Não nos tornamos o que queremos, mas as conseqüências do que fazemos. Não adianta querer ser magro, o seu peso será a conseqüência do balanço entre o que você ingere e o que você gasta de calorias. Não adianta querer ser rico, sua condição econômica será a conseqüência do modo como você administra sua vida financeira. 

É claro que há muitas coisas sobre as quais não temos escolha, como ter uma disfunção hormonal ou ganhar na Megasena, mas também há muitas coisas que podemos escolher, como procurar um bom endocrinologista ou torrar toda a fortuna sem investir em nada que preste.

Portanto, se você não está onde quer, como quer ou com quem quer, e se isso é realmente importante para você, saiba que isso é conseqüência do modo como administrou sua vida até agora – e que daqui a cinco anos sua situação será conseqüência do modo como você vai administrar a sua vida nos próximos cinco anos.

Se você entrar numas de “deixa a vida me levar”, a vida levará você – mas você não saberá para onde. Pode até ser para alguma situação muito boa, mas o mais provável não é isso – o acaso não costuma ser um bom construtor.

Se você entrar numas de pensamento mágico, do tipo vestir roupa branca na entrada do ano, pular sete ondas e guardar sete ervilhas na carteira, ou se apostar suas fichas na Megasena, ou se apenas rezar e investir “pensamento positivo”, terá os mesmos resultados do parágrafo anterior.

Se você sabe que precisa procurar pela tesoura perdida ao invés de rezar para São Longuinho e dar três pulinhos, porque a tesoura não vai aparecer caminhando na sua frente, então você deveria ser inteligente o suficiente para extrapolar os resultados desta experiência e dar-se conta de que é o que você faz e não o que pede ao sobrenatural que determina sua vida.

Se você sabe que de premissas falsas e de ações irracionais não se pode esperar nenhuma conclusão razoável, a não ser por puro acaso, então você tem tudo para chegar onde quer e viver como quer. Basta bom senso e planejamento adequado. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 07/01/2013

27 thoughts on “Causa e conseqüência

  1. Você deve ter percebido a diminuição do fluxo nos comentários. Principalmente nesse post específico. Analisemos! A ressaca ainda não acabou? A internet na praia é uma droga? Estão todos maduramente ponderando sobre o tema? Não! Você enfiou uma touca na galera e ninguém encontrou as palavras certas pra dizer pra você: “Sai pra lá, mamãe!”? Eu acho que está todo mundo pensando: “Qual é a do Arthur? Levantando esse assunto, nesse blog interessantemente polêmico, que fala “dos outros”! Pra que nos lembrar que a merda que somos é resultado do contrato de merda que fizemos, onde não há uma cláusula que permita retroatividade?”

    E ele ainda por cima mija em todas as nossas esperanças mágicas! Sacanagem!

    1. HAUAAUAUAUAAAHUAHUAUAHAUAUHAUAHAHAUHUH

      Quem diz a verdade não é popular, assim o Arthur não se elege nem pra síndico.

    2. Rafael Holanda

      08/01/2013 — 20:04

      Sugestão para o próximo post: Simpatias porretas para triplicar o dinheiro e trazer a felicidade.

    3. Vocês não prestam. Estão certos, mas não prestam. 😛

      De fato, pouca gente percebe que o Darwinito ali no alto a esquerda, serrando o galho em que está sentado, é cada um de nós. Eu mesmo esqueço disso com freqüência. Acho que isso é um instinto natural (com o perdão do pleonasmo) de nossa espécie. Mas é extremamente importante, em um mundo que não é mais regido somente pelas forças da natureza, lembrar disso com freqüência.

      As esperanças mágicas são ilusórias. É claro que é mais confortável viver de ilusões – ontem vi uma cena em que uma personagem de novela disse “eu odeio a realidade” enquanto escondia a cabeça entre as mãos – mas isso só funciona se o acaso colabora, e o acaso não é confiável. A personagem em questão se tornou muito mais centrada e capaz de gerenciar sua carreira quando assumiu a realidade. E ficou mais feliz, também.

      Sacanagem é o pessoal votar no candidato a síndico que promete apenas não encher o saco de ninguém e depois reclamar que o vizinho está ouvindo funk às três da madrugada a todo volume e o síndico não faz nada.

      Não existe simpatia porreta para resolver a vida, existe definição de objetivos, planejamento adequado e trabalho consistente.

      .

  2. Tens razão!

    Somos aquilo que conseguimos fazer de nós mesmos.

    Mas sempre podemos mudar para melhor,ser por momentos uma nulidade,não nos condena para a vida inteira.

    Até o pântano produz belos lírios.

    Tudo depende do que podemos e queremos fazer para mudar.

    Todos os dias ganhamos de presente um dia limpinho para fazer algo de novo,de bom.

  3. Joguei na mega-sena, mas não deixei de trabalhar.

    1. Félix! Sou um taurino, com ascendente em aquário, agnóstico, não ateu, e curto um preconceito silencioso contra os extremistas de qualquer espécie. Será que duas folhas de louro junto com o volante da mega aumentariam minhas chances de iluminação?

    2. Num sei. Mas, quanto a isso tenho duas perguntas:
      1) As duas folhas de louro farão mal a alguém?
      2) Colocá-las te fará feliz?

      Respondendo essas duas perguntas, possivelmente não seja iluminado, mas há maior chance de ser possuído pelo espírito de John Stuart Mill, :P.

