Uma vez um “politicamente correto” me perguntou se eu atiraria num menor de idade que me ameaçasse com um canivete. Típica pergunta mal intencionada, formulada para ver se eu tergiversaria ou se eu diria algo que manchasse minha imagem. Mas a resposta é simples e fácil. 

Eis o que eu respondi naquela ocasião, e que mantenho hoje em dia: 

– Eu não peço carteira de identidade para agressores injustos antes de decidir se defendo ou não defendo minha vida ou minha integridade física. Quem não me tentar agredir não sofrerá retaliação. Portanto, ao invés de me perguntar essa estupidez, vai perguntar pro teu queridinho aí se o certo é assaltar as pessoas com canivete ou se é ir pra escola, que é pública, gratuita, tem merenda de graça e é onde menor de idade tem que estar. 

Ao lidar com interlocutores que defendem o indefensável, seja por má intenção ou por estupidez, temos sempre que lembrar quais são os princípios que estamos defendendo.  As melhores armas do debatedor desonesto ou malicioso costumam ser emocionais, entre as quais quase sempre funciona muito bem pegar uma frase ou uma expressão que usamos, descontextualizá-la, distorcê-la e lançá-la de volta completamente pervertida. Portanto, a melhor coisa a fazer nestes momentos é reapresentar nossos princípios e deixar a assistência chegar às conclusões adequadas. 

O princípio que eu estava defendendo era o meu direito de defender minha vida e minha integridade física. Meu interlocutor desonesto queria que eu dissesse algo como “é claro que eu atiraria em um menor de idade para salvar minha vida”, para depois virar-se para a platéia e dizer “este assassino diz que atiraria em uma criança sem o menor remorso!” ou algo do gênero. Como evitar essa perversão? Reafirmando o princípio e deixando as pessoas tirarem suas próprias conclusões. 

E você? Atiraria em um menor de idade? 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 09/08/2013

39 thoughts on “Você atiraria em um menor de idade?

  1. Eduardo Marques

    09/08/2013 — 15:28

    Eu não sei se armas são politicamente incorretas e nem ligo: os hippies que vão abraçar árvores, prefiro me proteger. Se eu atiraria no menor depende se o “menor” não for maior do que eu, ou se apenas uns cascudos resolverem.

    Aliás, vote a favor das armas no Vote na Web, um site autônomo que simplifica projetos de lei e reporta o resultado das votações para o congresso:

    http://www.votenaweb.com.br/projetos/plc-3722-2012

    http://www.votenaweb.com.br/projetos/plc-1448-2011

    http://www.votenaweb.com.br/projetos/plc-3722-2012-substitutivo

    http://www.votenaweb.com.br/projetos/plc-1060-2011

    1. Boa dica. Vou conferir.

  2. Eduardo Marques

    09/08/2013 — 21:26

    Acho que meu comentário ficou preso na caixa de spam.

    1. Recuperado acima. Estava na fila de moderação.

  3. Responderia com outra pergunta. Dependendo das circunstâncias em que a pergunta é formulada, simplesmente posso me abster.
    Se a sociedade não consegue controlar os marmanjos com as suas armas, imagina então um menor.
    Só diria para sujeito: Quem é você para formular uma pergunta dessas?

    1. Não cola. Ficar em silêncio dá oportunidade para o interlocutor dizer o que bem entender.

  4. E complementaria da seguinte forma: é irrelevante a minha resposta, é uma situação hipotética e ficcional, e se caso ocorresse qualquer que fosse a reação, pagará o preço do mesmo jeito. A consequência é trágica não importa o lado.

    1. Também não cola. Esse tipo de interlocutor é capaz de dizer que a tua obrigação é defender o pobrezinho, vítima da sociedade, não agredi-lo.

  5. Atiro tanto no verme grande, quanto no verme pequeno que ameace a a minha vida.

    1. Mas essa não é exatamente uma maneira muito simpática de dizer isso…

  6. Sei…
    Até parece que eu tenho a obrigação com o menor, diria para o interlocutor, perguntaria a ele: Qual é a finalidade da família? É desonesto da parte do interlocutor querer que eu me responsabilize pela delinquência juvenil alheia, nem sei aonde vai o “nível de vitimização”. Não existe resposta que não traga consequências. Reitero tudo que eu disser para esse interlocutor é irrelevante, só digo para ele que a chance de eu virar presunto é grande e encerro o assunto.E desejo que isso não aconteça com ele.

    1. Pela minha experiência, o melhor a fazer é espremer de volta os PCs com perguntas que exijam respostas objetivas. Eles começam a saltar como tainhas no fundo do barco – e aí fica evidente para os interlocutores honestos quem é quem.

