Eu quero construir um país em que o pior dos políticos tenha no mínimo a envergadura moral de um Mahatma Gandhi. Eu quero construir um país em que a ética e a boa vontade sejam a regra e a transgressão e o descaso sejam a espantosa exceção. Eu quero construir um país que o mundo inteiro admire e procure imitar devido ao altíssimo bem estar e insuperável qualidade de vida de seu povo. Eu quero construir um país que exporte cérebros não porque aqui eles não são valorizados, mas porque o mundo inteiro pede nossa ajuda para atingir o que aqui se tornou corriqueiro. Eu quero construir um país onde é maravilhoso viver. Quem quer construir este país comigo? 

Eu estou farto de ler e ouvir dizer que a política é suja, que a política tem que ser pragmática e que na política muitas vezes é necessário dar um passo atrás para poder dar dois passos à frente. Não! A política é tão limpa ou tão suja quanto o caráter de quem faz política, a política tem que ser regida por princípios e a política tem que andar exclusivamente e sem qualquer concessão na direção do que é certo, do que é justo, do que é bom, do que é sustentável e do que pode ser proferido em voz alta em frente a qualquer um, sem medo, sem vergonha e sem tergiversações.

Eu estou farto de ouvir a direita falar em liberdade para exigir o direito de aniquilar a liberdade alheia, falar em não agressão para impedir a revolta dos miseráveis sem quaisquer perspectivas na vida, falar em livre mercado para promover uma orgia ecologicamente insustentável de desperdício de energia e matérias-primas para fazer circular bens inacessíveis para a maioria da população, sem qualquer sentimento de responsabilidade para com os que sofrem, para com os que passam necessidade, para com os que jamais usufruirão da tal liberdade hipocritamente apregoada.

Eu estou farto de ouvir a esquerda falar em igualdade para exigir o direito de aniquilar a igualdade, destruindo a causa dos Direitos Humanos, jogando mulheres contra homens, negros contra brancos e homossexuais contra religiosos, aliando-se com o que há de mais pervertido e perverso na política internacional, enganando o povo com migalhas de privilégios como cotas raciais e sexuais, sem qualquer consideração para com os injustiçados no processo, nem para com os prejudicados pela péssima gestão pública que tais medidas populistas tentam maquiar.

Eu estou farto de ouvir os pessimistas e pseudo-intelectuais falarem que não há alternativa à direita e à esquerda, como se as posições em que as facções que compunham a Assembléia Nacional da França do século XVIII tenham estabelecido para todo o sempre o único padrão de análise ou de posicionamento político possível, como se a criatividade e a inventividade humana tivesse que se submeter às limitações intelectuais destas bestas aprisionadas no tempo e em seus confortáveis feudos ideológicos.

Eu estou farto de ouvir os derrotistas dizerem que o mundo é assim mesmo e que não adianta tentar mudá-lo porque a história teria seu próprio ritmo, quando é evidente que não existe ritmo natural para a história humana e que cada um de nós é responsável pelas decisões que toma, pelas ações que desempenha e pela construção do futuro.

Eu estou farto de ouvir os queixumes de que a educação é ruim, a saúde é um caos, o transporte é caro, a casa própria é um sacrifício que se faz para que os filhos tenham onde morar e o carro zero é um luxo, mas quando se pergunta “o que você está disposto a fazer para mudar essa realidade?” a resposta é uma lista de desculpas furadas sobre falta de tempo, falta de dinheiro e falta de interesse.

Eu acredito que os ideais do iluminismo são os mais avançados e saudáveis ideais que podem nortear a construção de uma sociedade saudável, segura e progressista, em que cada ser humano possa desenvolver em plenitude todos os seus potenciais, tornar-se autônomo e produtivo, buscar a felicidade como melhor lhe aprouver e contribuir significativamente com o desenvolvimento e a harmonia da sociedade em que vive.

Eu acredito em liberdade, igualdade e fraternidade, indivisíveis, inseparáveis, uma permanentemente modulando a outra, como um conjunto harmônico – e não, como fizeram a direita e a esquerda, conceitos estanques usados de modo pervertido para satisfazer interesses ideológicos próprios. A direita seqüestrou e perverteu a liberdade, a esquerda seqüestrou e perverteu a igualdade, e ambas convenientemente estupraram e jogaram morta em uma vala a fraternidade, conceito por ambas ridicularizado e considerado impróprio para fundamentar a ação política prática. 

