Aconteceu há alguns anos, mas lembrei disso hoje no chá das cinco (muito londrino…). Estávamos na casa do parente “A”. Havia dez ou doze pessoas à mesa. Chegou o almoço. O parente “B” foi o primeiro a se servir e pegou quase a metade do prato principal. 

Todo mundo se entreolhou, mas ninguém falou nada. Como eu não sou de calar a boca perante abusos, tratei de falar com a delicadeza que a situação requeria: 

– Ô animal! Tá pensando que tu és o único pra almoçar? 

Aí o animal se ofendeu, começou a bater boca… E saiu todo mundo a colocar panos quentes, minimizar o abuso do sujeito e criticar a mim pelo modo de falar.

Levantei e fui pra casa comer um sanduíche. 

Maldito Stanislav Petrov.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 23/08/2013 

28 thoughts on “Educação à mesa

  1. Hahaha!!!
    Também o glutão não se liga mesmo a não ser pela inconveniência de terceiros. É bom que os outros queimem esse sujeito, de uma forma mais simples: Não convidando mais o fulano.Figura patética.
    Péssimo exemplo para as crianças, aliás, não tinha nenhuma criança no recinto nesse momento? Se teve, é lamentável.

    1. Se ele pega metade do almoço de uma dúzia de pessoas, é porque “é o jeitinho dele”, é porque “é o que ele gosta de comer”, eu tenho que entender isso.

      Se eu dou uma bronca, é porque eu sou grosso. E ninguém tem que me entender, lógico.

  2. Hummm!
    O “jeitinho dele” é a incapacidade de repartir o “dele” com os outros.É um egoísta mesmo.Se os outros não entendem a sua bronca é porque são condescendentes com a falta de educação dele.Se ninguém te entende, lamento a mediocridade deles. Sujeito folgado tem que levar é esporro.Não acredito que seja grosseria da tua parte. E se zé-mané reagir só mostra a infantilidade típica de uma criança de 4 anos.

    1. Eu reagi com o fígado. Foi praticamente um ato reflexo. Acho certo reagir, mas confesso que preferia ter usado a técnica do Romacof, logo abaixo…

  3. Rafael Holanda

    24/08/2013 — 18:59

    “(…)tratei de falar com a delicadeza que a situação requeria(…)” – Arthur.

    Discordo, caro Arthur. Sinto que, dessa vez, uma bronca com mais tato e/ou incrementada com humor levaria melhor a mensagem pro comilão e evitaria que a situação ficasse com o clima incômodo.

    Eu, por exemplo, diria pra família em um tom levemente mais alto:

    – Bom, agora que a pessoa mais importante da família se serviu, os imprestáveis podem comer.

    E se vc realmente saiu de uma reunião com a sua família por isso, começo a temer por vc. Acho que sua atitude de “não vou mais relevar imbecilidades” irá causar mais dano do que fazer bem pra vc.

    1. Não concordo. Passou o recado e ainda desmascarou as demais 10 pessoas do almoço.

    2. Ah, é um bando de italianos de sangue quente, todo mundo fala alto, todo mundo gesticula muito, mas depois as tias botam panos quentes e fica tudo bem.

    3. O problema, obviamente, é que os panos quentes também perpetuam as atitudes como a do glutão em questão.

  4. Tenho pena de pessoas assim,não tiveram educação quando crianças.

    E na idade de compreender e mudar,muitas vezes não querem,outras não sabem como fazer.

    Quem não quer educar não pode ter filho.

    Em família a situação é mais delicada.

    Da próxima vez diga que está de dieta e coma pouco,deixe para se fartar em casa,rs.

    A família agradece.

    1. Negativo. Não tenho que passar fome para garantir o bem estar de gente mal educada. Se ele não aprendeu quando criança, que aprenda com a vida, mas aprenda. Loucura seria abrir espaço para os grossos e obrigar os educados a se encolherem.

  5. http://www.youtube.com/watch?v=dsCp7ZFKmFs

    É bonito, mas acho o método do Arthur de resolver esses pequenos conflitos mais eficiente. Mimimi anos depois não resolve.

    1. Costumo ser direto. Mas viste a sugestão do Romacof, mais abaixo? 🙂

    2. Eu não sei se esse é o melhor método pra todas as ocasiões. Nem se isso funcionaria com você. Tem coisas que a gente não consegue fazer, mesmo sendo as ideais, e então é melhor fazer do nosso jeito. Tipo, é melhor ser um rompedor de defesa na raça que consiga fazer gol na grossura que tentar ser um artilheiro preciso que coloca a bola na gaveta, perfeitinha e… chutar pra fora. Quem nasce pra trombone não tocriaa bem partitura de flauta, então que toque bem a do trombone!

    3. Verdade também. Acho que preciso me testar. 🙂

  6. Acreditem,o método Brucutu não funciona no círculo familiar.

    Muita gente se ressente de não ser convidada para nada,uns por serem “curto e grosso” outros por não terem educação,e outros por pura falta de delicadeza.

