A crítica que fiz aos professores no artigo sobre a tragédia de Santa Maria incomodou muitos e gerou algumas reações bem agressivas. Alguns tentaram até me acusar de “trair a categoria” e prejudicar suas “lutas por melhores salários e condições de trabalho”. Arrãm. Vamos analisar isso melhor. 

Quando uma criança ou adolescente entra em sala de aula, ela está investindo sua vida (tempo é vida) em confiança ao professor e naquilo que ele tem a lhe ensinar. Nos onze, doze ou treze anos que duram o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, os melhores anos da infância e da adolescência, toda a vida da criança e do adolescente gira em torno da escola. As alegrias e as tristezas, as realizações e as frustrações, as surpresas e as angústias, as amizades e os conflitos. Tudo. 

Evidentemente, todo tempo destinado à escola  – 200 dias letivos em cada 365 dias, mais o tempo dos temas de casa, trabalhos em grupo, estudo para provas, etc. – é subtraído de qualquer outra atividade. Assim sendo, se esse tempo for bem aproveitado, torna-se um investimento, mas, se for mal aproveitado, e aqui me refiro ao estudo de conteúdos inúteis ou transmitidos de modo inepto, torna-se um roubo. 

O roubo do tempo da criança e do adolescente que estudam coisas inúteis ou mal transmitidas é triplo: rouba os anos de estudo, rouba a oportunidade de estudos de conteúdos úteis para o sucesso na vida e rouba a estrutura e o funcionamento do cérebro do estudante, que jamais terá como recuperar a janela de desenvolvimento neurológico aberta exclusivamente na infância e na adolescência. 

Uma educação inútil ou de má qualidade é uma terrível violência contra um ser humano, porque lhe rouba o presente, o futuro e as possibilidades de recuperar-se do mal que lhe foi imposto. É quase um homicídio. 

E que tipo de educação nossos professores nos deram? Vamos analisar os currículos e descobrir. 

Noventa por cento ou mais de todo o tempo gasto na escola ou com as tarefas relacionadas à escola ao longo de toda nossa infância e adolescência foi inútil para todos os propósitos práticos da vida. Salvam-se ler e escrever, três das quatro operações fundamentais (porque quase ninguém sabe dividir com lápis e papel) e a “regra de três”. Praticamente mais nada que nos foi empurrado goela abaixo na escola é útil no cotidiano. 

Nós passamos cerca de doze anos cumprindo horários, realizando tarefas, sofrendo com deveres e punições para não aprender nada de útil. E nossos professores, que por viver no mesmo país e na mesma época que nós sabiam o tempo todo que a lista dos estados produtores de bauxita e cassiterita, as características do movimento simbolista, o cálculo do determinante de matrizes, o balanço estequiométrico de reações de oxi-redução, o movimento retilíneo uniformemente variado, o funcionamento das mitocôndrias e o Ciclo de Krebs e todos os conteúdos que ensinavam não servem para nada e mesmo assim, em contraste com o belo discurso de que são formadores de cidadãos e artífices do futuro da nação (cacófato intencional) nunca nos avisaram quer perder tempo com aquilo tudo é um gigantesco e criminoso desperdício de vida. 

Não. Eles nunca nos avisaram que os conteúdos que lecionavam eram inúteis. Se tivessem feito isso, provavelmente teríamos perguntado “mas por que então o senhor/a senhora leciona essa porcaria?”. E isso os levaria a ter que admitir o inadmissível:  “eu ensino esse lixo porque preciso do dinheiro e prefiro que vocês se ferrem na vida a eu ficar sem emprego”. 

Nossos professores passaram anos e anos enganando turma após turma, geração após geração de crianças e adolescentes inocentes, representando o papel medíocre de gastar seu tempo inútil para tornar inútil o tempo mais importante de nossas vidas. Tudo isso por um salário que eles mesmo reconhecem ser medíocre.

Esses farsantes querem “respeito pela categoria”, “melhores salários” e “melhores condições de trabalho” para quê? Para continuarem a ensinar inutilidades, desperdiçar os melhores anos da vida de centenas de crianças e adolescentes e através de seu exemplo empurrar o país inteiro cada vez mais para dentro de um atoleiro de incompetência e abjeta negligência pelos mais básicos deveres cívicos? Urubus da cidadania. 

