O Ministério Público Federal impetrou ação civil pública para que o Banco Central remova a expressão “Deus seja louvado” das notas de Real. Nem sequer sonhe com a possibilidade de que isso represente uma afirmação dos valores iluministas – isso é apenas uma briga entre fanáticos de seitas que se odeiam. Ganhe quem ganhar a briga, o Brasil sairá perdendo. 

As alegações do MPF são duas: primeira, que manifestações oficiais de natureza religiosa ferem o princípio de laicidade do Estado; segunda, que a frase “Deus seja louvado” privilegia uma religião em detrimento das outras. 

Já o Banco Central responde que a própria Constituição traz em seu texto o registro de que foi promulgada “sob a proteção de Deus” e que “não há referência a nenhuma religião em especial”, pelo que a frase não seria inadequada. 

Um dos trechos da ação diz o seguinte: 

“Imaginemos a cédula de real com as seguintes expressões: ‘Alá seja louvado’, ‘Buda seja louvado’, ‘Salve Oxóssi’, ‘Salve Lord Ganesha’, ‘Deus não existe’. Com certeza cristalina haveria agitação na sociedade brasileira em razão do constrangimento sofrido pelos cidadãos crentes em Deus.” (Fonte: Diário do Grande ABC.

Não faltou quem tenha imaginado uma “solução de consenso”: 

Ridículo, não é? Mas isso é só o início. O show de sofismas mal começou: 

O secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Leonardo Ulrich Steiner, afirmou nesta terça-feira (13) que há “coisas muito mais essenciais” para se preocupar do que a retirada da expressão “Deus seja louvado” das notas de real, pedida em uma ação protocolada ontem pelo Ministério Público Federal. (Fonte: Agência de Notícias Jornal Floripa

Concordo integralmente. Há coisas muito mais essenciais do que se preocupar com a retirada da expressão “Deus seja louvado” das notas de Real, portanto as igrejas cristãs – católica, protestantes e evangélicas – poderiam muito bem não se meter nesse assunto de Estado e ignorar solenemente a permanência ou retirada dessa frase religiosa das notas de dinheiro de um Estado laico e tratar de se preocuparem com a salvação das almas de seus fiéis. 

Um certo cara uma vez disse “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus“. Talvez fosse interessante que as lideranças religiosas cristãs – que são as que estão fazendo barulho – dessem uma folheada no seu Manual de Instruções e conferissem quem foi que disse isso. 

A coisa vai piorar

Já tem gente alardeando que a tal iniciativa é “obra de Satanás e de sua horda de ateus”. Não me surpreendo em absolutamente nada, uma vez que acirrar as animosidades com um discurso acusatório que bloqueia a capacidade de pensar com ponderação e plausibilidade é a mais eficaz ferramenta para quem não tem razão – e neste caso nenhum lado tem razão.

Um dos lados não tem razão por insistir em violar o laicismo, o outro não tem razão por provocar uma crise absolutamente desnecessária, de valor meramente simbólico, que por isso mesmo tem um intenso fedor de manobra diversionista. É um jogo de bandido e bandido, no qual os inocentes que desconhecem os interesses por trás das fachadas serão as únicas vítimas – como sempre. 

Para quem duvida de que a coisa vai piorar, sugiro a leitura do artigo intitulado “As entranhas satânicas de um juízo ateu ou a politização da nossa ligação com DEUS?” Além do título do artigo, que fala por si só, um pequeno trecho extraído do texto dá uma idéia adequada da “lógica” que veremos invadir todos os fóruns de discussão sobre este tema: 

Está faltando base teológica aos propositores desta desclassificação de DEUS.

Em ATOS dos apóstolos: Atos 4:10 seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, nesse nome está este aqui, são diante de vós, Atos 4:11 Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta como pedra angular e Atos 4:12 E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos. Não há nenhum outro NOME, debaixo do céu, capaz de ser ligado à SALVAÇÃO da humanidade. E muito menos da salvação da humanidade brasileira. 