Eu acredito que a firme convicção de colocar a ética acima e à frente de tudo que se faz, como método através do qual se percorre qualquer caminho e como material a partir do qual surgem todos os resultados da ação no mundo é condição sine qua non para a ação política, em qualquer tempo e lugar, e que caminhar “na direção do que é certo, do que é justo, do que é bom, do que é sustentável e do que pode ser proferido em voz alta em frente a qualquer um, sem medo, sem vergonha e sem tergiversações”, como eu disse antes, é o único método que pode lançar luz sobre os caminhos que a humanidade percorre, de modo a evitar que tropece nas armadilhas do obscurantismo, da ignorância, da intolerância, do egoísmo, do coletivismo e da perversão dos ideais proclamados devido a interesses obscuros e inconfessáveis. 

Eu, por ser um iluminista convicto, que percebeu claramente que a Revolução Francesa não foi a Revolução Iluminista, uma vez que foi abortada pelo Terror, a coisa mais anti-iluminista possível, quero nada mais, nada menos, que completar aquela revolução abortada – para mudar não somente a minha realidade pessoal, mas o meio no qual eu vivo, para que ninguém mais tenha que viver como uma fera selvagem, sempre alerta, sempre à espreita do perigo, sempre dependendo somente de si mesmo ou de um leviatã insensível comandado por corruptos e psicopatas cujo único interesse no exercício do poder é o próprio benefício, seja ele financeiro, ideológico ou de qualquer outra natureza.

Eu estou disposto a sair de minha zona de conforto para construir o país em que desejo viver, mas a única coisa que posso fazer sozinho é cuidar da minha própria vida. Para mudar esse país é necessário um grande número de pessoas convictas de que a mudança é possível e comprometidas com o trabalho numa mesma direção. Se você é uma dessas pessoas, então e somente então eu poderei começar os parágrafos com outro pronome e manter a coerência.

Nós precisamos nos unir e nos organizar se quisermos mudar a realidade ao invés de apenas produzir belos discursos. Vamos começar a fazer isso neste grupo de discussão do Facebook: Revolução Iluminista. O grupo é aberto a todos que quiserem participar e visível por todos na internet. A única regra do grupo no momento é: “a participação é opcional, o respeito pelos membros e pelo objetivo do grupo é obrigatório”. Divulgue este manifesto nas redes sociais. 

Nós precisamos estabelecer um plano de ação para encontrar outros iluministas e multiplicar nossas forças ao mesmo tempo em que impedimos o joio de crescer em meio ao trigo. E, com o tempo, com a colaboração de muitos, com um bom planejamento e com muita ousadia, derrubar todas as resistências, derrubar todos os obstáculos, trazer estes belos ideais à vida e construir o país de nossos sonhos. 

Nós vamos construir um país em que o pior dos políticos tenha no mínimo a envergadura moral de um Mahatma Gandhi. Um país em que a ética e a boa vontade sejam a regra e a transgressão e o descaso sejam a espantosa exceção. Um país que o mundo inteiro admire e procure imitar devido ao altíssimo bem estar e insuperável qualidade de vida de seu povo. Um país que exporte cérebros não porque aqui eles não são valorizados, mas porque o mundo inteiro pede nossa ajuda para atingir o que aqui se tornou corriqueiro. Um país onde é maravilhoso viver.

Nós vamos fazer isso – não tenha dúvidas. 

Nós. Juntos. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 20/06/2013

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ATENÇÃO: Se você concordar com os valores e objetivos aqui expostos, ingresse no grupo de debates Revolução Iluminista para começarmos a construir um movimento iluminista. 

 

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49 thoughts on “Eu quero uma revolução! Quem vem comigo?