Vamos deixar uma coisa bem clara: eu não tenho o menor interesse em “melhorar o ensino” através de métodos didáticos mais eficientes e melhores estruturas escolares  para quem faz greve por melhores salários mas não pela radical revisão dos currículos. Aquilo que não vale a pena ser feito não vale a pena ser bem feito. É ridículo gastar mais dinheiro para construir escolas, laboratórios, salas de vídeo e pagar melhores salários a quem reproduz a alienação e a incompetência para a vida. 

Enquanto os professores do EF e do EM do país inteiro não lutarem em primeiro lugar para “melhorar o ensino” tornando-o útil, eliminando todo esse lixo de que consistem 90% do EF e do EM e implantando currículos que preparem realmente cada criança e adolescente para o sucesso na vida real, deixando os números quânticos para o doutorado em química e trazendo para sala de aula aquilo que cada cidadão tem efetiva necessidade ou grande probabilidade de precisar, considero a categoria inteira traidora das crianças, dos adolescentes, dos pais e do país. 

É uma questão elementar de prioridades. A formação básica tem que cobrir primeiro as necessidades básicas da vida real e o desenvolvimento de habilidades propedêuticas para que o cidadão se torne mais autônomo, crítico, criativo, disciplinado e proativo possível. Sem isso e sem o desenvolvimento do pensamento lógico-racional e da ética a educação só forma autômatos e escravos. 

E não, os professores não são vítimas do processo. Se eu não tivesse assistido greves raivosas de longa duração – muitas das quais me prejudicaram diretamente – ao longo das últimas três décadas, talvez eu pudesse cair neste sofisma. Porém, como eu já disse, todas as greves que eu vi eram por “melhores salários” e por “melhores condições de trabalho”. Nunca vi uma greve que buscasse uma radical revisão dos currículos para torná-los úteis para o sucesso na vida real. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 07/02/2013

21 thoughts on “Nossos professores nos traíram

  1. Allo Arruda

    07/02/2013 — 04:45

    Parte do que você disse é a mais pura verdade. Se gasta muito tempo em conteúdos que serão poucos utilizados na vida. Mas se o ensino fosse muito simplificado, seriam criadas lacunas no desenvolvimento individual de cada um.

    Suponhamos que o conteúdo ensinado no nível fundamental e médio sejam simplificados, fazendo assim com que o aluno gastasse menos tempo estudando matérias variadas e mais tempo “vivendo”. Porém,com essa simplificação, viriam problemas como a falta estímulo do aluno ao escolher uma função na sociedade. Claro que se pode contradizer essa hipótese, mas seria necessário um esforço político, social e econômico para criar uma nova organização no ensino mais avançada e, ao mesmo tempo, trazendo mais facilidade ao aluno e talvez aos próprios professores.

    Uma ideia seria a de ensinar e aprimorar ao máximo o básico, que seria usado no cotidiano, por 4 a 6 anos, e, após isso, o aluno escolheria um meio (nesse ponto, a escola ajudaria e estimularia o aluno) então, todo o conteúdo desse meio seria ensinado ao aluno. Ex.: 6 anos o básico, ,depois que o aluno completa o básico, a escola daria várias opções de matérias (digamos que duas, no mínimo), o aluno escolhe então matemática, física, e acrescenta mais química, pois quer fazer vestibular para cursar física, tendo o sonho de resolver equação de física nuclear que ainda não foi resolvida. Esse sistema daria mais praticidade ao estudo do aluno, tendo que se focar em menos matérias, mas ao mesmo tempo se aprofundando mais e mais nas que ele escolheu estudar.

    Essa reorganização, se fosse feita de forma rápida, traria várias complicações, por isso teria que ser feita de forma mais calma e calculada.

    Existem vários sistemas teóricos de ensino que poderiam dar certo, o único problema seria botá-los em prática com menos danos possíveis.
    Sobre a questão dos professores, não acho que seja inteiramente culpa deles, pelo contrário, eles, como eu e você, somos todos do mesmo barco, ensinados desde o nascimento com regras, dogmas, sistemas e outras coisas que já estão um pouco ultrapassadas. No caso dos professores, eles foram ensinados de um jeito, e é um tanto difícil se livrar de práticas e ensinamentos dados ainda na infância. Sendo assim, a culpa não deles, e sim do sistema em que eles foram criados. E como nós, humanos, somos uma raça ainda não tão evoluída intelectualmente e emocionalmente, acabamos muitas vezes sucumbindo a pensamentos impostos pela sociedade.

