O Estatuto do Desarmamento tornou um pouco mais difícil para os criminosos pé-de-chinelo adquirirem armas. O problema é que adquirir não é a única maneira de obter. Enquanto os desarmamentistas viam no aumento do preço das armas no mercado negro a inevitável redução do número de armas em mãos de pequenos criminosos, o PCC via nisso uma oportunidade para aumentar seus rendimentos, ampliar seu raio de ação e exercer um terrível e novo poder concedido pelo desarmamento: a terceirização do terrorismo. 

Com a promulgação do Estatuto do Desarmamento, o mercado legal de armas de fogo foi estrangulado. Assim como o cidadão honesto se vê em grande dificuldade de adquirir uma arma de fogo, devido às absurdas exigências e custos impostos pelo governo, o criminoso pé-de-chinelo tem o acesso a armas de fogo dificultado pelo aumento do preço no mercado negro. 

Os desarmamentistas comemoram igualmente a dificuldade do cidadão honesto comprar uma arma para se defender e a dificuldade do criminoso pé-de-chinelo comprar uma arma para cometer assaltos. Só que essas dificuldades não são semelhantes, nem mesmo proporcionais, não somente porque o cidadão honesto tem objetivos legítimos e o criminoso não, mas porque o mercado legal tem uma lógica engessada pelas lei e pela burocracia e o mercado ilegal tem uma lógica muito mais flexível. 

Enquanto os desarmamentistas comemoravam o estrangulamento do mercado legal de armas de fogo, os líderes do PCC planejavam como lucrar mais e obter mais poder aproveitando-se das conseqüências mercadológicas da escassez de armas de fogo. Assim como os especuladores imobiliários ficam felizes em épocas de escassez de residências no mercado legal, o que as torna caras demais para serem vendidas mas permitem altos lucros com aluguéis, o PCC ficou muito feliz com a escassez de armas de modo geral, porque elas se tornaram caras demais para serem adquiridas legal ou ilegalmente, o que criou um promissor mercado de aluguel de armas de fogo para criminosos. 

Entenda bem isso: com o Estatuto do Desarmamento, os desarmamentistas criaram um novo mercado ilegal. Antes do desarmamento, as grandes quadrilhas criminosas não tinham como lucrar com aluguéis de armas. Depois do desarmamento, elas descobriram um mercado lucrativo, promissor e ainda por cima um novo poder. Que poder? O de terceirizar o terrorismo. 

Como as armas estão mais caras e mais escassas, quando o criminoso pé-de-chinelo precisa de uma arma, ele faz o mesmo que um trabalhador faz quando precisa morar e não tem dinheiro para comprar uma casa: ele paga aluguel. Quem aluga qualquer coisa em um mercado legal possui certas garantias, mas quem aluga qualquer coisa de uma instituição como o PCC está vendendo a alma para o Diabo – o PCC não cobra juros de 6% ao mês em caso de inadimplência.

A coisa funciona assim: o criminoso pé-de-chinelo quer assaltar uma pizzaria com três comparsas. Eles precisam de quatro armas de fogo, portanto. Onde eles as obtém? Com o PCC, que cobra o que bem entende, pelo prazo que bem entende, com a “multa contratual” que bem entende. Por exemplo: R$ 500,00 por arma, pra pagar em vinte e quatro horas, e quem não conseguir pagar a tempo tem dez dias pra matar um policial ou vai morrer no lugar dele.

No próximo artigo veremos por que o PCC manda matar policiais. O importante agora é saber que o crime organizado faz suas próprias regras e pode mandar matar não somente o criminoso pé-de-chinelo desobediente mas também seus familiares e amigos, a qualquer tempo, de qualquer modo, em qualquer lugar do país. A maioria dos criminosos pé-de-chinelo preferem passar um longo tempo atrás das grades protegido pelo PCC do que um curto tempo longe das grades perseguido pelo PCC. Portanto, se o PCC mandar matar um policial, eles vão matar um policial. 

