Na primeira parte deste artigo vimos que os politicamente corretos consideram as mesmas ações certas ou erradas conforme o agente que as pratique. Na segunda parte vimos que essa ideologia é messiânica e fundamentalista. Nesta terceira parte veremos por que ela é tão atraente para os medíocres e/ou mal intencionados. 

Eu havia perguntado qual era o padrão por trás do modo politicamente correto de “resolver” as mazelas que atingem seus grupos sociais de predileção. Mais especificamente, perguntei: qual é a solução que os PCs apontam para a gravidez indesejada, para a sub-representação de negros nas universidades e para a interdição de doação de sangue por parte dos homossexuais masculinos? E o que essas soluções têm em comum? 

O leitor Gabriel respondeu perfeitamente a primeira questão: 

Aborto, cotas e fim da interdição para a doação de sangue. As três propostas se pautam pela mesma linha de raciocínio: O Estado e a sociedade devem atender incondicional e acriticamente todas as nossas reivindicações, por mais injustas e absurdas que sejam, e eles que engulam os prejuízos. Ah, e quem reclamar é um reacionário-machista-racista-homofóbico, e deve sofrer. (Gabriel)

Só faltou identificar o padrão subjacente a estas três soluções. Vejamos: 

A solução digna e razoável para a gravidez indesejada é a utilização criteriosa e cuidadosa de algum métodos anticoncepcional, o que pode ser feito com um pouco de previdência e o uso de preservativos, pílulas hormonais e outras possibilidades. Mas isso exige responsabilidade e algum grau de esforço. 

A solução politicamente correta para a gravidez indesejada é solicitar a um terceiro que cometa o  assassinato de um inocente para resolver o problema, o que deve ser pago com dinheiro público. Uma solução que não exige, para os interessados, nem responsabilidade, nem esforço, e lança todo ônus nas costas de terceiros. 

A solução digna e razoável para a sub-representação de negros nas universidades é o estudo para qualificar-se para a competição do vestibular, como qualquer indivíduo de qualquer outra raça deve fazer, o que pode ser feito com um pouco de organização e dedicação. Mas isso exige responsabilidade e algum grau de esforço. 

A solução politicamente correta para a sub-representação de negros nas universidades é interditar metade das vagas das universidades para quem não preencher o critério racista de ser negro. Uma solução que não exige, para os interessados, nem responsabilidade, nem esforço, e lança todo ônus nas costas de terceiros. 

A solução digna e razoável para a interdição de doação de sangue por parte dos homossexuais masculinos é reduzir a probabilidade de contaminação pela doação de sangue de indivíduos deste grupo ao mesmo nível dos grupos que podem doar sangue, o que pode ser feito com um pouco de regramento da vida sexual. Mas isso exige responsabilidade e algum grau de esforço. 

A solução politicamente correta para a interdição de doação de sangue por parte dos homossexuais masculinos é exigir por via judicial via judicial o direito de doar sangue, mesmo que isso aumente as chances de terceiros serem contaminados por uma doença fatal e freqüentemente incapacitante cujo tratamento é desagradável e penoso. Uma solução que não exige, para os interessados, nem responsabilidade, nem esforço, e lança todo ônus nas costas de terceiros. 

Creio que o padrão está claro: soluções dignas e razoáveis exigem responsabilidade e esforço, coisas das quais os medíocres e os mal intencionados querem distância; soluções politicamente corretas, todavia, não exigem nem responsabilidade, nem esforço, lançando todo o ônus nas costas de terceiros, o que é tudo que os medíocres e mal intencionados desejam. 

Não é difícil julgar o caráter de quem aprova o politicamente correto. As opções são três: ou é medíocre, ou é mal intencionado, ou ambos. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 29/09/2012

45 thoughts on “Lógica politicamente correta (parte 3)

  1. No que depender de alguns politicamente corretos e irresponsáveis, mais preocupados com os sentimentos de uns do que com a saúde de muitos, a interdição para doação de sangue por homossexuais masculinos está com os dias contados: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2017/10/26/pedido-de-vista-suspende-julgamento-sobre-doacao-de-sangue-por-gays-no-stf.htm

    E o Pensar não Dói acabou por prever o futuro. Que Darwin tenha piedade do macaco falante.

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