    Esse modo de ensino é difundido a muito tempo, e aos poucos o modo de como o professor dar a aula está evoluindo. Como aluno, recém formado no Ensino Fundamental, posso falar que não se pode mais generalizar o modo e comportamento do professor na aula, eu, por exemplo, tive um professor de história na 7ª série/ 8º ano, que ao invés de ensinar sobre a história do Rei tal, do império tal, do escritor tal (mesmo todos sabendo que história é um meio bom de entender o presente) ele explicava sobre o Capitalismo, todas as mentiras da independência do Brasil, a dívida do Brasil com a Inglaterra, falou como funcionava o Socialismo, fazia trabalhos orais e organizava discussões de alunos, fazendo um representar o lado trabalhador, o outro o lado burguês, e outro dando explicações mais acadêmicas. Dizia para abrirmos os olhos para o governo atual, explicava e mostrava tipos de alienações com que nós sofremos dia a dia. Trazia músicas que mostravam como era a censura da Ditadura Militar. E de outro lado, na 8ª série/9º ano, eu tive um professor de Geografia que ao invés de falar sobre catástrofes sísmicas e como em todos os anos a rotação da Terra, mostrava os prós e contras da Globalização, notícias políticas e tecnológicas, a importância da capital, o porque de escolher pela energia renovável e esquecer combustíveis fósseis, a realidade do aquecimento global, o futuro da Terra se continuar como está. Enfim, eram ótimos professores, o único problema das aulas deles eram os alunos, que ao invés de tentarem entender o porque de como a vida é assim, se preocupavam em como iam ir em tal festa, se joãozinho tá namorando com joaninha, se compra ou não o video game novo, o mico que fulano pagou ontem, coisas assim. Muitas vezes o professor estava querendo ensinar, e não conseguia.

    Conclusão: Não é o professor em sí que escolhe ensinar assim, é o sistema que o ensinou assim, e o sistema é uma força poderosa, com muitos meios para conseguir o controle de nós, seres ainda não muito evoluídos, a ponto de manter a mente aberta a ponto de alcançar o tão dito livre-arbítrio.

  2. Por Illich e Reimer… AMEI!

  3. Já começou a porradaria.

    1. School is dead de Everett Reimer:

      http://gyanpedia.in/Portals/0/Toys%20from%20Trash/Resources/books/dead.pdf

      São antigos mas continuam atuais. Alias com a internet (que não existia na época dos livros) as rêdes educacionais se tornam completamente viáveis.