Você percebe o que acaba de acontecer? Uma nova onda de recrudescimento do fanatismo religioso acaba de ser deflagrada porque meia dúzia de imbecis “politicamente corretos” impetrou uma ação irrelevante para infligir uma derrota irrelevante contra um símbolo irrelevante.

Resta saber se isso foi mera estupidez ou se foi um movimento planejado para agravar conflitos e abrir espaço para a implementação de mais alguma medida autoritária, como este blog tem denunciado incessantemente ser a estratégia preferida deste governo e dos “movimentos sociais” que lhe dão sustentação. Como eu não acredito em fadas… 

Enquanto isso, em Pindorama

Temos uma imensa e inexplicada onda de homicídios acontecendo em São Paulo, ataques terroristas com queima de ônibus em Florianópolis, genocídio de indígenas no Mato Grosso do Sul, desprezo pelas medidas cautelares solicitadas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos para proteger as populações da área inundada e do entorno da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, massacres nos presídios do sudeste do país, 16 milhões de brasileiros vivendo com menos de R$ 70,00 por mês, milhares de desabrigados e centenas de mortos toda vez que acontece uma chuva mais forte, uma onda de corrupção que convulsiona os Três Poderes da União, etc., etc., etc…. 

E o Brasil vai gerar uma onda de intolerância religiosa e gastar milhões de horas e de Reais na discussão de uma porcaria de uma frase irrelevante nas notas de Real “em nome dos princípios do Estado brasileiro”.

Que o Brasil não é um país sério, isso muita gente já diz há muito tempo. Mas que o Brasil nem sequer pretende ser um país sério, isso pouca gente parece perceber. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 14/11/2012 

49 thoughts on “Sai o “Deus seja louvado”, entra o “Deus nos acuda”

  1. Eu sou ateia e juro que não tinha notado isso escrito na nota até alguém me chamar a atenção pra frase.
    E sério, tanto faz.
    O que eu entendo por Estado laico talvez seja uma distorção – nenhum tipo de intervenção de nenhum tipo de religião nos assuntos de Estado -, e nesses termos eu defendo a plena laicidade do Estado, mas talvez por eu não estar nem aí pra nenhum tipo de símbolo religioso eu não me importo com um crucifixo na parede de uma repartição pública ou com a frase “Deus seja louvado” numa nota de dinheiro. Muito pelo contrário – se alguém estiver rejeitando tais notas, podem encaminhá-las pra mim, eu aceito-as sem problema nenhum. 😛

    1. E agora surge um boato no Facebook dando conta que a efígie da República da nota é uma representação franco-maçônica. O argumento é: se Deus não pode, a Maçonaria também não. Desde que vi isso, fiquei com duas perguntas na cabeça: “desde quando a efígie é maçônica?” e “desde quando a Maçonaria é uma religião?”… o.O

    2. Se o Estado é laico, o ideal é que não contenha em seus ambientes e instrumentos – como no dinheiro – qualquer símbolo de origem religiosa. O que me incomoda são duas coisas: primeiro, eu tenho 99,9999% de certeza de que as pessoas que estão à frente deste movimento não estão fazendo isso em nome de valores iluministas; segundo, isso foi uma baita queimação de filme da causa do laicismo, porque aconteça o que acontecer haverá uma reação intensa por parte dos teocratas e aproveitadores espertalhões para agitar e manipular a população de ovelhas em direção à des-laicização do Estado.