      Imagina o seguinte diálogo:

      – Mas vem cá, tenho ou não tenho o direito de defender minha vida e minha integridade física?

      – Um menor de idade é uma criança, você tem obrigação de defender a vida e a integridade física das crianças.

      – Você não respondeu minha pergunta. Você fez uma afirmação sobre uma suposta obrigação que você acha que eu devo ter. Mas a minha pergunta foi: tenho ou não tenho o direito de defender minha vida e minha integridade física?

      – Vejam o que ele está fazendo. Continua insistindo em ter o direito de maltratar, espancar e até assassinar uma criança! E fica insistindo em reeditar elementos já ultrapassados em um debate, impedindo o desenvolvimento e aborrecendo a assistência. Isso é muita desfaçatez, muito egoísmo.

      – Você ainda não respondeu minha pergunta. Mais uma vez enrolou e mudou de assunto. O problema é que você não consegue responder, porque sua resposta é indecente e vai revelar seu verdadeiro pensamento para a platéia, né? Mas vamos tentar de novo: tenho ou não tenho o direito de defender minha vida e minha integridade física?

      … E assim vai.

      Depois de três ou quatro tentativas, não existe platéia inteligente e honesta que não perceba quem é quem. E o resto, que não perceber uma encenação pornográfica destas, ou é muito obtuso, ou é muito desonesto – ninguém que valha a pena tentar convencer.

  7. Se o politicamente correto quer dar uma de bonzinho, então leva pra casa pra criar.

    1. Se soubesses quantas vezes já ouvi esse “Tá com pena? Leva pra casa!”… 😛

    2. Combata fogo com fogo.

    3. Hmmm… Filosofando um pouco aqui… Não, acho que não é a melhor alternativa. Isso nos tornaria igualmente incendiários.

      Eu proponho uma reescrita desta idéia: “deixe que o incendiário se queime com seu próprio fogo”.

      Incinerar o sujeito com um lança-chamas é uma idéia atraente, mas tem algo intrinsecamente errado com ela: ela nos transforma naquilo que estamos combatendo.

      Acho que temos que dar preferência para a estratégia de apagar fogo com água. Usar mais fogo para extinguir o oxigênio e então apagar as chamas originais é uma estratégia válida, mas somente em último caso, já que em princípio o que realmente queremos é evitar os efeitos das chamas.

      .
      .
      .

      Fui longe. 😛

  8. Tudo a ver com o artigo: lucianoayan.com/rotinas-esquerdistas

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    As pessoas tem que entender que a vida não é o mundo de Alice, é uma sucessão de dor e felicidade.

    .

    Politicamente correto não tem nada de correto.

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    Na dúvida se algo é crime ou não, eu adoto o PNA: Princípio da Não-Agressão. Se não agrediu ninguém, não é crime.

    1. Nelson, por favor, não faz várias postagens seguidas. Posta teus comentários de uma vez só.

      Incrível… Contigo é sempre ou textos quilométricos, ou milhares de postagens em seguida.

      Sem falar que não respondes aquilo que te perguntam.

      Pô, isso não é legal. Não dá pra melhorar um pouquinho, não? Sério. Me responde aí.

  9. Não fugi até porque não tenho uma resposta. E essa questão lembra um debate sobre a tortura.E mesmo que respondesse na hora do vamos ver, pode ser tudo ao contrário por questão de contingência.

    E outra eu não ando armado e não tenho perícia quanto ao tiro.Quanto aos outros, não vou me atrever a responder por terceiros e muitos menos assumir essa bucha.

    Se o outro tem direito ou não de atirar, isso vai da consciência de cada um. Matou por defender a própria vida, quem sou eu para condenar a pessoa? E outra não imagino como fica a psiquê do cara que matou, alguns suportam outros ficam com um nível de remorso atroz.Isso vale para quem tortura e quem sofre da tortura.

    1. Não entendi. Isso é uma resposta para o quê?

      Hmmm… Será que ficou parecendo que o diálogo imaginário que eu postei acima era um conjunto de perguntas para ti ou para os leitores?

      Vou editar aquela resposta, acrescentando a frase “imagina o seguinte diálogo” e colocando o diálogo em questão dentro de uma caixa própria para ficar mais claro.