Foi assim que o Estatuto do Desarmamento deixou o cidadão honesto desprotegido, criou uma nova fonte de renda para o crime organizado e terceirizou o terrorismo. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 18/11/2012 

13 thoughts on “Desarmamento aumenta renda do crime organizado e terceiriza terrorismo

  1. Nem sei se foi essa a intenção mas o fato é que, na prática, os desarmamentistas fizeram exatamente o que você descreveu. E como de boas intenções o inferno tá cheio…

    1. No que diz respeito às intenções, eu reconheço três tipos de desarmamentistas:

      1) Os safados, que sabem que isso não funciona para os objetivos declarados mas insistem no desarmamento porque possuem objetivos inconfessáveis;

      2) Os idiotas úteis, que se apegam a chavões baratos do tipo “menos armas, menos crimes” ou “quem tem arma ou é polícia ou é bandido” e vivem em um mundo de whishful thinking, impermeável à razão;

      3) Os covardes, que defendem o desarmamento porque ele é conveniente para esconder sua abjeta falta de coragem para defender sua própria vida, sua família e suas posses.

      Com essa mistura explosiva, capitaneados pelos safados, os desarmamentistas nos colocaram numa situação gravíssima de vulnerabilidade tanto perante o crime quanto perante um Estado corrupto e acada dia mais autoritário e invasivo.

  2. Todo desarmentista é uma otário. O último filme do Rambo mostra isso.

    1. Bom, entre Rambo e Olavo de Carvalho o primeiro contém indubitavelmente uma filosofia melhor estruturada. 🙂

    2. E o segundo é mais agressivo.

  3. Eu não tenho arma em casa,minha opção.

    Mas acho justo quem as queira ter.

    Meu genro trabalha na Taurus e também não anda armado.

    Não acho certo uma pessoa precisar de uma arma, para se defender, e não poder ter por causa do que pessoas mal informadas querem.

  4. Ligue para 0800 619 619 para apoiar o projeto de lei 3722\12 que revoga o estatuto do desarmamento.
    Já liguei e fiz a minha parte.
    Entre na página do facebook: Campanha do armamento

  5. Ligue para 0800 619 619 para apoiar o projeto de lei 3722\12 que revoga o estatuto do desarmamento.

  6. Arthur

    Uma pessoa que defende desarmamento chegou a nível de estupidez absurda, não é nem uma questão de debater ideias, tem aqui uma idéia A e uma idéia B e a uma discussão. Não, um pesssoa que se nega a ter uma arma para se defender, já é a própria negação de do sentimento de auto preservaçaão que todo ser vivo do mais simples ao mais complexo possui, é própria degradação do instinto de sobrevivência.

  7. Imagine uma pessoa se recusar a sobreviver?

  8. joaquim salles

    02/03/2014 — 12:20

    Olá Arthur,

    Não entendo mais as coisas. Olavo de Carvalho, num vídeo, “desmascarando a política do desarmamento” (!) http://www.youtube.com/watch?v=Gx9ju_Ksqvg fala dessa questão (armas). Agora na Inglaterra já existe uma campanha contras as facas. Até o Rodrigo Constantino fala sobre questão das facas http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/cultura/vamos-proibir-a-venda-de-facas/.

    Por outro lado Paulo Ghiraldelli (http://ghiraldelli.pro.br/o-cidadao-macho-e-armado/), o filosofo do Jô, afirma “nesse caso a violência urbana não diminuiu, pois sacar de uma arma e fazer uma ameaça, seja de que lado for, é violência urbana.”. Nesse mesmo artigo afirma que só “macho” quer arma em casa. Em outros post no Facebook e artigos ele ataca quem é a favor das armas. Ou seja, quem quer arma é “macho ” impotente (!) e os “desarmamentistas” estão certos(!)

    Será que dá para parar o mundo para eu descer?

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: