Eu considero correto prender as duas lésbicas que foram se beijar no meio do culto evangélico – tanto quanto considero correto prender qualquer evangélico que vá ler a Bíblia no meio da Parada Gay. O que está errado não é o beijo gay, nem a leitura da Bíblia – é ir propositadamente perturbar o outro. 

Quem quiser fazer Marcha da Maconha pode. Quem quiser fazer Marcha Contra as Drogas também pode. O que não pode é um dos grupos ir perturbar o outro enquanto ele faz a sua marcha.

Para mim a questão não tem nada a ver com religião, opção sexual, demanda social ou o fato de o espaço ser público. Para mim a questão tem a ver com a regulamentação do direito de liberdade de expressão.

Sabem aquele ditado popular que diz “o seu direito termina onde começa o direito do outro”? Pois é, eu prenderia todos os que foram gritar quando a Yoani Sanchez ia falar. E todos os idiotas que queriam participar de manifestações nas quais não eram bem vindos.

Precisamos estabelecer limites adequados para que todos possam se expressar em paz. Ou, como diz outro ditado popular, “quando um burro fala, o outro abaixa as orelhas”.

E dê-lhe cassetete, tiro e bomba nos cornos de quem não for civilizado e desrespeitar isso.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 22/09/2013

 

20 thoughts on “Civilidade nem que seja na porrada

  1. Os comentários deste artigo permaneceram fechados por algumas horas. Não sei o motivo. Coisa maluca que de vez em quando acontece. Mas já resolvi o problema.

  2. Não esperaria outra reação por parte do pastor, era óbvio o que as duas fez foi uma provocação.Como há repulsa de alguns contra os homossexuais, a coisa poderia simplesmente descambar na pancadaria, como isso não ocorreu qualquer exagero posterior não poderia ser reclamada e não será por falta de informação.

    1. Não entendi o fim da frase.

  3. Pedir pra prender as duas por causa de um beijo… ai, ai. Que histeria da parte do Pastor seria mais civilizado que apenas as duas fosse retirada do ambiente e não ser removida como se as duas fossem delinquentes ou que isso suscita violência. Só prova a falta completa de tolerância do pastor, o culto não foi realizado num ambiente fechado que pertencesse a igreja, foi em local aberto.

    1. Alexandre, não foi por causa de um beijo. Um grupo de pessoas entrou em um local onde sabia que estava acontecendo um culto evangélico com o específico e premeditado propósito de apresentar um comportamento inadequado para o ambiente e provocativo para todos os presentes.

      O fato de ter sido um beijo foi mera estratégia, não é o que importa. O que aquele grupo queria e planejou desde muito antes de chegar ao local era causar conflito em nome de uma bandeira política.

      Marcos Feliciano fez muito bem em chamar a polícia. Se algum esquentadinho no meio da multidão tivesse se indignado e apelado pro embate físico, os idiotas que foram perturbar o culto para defender suas bandeiras políticas poderiam ter sido espancados gravemente pela multidão. E aí, sacumé, ninguém ia achar um único agressor para processar.

  4. Chamar a polícia é uma coisa, exigir da polícia que algemasse as duas, uma coisa completamente fora de contexto. Ele perdeu a razão aí.A provocação das duas garotas perdeu nexo graça a essa exigência feita pelo Pastor/Deputado, que aliás, ele nem deveria estar ali realizando o culto, afinal de contas ele não é um deputado federal? Está gritante o problema de ética que ele gerou.
    Agravado quando assumiu a presidência daquela “comissão”, ele virou o bode da sala.
    Temos problemas com esse pastor, não é a primeira vez que ele é provocado e tão pouco será o último.
    Quero ver aonde vai a ousadia de cada lado.
    Vislumbro que isso um dia vai dar uma bela duma m%rd@!

    1. Errada está a polícia SE algemou as meninas sem necessidade. A constituição prevê liberdade de manifestação desde que não seja com o propósito de afrontar uma manifestação previamente programada para o mesmo local.

    2. Gente, não existe nada que impeça um pastor evangélico de se eleger deputado. E não existe nada que impeça um deputado de presidir um culto. Assim como é comum há séculos que se realizem eventos de todos os tipos em locais públicos, inclusive eventos religiosos, e de todas as religiões.

      Marcos Feliciano pode ser um safado de marca maior – como prova o fato de que ele se aliou ao PT – mas neste episódio eu não consigo ver nenhuma inadequação na postura ou nas atitudes dele. Pelo contrário, me parece que ele fez exatamente o que deveria fazer: chamou a polícia, evitou que as duas idiotas fossem agredidas pela multidão e evitou que a provocação delas tivesse sucesso, pois isso multiplicaria esse tipo de provocação e acabaria causando agressões em algum momento.

      A polícia agiu até que com delicadeza. As duas resistiram á prisão, uma delas aos pontapés contra os policiais. Perante esse tipo de resistência, o uso de algemas está mais do que justificado. Se a polícia não tivesse se contido ao prendê-las, elas estariam no hospital até agora.