    2. Esse livro do Reimer saiu em português, mas acho que só tem em sebos.

  4. Allo Arruda

    07/02/2013 — 15:11

    Parte que você escreveu é a mais pura verdade. A matéria ensinada muitas vezes é de pouca utilidade na vida adulta geral.
    Só acho que a descrição dada aos professores aqui é muito generalizada e um pouco equivocada. Todos sabemos que a anos é ensinado um sistema de regras à população. Os professores, assim como eu e você, e todos os leitores do blog, somos “escravos” desse sistema social/político/econômico/cultural. Desde a infância, os futuros professores são ensinados a fazer isso e fazer aquilo, baseando-se em vários direitos e deveres falhos e dogmas. Quando o indivíduo quer ser um professor, na maioria das vezes baseia-se em outras pessoas e nos ensinamentos que lhe foram dados. Faz-se assim um ciclo organizacional muito difícil de ser quebrado.
    Trata-se de uma prova viva da alienação, difundida em várias coisas que nem imaginamos estar lá.Quando há alienação, perde-se opinião própria, crítica, pensamentos individuais, etc. É claro que, com o avanço da sociedade, já se pode as vezes ver um avanço educacional. Eu, por exemplo, agora indo para o 1º ano do Ensino Médio, já me deparei com professores de mentes brilhantes, apenas dois, infelizmente. Eles não simplesmente davam a aula, eles ensinavam mesmo, conversavam e discutiam com os alunos, como se fossem amigos em uma mesa de bar, sem falar no conteúdo dado, que era muito útil. Na 7ª/ 8º ano, tive um professor de história que tinha um sistema educacional diferente. Ele fazia o aluno entrar na matéria. Ao invés de ensinar sobre “A Vida do Rei tal”, “com quantos quadrados se fez a muralha da China”, “como Alexandre o Grande ia ao banheiro”, “histórias indígenas”, ele ensinava sobre o Capitalismo, Socialismo, outras formas de governo, utopias, mas ensinava de forma diferente, fazia discussões, um aluno representava o lado trabalhador, outro o lado burguês, outro um lado mais acadêmico, mostrava as grandes mentiras da Independência do Brasil, o porquê do Brasil ser “servo” da Inglaterra, os acontecimentos que mudaram a humanidade. E também, na 8ª série/9º ano, tive um professor de Geografia, que ao invés de ensinar a rotação da Terra como em todos os anos, os trópicos, também ensinados todos os anos, ele ensinava sobre os prós e contras da Globalização, as falhas do desenvolvimento tecnológico, o porquê de termos que optar pela energia renovável, porquê desistir do combustível fóssil, o que irá acontecer com o mundo se as indústrias continuarem como estão, o que irá acontecer se mudarmos essa realidade, coisas que podem ser feitas, entre outras matérias das quais também lembramos, não só na hora da prova, mas depois também.
    Claro que esse sistema educacional precisa ser mudado, mas temos que ter participação também do lado discente e dos pais, não só dos professores, claro, os professores são os que mais se esforçariam, planejando assim um sistema mais evoluído.
    Mas o maior agravante para essa evolução são as industrias e o governo, o governo não dá a preparação adequada para o ensino, isso você não pode negar, um professor adoraria ensinar se estivesse em uma sala bem cuidada, com um material de qualidade e com alunos que o respeitam (coisa que não existe, muito hoje, e como estudante eu posso confirmar isso). A industria de entretenimento é a principal inimiga que, com a alienação, cega os olhos, tampa os ouvidos e fecha a mente dos alunos E dos professores.
    Bom, é essa a minha visão da coisa, a visão de um aluno da 2ª década do século XXI. Estou de mente aberta para receber qualquer crítica ou contradição ao meu comentário.

  5. Francisco Leido

    08/02/2013 — 09:36

    Ótimo texto Arthur! Finalmente alguém disse, com todas as letras, tudo que penso sobre a escola.

    Muita gente já me disse “você é tão inteligente, lê tanto, como pode ser contra a escola?” E eu respondo que se eu não tivesse perdido meu tempo lá eu teria lido muito mais e aprendido muito mais. A escola enfia goela a baixo um monte de porcaria e sobra pra “escola da vida” nos ensinar o que é útil – quase sempre na base da porrada.

  6. Na leitura lembrei de algumas coisas.

    No segundo grau questionei com minha professora de química (Algo que não tenho habilidade nem interesse) por que essas matérias de cunho especializado não eram reduzidas a extra-curriculares. A resposta me surpreendeu:

    “Seria ótimo se fosse assim. Eu teria uma sala reduzida, com alunos interessados e que poderiam desenvolver algum horizonte na profissão. Renderia muito mais, tanto meu trabalho quanto o aprendizado deles.”

    Sobre as mitocôndrias, estranhamente aprendi o funcionamento numa revista de vídeo-games, enquanto tentava zerar o jogo Parasite Eve. Um video game conseguiu ser muito mais efetivo que minha pós graduada professora de biologia.

    E por último, eu lembrei que a anos emprestei o meu livro do II Simpósio de RPG e Educação para um professor de história que eu conhecia, e o cidadão leu e socou no cu. O livro nunca mais voltou pra minha mão. Mas ele disse que aproveitou muita coisa em sala de aula. Recomendo.

  7. O que critiquei foi que houve reducionismo. Professores fazem greve por motivos errados? Sim! Sempre disse isso. O problema é que mudar os currículos é complicado. Como pedirão um melhor currículo professores que pouco ou nada sabem a respeito dele? Sempre que vi a mudança de currículo em pauta, partia de pedagogos que queriam inserir “História da cultura negra”, “Escrita criativa para poetas e escritores” e coisas do gênero. Agora, proponha um projeto curricular, detalhado, e envie todos os pontos para que sejam discutidos, e a coisa muda de figura. Minha proposta? Educação livre! Mande uum currículo aberto, ou seja, em vez de matérias, discrimine por assunto, e deixe que o aluno escolha que assuntos quer pegar, e quais não quer, e ainda acrescente outros assuntos. Assim, ele não se matricularia em “Matemática”, mas em “Matemática Financeira”, “Logaritmo”, “Matrizes” etc. Não se matricularia em “Português”, mas em “Português: Morfologia”, “Português: Sintaxe”, “Português: Literatura Brasileira”, e ainda poderia se matricular em “Primeiros Socorros”, “Técnicas de Defesa Pessoal Urbana”, “Corte e Costura”, “Técnicas de Olaria” etc.

