente) ou envia radio para o colega que ja’ esta’ na garagem esperando. Teu carro chega em 5 min, na porta do hospital, setor de embarque/desembarque de pacientes. Se o paciente esta’ lento, sem problemas, ninguem fica buzinando nem nada, tem espaco para todo mundo. Entregas 2 mangos de $$ gorjeta para o manobrista e ele fica feliz.
    10) ah, sao 12 elevadores que servem TODOS os andares.
    11) todas as pessoas podem ter um familiar com elas em 100% do tempo, exceto no bloco cirurgico e na emergencia.
    Nao ‘e perfeito, mas o usuario do sistema, sendo o paciente, e’ quem manda.

    1. HAHAHAHAHA!!!

      1, 2 e 3) Paciente chega de carro e tem que se virar pra achar uma vaga, disputando com alunos e funcionários. Tem quinze minutos de cortesia, o que obviamente não dá pra nada – a não ser que alguém o deixe no hospital e vá embora com o carro. Se ficar até uma hora paga R$ 4,30, até quatro horas paga R$ 7,00 e mais que isso paga R$ 14,00 a diária.

      4) Paciente aguarda na fila para pegar senha para entrar na fila da triagem para entrar na fila do atendimento da emergência. Se for emergência mesmo, tem que entrar alguém junto já gritando e chutando a porta pra entrar ou vai morrer na fila esperando a classificação de risco na triagem.

      5) Atendente pergunta ao paciente na frente de todo mundo qual é o problema dele, depois o chama duas vezes bem alto pelo nome – uma para a triagem, outra para o atendimento.

      6) Meu familiar fez a cirurgia na sexta-feira pela tarde e só apareceu um médico novamente na segunda-feira pela manhã. Foram mais de 50 horas sem que um médico olhasse para ele.

      7) Loteria, com mais ou menos as mesmas chances de acertar os quinze pontos. Há funcionários atenciosos, mas são a minoria.

      Quando eu precisei de um atendimento de emergência, no fim do ano passado, uma médica chamou a segurança para me expulsar do consultório porque eu disse que não era necessário o exame de R$ 800,00 a que ela insistia que eu me submetesse e reclamei que queria uma solução (que eu sabia qual era, mas o sistema fascista vigente no país me impede de adquirir o medicamento adequado para cuidar da minha própria saúde sem antes pagar a “proteção” da máfia) e não um paliativo (ela queria apenas me dar um analgésico, o que me impediria de monitorar o agravamento de minha condição). Fui reclamar na ouvidoria e o empurrador-de-problemas-com-a-barriga de plantão me disse que “não podia fazer nada”, porque “o médico é que sabe o que é necessário fazer e eu (ele) não sou médico”. Então pra que a bosta da ouvidoria do Hospital São Lucas da PUCRS?

      8) Havia quatro pacientes idosos num quarto onde só deveria haver três leitos e apenas duas cadeiras para acompanhantes. O familiar que quiser uma cadeira para acompanhar o paciente durante a noite tem que pedir e torcer para ser atendido. Se os quatro acompanhantes pedirem cadeiras adequadas para passarem a noite, não há espaço no quarto para atender a todos – a não ser nos pés das camas, no meio do corredor, atrapalhando o acesso dos técnicos de enfermagem.

      9) HUAHUAHUAHUAHUAHUA!!! É fila pra pagar o estacionamento e bloqueio de cancela – impedindo a fila atrás de andar – se o tíquete não tiver sido “validado”. Não há escape lateral e foram eliminados os guichês para pagamento na saída, suponho que para economizar o salário de alguns funcionários, então o motorista tem que pedir para a fila inteira para dar a ré para conseguir voltar ao quiosque onde deve pagar o estacionamento.

      10) Havia UM elevador funcionando para atender o sexto andar inteiro, que deve ter uns duzentos leitos.

      11) Fui informado que meu familiar poderia ter atendente 24h/dia devido ao Estatuto do Idoso, mas dá pra ter uma idéia de como o familiar é tratado pelo fato de eu ter sido ameaçado com a segurança simplesmente porque fui com outra pessoa levar até o quarto – quando o paciente chegou ao quarto, fora do horário de visitas – uma mala com roupas objetos pessoais.