  5. Houve três crimes alí:

    Ato Obsceno (Art.233 do Código Penal Brasileiro): “Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto, ou exposto ao público.
    Pena: Detenção de três meses a um ano ou multa.”

    Segundo o celebrado jurista Damásio E. de Jesus, a definição de “Ato obsceno” é – “a manifestação corpórea, de cunho sexual, que ofende o pudor público.” Ele também diz que “beijo lascivo configura o delito” (Código Penal Anotado pp.746-749).

    O Art.208 do Código Penal diz:

    “Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso. Pena- Detenção de um mês a um ano ou multa.”

    A Constituição Federal, no Art.5º inc. VI traz:

    “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias.”

  6. Art.286. Incitar, publicamente, a prática de crime:
    Pena- detenção, de 3 (três) a 6(seis) meses, ou multa.

    Quando se pinta a imagem de que quem faz isso é um tipo de “herói” que deve ser imitado, se comete o crime de APOLOGIA DE CRIME ou CRIMINOSO:

    Art.287. Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime:
    Pena- detenção, de 3(três) a 6(seis) meses, ou multa.

    1. Raios, Nelson. Eu já te pedi mil vezes pra não postar mais de duas mensagens seguidas e tu chegas e me postas SETE mensagens uma atrás da outra, todas elas com frases curtas. Pois bem, deletei todas as que passaram de duas.

  7. Caríssimo Artur.

    A última frase Proferida se refere ao fato das duas ter se exposto ao risco de ser linchada em plena praça pública. E elas foram removidas à força, as evidências físicas estão registradas nos vídeos, imagina então se fosse homens? Seria execução sumária.
    Já não houve aquele incidente em que um pai teve a orelha decepada pelo simples fato de estar abraçado ao próprio filho? Basta uma mera suspeita e o sujeito coitado, está ferrado.

  8. “Raios, Nelson. Eu já te pedi mil vezes pra não postar mais de duas mensagens seguidas e tu chegas e me postas SETE mensagens uma atrás da outra, todas elas com frases curtas. Pois bem, deletei todas as que passaram de duas.”

    É por muitas vezes, quando posto grande demais em uam só, o sistema do blog não posta, já curtas posta.

    1. Cadastra teu e-mail no blog, Nelson. Isso diminui muito. Fica ali em “registrar-se”, logo abaixo do plugin do Facebook, na coluna da esquerda.

  9. Eduardo Marques

    29/09/2013 — 08:39

    O que eu acho:

    1. Feliciano não é só mais um pastor, é um deputado, uma figura pública. Se ele fez merda, onde quer que ele apareça, no culto, no aeroporto, na padaria, vai haver protesto.

    2. O culto dele, devido ao ganho de publicidade por causa da homofobia, dificilmente é só um culto agora, mas um show de homofobia. Se ele tinha seguidores antes, nem esses querem mais saber de Jesus no culto dele, querem saber de morte aos pervertidos.

    3. O Feliciano está agitando o problema da liberdade de religião x todas as outras. Se ele e outros evangélicos não pararem de jogar Jesus contra todas as outras liberdades, algum dos dois vai sair ferido.

    4. Vc precisa parar de ler Olavo de Carvalho e Veja. Vc está ficando paranóico e vendo esquerda em tudo o que é ruim, até na direita.

    1. 1. Creio que existe hora e local adequado para tudo. Se o pastor Marcos Feliciano está realizando um culto, essa não é a hora de protestar contra o deputado Marcos Feliciano.

      Se todo mundo acha que pode berrar enquanto o outro fala, então ninguém tem liberdade de expressão. Isso não é democracia, é censura absoluta por todos os lados.

      2. Bom, quem não gostar de homofobia pode simplesmente não ir ao culto dele. Ou por acaso quem curte sertanojo tem obrigação de ir ao show do Roger Waters?

      Se os direitos de todos forem preservados, estes dois públicos vão continuar se odiando e querendo se matar… Mas só querendo. Por mim, tudo bem.

      3. Nós já estamos bem ferrados nessa área. Estamos a caminho de uma guerra entre o comunismo e o fundamentalismo cristão, isso é fato. E a culpa é da porcaria da esquerda, óbvio, porque foram eles que começaram a empurrar constrangimentos goela abaixo dos cristãos, que constituem 80% do eleitorado.

      Se – ou melhor, quando – houver esse embate, seja lá quem vencer, todos nós sairemos perdendo.

      4. Eu não leio Olavo de Carvalho, nem Veja, e não estou ficando paranóico. O problema é que a maioria das pessoas se agarra irracionalmente a qualquer esperança de normalidade até o último segundo, quando não dá mais tempo de fazer nada. Este é um destes casos.

