Povo que não tem virtude acaba por ser escravo.  Escravo de sua incompetência. Escravo de sua preguiça. Escravo de sua covardia. Escravo de sua eterna dependência de outros para resolver seus problemas. Escravo de seu mimimi wishful thinking blábláblá tergiversação barata. Em suma, escravo de sua própria mediocridade. 

Eu estava lendo uma discussão sobre o tal vagão exclusivo para mulheres. Você é contra ou é a favor? Eu sou a favor porque mimimi. Eu sou contra porque mimimi. E dê-lhe relatos sobre algum imbecil que passou a mão na bunda de alguém, logo todos os homens têm que ser crucificados de cabeça pra baixo em cima de formigueiros e chicoteados até a morte. 

A minha paciência com os Darwinitos da vida real anda pelas tampas. Tanto que naquela discussão eu respondi o seguinte: 

O que você acha do vagão exclusivo para mulheres?

É inconstitucional. 

E é obviamente excludente. 

Errado de alto a baixo. 

Mais uma vez o que se vê é uma redistribuição da miséria ao invés de uma solução verdadeira. 

A solução é simples: todo mundo viajar sentado e confortável, com bancos de couro, ar condicionado, bebedouro com água geladinha e banheiro limpinho. 

E, claro, cada cidadão e cada cidadã sem antecedentes criminais com uma .380 no bolso e treinados em defesa pessoal pra evitarem abusos de vagabundos. Porque bundão que quer jogar toda a responsabilidade pelo funcionamento do sistema nas costas dos outros tem mais é que se ferrar mesmo. 

Solução tem. O que não tem é político e empresário com vergonha na cara e coragem pra implementar. E o que tem de sobra é bundão/bundona que acha que só porque paga impostos os outros têm a obrigação de resolver seu problema sem que ele/ela tenha que fazer nada. Nem que decuplicasse os impostos isso seria possível. Não se constrói um país decente com covardes e omissos. 

Assédio sexual é a $#$@&$#%&!!!!!!

Posso ter sido agressivo demais – eu ando bem irritado desde um certo episódio que me fez perceber que o Brasil não tem mais um movimento pelos Direitos Humanos em nenhuma escala – mas em linhas gerais é isso mesmo que eu penso. 

Queremos sempre que os outros resolvam o problema, estamos eventualmente dispostos até a enfrentar riscos em protestos que podem terminar em conflito, tudo para manifestar nosso descontentamento com quem faz a coisa errada, mas assumir a responsabilidade de fazer a coisa certa, ah, não, aí é pedir demais. 

E não é só no vagão do metrô, obviamente.

Com a palavra o Darwinito:  

“Se meu filho tem letra ruim, eu vou à reunião de pais e mestres na escola e reclamo do professor, mas não me dou o trabalho de comprar um caderno de caligrafia e sentar junto com meu filho uma hora por dia no horário da novela para ajudá-lo a melhorar a letra. Óbvio. Pra que é que eu pago escola?” 

“Se o diâmetro da minha barriga se torna tão grande que eu entalo na roleta ao andar de ônibus, eu vou reclamar de “gordofobia” no meu blog e exigir que façam ônibus maiores, com assentos exclusivos para obesos, mas não vou fazer o que preciso – corra, gordo, corra! – pra cuidar da minha saúde e resolver o problema. Óbvio. Não tenho direito à cidadania só porque sou gordo?”

“Se eu não sei redigir um texto minimamente coerente para conseguir explicar uma idéia simples em vinte linhas sem assassinar a ortografia e a concordância umas três vezes por linha, nem sou capaz de calcular quantos crimes contra a última flor do lácio resulta dessa taxa de incompetência, eu vou reclamar que preciso de cotas especiais para oprimidos históricos porque o avô do avô do meu avô foi escravo, mas não vou reservar uma hora por noite para ler e estudar por conta própria e assim corrigir minhas deficiências educacionais. Óbvio. Afinal, meu povo sofreu muito para ajudar a construir a riqueza deste país, agora é hora de termos uma compensação.”