  2. Sugiro trocar a frase por “Esta nota está perdida, devolver ao André”.

    1. HAUHAUHAUAUAHUHAUHAUAHAHAHAH!!!!!!!

    2. 50%-50% e eu faço campanha da idéia aqui no blog. 😛

  3. QUEM VOTA NO PT QUER QUE JESUS CRISTO E O CRISTIANISMO EXPLODAM!
    Pode parecer exagero mas não é. Explica-se que pretensos membros da Igreja católica, mesmo os separados evangélicos, ambos a seu modo particular procuram todos seguir a Cristo; como podem sê-lo se votam em partido e pessoas materialistas e ateus para governarem a sociedade em que se inserem e estabelecer as justas leis e promover o bem sob o cristianismo para os mesmos? Esses que assim agem, comportam-se todos como Judas Iscariotes e refinados fariseus dando testemunho contra si mesmos.
    Começaram impondo aborto, a pedofilia por meio da ideologia do gênero ensinando as crianças a se ligarem a gays/lésbicas/emos e zumbis desde tenra idade, uniões gays e glbts, retirarem-se crucifixos, celebrarem-se missas ou cultos evangélicos em recintos governamentais, agora querem retira o “Deus seja louvado” e virão outros em cascata automaticamente, falsamente argumentando que o Estado é laico.
    Quem vota no PT tem participação ativa nisso, graças a seu voto é que os ateus estão agindo dessa forma e favorecem um Estado extremamente ativo ateu militante que tem sido o PT.
    No Juízo Final serão todos interpelados: quem são, que desejam; não foram os que em vida se aliaram a Satanás insurgindo contra minhas leis? Incluem-se nesse contexto anti Cristo a hérética Teologia da Libertação-TL de alguns comunistas sacerdotes e leigos e evangélicos que a adotaram o seu recém criado criatianismo progressita (comunista), a TL evangélica; farinha do mesmo saco.
    São todos candidatíssimos a um bem no FOCINHO: NÃO VOS CONHEÇO!

    1. A coisa é um pouquinho mais complexa, mas adianta dizer isso? Nem todos os ateus são petistas, ou defendem o aborto, nem todos os gays são ateus e há pedófilos em igrejas.

      O cara do link que o Arthur postou colocou 95% da humanidade como monoteista! Tem os hinduistas, xintoistas, animistas, budistas, taoistas, ateus, agnósticos que perfazem bem mais que 5% da população. Mas adianta dizer isso?

      Concordo com o geral, não deveria estar escrito isso nas notas, mas no momento isso não tem nenhuma importância.

    2. Eu não falei que assistiríamos a um recrudescimento do fanatismo religioso?

  4. Caro Arthur! Estou há anos numa cruzada inglória para retirar a palavra “Unimed” da bunda dos jogadores do Inter, do Grêmio e do Fluminense, e substituí-la pela expressão “Neve – toque da Seda!” Mas apropriada, pela localização, como indutora da lembrança da marca! Os custos publicitários da cooperativa a que sou ligado poderiam ser direcionados para algo como, por exemplo…a saúde, e eu ganharia uma graninha extra do departamento de marketing do fabricante de papel higiênico. Mas confesso que a causa é perdida! É como ter que engolir que a copa no Brasil só vai sair por que a cerveja foi liberada.

    E viva a sofismatocracia dos desfocados!

    1. Uma cooperativa médica investir em saúde? Onde pensas que moras? Na Noruega? 😛

  5. Já que podem colocar o nome do famoso Lula e que vive em pobreza extrema, doou tudo pelos pobres, embora a revista Forbes o coloque com dos mais ricos do Brasil, uma injustiça pois éle mora na favela eu iria fazer uma campamha pra colocar nomes como Maluf, Zé Dirceu, Sarney, Renan, Genoíno, seu irmão o capitão cueca; o Delubio também merece uma boquinha nisso.
    É minha sugestão.

    1. essa história do Lula na forbes é fake

      Acho bem legal que comecem a tirar essas representações religiosas, mas quero ver alguém falar em estado laico quando inventarem de tirar os feriados religiosos hahaha

    2. Só faltou “Glória à Maradona” naquela nota de 100. 😛

  6. Concordo contigo,mas se os americanos do norte podem escrever em seu dinheiro IN GOD WE TRUST,porque nós não podemos usar o nome divino em algo tão terreno?