    O problema que dos estranhos a gente passa longe,mas não dá para fazer isso com a família.

    A família pode não ser a que sonhamos,mas é a única que temos.

    Os “sem família” que o digam,rs.

  7. Boa colocação caro Rafael… em termos, o problema é a reação dos outros, alguns poderão engolir, outros podem reagir, pois colocou os outros numa situação de capacho, e aí quero ver se a “vaidade alheia” suporta tal colocação.
    O risco é criar um ambiente de animosidade que gere agressões físicas.

    1. Sim, correto. Em outros ambientes, em que eu não conhecesse as pessoas, teria que ser mais cauteloso. Mas ali eu sabia que não ia dar nada além de bate-boca. 😉

  8. Falta de tato, a sua, Arthur! Era só empurrar o prato principal para o glutão e dizer: “Vi que você está com muita fome! Sirva-se mais um pouquinho! Ninguém vai reparar! Não é pessoal?”

    1. EXCELENTE.

      Raios, eu tenho que aprender a fazer assim.

  9. Po acho que o cara que pegou quase metade do prato principal, é um idiota sem noção. E que o Arthur estava “sensível”, sabe aqueles dias que parece que ninguém te entende, e quase tudo é motivo pra você perder a razão.

  10. Vou postar sobre o feminismo novamente, aqui neste post pra ter mais visibilidade, se não tiver problema.

    Pode parecer obsessão, e até é, mas é que eu não consigo ficar calado com essas manobras das feministas, principalmente da feminista Lola. Saiu um post novo no blog dela falando de um âncora de rádio assediador, que inclusive fez uma piada de mau gosto falando que “ninguém quis comer a buceta da tayná”, uma menina que foi morta e depois os assassinos negaram que houve estupro. Obviamente isso é uma atitude horrenda.

    Então o que a Lola faz, além de condenar a atitude? APROVEITA PARA INSERIR SUA IDEOLOGIA CASTRADORA no meio. Vejam a citação:

    ” Em que contexto uma “piada” sobre uma menina de 14 anos brutalmente assassinada seria engraçada? Aliás, em que contexto seria aceitável falar da vagina de uma adolescente, ainda mais num ambiente profissional? Só se o cara for ginecologista.”

    Ora, mas pera lá! Não é “marcha das vadias”, não é “liberdade total sexual para a mulher”, não querem “acabar com o moralismo cristão sobre seus corpos”? Como quer acabar com esse moralismo se ela acha que não se pode NEM FALAR da vagina de uma adolescente (e que eu saiba, a partir de 14 ou 15 anos, não sei qual dos dois, o sexo com adolescentes é liberado, corrijam-me se estiver errado.)

    Ora, quer dizer que, quando é um homem que fala da vagina de uma adolescente, aí não é moralismo cristão achar errado? Não é limitador do corpo e controlador da sexualidade achar isso errado?

    Veja que ela ja havia condenado o fato horrendo dele fazer piada com esse acontecimento, encerrou isso, e perguntou em que contexto seria aceitável falar da vagina de uma adolescente, AINDA MAIS EM AMBIENTE PROFISSIONAL.

    ISSO MESMO. Não só no ambiente profissional, mas ela questiona em que contexto, qualquer um, se pode falar da vagina da adolescente.

    Que obscurantismo moralista, hein Lola? De repente, um homem falar da vagina de uma adolescente, que é um órgão do corpo como outro qualquer, vira uma coisa errada. Cadê a liberação do corpo da mulher, que agora supostamente com o esclarecimento das pessoas, é visto como algo sem pecado?

    Fiquem de olhos abertos, para essa manipulação… Não é brincadeira não…

    1. Pedro, sugiro que você escolha um post sobre feminismo pra postar isso, aqui fica fora de contexto. Procure à direita nas listas. E use o “Reply” pra unificar teus comentários.

    2. Rafael Holanda

      07/09/2013 — 11:08

      Com o Gerson.

      Não sei se o autor tem poder pra fazer isso, mas também dou a sugestão de mover esse comentário pra um texto sobre o feminismo e apagar esse.

  11. As feministas fazem um jogo duplo, às vezes até triplo.

    Mostram o peitos nas marchas, mostram cartaz falando da “buceta” com muito orgulho.

    Mas ai de alguem que comentar sobre os peitos de uma mulher que conheceu, vai ser chamado de machista.

    Assim é.

  12. So pra constar, claro que não é normal ficar falando da bucetinha de adolescentes a toda hora, muito menos no trabalho.

    Mas entre velhos amigos ocorre direto, censurar é loucura;

  13. Não é a mesma situação das minorias políticas que você tanto critica aqui? Veja: uma parcela da população se esparrama na mesa, se serve primeiro e pega o maior naco do almoço. Ai, quando as demais pessoas lembram o glutão de que também estão lá pra almoçar, além do glutão ficar revoltado, todos o acodem dizendo como que aquele que reclama é exagerado?

    Um bom paralelo, não?

    1. Um excelente paralelo. Adorei. 🙂

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