Postaram numa comunidade do Orkut uma notícia sobre uma aluna que foi punida pela escola na Inglaterra por raspar o cabelo em solidariedade às vítimas do câncer. Eis o que eu respondi na ocasião: 

Absurdo, claro.

Mas, sabem…

Conviver com feministas, gayzistas, negristas e outros esquerdistas de merda nos últimos anos me fez mal, muito mal.

Sabem qual foi a primeira coisa que eu pensei quando vi o título do tópico?

Isso:

“Grande merda. Meninos são punidos o tempo todo por NÃO cortar o cabelo e ninguém acha que isso mereça ser noticiado, nem ninguém se importa caso isso seja noticiado.”

Foi isso que a esquerda conseguiu nos últimos anos: fazer quem não pertence ao “sexo certo”, à “cor certa” e à “orientação sexual certa” se tornar cada vez menos interessado e menos sensível aos problemas dos protegidinhos da esquerda.

Afinal de contas, nos últimos anos qualquer um que teve o azar de nascer do sexo, da cor ou da orientação sexual que a esquerda rotula de “opressores históricos” passou a ser livremente ofendido, assistiu sua cidadania ser transformada em uma cidadania de segunda classe e ainda é ridicularizado e ainda mais ofendido quando reclama disso.

Então, ao invés de poder me concentrar no que realmente interessa nessa notícia (o absurdo de punir alguém por uma atitude solidária, só porque ficou com uma estética pouco comum) eu acabo pensando primeiro no gênero, na raça e na orientação sexual de quem se ferrou.

E eu sou um sujeito inteligente e defensor histórico de Direitos Humanos!

Agora imaginem o efeito desse bombardeamento de insultos e depreciações vinculadas a sexo, raça e orientação sexual na cabeça de quem sente seus efeitos mas não tem este tipo de convicções.

Desculpem se o comentário desviar o assunto do tópico, mas eu fiquei tão chocado com essa percepção que não pude deixar de registrar. 

Depois de postar isso no Orkut, percebi que esse desabafo precisava vir para o blog. Creio que esse insight talvez seja um dos mais ou o mais importante em muitos anos: a extensão e a profundidade da corrupção cultural causada pelas ideologias pervertidas da esquerda. 

Se eu mesmo, que não penso nos termos que a esquerda pensa, me flagro sentindo estas emoções, tendo minha percepção momentaneamente turvada, perdendo o foco ainda que por uma fração de segundo, imaginem o quanto deve ser profundo e dramático o estrago cultural causado pela esquerda e seus “movimentos sociais” em um povo inculto e pouco acostumado a realizar esse tipo de auto-avaliação e muito menos a corrigir a rota de seu pensamento.

O quadro é desolador.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 19/09/2013

6 thoughts on “O impacto cultural da esquerda

  1. Ainda bem que você ainda tem auto-correção. Mas a política afeta a mente da gente, a tendência é perder a lucidez, como naquele link que mostra que não adianta usar argumentos lógicos.

    1. Se eu me guiasse só pelas minhas emoções, já teria entrado no Palácio do Planalto com um lança-chamas…

      Qual link?

  2. Realmente o caso dessa menina não faz o menor sentido. Punir uma atitude altruísta por causa de uma questão “estética”. Fosse assim uma pessoa que é obrigada a raspar a cabeça deveria ser punida também.
    Bom vale aquela tese quem defende ideologias seja ela de esquerda ou de direita, defende duas coisas: a estupidez ou a frivolidade.

    1. Conheço alguém que diz que “A estupidez deveria doer… Mas ia faltar morfina no mundo.” 😛

  3. “Grande merda. Meninos são punidos o tempo todo por NÃO cortar o cabelo e ninguém acha que isso mereça ser noticiado, nem ninguém se importa caso isso seja noticiado.”

    Não é verdade que ninguém se importa com outras formas de injustiças. Essa mesma, de se exigir de meninos determinadas atitudes ou aparência apenas por serem meninos. Isso é, sim, muito criticado, inclusive (ou principalmente) por pessoas de esquerda e por feministas, duas categorias que você abomina por aqui.

    Você se lembra do garotinho que gosta de usar vestido e cujo pai foi solidário usando saia? O pai foi muito criticado e, entre os críticos, não haviam esquerdistas ou feministas. Não é um pedaço de tecido que determinará a orientação sexual do garoto.

    Os “protegidinhos” da esquerda são apenas aqueles sobre os quais muitos estereótipos negativos e preconceitos persistem. Não vejo como falar sobre essas questões pode ser assim tão ruim e maléfico.

    Eu reconheço as facilidades que tenho por pertencer ao grupo de pessoas que não está sujeito a estereótipos negativos (quase, pois sou mulher e escuto as “piadinhas” referentes a isso. e tenho que rir delas, do contrário serei estereotipada negativamente mais um pouco. agora como mal amada ou recalcada.). Sei que minhas atitudes e minhas realizações não serão julgadas através de filtros de tonalidade da pele e orientação sexual, pois pertenço ao grupo “certo”. Não ouvirei, jamais, “tinha que ser branco” ou “tinha que ser hetero” como comentário negativo a qualquer erro que eu cometa (embora possa ouvir “tinha que ser mulher”). Não existe o equivalente “tinha que ser homem/branco/hetero” com sonoridade negativa. Ao contrário. Se alguém disser, p. ex., “tinha que ser homem”, o tom será elogioso (o sentido será “só homem mesmo pra fazer certo”).

    Quer dizer, normalmente são os esquerdistas e as feministas que contestam estereótipos negativos.

    Críticas a qualquer pensamento são legítimas. Mas, uma crítica mais fundamentada, não? Dizer que
    você está se tornando insensível por existirem grupos contestando e desconstruindo estereótipos negativos, não considero correto.

    Escutar “piadinhas” infames o tempo todo, cansa. Questionar isso é completamente legítimo. Entender porque grupos historicamente estereotipados negativamente fazem isso, é ser empático.

    1. Cora, tu reclamas de “escutar piadinhas”, enquanto eu sou rebaixado a cidadão de segunda classe pela extremamente sexista Lei Maria da Penha, pelo extremamente racista Estatuto da Igualdade Racial, pelas extremamente sexistas e racistas cotas, etc. Quem me dera ouvir piadinhas e cantadas na rua todos os dias!

      Mas o fim da picada em termos de deboche é a idéia da “discriminação positiva”, inventada para obscurecer o rebaixamento da cidadania de alguns cidadãos perante outros. Como praticamente toda idéia esquerdista, a noção de “discriminação positiva” serve para ocultar o fato óbvio de que toda discriminação que seja positiva para alguém é negativa para outrem.

      Suponho que tenhas descoberto a existência do blog há pouco tempo. Lê um pouco mais, fica um pouco mais por aqui, conversa com o pessoal que comenta, e verás com o tempo que todas as críticas aqui publicadas são muito bem fundamentadas.

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