  1. Joaquim Salles

    21/03/2014 — 14:37

    Só para deixar mais leve a conversa, e quem sabe dar umas risadas 🙂 ,veja esse link em http://liberzone.com.br/15-dicas-de-que-voce-esta-se-tornando-um-liberal/ (15 dicas de que você está se tornando um liberal). Claro que eu sei que vc não é um “liberal clássico” e nem quer ser 🙂

    Num ponto do texto é dito “A classificação de direita e esquerda já é complicada por si só, com todas as reviravoltas da história. O liberalismo foi considerado esquerda na França até meados de 1930, por exemplo, e agora tenta se livrar da associação com os conservadores no pós-guerra. Agora… somente na mente confusa de um esquerdista mainstream brasileiro o PSDB poderia ser chamado de direita. FHC deu beijinho em Fidel Castro, foi professor na Sorbonne. Tá de sacanagi!

    Dependendo de como fizer a analise e comparação notara que existem muitos pontos “semelhantes” entre Iluminista e “Libertarian”, muito mais do que com as Olavetes 🙂 Também , fica mais fácil perceber que não desagrada o conceito de “walfare-state” para o Ilumistas; que o estado deve ajudar em vários pontos básicos como saúde e educação e nem por isso será de esquerda para ódio dos anarco capitalistas e outros grupos libertarian. E ao mesmo tempo não podem acusar os Iluministas de serem professores de “murocliclismo”, de ser uma variante do PSDB ( que estão em cima do muro 🙂 ).

    1. Hehehehe… De fato, dei risada pra caramba, mas no fundo, no fundo, o texto do cara é muito sério.

      Eu só dei um pulo com este absurdo aqui: “Ser intolerante com os intolerantes continua sendo intolerância.”

      Isso não é verdade. Ser tolerante com a intolerância permite o crescimento da intolerância.

      Esse pessoal matou as aulas de lógica.

  2. joaquim salles

    21/03/2014 — 21:42

    Não defendendo o autor do texto ( ai pode escrever nos comentário que espero que ele goste) mas muita coisa na linguá português não seque a logica formal. Exemplo? Duas negações (! ( ! A)) é uma verdade, já na ultima “flor do lácio” pode ser uma enfase da negação. 🙂 coisas de Laurinha 🙂

  3. Samara Diamond

    12/12/2014 — 12:25

    Compartilho incontestavelmente, dos ideais aqui apregoados. Difícil realmente será um luta para alcançar tal nível de entendimento e esclarecimento ideológico e intelectual, de um povo que desde os seus primórdios, foi domesticado, tal qual um animal de estimação, incapaz de reagir perante injustiças eventualmente praticadas por seus “donos”.. assim é o povo com relação aos pseudo-representantes da população. Colocam os políticos em uma posição acima do bem e do mal, como donos de suas vontade e seus direitos, quando na realidade, o verdadeiro papel deles deveria ser o de garantir que se façam valer nossos direitos. Eliminar corruptos e corruptores, seria uma tarefa árdua, afinal, estes são ardilosos e se escondem muitas vezes em uma capa de altruísmo e boa vontade, para só depois serem desmascarados. Se todas asa pessoas realmente cansadas dessa triste e vergonhosa realidade de nosso país resolvessem entrar para a vida política, querendo fazer a diferença, balançar as estruturas dos 3 poderes, de forma consistente, poderíamos um dia vislumbrar esse cenário, no momento utópico de uma sociedade virtualmente perfeita. Digo virtualmente perfeita, porque a perfeição absoluta nunca haverá. Sempre existirão exceções. Somos todos seres humanos, passíveis de erros e acertos. Eu estou entre as pessoas dispostas a entrar para o cenário político em um futuro próximo, afim de fazer algo par ajudar a consertar todos os “defeitos de fabricação” em nossa constituição e fazer valer uma constituição que realmente dê iguais condições a todos, independente de religião, etnia, nível social (que nem deveria haver tanta discrepância), sexualidade e escolaridade. Na realidade, escolaridade não deveria ser um problema social, todos deveriam ter acesso a uma educação de qualidade, que forme seres “pensantes”, de alto nível técnico e intelectual, prontos para enfrentar e encarar a vida de frente, estando prontos para qualquer situação e capacitados para contribuir para o bom funcionamento e desenvolvimento do nosso país. Investir em pesquisas em tecnologia de ponta, de alta competitividade no cenário internacional, para não continuarmos reféns, como ainda somos hoje, de superpotências tecnológicas, como EUA e Japão, dentre outros. Isso seria apenas a ponta do iceberg.

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