Estive recolhendo alguns exemplos de “lógica politicamente correta” para fazer uma análise de suas contradições, mas fui surpreendido por uma constatação chocante: nem de longe o “politicamente correto” é um sistema ideológico meramente arbitrário. Pelo contrário, ele possui uma meta-lógica impecável, coerente e consistente com seus objetivos. Mas vamos por partes. Neste artigo procure apenas identificar o padrão lógico mais evidente. A razão de ser deste padrão será analisada no artigo seguinte. 

Quando uma mulher ganha mais que um homem, isso é reconhecimento profissional. 

Quando um homem ganha mais que uma mulher, isso é sexismo. 

Quando uma mulher esconde seu filho do pai da criança, isso se chama produção independente. 

Quando um homem esconde seu filho da mãe da criança, isso se chama abdução ou seqüestro. 

Quando um negro usa uma camiseta escrito “100% negro”, isso é ação afirmativa. 

Quando um branco usa uma camiseta escrito “100% branco”, isso é racismo. 

Quando um homossexual vai à passeata do orgulho gay, isso é luta contra o preconceito. 

Quando um heterossexual vai à passeata do orgulho hetero, isso é homofobia. 

Quando a maioria vota a favor do que os PCs querem, isso é democracia. 

Quando a maioria vota contra o que os PCs querem, isso é manipulação da consciência popular. 

Quando os grupos sociais dos PCs se destacam numa atividade, isso é prova de mérito. 

Quando outros grupos sociais se destacam numa atividade, isso é evidência de privilégio. 

Quando os grupos sociais dos PCs são super-representados, isso é justiça social. 

Quando outros grupos sociais são super-representados, isso é discriminação inaceitável. 

Quando um PC faz piada sobre outros grupos, isso se chama humor inocente. 

Quando outros grupos fazem piada sobre os PCs, isso se chama violação de Direitos Humanos. 

Quando os PCs ofendem alguém na internet, isso é liberdade de expressão. 

Quando alguém critica os PCs na internet, isso é injúria e difamação. 

Quando os PCs se organizam pra mamar dinheiro púbico, isso se chama blogosfera progressista. 

Quando os outros se organizam para mamar dinheiro público, isso se chama formação de quadrilha. 

Qual é padrão por trás das contradições?

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 27/09/2012

 

14 thoughts on “Lógica politicamente correta (parte 1)

  1. estas sao constatacoes que nao podem ser generalizadas para o contexto internacional.
    Me lembram a celebre frase de um poderoso no brasil:”para meus amigos, tudo; para meus inimigos, a Lei!”

    1. Bom, eu vivo no Brasil… E aqui os PCs pensam e pregam exatamente assim. Posso mostrar centenas de exemplos, basta dar uma navegadinha na “blogosfera progressista”.

  2. Ó que bacana, todo moleque aprende que não se deve tirar farinha com um cara maior que ele, aí algumas mulheres pensam que podem agir como homens mas não querem ser tratadas como homens:
    http://paulofavari.wordpress.com/2012/09/24/quando-tornam-a-agredida-culpada/#volta-2

    1. Peraí, André… Não estás justificando o que o imbecil que deu a rasteira na moça fez, né? Independentemente de ela ser mulher ou homem, o cara que cometeu uma agressão por causa de uma simples torcidinha para o time rival é um imbecil.

    2. Nesse caso não tem santo.

    3. Eu entendi o raciocínio defendido, mas como não concordo com as agressões a homens por provocações de futebol tambem acho que o agressor errou.

    4. Acredito que André faz raciocínio similar ao do artigo que causou polêmica sobre minissaia e estupro.

    5. Captei a mensagem, ó idolatrados gurus. 🙂

      De fato, do ponto de vista do gerenciamento de riscos, a estrutura do raciocínio é a mesma… Mas há uma diferença imensa de GRAU.

      O abismo entre sair vestida de piranha num ambiente perigoso e sem recursos de segurança e fazer zoeira durante uma brincadeira entre amigos é tão grande que até eu que escrevi o artigo sobre gerenciamento de risco não vi a coisa sob esta ótica.

      Interessante como o ambiente cultural nos faz perceber os riscos de modo bem diferente, não é?

    6. Olha, cara, eu nem tinha lido a história quando comentei, mas na boa, eu acharia mais arriscado provocar um torcedor que usar roupa curta; não acho que roupa curta seja coisa “de piranha” e acho deploráveis as agressões nos dois casos.

    7. Roupa curta é roupa curta, roupa de piranha é roupa de piranha. Não são sinônimos, ainda que freqüentemente roupa de piranha seja curta.

    8. Arthur, eles não eram amigos, nem eram conhecidos. Tanto que a moça tentou usar a LMP e a delegada se recusou por entender que não podia haver violência doméstica entre pessoas desconhecidas. O cerne do meu comentário é que gerenciar risco baseado no bordão que em mulher não se bate é burrice.

    9. Para as mulheres, com certeza esse é um mau princípio de gerenciamento de risco. :-/

  3. O padrão seria a própria hipocrisia, porém ninguém quer admitir.

    1. Não é bem isso. Vou tratar de escrever logo a segunda parte do artigo.

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