      Se achas que estou “vendo esquerda até na direita”, então me diz: quem colocou Marcos Feliciano na CDHM? Foi a direita? Quem se beneficia com Marcos Feliciano dando show enquanto criminosos condenados de seu partido ocupam a CCJ ao invés de ir para trás das grades? É a direita?

  10. Eduardo Marques

    06/10/2013 — 15:48

    “quem não gostar de homofobia pode simplesmente não ir ao culto dele”

    A homofobia é puramente intromissão na vida alheia, ela não se completa enquanto alguém não é afetado. Não é como um estilo de música ou programa de televisão, em que apenas gostar e ficar na sua basta. Ou ela é controlada, ou ela controla a vida dos outros.

    Você está se apoiando em argumentos muito fracos de que o esquerdismo é culpa de tudo, até dos erros da direita. Mesmo que o Feliciano tenha sido posto lá pela própria Dilma com a bênção do Lula, isso não muda o fato de que ele representa o pensamento retrógrado e autoritário de boa parte da população. Existem pessoas que apóiam o Feliciano, eu mesmo conheço algumas pessoalmente, e isso não é culpa da esquerda. Se essa direita religiosa está tentando acabar com a liberdade das pessoas, isso não é culpa da esquerda. Mesmo que estejam “enfiando constrangimentos goela abaixo dos cristãos”, se é que é possível fazer isso contra 80% do eleitorado, isso não justifica a atuação patética da direita.

    Feliciano já é conhecido há muito tempo no meio evangélicos e aqueles tweets racistas são de 1 ou 2 anos atrás. Vc pode acreditar que ele é um ativista dos direitos LGBT disfarçado que está tentando sabotar a direita, mas provar, que é bom… Existem pessoas idiotas no mundo, não fique fingindo que não há nenhuma no mesmo lado que vc.


    1. “Mesmo que o Feliciano tenha sido posto lá pela própria Dilma com a bênção do Lula, isso não muda o fato de que ele representa o pensamento retrógrado e autoritário de boa parte da população.” (Eduardo Marques)

      Correto, Eduardo. Mas… Tem o outro lado da moeda:

      Mesmo que o Feliciano representa o pensamento retrógrado e autoritário de boa parte da população, isso não muda o fato de que ele foi posto lá pela própria Dilma com a bênção do Lula.

      “Vc pode acreditar que ele é um ativista dos direitos LGBT disfarçado que está tentando sabotar a direita, mas provar, que é bom…” (Eduardo Marques)

      Não, não… Essa é uma idéia divertida que eu tive quando escrevi aquele artigo sobre os direitistas que a esquerda adora, mas não é essa a minha visão. Deixa eu esclarecer o que eu realmente penso.

      Pensa em uma barra de ferro com um ponto no meio, bem extensa pra esquerda e pra direita. Agora dobra ela bem sobre aquele ponto no meio, apontando tanto o lado esquerdo quanto o lado direito para baixo, formando um “U” invertido.

      Pois bem…

      Esquerda e direita apontam para o mesmo lado – para baixo – e o ponto central é o mais elevado deles.

      Essa é minha visão política. Seja pelo lado da esquerda, seja pelo lado da direita, de qualquer modo descemos na escala. O ponto mais elevado é o ponto central. Qualquer passo, para qualquer lado, piora a situação. Manter-se o mais afastado possível das extremidades é fundamental, e isso só é possível em uma faixa bem pequena do espectro ideológico.

      E por que eu critico mais a esquerda do que a direita atualmente? Simples: porque é o atual perigo. Quando o perigo era a direita, eu batia adoidado nela. Só que, naquela época, eu achava que “ir para a esquerda” era uma boa solução. Hoje eu sei que isso é uma baita enganação. A solução primária é “ir para o centro”, e a solução secundária é, uma vez no centro, pensar em progresso sem cair nem pra esquerda, nem pra direita. Obviamente, isso exige transcender a metáfora da barra de ferro…

  11. Atitudes inadequadas não devem ser criminalizadas. O Estado não deve interferir só porque as pessoas se sentiram ofendidas ou provocadas. Isso é uma resposta muito autoritária a um gesto que não fere o direito de ninguém.

    O máximo que eu apoiaria é a expulsão da(s) pessoa(s), desde que fosse um espaço PRIVADO. Mas, mesmo assim, nunca considerar crime.

    1. Eu não estou nem aí para ofensas e provocações. Sou o primeiro a dizer que o brasileiro tem que parar com a frescura e criar uma casca mais grossa ao invés de ficar de “mimimi, tio Estado, ele me chamou de gorda, prende ele por gordofobia”. Quero mais é que se dane quem vier com essas frescuras.

      Mas isso não é a mesma coisa que perturbar propositadamente a atividade lícita alheia. Não interferir nestes casos significa tão somente oferecer uma imensa vantagem a quem age de má fé, como foi o caso do bando de cretinos que foi lá perturbar o culto do Feliciano.

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