      12) No Brasil o paciente tem o direito de escolher entre obedecer sem reclamar e reclamar sem ser atendido. Muito respeitoso.

    2. estes itens que eu elenquei no comentario da comparacao nao sao hipoteticos. Eles sao reais. Eu nao estou falando em tese. Eu estou descrevendo um fato.

  6. voce nao deveria estar rindo, mas chorando.

    o sus nivela totalmente por baixo. Eu mesma atendi muito bandido pelo sus (nao me cabia julgar se o cara era ou nao bandido, a mim cabia atende-lo), e os acompanhantes no minimo vem armados. Se o seguranca foi truculento contigo, ‘e por que ele tem que lidar com gente truculenta dia e noite. Nao tem como chegar na noite, ver um homem adulto perambulando no corredor do hospital fora de horario de visita, e perguntar: o sr. e’ educado e de boa indole ou marginal? para entao saber como trata-lo…

    pelo numero de problemas no HSL-PUC, me admira que insistas com este hospital.

    1. Eu aprendi a rir para não infartar de raiva, Paulinha. Eu não sou um conformista, eu sou um solucionador. Se vejo um problema em minha frente, minha cabeça imediatamente começa a pensar em como solucioná-lo. Faço um mapa mental da questão, identifico a natureza do problema em meio aos elementos circunstanciais, modelo uma solução, avalio as necessidades para implantação do modelo, faço um inventário de recursos, avalio a viabilidade, faço as correções necessárias e lanço a solução. Tudo isso de modo praticamente automático. “Culpa” do meu treinamento em método científico e em modelagem de sistemas e da minha indefectível ingenuidade de achar que todos os problemas humanos poderiam ser solucionados com um pouco de inteligência, boa vontade e bom senso.

      Mas o cara do corredor sabia com quem estava lidando, porque já havíamos conversado com ele antes. Foi grosseria, mesmo.

    2. tu sabes quanto ele recebe por mes para estar ali no corredor enxotando gente de boa ou de ma’ indole, numa escala de plantao muitas vezes feita por um passivo-agressivo que resolveu persegui-lo?

      nao ‘e uma tentativa de justificar o injustificavel. o empregado do SUS esta’ tao frustrado quanto o usuario do sus.

      voce nao ‘e o unico com treinamento em metodologia e coisa e tal. quando o governo dos Estados Unidos resolveu mudar o sistema de saude para torna-lo mais “humano”, enviou tecnicos gabaritadissimos para varios centros brasileiros para aprender como funciona o famoso SUS. Autores brasileiros foram convidados a escrever pelo sus para uma edicao especial da revista medica secular The Lancet. Qual foi a conclusao? nao existe como fazer o atendimento pelo SUS acontecer de forma adequada para 190 milhoes de brasileiros ou para 250 milhoes de norte americanos. Nao ha’ dinheiro que pague.

      Alem disso, nenhum americano aceitaria ver seus dolares de impostos serem usados pelo SUS para pagar a cirurgia de fratura de perna de um imprudente que tivesse sofrido um acidente embriagado, ou pulado de paraquedas; o cancer de garganta de um fumante que toma alcool todos os dias na forma de cerveja ou cachaca; do cara que chega com necrose de septo nasal por cheirar cocaina; para nao dizer hopsitalizacao prolongada porque o paciente nao tem familia e nao tem para onde ir…

      Se alguma pessoa no Brasil tem a chance de ser atendido de qualquer forma que nao seja o SUS e prefere o SUS, esta pessoa deve ser avaliada quanto a sua capacidade de discernimento.

      O SUS nao ‘e perfeito, mas ‘e melhor que nada.