“Se um cone de sinalização é empurrado pelo vento ou chutado por um vagabundo e fica um metro distante da posição em que deveria ficar, atrapalhando o trânsito de uma grande avenida, eu desvio o meu carro, invado a faixa do lado, atrapalho todo o trânsito e sigo em frente, assim como os mil e quinhentos motoristas antes de mim fizeram e os mil e quinhentos motoristas depois de mim farão. Parar o carro, abrir a porta, descer e colocar o cone no lugar certo, gastando trinta segundos do meu precioso tempo para evitar um incômodo para milhares ou dezenas de milhares de pessoas é algo que definitivamente nem passa pela minha cabeça. Óbvio. Isso é obrigação da Secretaria de Obras, ou da empreiteira tercerizada.”

Óbvio, Darwinito, muito óbvio. Sempre há uma excelente justificativa para todos os teus comportamentos. Só que o professor do teu filho também tem uma justificativa, que podem ser os baixos salários, ou as más condições de trabalho. A empresa de ônibus também tem uma justificativa, que pode ser o custo operacional, ou a impossibilidade física de construir uma roleta mais larga que o próprio ônibus. A universidade não tem vagas suficientes para todos, então prefere maquiar a realidade. O Poder Público não é onipresente, na próxima licitação a questão do cone será contemplada. 

O Brasil continua um lixo, claro, mas cada “cidadão” tem sempre uma ótima explicação de por que a culpa é dos outros. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 03/07/2013 

18 thoughts on “O que mais tem é filho teu que foge à luta…

  1. O tanto que eu ri com esse texto foi o mesmo tanto que eu fiquei preocupado com os efeitos do Revolução Iluminista sobre as coronárias do Arthur.

    1. Esse texto foi o início de uma transição. Não perde o texto de amanhã. 😉

  2. Tudo que posso dizer é que tens razão.

    E pego o pedaço de carapuça que me pertence,rs.

    1. Acho que todo mundo tem uma parcela de responsabilidade nisso, eu inclusive. Mas a gente tem que levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. E tratar de tentar andar pelo caminho estreito.

  3. Gente, a questão é bem simples. Pergunta se em país que respeita seus cidadãos, que os educa, que oferece transporte decente e confortável, aparece esse tipo de medida.

    1. O problema é como chegar lá.

      Para ter um povo bem educado, é preciso ter um bom sistema de educação.

      Para ter um bom sistema de educação, é preciso ter uma boa política educacional.

      Para ter uma boa política educacional, é preciso ter políticos honestos e comprometidos com o desenvolvimento do país.

      Para ter políticos honestos e comprometidos com o desenvolvimento do país, é preciso ter um povo criterioso na hora de votar e exigente na hora de cobrar resultados.

      Para ter um povo criterioso na hora de votar e exigente na hora de cobrar resultados, é preciso ter um povo bem educado.

      E assim se fecha o círculo vicioso de degradação moral, política e educacional de um país subdesenvolvido, no melhor estilo “o ovo ou a galinha”.

      A não ser, é claro, que uma vanguarda esclarecida decida dar um tapa na mesa e um basta bem claro nisso, mas só quem eu vejo se mobilizar são os corruptos!

  4. Vendo essa foto, me vêio o que estava pensando durante a semana vendo um filme de ação, olhei e pensei no meio do filme. Ptz..

    Mais um filme de homens que são apenas garotos frágeis (mesmo sendo o ator principal) abaixo de mulheres super fortonas que derrubam valentões fodões com um simples soco e são 40343543 vezes mais inteligentes que qualquer homem.. HOMENS = LIXO E MULHERES = OURO.. afff já cansou essa temática.. isso  torna os filmes muito “iguais” .. poderiam ao menos virar o disco. Todo mundo sabe que mulher não faz nada contra um homem pessoalmente na vida real, que elas só falam grosso com qualquer homem quando está em público cercados por babõe. Se um homem meter a mão nela caso ela o desrespeite com alguma agressão física, ela vai logo chamar o aparato policial( formado por homens) para pedir ajuda.

    1. Não sei de que filme é a foto, nem sei o nome da atriz. Só peguei a foto por aí pra ilustrar o artigo.

  5. O nome dela é Evan Rachel Wood.
    Ex namorada do freak Marilyn Manson, fez um filme chamado Adolescentes e participou da série True Blood, não é lá grande coisa, mas é bonita.