    Briguinha besta esssa.

    Detesto propaganda na “bunda” ( calção ) dos juizes.

    1. Eles também torturam prisioneiros em bases que eles controlam mas que alegam não se submeter à legislação nacional porque ficam fora de seu território. Devemos assumir a mesma prática só porque eles fazem isso?

  7. Ninguém percebeu que esse pessoal do BC é tudo ateu? Que cristão usaria o santo nome de deus em vão? Algums bispos, depois que parassem de cobiçar a mulher (e os filhos) do próximo e pecar contra a castidade, poderiam tentar obedecer esse mandamento também.

    1. Não deixa de ser divertido assistir aos malabarismo retóricos necessários para justificar a luta pela manutenção da frase na nota com o fato de o próprio Cristo ter dito “dai a César o que é de César e a Deus o que é Deus”.

  8. Há alguns anos aqui em Uberlândia/MG a câmara dos vereadores tentou incluir na bandeira do Município a frase “Deus está aqui”. Infelizmente não conseguiram, pois eu realmente gostaria de morar na mesma cidade que Deus. Como a mudança na bandeira não foi aprovada, o jeito é me mudar para Belém/PA, cidade onde Jesus nasceu.
    Na mesma época, no município de Araguari/MG, que dista poucos quilômetros daqui, os vereadores tentaram colocar na bandeira “Deus mora logo ali”, mas por razões óbvias também não conseguiram. :-/

    1. Piadinhas à parte, incrível como tem gente que acha que Deus precisa de homenagens e defesas, né?

  9. Concordo com o Arthur que existem prioridades mais importantes ao MPF.
    Concordo com o Arthur que as intenções do MPF raramente são as mais iluministas.
    Concordo em parte com o Arthur sobre o eventual acirramento dos religiosos. PODE acontecer.
    Concordo em parte que esta pauta não é lá tão importante, mas isso não quer dizer que não seja saudável discutir o assunto.
    Mas…

    1. Concordo que seria saudável discutir o assunto… Se estivéssemos lidando com gente com valores iluministas. O inferno é que basta questionar qualquer coisa em relação aos argumentos de qualquer dos lados desta questão para assistirmos um “espetáculo de mediocridade” de fanáticos de ambos os lados.

      Primeiro é necessário encontrar um interlocutor honesto, inteligente e com boa vontade para chegar a um entendimento. Só depois disso dá pra chamar de “debate” qualquer tipo de troca de informações com esse interlocutor.

      Foi por isso que eu abominei essa iniciativa. A causa é correta, mas não é em nome da correção que ela está sendo levantada – até porque, se fosse correta a intenção dos grupos que propuseram isso, eles teriam impetrado outras causas mais importantes antes, o que não fizeram. E o pior é que o modo inepto como eles lançaram a questão será contraproducente. Podem até ganhar a causa específica, mas isso será uma vitória de Pirro devido ao preço que virá no contra-ataque.

  10. Alguns comentários aqui chegaram a me dar nojo.
    Oras, quer dizer que eu, que sou agnóstico, não posso me incomodar com a expressão “deus seja louvado” no dinheiro que eu uso. É birrinha nossa? É frescura nossa? É falta do que fazer da gente?
    TNC tá?!
    Experimenta escrever “exu seja louvado” nas notas e vai ter crente pondo fogo no pais. Mas ai eles estão no direito deles né?! Ai não tem birrinha, frescura e nem falta do que fazer.
    PQP Arthur, desculpa o desabafo.

    1. O problema é que toda maioria diz que democracia é fazer as vontades da maioria e toda minoria dize que democracia é defender os direitos das minorias. No fundo, no fundo, todos só estão usando a democracia como mastro para suas bandeiras particulares. Ninguém defende de fato os valores democráticos. Eu que não sou um democrata defendo muito mais os valores democráticos do que qualquer dos lados desta questão.