  7. Arthur tu es um cara instruido.
    Eu estou admirada que tu sejas usuario do SUS achando que o atendimento deveria ser o do Memorial Sloan K. de NY.
    O SUS ‘e sistema de guerra. A culpa nao e’ do governo. Pode por 300 governos diferentes de partidos diferentes no poder e nao vai resolver, pois ‘e um sistema de medicina socializada num pais regido pelo capitalismo, atendendo uma populacao deseducada e imprudente, alem de totalmente deficitario. Nao ha’ dinheiro nem nos USA para pagar pelo SUS modelo, como foi concebido nos anos 80, mas operando em 2012. Sao 30 anos depois, e muita coisa mudou, inviabilizando atendimento de qualidade dentro do sistema.

    1. Deixa eu te contar uma coisinha… O atendimento privado à saúde no Brasil está falindo também. Não que esteja ganhando pouco dinheiro, mas, como há milhões de brasileiros fugindo desesperados do SUS, os convênios simplesmente não estão conseguindo oferecer um serviço difeerenciado. A fila de espera no SUS e na porta ao lado, dos convênios, é igual. Os médicos são os mesmos, a estrutura é a mesma, os prazos são os mesmos, o caos é o mesmo. A situação é de chorar em qualquer hipótese.

      Tá feia a coisa por aqui, graças a um povo que elege o governo federal pensando na repartição das migalhas do butim dos impostos através do bolsa-família e que acha mais importante investir em Copa do Mundo de Futebol do que em escolas e hospitais.

      O Brasil está afundando na lama.


    2. “Nao ha’ dinheiro nem nos USA para pagar pelo SUS modelo, como foi concebido nos anos 80, mas operando em 2012. Sao 30 anos depois, e muita coisa mudou, inviabilizando atendimento de qualidade dentro do sistema.” (Paula)

      Como foi concebido nos anos 80, realmente não. Mas condições de prestar um ótimo atendimento universal à saúde se o sistema for replanejado e redimensionado.

      A alternativa seria admitir que vamos deixar muita gente morrer ou ficar seqüelada porque não é interessante economicamente salvar essas pessoas do sofrimento.

    3. o SUS ‘e um sistema de medicina socializado.

      quando acaba o dinheiro dos outros (que pagam pelos custos socializados), acaba o socialismo.

    4. nao ha’ Arthur. Se houvesse, estaria em andamento tanto no SUS quanto nos convenios. E teria sido adotado nos USA.

      Infelizmente nao ha’.

      Se algum pais quiser colocar 50% do seu PIB em saude, pode se preparar porque vai quebrar.

      Se quiseres falar de Holanda, pergunte a um holandes quanto ele paga de imposto por ano. Ah, e o sistema de saude NAO E’ socializado. Nao, voce paga mensalidade em euros, proporcional ao seu salario. SEM LIMITE de custo ou aliquota.

    5. “há condições de prestar um ótimo atendimento universal à saúde se o sistema for replanejado e redimensionado.” (Eu)

      “nao ha’ Arthur. Se houvesse, estaria em andamento tanto no SUS quanto nos convenios. E teria sido adotado nos USA.” (Paula)

      Posso rir de novo? 🙂

      Paulinha, esse “se houvesse jeito, seria feito” foi a coisa mais ingênua que li no nosso debate. 🙂

      Não é “se houvesse, seria feito”, é “se houvesse jeito e se os gestores de nossa sociedade fossem inteligentes, honestos e bem intencionados, seria feito”.

      O problema não é técnico, é moral.

    6. Arthur, O SUS foi avaliado a fundo ha’ 3 anos atras por tecnicos internacionais para tentar implantar o sistema tao bem falado (por brasileiros orgulhosos) em outros paises. Mesmo corrigindo todos os defeitos, NAO HA’ como financiar o atendimento no nivel de refinamento do seculo 21. Por exemplo, a maior parte dos remedios para cancer que se usa hoje nos estados unidos e europa nao estao disponiveis pelo SUS. Alguns destes remedios curam cancer. Isso significa que o paciente da Oncologia do SUS esta’ sendo tratado pela tecnologia que era disponivel em 1990, e olhe la’. Algumas cirurgias hoje sao feitas com o auxilio de um robo, pois os resultados sao melhores que sem o robo. Quantos hospitais do SUS no Brasil tem o robo para usar no bloco cirurgico?

