Mais um massacre em uma escola. Um atirador, mais de cem tiros, vinte e oito mortos. E lá vou eu novamente perguntar: por que o atirador escolheu matar crianças em uma escola e não atiradores treinados em uma reunião da National Rifle Association? Por que não invadiu uma delegacia de polícia atirando? Por que não atacou uma boca de tráfico num bairro barra-pesada? 

A resposta é muito simples: pessoas desarmadas não reagem. Os depoimentos das crianças que sobreviveram foram unânimes: “todos se jogaram no chão”, “ficamos escondidos no canto da sala”, “estava todo mundo chorando”, “os professores e alunos se trancaram nas salas de aulas e esperaram a polícia chegar”.

De fato, a polícia logo chegou: vinte minutos depois, a tempo de recolher e identificar os corpos. 

As primeiras notícias falam em vinte crianças e seis adultos mortos. As crianças, entre cinco e dez anos, obviamente não poderiam se defender de um atirador. Mas e os seis adultos? Por que nenhum deles estava armado? Por que nenhum deles tinha condições de se defender ou de defender as crianças? 

E, mais uma vez, logo após um episódio estúpido tentam nos vender uma estupidez ainda maior. Barack Obama não foi claro em suas palavras, mas disse: “Precisamos nos unir e tomar medidas significativas para evitar que mais tragédias como estas, independente de questões políticas.” A sinalização é clara: ele está falando de controle de armas – e plantando a idéia de que o controle de armas é uma questão técnica e não política.

No Brasil, William Bonner fez questão de sublinhar no Jornal Nacional que o controle de armas é debatido nos EUA sempre que acontece algo do gênero. Saí da frente da TV para não atirar o abajur nela. Incrível como a Globo faz questão de tornar o cidadão brasileiro vulnerável e submisso. 

A tendência da atualidade é crescentemente apostar na imbecilização do cidadãoNo caso da segurança pública, a aposta é no desarmamento. Ao invés de qualificar o cidadão honesto para sobreviver, a aposta é na incapacitação do cidadão honesto para fazer mal a alguém – a quem quer que seja, incluindo um agressor injusto. E ninguém pensa na pergunta óbvia: qual a intenção de quem quer impedir o cidadão honesto de se defender de uma agressão injusta? 

Segundo a propaganda do governo do Brasil, “Proteja sua família. Desarme-se“. O raciocínio por trás do desarmamento é genial: já que pessoas honestas costumam invadir escolas matando crianças a tiros todos os dias, vamos impedi-las de fazer isso, assim teremos mais paz e segurança. 

Fico imaginando as risadas que os criminosos e os mal-intencionados dão quando vêem este tipo de propaganda. Do ponto de vista deles, o desarmamento é a melhor coisa do mundo. Eles devem votar em peso no atual governo federal. Nunca tiveram parceiro melhor.  

A não ser que aleguemos que os fatos estão mentindo, a verdade é a seguinte: nem mesmo no país mais rico do mundo, com uma das polícias mais bem equipadas do mundo, foi possível salvar a vida de vinte crianças e seis adultos sem uma arma presente no momento necessário, no calor da ação.

Armas ao alcance da mão são úteis, armas ao alcance de uma ligação telefônica são inúteis. E a polícia nunca foi, não é, nunca será e jamais deveria ser onipresente

Os mais radicais defensores do desarmamento alegam que, se todas as pessoas forem desarmadas, então não haverá como os criminosos se armarem, pois não haverá armas que possam ser roubadas para abastecer o mercado negro. Sim, claro. Se ninguém dirigir bêbado, desatento ou em alta velocidade, quase nunca haverá outro atropelamento. Se ninguém usar drogas ilícitas, jamais haverá tráfico de drogas. Se ninguém for sedentário, a saúde pública economizará bilhões. Se ninguém infringir a lei, não será necessária polícia. Eu só gostaria de saber em que mundo isso é possível.

Veja bem, leitor: as pessoas que dizem que qualquer uma dessas coisa é possível são as mesmas pessoas que dizem que é impossível educar o cidadão honesto para que ele use uma arma com segurança para defender sua própria vida, sua família, sua propriedade. Avalie se elas são coerentes.

O desarmamento é resultado de um conluio entre safados e covardes. Safados querem o povo desarmado para poderem abusar dele. Covardes querem o povo desarmado para poderem esconder seu medo de ter que defender a si mesmos, suas famílias e suas propriedades. Eu e você somos vítimas de ambos, que nos impedem de nos defender de modo eficaz em um país onde a criminalidade é alta e onde não há uma única política social decente para aumentar a autonomia das pessoas e baixar as taxas de criminalidade. 

Mas voltemos a Sandy Hooks para fechar o artigo. Eu imagino o que os pais e mães das crianças assassinadas devem estar dizendo agora: devem querer controle de armas, mais polícia nas ruas, mais seguranças na porta das escolas, detectores de metal nas portas das escolas, revista de mochilas, etc. Todo o tipo de medida que torna a vida do cidadão honesto um inferno e não afeta em praticamente nada a vida dos lunáticos e bandidos dos quais supõem estar se defendendo.