    2. Pronto, dá uma olhada lá em cima.

  10. Nossa Arthur, que divertido!
    .
    Já estive em alguns debates desse tipo, inclusive com uma professora gostosa de sociologia na faculdade, a pergunta nunca é respondida diretamente.
    .
    Lembro-me de um vídeo do vloger PC Siqueira onde ele “define” direita e esquerda com uma parcialidade digna de dar cambalhotas para trás.
    Nisso o meu amigo que postou o vídeo disse “simples e didático” quando o compartilhou no facebook e acabamos por entrar em um debate pois eu disse que o vídeo é manipulador e tendencioso.
    .
    E assim como o suposto argumentador do seu texto ele começou a desviar o foco do meu questionamento, dizendo que o vídeo não era manipulador,que ele omitiu pontos pois teria que ser didático, portanto não abordou amplamente os pontos de cada lado, a balela de sempre pra defender o indefensável.
    .
    Então eu busquei no youtube o vídeo anti-comunista exibido nos EUA na época em que os comedores de criancinhas estavam na moda, o vídeo também é obviamente tendencioso, postei e disse que para defender o vídeo dos EUA eu poderia utilizar os mesmos argumentos que ele estava utilizando, mas eu ao contrário dele não era hipócrita de afirmar que o vídeo não era tendencioso, muito pelo contrário, era TÃO tendencioso quanto o vídeo que ele estava defendendo, só que apresentando o outro lado da questão.
    .
    Ele não me respondeu mais 🙁

    1. Ah, normalmente é isso que acontece. Quando a coisa fica pornográfica demais até para eles, eles simplesmente se recolhem, fazem de conta que nada aconteceu e ainda se referem ao debate como se tivessem conseguido uma retumbante vitória contra um adversário de evidente má fé. Duvida? Volta a perguntar algo a ele daqui a dois meses.

  11. Outro “argumento” que eu vi recentemente que eu achei super engraçado foi quando no blog do Sakamoto (o sujeito que é a prova cabal de que jornalismo imparcial é o c#ralho) em uma postagem qualquer me deparei com os seguintes comentários:
    .
    Sujeito 1:O socialismo matou milhões de pessoas inocentes apenas pelo fato de emitirem sua opinião e exercerem suas liberdades individuais!*exaltado*
    .
    Sujeito 2:Mas o capitalismo mata muito mais, não diretamente, MAS POR OMISSÃO!
    .
    Tá aí, o capitalismo mata por omissão, OMISSÃO, juro que me faltaram palavras para descrever a sensação que me inundou naquele momento.
    .
    Uma coisa que eu acho interessante sobre a esquerda é a mania de criar termos e argumentos atacando uma ideia, um boneco de Judas.
    .
    Como assim?O sistema, o capitalismo, o machismo, a homofobia, são todas ideias, um inimigo intangível, é uma fonte de repúdio inesgotável que pode levar uma ideologia babaca para frente por anos e anos mesmo após o possível agente causador da mesma (por exemplo um estuprador X) sofra a punição adequada.
    .
    Os estupradores não são mais os inimigos, não são os indivíduos, é a cultura de estupro.
    Os maridos covardes que batem em suas mulheres são tirados de sua responsabilidade individual e jogados na bacia da culpabilização coletiva, não é o sujeito X que bate em sua mulher Y, é o machismo, maldito seja!Temos que acabar com ele!
    Mas como se pode acabar com algo que se quer é tangível?Conseguimos prender o machismo?Proibir ele?Conseguiremos educar através de doutrinação social babaca um INDIVIDUO obviamente doente ou mentalmente instável que perpetua as atrocidades acima?

    Fica aí meu questionamento Arthur, gostaria de saber se você concorda, discorda ou muito pelo contrário, e se já refletiu sobre algo parecido e a que conclusões chegou.

    Atenciosamente,

    Gelson

    1. Já pensei muito nisso, Gelson. E tenho um alerta para fazer a respeito. Talvez eu escreva um artigo especifico sobre isso depois, mas não vou deixar passar a oportunidade agora.

      A esquerda não atrai a juventude com um discurso de ódio. Ela atrai a juventude com um discurso contra as injustiças sociais e instila ódio nela.

      Como nem todo capitalista fede a enxofre e gargalha torturando criancinhas em frente às câmeras, fica difícil apontar “os capitalistas” como boneco de Judas.

      Toda vez que se passa do abstrato para o concreto, fica claro que este capitalista é bom cidadão, aquele burguês é honesto, honesto, aquele outro direitoso é solidário e até voluntarioso, etc.

      Portanto, é necessário manter as coisas em nível abstrato, e só descer para o concreto quando alguém questionar as abstrações utilizadas.