    Se acha que isso nunca foi proposto nos movimentos de classe dos professores, estaria enganado. O problema não é isso ser proposto ou não, mas que as lideranças não estão preocupadas com isso. Para as lideranças, conseguir melhor salário e melhor condição de salário é o primeiro passo para conseguir votos de seus colegas professores. Os alunos que se fodam!

  8. Esse artigo mostra claramente que mesmo pessoas esclarecidas e inteligentes podem ter opiniões extremamente errôneas.

  9. Mirley Fernandes

    08/02/2013 — 23:51

    Perfeito!

  10. Não posso criticar o esforço que todos os professores que tive na vida fizeram para que eu me transformasse num indivíduo bitolado pelo enquadramento curricular. Todos falharam nesse intento, mas me ensinaram onde procurar tudo aquilo que eu queria saber. Não concordo em culparmos os professores pela falta de aplicabilidade prática de grande parte do que é ensinado. Não há como saber o que vai na cabeça do aluno, qual a sua preferência ou tendência profissional, e se ele está preparado para saber que aquilo que ele pensa que quer será aquilo que realmente vai ser útil para ele. Inicialmente o “goela a baixo” se torna necessário quando você tem uma massa amorfa e não tem uma bola de cristal que esclareça o melhor futuro pra cada um. Acho que não cabe ao professor DE LINHA DE FRENTE determinar conteúdos. Até admito que uma “alta roda de professores” deveria estar preocupada com todas as ponderações pertinentes, levantadas em sua postagem, que considero aplicáveis quando o aluno já amadureceu o suficiente para saber realmente o que pretende fazer da vida. No entanto a “alta roda de professores” se mobiliza, utilizando aqueles professores da linha de frente como bucha de canhão, só quando há interesse em melhorias salariais. E também é notório que a condição salarial dos que são usados como bucha os coloca numa realidade sócio econômica que só permite que eles se atenham ao plano de aula; não há tempo nem dinheiro para levantar bandeiras em prol de uma educação mais diversificada e pragmática; essa seria uma cruzada perdida para aquele que NÃO FAZ POLÍTICA na educação. Essa, a meu ver, deveria ser o resultado de um complexo trabalho resultante do diálogo entre os que planejam os planos de aula e os que vão engolir esses planos. Não vejo esforços de nenhuma das partes. A parte que coordena está apenas interessada em se manter na coordenação, e a parte coordenada está de bico aberto, apenas a espera que a minhoca lhes seja dada, de preferência muito bem mastigadinha. Gostei de conhecer o ciclo de Krebs e as mitocôndrias; foram úteis minhas aulas de grego e latim; ainda pesquiso, por curiosidade, o básico das partículas subatômicas; estou fazendo esforços para migrar do visual basic para o C++; fuço no esperanto porque conheço um louco que o usa; não posso pular um dia sem estudar um pouco mais de medicina; aprendi a coar café quando a cafeína passou a ser um dos venenos que eu devo evitar; e todas essas coisas não necessitam ser ensinadas nas escolas… basta saber onde elas estão e ir buscar!

  11. Uma educação inútil ou de má qualidade é uma terrível violência contra um ser humano, porque lhe rouba o presente, o futuro e as possibilidades de recuperar-se do mal que lhe foi imposto. É quase um homicídio.(Arthur)

    Perfeito!

  12. Caro Romacof,nem todos aprenderam a ser mestres de si mesmos.

    Acredito que a família seja o ponto de partida para quem tem sede de saber,depois vem a escola.

    O problema é quando a família não tem como desempenhar bem seu papel,então a escola deve assumir essa função.
    Não por ela,mas pelo respeito que todo ser em formação merece.

    Quando família e escola andam mal o resultado é uma sociedade doente,como a nossa.