    1. Indubitavelmente. 🙂

  6. A mudança começa em nós mesmos.

    1. Mas precisamos nos conectar a outras pessoas que também promovam mudança para ela tenha impacto sistêmico.

  7. Joaquim Salles

    17/02/2014 — 11:37

    Tava relendo esse post e os comentários quanto reli o seu comentário que diz:


    Para ter um povo bem educado, é preciso ter um bom sistema de educação.
    Para ter um bom sistema de educação, é preciso ter uma boa política educacional.
    Para ter uma boa política educacional, é preciso ter políticos honestos e comprometidos com o desenvolvimento do país.

    Bom ai , acho que começa a utopia. “políticos honestos e comprometidos com o desenvolvimento do país.” Por que seriam honestos e/ou comprometidos? Para muitos o que importa é chegar ao “puder”

    Para ter políticos honestos e comprometidos com o desenvolvimento do país, é preciso ter um povo criterioso na hora de votar e exigente na hora de cobrar resultados.
    Bom ai, acho eu, que as pessoas votam no que é possível e não naquilo que acreditam e gostam. Todo sistema é conduzido para poucas alternativas ( sem falar de fraudes e que tais ). Um exemplo bobo, vc procura um cara honesto para votar com vereador ou deputado. Mas a coligação esta cheia de pulhas, vc vota no que gosta. Suponha que o cara não atinja o coeficiente eleitoral: é leito um cara que vc nunca viu … Isso já aconteceu varias vezes aqui, na nossa republica, e tá cheio de caso assim (Lembra do Enéas e quantas pessoas foram eleitas com ele?)

    Outro ponto ( que acho correto) é “ser exigente na hora de cobrar”. Mas com fazer se o judiciário é lento pacas, o executivo é um dos primeiro a “não seguir bem as regras” e tá cheio de processos contra ele no judiciário (logo não da exemplo). A imprensa, na maioria das vezes, é “preguiçosa” e vai atras apenas da matéria pronta feita em outro lugar ou no que “alguma otoridade disse”.

    No dia a dia, a maioria quer cuidar da sua família e sua vida…e as pessoas só se mobilizam em casos extremos… e mesmo nesse casos extremos é necessario ver se não estão sendo “massa de manobra” de alguém…

    Acho que o que vc faz e outras pessoas fazem (usando a net) é bom. Ajuda a pensar e quem sabe… as coisa possam mudar…

    1. Eu gostaria de fundar um novo partido. Uma agremiação com um sistema de depuração interno e radical. Um espaço onde a envergadura moral de um Mahatma Gandhi é apenas o primeiro pré-requisito para o ingresso. Um time incorruptível, altamente combativo e totalmente comprometido em promover uma revolução civilizatória neste país.

      Se eu pudesse encontrar a cada mil brasileiros UM com estas características, EUA, China, Oceania, Singapura e países nórdicos ficariam para trás em todos os indicadores em menos de duas décadas.

  8. Rede de quarteirão,e como pode funcionar.

    Cuide do seu pedaço de calçada,mantendo-o limpo e sem buracos,fácil para carrinhos e bengalas,rs.

    Conheça as pessoas do seu quarteirão,veja se alguém precisa de ajuda.

    Adote ou encaminhe para um abrigo um animalzinho que apareça por lá.

    Se os galhos de uma árvore estão tocando em fios da rede elétrica,avise a companhia de energia ou a prefeitura.

    Se vir algo suspeito na sua rua,chame a polícia.

    Ponha um vaso com flores em sua calçada,ou plante uma árvore.

    São coisas simples,e até bobas,mas se a gente fizer a vida agradece e o mundo fica melhor.

    1. Sim, mas é necessário institucionalizar isso. Quando fica na mão desta ou daquela pessoa, vira parasitismo. Todo mundo sabe que Fulano vai fazer alguma coisa, logo, ninguém mais faz nada. É necessário criar uma rede de cidadania proativa.

  9. Joaquim Salles

    17/02/2014 — 15:37

    Oi Li,

    O único ponto, por experiencia negativa passada, foi Se os galhos de uma árvore estão tocando em fios da rede elétrica,avise a companhia de energia ou a prefeitura. Já vi cada poda “assassina” feita em arvores, com a consequente infestação de cupins a seguir, feita pela Prefeitura daqui..Da até medo…

    Abraços

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