      Se alguém questiona a cultura de estupro, é um “estuprador em potencial”, ou um “estuprador enrustido”, ou um “defensor de estupradores”, e a prova é seu questionamento. Aí não importa se esta pessoa é um bom cidadão, honesto, solidário, voluntarioso, etc. – só o que importa é que essa pessoa só pode estar defendendo a cultura de estupro porque tem interesse em estuprar. Ou seja, essa pessoa é mau caráter. E é o inimigo.

      Não te engana, na hora de combater a “cultura de estupro”, não é a cultura que eles querem colocar na cadeia, mas pessoas. Só que não são mais os estupradores que devem ir para a cadeia, e sim os supostos propagadores da suposta cultura de estupro. Afinal, “eles são tão culpados quanto o sujeito que comete o ato”.

      É assim que transforma TODOS os que questionam as idéias da esquerda em criminosos. E todos aqueles que se tornam inconvenientes também.

  12. Dê uma olhada na fila da moderação que enviei mais um comentário.
    Desculpe, ele é extenso.

    Att,

    1. Recuperado acima.

  13. Segundo o Estatuto do Desarmamento, esse é o modo correto de agir caso um bandido invada sua casa

    http://images.uncyc.org/commons/e/e5/Oldemo.jpg

  14. A esquerda é uma grande compilação de teorias idiotas, interpretações errôneas do mundo, rebeldia adolescente, argumentos emocionais sem muita consideração pela lógica, e, clar, de políticas práticas desastrosas que corroem a sociedade e prejudica logo os mais vulneráveis.
    A esquerda é, sobretudo, uma fórmula incrível pra controlar idiotas e conseguir mais poder sobre toda a sociedade, como a realidade mostra.

  15. As melhores qualidade vida são nos países capitalistas. A África é capitalista? O melhor país africano que melhorou de vida é exatamente um que adotou o capitalismo. Os outros miseráveis são exatamente ex-republiquetas tiranetes socialistas, ou são paises em guerras étnicas e religiosas.

    Capitalismo precisa de educação, instituiçoes sólidas, paz e segurança para negociar, liberdade econômica e etc. Coisa que Africa não tem.

    Se pessoas como Sakamoto se omitisse, ai sim, o mundo estaria bem melhor.

  16. “A esquerda não atrai a juventude com um discurso de ódio. Ela atrai a juventude com um discurso contra as injustiças sociais e instila ódio nela. ”

    Se o sujeito possui alguma deficiencia e necessidades que não consegue atender através de si mesmo usando de suas habilidades convencer, criar, produzir e etc., ninguém tem culpa disso. Bandido que viola direitos humanos, que não respeita nenhum direito alheio, não deve ter nenhum direito respeitado.

    Isso é justiça!!!! …Bandidos tem que entender a sociedade e adaptarem-se a ela, ou DEVEM SOFRER AS CONSEQUENCIAS DE SEUS ATOS

  17. Quando se fala em punição ao criminoso, falamos de crimes bárbaros e violentos, e não há uma boa justificação lógica para mudarmos estes conceitos de acordo com o tempo. Um estupro continuará sendo um estupro, e um latrocínio continuará sendo um latrocínio. Salvo, é claro, no caso do domínio absoluto da sociedade por esquerdistas, mas estes estão fora do discurso racional.

  18. Eu atiraria muitas vezes para não deixar vivo, melhor um bandido morto que alguém útil no quadro social maculado por bandidos.

    1. Dito deste jeito é homicídio, não é legítima defesa.

      Como é que tão pouca gente percebe que, ultrapassando os limites da legítima defesa, se torna tão criminosos quanto os criminosos que critica?

  19. Concordo com a sua colocação, é fácil a vítima se tornar o algoz do futuro.O que o Cezar escreveu, mostra uma arbitrariedade típica de quem não acredita na justiça, é assim que o caos se torna realidade. Quando a mediocridade se torna revolta, a idiotia não tem limite.

    1. Peraí… Depende o que se chama de “justiça”. No nosso judiciário, por exemplo, não dá mais pra acreditar faz tempo…

      O problema, acho eu, é a intenção. Quem tem a intenção de apenas se defender não pratica barbaridades, no máximo esbraveja e solta algumas bravatas sob o domínio da emoção quando está indignado.

  20. defender a própria vida é legítimo. a punição por cometer crimes é legítima.

    isso não significa ignorar as condições que estimulam a violência. penso que são duas esferas de atuação social. punir quem comete crimes (e a punição, para ser efetiva, deve ser justa) e debater a questão da violência, atuando nas causas.

    1. Correto, Cora. Mas o momento no qual alguém põe tua vida em risco não é o momento correto para filosofar sobre a responsabilidade social na formação daquele indivíduo – é o momento de salvar tua vida. Isso é que muita gente parece não entender.

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