Se existe uma ideologia que pode ser tomada como centrista por excelência, e que no meu entender surge como resultado do modo iluminista de analisar a realidade, esta ideologia se chama Liberalismo Social

Eu acho estranho que alguns autores posicionem o Liberalismo Social um pouco à esquerda, outros um pouco a direita do centro, porque não é difícil perceber que, num espectro unidimensional, é exatamente no centro que deve se situar um sistema ideológico que procura ativamente se livrar dos defeitos que caracterizam a esquerda (oriundos do pensamento coletivista) e a direita (oriundos do pensamento egoísta).

Entre o coletivismo e o egoísmo existe o verdadeiro individualismo, ou seja, a ideologia que coloca o bem estar, as liberdades e garantias individuais – minhas, suas, de cada um – acima das supostas necessidades de entidades abstratas como “a sociedade”, “a comunidade” e “o povo” (pois estes são todos sinônimos de “a colméia” ou “o formigueiro” pelo ângulo do valor que dão ao indivíduo) e acima dos interesses mesquinhos de quem defende a liberdade para dela fazer um uso que restringe a liberdade dos demais (e que também acabam gerando uma sociedade muito parecida com a colméia e o formigueiro, em que um ou poucos indivíduos são “mais iguais que os iguais” e os tratam como as rainhas tratam as abelhas e formigas operárias).

O ponto de equilíbrio a partir do qual qualquer movimento para a esquerda ou para a direita consiste em absorver os defeitos da esquerda ou da direita só pode, portanto, ser a própria referência de “centro”. E em minha visão o proceder iluminista converge para este ponto, pois é da natureza do iluminismo depurar-se de seus defeitos.

E, como é da natureza do ser humano o gosto pelo progresso, que é tão mais facilmente atingido quanto mais nos depuramos de nossos erros e mais adquirimos o gosto pela ética e pela justiça, decorre naturalmente que o Iluminismo e ao que tudo indica uma estrutura de Estado Liberal Social representam a vanguarda política e econômica por excelência.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 11/07/2013

6 thoughts on “O Iluminismo e o Liberalismo Social

  1. O Liberalismo Social é considerado um pouco mais a Direita pela palavra Liberalismo. Ou um pouco mais a esquerda pela palavra Social. Pra mim é o equilíbrio perfeito. Eu não sei aonde liberdade e bem estar sociais podem ser ruins. E menos ainda ser excludentes.
    A confusão que fazem é confundir presença de Estado com menos liberdade. Na verdade, o Liberalismo Social parte do princípio que a sociedade evolui se for livre. O Estado deve promover esta liberdade. Se cada indivíduo de uma sociedade for um ente de direitos e dignidade, a sociedade inteira é.

    1. Bem nessas. Vou até um pouco além: o Estado deve promover liberdade, igualdade, fraternidade. Uma não exclui a outra, e se estiver excluindo é porque tem algo errado e que deve ser corrigido.

      O problema é que todo mundo está acostumado a pensar em termos ou de liberdade, ou de igualdade, ou de fraternidade, desenvolvendo longas teorias a respeito de uma delas e esquecendo das outras.

      A direita elegeu a liberdade como palavra-de-ordem e não está nem aí para o fato de que sua defesa de liberdade tem por efeito aniquilar a liberdade da maioria.

      A esquerda elegeu a igualdade como palavra-de-ordem e não está nem aí para o fato de que sua defesa de igualdade tem por efeito tornar a todos igualmente infelizes.

      E a religião elegeu a fraternidade como palavra-de-ordem e meteu um monte de dogmas no pacote que têm por efeito fanatizar as pessoas em torno deles, esquecendo o próximo.

      Quer dizer, cada um perde a visão de todo, puxa para um lado, promove injustiças e alega que o problema é que ainda falta um pouco mais do seu próprio veneno.

      A gente acaba torcendo para que eles se matem entre si de modo equilibrado pra ver se o mundo não desanda para nenhum dos extremos, mas um tal equilíbrio é muito instável e perigoso.

      Bom mesmo é promover o equilíbrio adequado, tendo como prioridade as necessidades e desejos humanos reis, como eles se apresentam nas demandas cotidianas e não como algum ideólogo maluco os concebeu. Mas isso exige ouvir o povo e quebrar a cabeça para encontrar o melhor modo de atendê-lo com plena sustentabilidade, o que dá muito trabalho para quem só está interessado em ideologias malucas ou em benefícios para si mesmo ou para seu próprio grupo.

  2. Olha um exemplo:
    Num país há 3 operadoras de telefonia que cartelizaram o serviço, cobram preços abusivos e uniformes pra ninguém ter aonde correr, e mantém regiões aonde apenas tem sinal de uma delas. Se aparecer uma nova operadora, eles podem fazer promoções(posto que tem “gordura” pra isso) até quebrar esta nova. Ai existem 2 alternativas:
    1- O governo não se mete, diz que isso é uma relação entre empresas e consumidor.
    2- O governo regulamenta o setor, evita cartelização, garante o direito do consumidor e dá incentivos pra mais operadoras entrar no mercado tanto pro consumidor ter mais opções como pra ter serviços melhores e mais baratos devido a concorrência(capitalismo puro).

    Agora eu pergunto: Em qual das opções acima(1 e 2) se está promovendo mais LIBERDADE pra cada pessoa e pras pessoas em geral? Pois é! Não é a ausência ou presença do Estado que garante mais ou menos liberdade individual e social. É COMO o Estado vai agir que dita isso. E o Liberalismo Social prioriza tanto a Liberdade Individual como o Bem Estar Social, atrelando a primeira a segunda.

    1. Exato. A garantia de liberdade não é “liberdade total para quem tiver capacidade esmagar a capacidade do outro” e sim “liberdade máxima respeitada a liberdade alheia e o bem estar de todos”. 🙂

  3. Não existe liberdade, nem igualdade e apenas um caso aqui outro ali de fraternidade. Ponto. Assim somos nós, seres humanos ! Pois é…

    1. Mas não precisa ser assim, certo?

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