  13. Dogbert, os problemas da educação no EF e EM possuem duas variáveis que são ignoradas sempre que se discute este assunto:

    – A má formação que os professores recebem (isto quando recebem) nos cursos de licenciatura das universidade brasileiras.
    – A omissão e desinteresse no acompanhamento na educação dos filhos por parte dos pais e responsáveis.

    Ignorar estas variáveis quando se discute a educação e seus problemas é tratar do assunto de maneira simplifica.

    Como cobrar dos professores do EF e EM aquilo para o qual eles não foram preparados? Os 90% do lixo, segundo você, que eles ensinam é o que foram passados para eles quando eles estavam nos bancos das universidades.
    Quer abordar o problema de maneira correta? Então comece pela base da pirâmide, pela formação que estes mesmos professores recebem antes de entrar nas salas de aula e pelo comprometimento dos pais com a educação dos filhos.

    Outra questão que acredito, tenha alguma relevância sobre o assunto é que a escolha dos temas que serão ensinados no EF e EM é, em geral, ditado pelo que é exigido nos exames vestibulares e de ENEM para o estudante acessar a universidade. As melhores escolas particulares e públicas sempre orientam o seu conteúdo neste sentido, porque, gostando ou não, o índice de aprovação de alunos nos exames de admissão das grandes universidades é um fator relevante e importante tanto do ponto de vista dos pais (que só querem ter o trabalho de matricular os filhos), das autoridades escolares e do Estado (que só querem bons números para exibirem) e para a própria escola. Então, enquanto o movimento retilíneo uniformemente variado for cobrado em todos exames de admissão para universidades do país, é isto que as escolas e os professores vão ensinar. Observe que não estou entrando no mérito se este esquema é bom ou ruim, só fazendo uma constatação, pois afinal de contas é tudo uma questão de prioridades.

  14. O curriculo da faculdade que cursei ja’ mudou pelo menos 3 vezes desde que fui aprovada no vestibular. As mudancas no curriculo ocorreram por 3 motivos: sugestao dos alunos, iniciativa dos professores ou nova legislacao requerendo a mudanca.

    A frase os professores nos enganaram pressupoe um grau de dependencia destes professores que ‘e muito mais grave do que “ter sido enganado”.

  15. Fernando Techio

    17/06/2013 — 12:09

    Considerei o texto totalmente infeliz.
    Primeiro, porque todo conhecimento é relevante, independente de sabermos ou não onde utilizá-lo (agora).
    Segundo, os conceitos do que consideramos importante são totalmente subjetivo.
    Uma aula sobre rochas metamórficas será inútil para 99% dos alunos, mas vai despertar o interesse de um futuro geólogo.
    Inúteis ligações químicas formam engenheiros, protozoários – biólogos, planetas – astrólogos… o diferente atrai nossa atenção e desperta o desejo.
    Agora, àqueles que defendem o vestibular direcionado,sem biologia para engenharia (p/ex.)…deixem de ser preguiçosos, só não encontramos onde aplicar o conhecimento, quando não o temos.
    País subdesenvolvido, é país que procura desculpas para aprender e culpa seus professores por sua falta de vontade.
    Brasil, país do ” coitadismo”.
    Obs.: quem tem que lutar por educação é VOCÊ, não seu professor. Quem precisa aprender é vc, ele já aprendeu.

  16. César Munhoz

    26/07/2013 — 00:26

    Entendo que muitos professores se obrigam ao “conteudismo”, pois serão cobrados por não terem ministrado aulas que não caem em concursos e vestibulares. As vezes o ensino em sala tem um plano de aula com objetivo pré estabelecido que não tem muito a ver com o valor do conteúdo apreendido pelo aluno e sim com a responsabilidade, zelo, autonomia,iniciativa, socialização, respeito às diferenças, etc. Esses aspectos podem ser observados quando um professor solicita atividades em grupo até para um simples colar figuras em uma cartolina. O importante é cada um cumprir o seu papel da melhor maneira possível. Se um aluno sequer prestou atenção no que foi solicitado, detectou-se um problema e não cabe só ao professor resolver. Toda sociedade é responsável pela educação de um indivíduo e também devemos cumprir nossos papéis.

  17. Gente, que fim levaram todos os meus comentários neste artigo? O gato comeu, só pode. Vou ver se aconteceu o mesmo em mais algum artigo, que coisa estranha!

    1. Pior que eu não consegui descobrir. 🙁
      E eram argumentos longos e detalhados. 🙁

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