    2. Arthur, só pra deixar bem claro: Eu sou agnóstico e não gosto da frase “deus seja louvado” nas notas de real mas não perco o sono por isso. Sei lá se vão tirar, gostaria que tirassem mas se não tirarem, paciência. Já estou feliz de alguém ter tentado tirar. Agora, incomodar me incomoda.
      E é isso que eu quero dizer, muito pior do que o tal “deus seja louvado” nas notas é gente que não liga a mínima desmerecendo quem se importa. Oras, se você não se importa, sorte sua mas respeite quem se importa. Não venha falar de intolerância dos ateus e agnósticos. Nunca vi nenhum ateu ou agnóstico quebrando algo, fazendo passeata ou ameaçando tocar o terror por causa da inscrição nas notas. Experimenta escrever “diabo seja louvado” nas notas de real que você vai saber o que é intolerância.

    3. Roberto, e desde quando eu ou tu somos exemplo do que rola nas trincheiras supostamente humanistas? 😛

      O que mais tem por aí é neo-ateu com comportamento idêntico ao de qualquer fanático religioso, como muito bem vimos no caso do caneco avoado.

      Esses caras não querem um Estado laico que respeite os valores humanistas, inclusive o laicismo – esses caras gostariam mesmo é de escrever na nota de Real “não existe um deus e todo mundo que discorda é um imbecil alienado”.

      Não é que o “Deus seja louvado” nas notas de Real não me incomode. Eu considero a inscrição inadequada. O problema é que o modo como a questão foi levantada tende a ser contraproducente. A estratégia foi um desserviço para a causa.

    4. Arthur, me perdoe a insistência, mas a parte da “inadequação” eu já concordei contigo. Não é isso que eu estou discutindo, leia de novo o que me incomodou porque eu escrevi DUAS vezes e não vou escrever de novo porque ta bem desenhadinho aqui mesmo.

    5. E qual é a parte na qual a gente discorda além de que tu achas que foi bom colocar o assunto em pauta e eu acho que isso foi feito de modo contraproducente?

    6. Não é a “parte em que a gente discorda”, é que eu manifestei uma indignação e tu respondeu outra coisa. É só ler.

    7. Se não tem mais nada no que a gente discorda, a gente ainda está discutindo por quê? 😛 Eu entendi o desabafo. Faz tempo. 🙂

  11. Achava que era coisa de ateu mulitante. Por exemplo, acho que tirar crucifixos de repartições é até uma afronta, se uma cultura foi formada durante séculos por uma determinada religião, não vejo problema nenhum em ter símbolos religiosos. Um budista, não se sente ofendido em ir a Isreal e ver uma menora na parede do governo, um judeo não se sente ofendido em ver uma cruz numa parede, um cristão não se sente ofendido em ver uma estátua de Buda em um prédio público na Tailandia. Só os ateus que se acham ofendido com isso. Qual o direito um grupelho de militantes tem de querer purificar uma sociedade de suas tradições regiliosas profundamente arraigadas na psicologia de seu povo e querer remodelar toda uma nação a sua imagem e semelhança.

    1. Nelson, às vezes tu és tão preconceituoso e distorces tanto as questões que me dá preguiça de responder. Como no caso desta última frase.

      Falando sério, tu certamente serias aplaudido na caixa de comentários e talvez convidado a participar do time de colaboradores do Mídia Sem Máscara ou do Ternuma.

  12. Agora discutindo o assunto “de fundo” a sério, recomendo a leitura deste verbete na wikipedia e da decisão em si: http://en.wikipedia.org/wiki/Lautsi_v._Italy
    Tá certo que lá o bicho pega muito mais que no Brasil, mas os argumentos são interessantes.

    1. “The Supreme Administrative Court upheld the Veneto Court’s decision reasoning that that in Italy the crucifix symbolized the religious origin of values (tolerance, mutual respect, valorization of the person, affirmation of one’s rights, consideration for one’s freedom, the autonomy of one’s moral conscience vis-à-vis authority, human solidarity and the refusal of any form of discrimination) which characterized Italian civilization and that keeping the Crucifix did not have any religious connotations.”