      A falta de remedios, de equipamentos, de espaco fisico e de recursos humanos nao ‘e ma’ vontade do gestor. Se voce quiser comprar um palacio 5 estrelas, deve estar preparado para pagar o preco. Senao estiver, tem que se contentar com a barraquinha sem ar condicionado ali da esquina. No caso da saude, nao basta comprar o palacio, pois a demanda ‘e continua e crescente. Alem disso, o fato de ser gratuito gera uma distorcao na percepcao do usuario, que o desvaloriza, propiciando o mau uso. “Eu me cuidar? por que? O Governo que me cure”.

    7. O problema aqui infelizmente e’ matematico. Ou seja, tem muito pouco espaco para subjetividade, paixao e socialismo.

    8. Paulinha, o resultado de um estudo depende da teoria que fundamenta tal estudo. Eu não sabia que “o SUS foi avaliado a fundo ha’ 3 anos atras por tecnicos internacionais para tentar implantar o sistema”, mas fiquei aqui pensando: qual a teoria econômica usada para fundamentar tal estudo?

      Eu sei qual foi, é claro. E não duvido que tenham chegado à conclusão de que o SUS é “economicamente inviável”. O pulo do gato está na definição do que é “econômico”.

  8. mais: voce nao pode confundir o desastre do atendimento pelo sus com uma ideia de degeneracao da medicina. Se voce fizer isso, vai estar defendendo que o mundo e a medicina se resume ao sistema de saude utilizado pela maior parte dos brasileiros. Isso ‘e ridiculo.

    eu sugiro que o titulo destes artigos seja “sistema unico de saude degenerado”.

    Este sistema foi bolado por conhecedores da saude publica inglesa e brasileira dos anos 80. Ja’ era deficitario naquela epoca, pois medicos nao tem uma reputacao muito boa em administracao, contabilidade e economia. E veem administradores querendo cortar custos como inimigos de seu paciente, a quem juraram proteger, no primeiro dia da profissao. Infelizmente para piorar a situacao, o SUS nao foi atualizado conforme o crescimento da demanda da populacao e da tecnologia a ser oferecida.

    Hoje em dia uma pessoa que tenha recursos para pagar o atendimento totalmente privativo ‘e uma excecao real, coisa que acontecia com certa frequencia nos anos 80 (para dar exemplo de como o custo do atendimento mudou, junto com a expectativa da populacao sobre o que deva ser feito).

    Ate’ os convenios que sao pagos a peso de ouro pelos usuarios, tem problemas para arcar com todas as despesas de tratamento dos pacientes. Eles criam normas a toda hora para limitar os custos, constantemente crescentes.

    O SUS nao tem chance, como eu disse, mesmo que o Brasil ponha 50% de seu PIB na saude. Ou seja, e’ a ultima instancia para alguem receber algum atendimento.

    1. Bem, eu escrevo um blog em língua portuguesa, no maior país de língua portuguesa do mundo, sobre o que acontece com a medicina aqui… Pensei que estivesse implícito que não falo pela madicina como é praticada na Suécia, na Finlândia, na Dinamarca, no Congo, na Somália e em Bangladesh…

      NO BRASIL a medicina como um todo está degenerada, tanto no que diz respeito à administração do sistema quanto ao que diz respeito à ideologia médica.

      Exemplo de degeneração na administração do sistema: só no Rio Grande do Sul, nos últimos sete anos, houve perda de 2.500 leitos do SUS, representando uma perda de 10% do total de leitos perante uma população que ainda está crescendo.

      Exemplo de degeneração na ideologia médica: o Conselho Federal de Medicina e o Congresso Nacional roubaram do cidadão o direito de cuidar de sua própria saúde sem antes pagar e submeter-se às ordens e exigências de um terceiro.

      Eu reclamo mais da degeneração na área médica só porque é onde mais me dói (literalmente) e onde mais corro riscos graves, mas a degeneração do Brasil é sistêmica, motivada por uma cultura cada vez mais hegemônica de mediocridade e descaso.

  9. Ei Arthur desculpa ressucitar o post mas precisava postar isso:

    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302000000300002

    Que você acha dessas tais ‘Cirurgias espirituais’? kkkkkkkkk….

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