Existem duas maneiras de evitar massacres nas escolas: transformá-las em penitenciárias de segurança máxima onde as crianças são encarceradas por algumas horas diariamente e todas as pessoas precisam se submeter a rigorosos e extenuantes procedimentos de segurança que não são garantidos contra falhas é um deles, armar e treinar os professores é o outro.

No primeiro caso transforma-se a vida do cidadão em um inferno, no segundo caso se acena claramente com a possibilidade de mandar o agressor para o inferno. A escolha adequada me parece muito clara. Se um dia eu abrir uma escola infantil, como desejo, uma das exigências que certamente farei aos professores será possuir e saber usar uma arma de fogo. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 14/12/2012 

 

162 thoughts on “A cultura de submissão e o massacre na escola Sandy Hook

    1. Aleluia! Finalmente alguém está vendo a situação como ela é e tomando as medidas adequadas! Esse texto tinha que ser repassado por muitos blogs para muita gente ler!

    2. Mais ainda:
      http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=375885

      “Os funcionários das escolas da região de Montpelier, no estado norte-americano de Ohio, podem apresentar-se ao serviço munidos de armas de fogo.

      A decisão foi tomada depois de nas últimas semanas se terem registado vários casos de tiroteios em instituições de ensino.

      O objetivo, defende o conselho da administração local de Montpelier, é o de reforçar a segurança dos alunos. Antes da medida ser aplicada os trabalhadores vão receber uma formação para o efeito, ficando de fora os professores e outros funcionários que tenham contacto direto com os estudantes.

      Localidades de outros estados como a Pensilvânia ou New Jersey autorizaram medidas semelhantes depois de 20 crianças terem sido mortas por um atirador numa escola no Connecticut, há cerca de mês…”

      Parece que estão fazendo do jeito certo.

    3. Nem tão certo assim.

      “Antes da medida ser aplicada os trabalhadores vão receber uma formação para o efeito, ficando de fora os professores e outros funcionários que tenham contacto direto com os estudantes.”

      Qual é o problema com esses caras? Eles acham que os professores vão meter bala nos alunos? Se confiam tão pouco assim nos professores, deviam demiti-los desde já, porque alguém que se acha que pode meter bala em um aluno também pode causar diversos e graves prejuízos sem uma arma.

      Além disso, quem está em sala de aula com o aluno é o professor, é ele que tem que estar preparado para defender a turma caso alguém invada a sala de aula, seja a sua sala ou a sala ao lado. Ou o professor terá que pedir ao agressor “dá licença pra eu chamar a segurança?”?

      Incrível como gostam de complicar o simples e óbvio.

    4. Eles estão cautelosos, talvez pra evitar que conflitos em sala tragam problemas. Ou pra diminuir a resistência a essas medidas. Mas vou ruminar teu ponto. Realmente o tempo de reação é um problema sério. Só que se alguem invadir a sala sabendo que o professor está armado este será o primeiro alvo. A não ser que ele já esteja, e essa notícia seja pra despistar hehehe.

    5. Acho que o professor sempre será o primeiro alvo, armado ou não. Pensei mesmo no fato de as salas serem sempre uma ao lado da outra, sendo fácil um professor correr de uma sala até a outra ao ouvir um tiro.

    6. http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/legislacao/armas-nas-escolas-e-universidades-bom-ou-ruim/

      [A mudança na legislação que permite a entrada de pessoas com autorização de porte de armas de fogo para levá-las a escolas públicas, universidades e reuniões do governo teve vitória fácil na Câmara Legislativa de Wyoming…

      …Os defensores do projeto de lei argumentaram que a medida iria aumentar a segurança das crianças matriculadas nos 48 distritos escolares do estado, permitindo que os funcionários da escola — dos professores aos zeladores — fiquem armados em sala de aula e na região dos campi universitários. Eles citaram o massacre de 2012 em Newtown, Connecticut, onde um atirador matou 20 crianças e seis adultos na escola fundamental Sandy Hook, alegando que vidas poderiam ter sido salvas se os membros da equipe da escola estivessem armados…]

    7. De vez em quando parece que há um lampejo de vida inteligente na Terra…

    8. Mas não na Terra Brasilis 🙁 …

    9. Aí já é querer demais… 😛

    1. Já divulguei no Facebook.

  1. NRA RECEBE MAIS 500 MIL ASSOCIADOS.

    1. Não acho isso um motivo pra comemoração.

  2. “Não acho isso um motivo pra comemoração.”

    Eu acho…

    1. Eles defendem que não haja nenhum controle de armas. Isso é muito ruim. O ideal não é nem a zorra total liberada de qualquer arma nem a proibição.

  3. Americano faz armas com objetos vendidos em aeroportos

  4. Artistas que apoiam armas. Mesmo os politicamente corretos Brad e Angelina:
    http://spotniks.com/22-celebridades-que-sao-contra-o-desarmamento-civil/

    1. Existe vida inteligente em Hollywood! 🙂

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