      PUTZ! Crucifixo, símbolo de tolerância. Quando se quer justificar até um absurdo desses é dito na cara dura.

    2. Mindigo… A ONU não admitiu interferência no Sudão porque socorrer mais de 1.300.000 pessoas de serem massacradas por uma ditadura sanguinária seria “interferir na soberania nacional e ferir o princípio da autodeterminação dos povos”.

      Eu já fui muito mais ingênuo do que sou hoje. A ONU nem sequer declarou que “é necessário intervir no Sudão para salvar sua população de um massacre” quando o que estava em jogo eram milhões de vidas versus a absoluta falta de interesse dos Estados-Membros em salvar um bando de negão pobre. Imagina se os integrantes de um tribunal qualquer haveriam de querer se indispor com os Estados-Membros que os sustentam porque um fresco qualquer não gosta de olhar cruzinhas de madeira.

      O que eles fizeram foi simplesmente dizer: “olha, isso fere sim os DH, mas não a ponto de ser um problema – pára de frescura e deixa pra lá”. No final o que conta é sempre o interesse da parte mais forte.

    3. Gerson: poucos cristãos parecem saber ou perceber que a cruz é na verdade o símbolo máximo da perversão humana. O símbolo usado pelos primeiros cristãos era o peixe – em referência ao milagre da multiplicação dos peixes supostamente realizado por Jesus para alimentar uma multidão. O problema é que o peixe não era bom de marketing. Ele trazia muito clara a mensagem de bondade e generosidade ativas, o que pode acabar sendo muito embaraçante para quem tem “peixe” de sobra.

      O peixe não tardou muito a ser substituído por um símbolo muito mais fácil de reproduzir – bastavam duas linhas cruzadas – e sem o inconveniente de trazer uma mensagem que estimulasse a ação positiva em favor do outro. Ao invés disso, a cruz servia para “lembrar que todo homem traz em si a perversão e a perdição do pecado original”, tanto que foi o homem que matou o Filho de Deus. Um exemplo não daquilo que deve ser feito, mas daquilo que deve ser evitado.

      A troca de um símbolo que sugeria a solidariedade ativa por um símbolo que sugeria a inação serviu, portanto, como “readequação de estratégia de marketing”, estimulando valores muito mais convenientes para os poderosos da época – inclusive a própria igreja.

  13. Eles também torturam prisioneiros em bases que eles controlam mas que alegam não se submeter à legislação nacional porque ficam fora de seu território. Devemos assumir a mesma prática só porque eles fazem isso?
    (Arthur)

    Evidente que não,mas já fizeste a lista de TUDO que copiamos deles e que achamos o máximo?

    E espero que todos um dia descubram essa força mágica que cria tudo e todos,independente de se acreditar ou não.

    Quem é Deus ? Deus é o melhor que existe em cada um de nós.

  14. verificar cada nota q chega á nossa mão certificando não se tratar de uma cédula falsa já é ocupação suficiente.

    1. Sabias que a maior parte do dinheiro falso em circulação hoje provavelmente são moedas? São muito mais fáceis de produzir. Só é necessário saber como fazer para deixá-las com o peso igual ao da moeda original, o que não é difícil, mas prefiro não comentar em detalhes.

  15. é sério? sempre ouço q apenas notas de 50 e 100 é q são falsificadas
    por não “valer a pena” pra quem falsifica as de menor valor. imagina moedas!
    uma pessoa da minha familia q passa metade do ano na noruega me contou q lá
    as moedas são de maior valor q as notas. lembrei disso porque aí sim faria sentido aqui. mas não duvido do que vc disse.

    1. Falsificar moedas ao invés de notas acaba se tornando atraente porque moedas são mais fáceis de produzir e de passar adiante, especialmente devido à sempre crescente tecnologia de produção das notas. O crime organizado na maior parte das vezes trabalha com análises de custo/benefício bem realistas.

  16. Arthur, o julgamento que trouxe não tem nada haver com a ONU, foi da Corte Européia de Direitos Humanos. Mas é claro que o seu argumento continua válido, agora o ponto que achei interessante no julgamento é que, de fato, é inegável que a cruz, sendo um símbolo bom ou ruim, é um símbolo que representa em grande parte a cultura europeia e tudo de bom e de ruim que nela está contido, e não apenas a religião cristã em si. Por isso fiz a ressalva que o entendimento do tribunal lá no caso não é extensível imediatamente ao Brasil, mas no caso da Europa, que atualmente vive uma guerra ideológica contra a islamização, os crucifixos nos tribunais ganham um contorno “patriótico” muito grande.

    1. Ou os povos aprendem a lição do artigo http://arthur.bio.br/2012/11/10/etica/a-intolerancia-pro-tolerancia#.UKqf0njs1xA ou as grandes religiões se aproveitarão da causa dos Direitos Humanos para invadir os Estados e destruir os Direitos Humanos. O problema é que ninguém tem peito para demarcar o território do laicismo como ele deve ser demarcado, mas muita gente quer estabelecer teocracias ou “ateu-cracias”.

  17. Toda vez que falam em crucifixo me lembro daquele caso em que o cabeludo, jaqueta sem manga e usando um inebriante perfume THC, entra na loja e pergunta pra moça: “Mina! quanto custa o mais?” A vendedora, inicialmente confusa, percebendo pelos gestos que ele se refere a um vistoso crucifixo com Cristo agonizante, responde: “Trezentos reais.” O sujeito faz um “uuu” de quem acha caro e se volta pros menores: “E esses maisinhos, aqui, sem o magrão! quanto custam?”

    1. E se ao invés de crucificar tivessem empalado o Cristo? O cabeludo teria perguntado pelos fatoriaizinhos? 😛

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      .

      Aliás, se tivessem empalado o Cristo ao invés de crucificá-lo, provavelmente não existiria um cristianismo. Ou talvez a tese dos protestantes de que não se deve ter imagens nas igrejas faria muito maior sucesso…

  18. Ah, em tempo:
    O procurador Jefferson Aparecido Dias, que é católico praticante e autor da ação do MPF, afirmou que em nenhum trecho da Bíblia Jesus deu a entender que o seu nome ou de Deus devesse constar no dinheiro. O que Jesus disse, acrescentou o procurador, foi “A César o que é de César”

    Portanto, a galera que, NESTE CASO, andou falando dos ateus, dos comunistas, dos petistas e tal e qual e lousa e maripousa podia ter passado sem esse mico.


    1. “Resta saber se isso foi mera estupidez ou se foi um movimento planejado para agravar conflitos e abrir espaço para a implementação de mais alguma medida autoritária, como este
      blog tem denunciado incessantemente ser a estratégia preferida deste governo e dos “movimentos sociais” que lhe dão sustentação. Como eu não acredito em fadas…” (Texto do Artigo)

      Conclusão a que chego: impressionantemente, há uma grande chance de ter sido “mera estupidez”. Porque, convenhamos, por mais que o sujeito tenha fundamentado essa ação na própria Bíblia, citando o “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, o fato é que quem abraçou e comemorou a iniciativa foram os ateus, os animistas e os politeístas.

      Confesso que fiquei surpreso com a notícia de que o autor da ação é católico praticante, mas é o tal do negócio: devido aos números, mais importante do que quem riscou o fósforo será quem vai abanar a fogueira.

    2. Mas essa é só mais uma situação em que os cristão preferem ignorar o qua a Bíblia diz. Alguem dá a outra face? Doa o que tem aos pobres? Essa parte mais ascética, de renuncia ao poder e ao $$$ ninguem quer seguir.

    3. Isso é o famoso “cristianismo de domingo”.

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