    3. Há um provérbio do islã que diz: “confie em Allah, mas amarre o seu camelo”. Isso é do tempo que o islã era a religião das luzes, claro.

      Mas o fato é que as duas folhas de louro só se justificam em fase experimental. Depois que sabemos que as folhas de louro não fazem diferença – e não fazem, faço questão de registrar o óbvio – o ritual de colocá-las junto à aposta da Megasena torna-se contraproducente. Passa a ser um desperdício extra de tempo e de esperança, mais ainda do que jogar na Megasena, que pelo menos é algo que tem uma chance em sessenta e três milhões de dar certo. As folhas de louro nem isso.

      Vejam bem: não acho razoável proibir alguém de colocar as folhas de louro ao lado do bilhete. Mas também não acho razoável legislar proibindo a crítica a esta evidente estupidez. E acho necessário multiplicar a melhor informação disponível sobre a questão – sendo que o critério de “melhor” é iluminista/humanista/racionalista.

  4. Acabei de receber um torpedo falando dos Smurfs. Foi você, Arthur?

    1. Foi ele mesmo. Também recebi, Danilo.

    2. Receberam e nem tchuns, né?

  5. o que me intriga mesmo é o destino ( ou acaso):
    não se encaixa na lei de causa e consequencia; é totalmente aleatório;
    nada tem a ver com “merecimento”; muitas vezes muda radicalmente a vida
    do indivíduo( para melhor ou pior) e foge de qualquer explicação racional.

    1. Sim, eu concordo com a existência do acaso e com sua influência. Como poderia ignorar o acaso sendo biólogo? Mas o acaso não está sob nosso controle, então não é inteligente esperar por ele e muito menos contar com ele.

  6. Puta merda, voces também receberam essa dos smurfs??? Quem mais recebeu? 😀

    1. Só os Três Patetas.

      E nenhum respondeu…

      Vou acabar com esse privilégio de vocês e postar no blog. Humpf.

    2. ÔÔÔ, eu respondi, vira-lata…;X

    3. Tarde demais, privilégios revogados, artigo publicado. 🙂

  7. Conheces Yao ?

    Nos primórdios da China,Yao ( irmão de Ti-po )foi o primeiro dos King.

    Foi um monarca modelo.
    Criou o que não havia e aperfeiçoou o que já existia.
    Visitava as províncias promovendo atos de justiça e se informando das necessidades do povo,se tinha fome ou frio,se seus sofrimentos podiam ser imputados ao rei.]
    Para que a verdade chegasse aos seus ouvidos mandou mandou que fosse colocado do lado
    esterior da porta de seu palácio um grande quadro onde o povo podia escrever suas queixas
    ou lhe dar conselhos.
    Ao lado estava um tambor que o suplicante tocava após escrever e o Imperador em pessoa vinha resolver a questão,imediatamente,se estivesse no castelo.
    Velou constantemente pelas cinco regras inalteraveis,entre pais e filhos,entre reis e vassalos,entre esposo e esposa,entre amigos,mancebos e velhos.
    Até Yao a China era inculta e quase desabitada.
    Ensinou-lhes como abrir clareiras e canais de escoação para as águas.Ensinou-os o plantio,as cançõe,,os dispos em classes sociais.
    Até então era o rei quem escolhia seu sucessor,ele instituiu o conselho de Estado.
    Yao viveu 2357 a.C.

    Se existiu tal homem ou não passa de uma bela lenda,para mim importa o exemplo.
    É possível que Yao tenha existido porque os atenienses só foram saber o que os chineses já sabiam 2300 anos depois,em geometria e aritmética.
    Fo-hi contou que viu suas leis escritas nas costas de um dragão,3218 a.C.

    Somos a causa de nossas alegrias e dores,de nossa sabedoria e estupidez.

  8. Arthur, depois conta aqui a historia de Jean Alesi, que fez a escolha aparentemente mais acertada e por ela pagou a carreira toda. Não temos tanto controle assim sobre as coisas, as coisas mudam muitas vezes de forma imprevisível. Como eu, Felix e Danilo poderiamos prever que seriamos agraciados com torpedos sobre smurfs quando lhe passamos nossos respectivos celulares? Algumas coisas são imprevisíveis 😛

    1. O Alesi smurfou errado o que ia acontecer. O cara deveria ter smurfado critérios melhores, menos imediatistas. Mas smurfar ao acaso muito provavelmente smurfaria os mesmos resultados, ou piores, porque há mais perdedores do que ganhadores naquele circo.

  9. Eh… a minha expulsão do orkut depois de longos seis anos, por exemplo, foi imprevisível. E o motivo foi no mínimo absurdo.

    1. Sabes o motivo?

  10. Acabei de conversar com o Arthur e ele me pediu pra avisar sobre o “sumiço” dele. Não, ele não se cortou por Justin Bieber e nem foi viver com os Smufs ou na aldeia do Asterix. O fato é que ele está há dias com problemas de conexão mas assim que estiver com boa conexão ele voltará a postar. Tentei explicar que era desnecessário avisar porque ninguém aqui se importa com ele 😀 :P…Mas como ele estava preocupado com a preocupação dos colegas leitores, acatei o pedido e estou a esclarecer as coisas 🙂

    1. UFA!

      Fiquei com medo, ele é tão fã do Justin, vai que ele tinha cortado uma artéria.

  11. Esse artigo bem que poderia virar o chat do blog 😛 😀 🙂

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