Os leitores do Pensar Não Dói devem lembrar do artigo “– Doutora, eu quero amputar meu braço esquerdo!“, no qual discutimos a questão do respeito à autodeterminação do cidadão no que concerne a seu corpo e ao acesso aos serviços de saúde. Um problema que surgiu naquela ocasião foi que o Sr. Marco Zygoteano, protagonista do episódio, era um personagem fictício. Pois bem, problema resolvido: trago aqui um caso real para debate.

Chloe Jennings-White tem 58 anos e deseja se tornar paraplégica desde os quatro anos de idade, quando visitou uma tia que estava usando muletas devido a um acidente de carro. Em uma tentativa desesperada de simular a vida que deseja, Chloe anda de cadeira de rodas. É o mais próximo que ela consegue chegar de sentir-se paraplégica como deseja se tornar

Desde criança ela sobe em árvores e pratica esportes perigosos como tentativas deliberadas de se ferir e perder os movimentos, mas sem sucesso. Ela quebrou várias vezes as pernas, sofreu acidentes de esqui e de automóvel, mas não conseguiu realizar seu sonho. 

Ao invés de encontrar ajuda para atingir seus objetivos pessoais – que não prejudicariam terceiros – tudo que ela tem encontrado é intolerância, insultos e até mesmo ameaças. Hoje ela procura um cirurgião que esteja disposto a romper seu nervo ciático para paralisá-la, mas o único profissional que se dispôs a ajudá-la cobrou uma quantia equivalente a RS 50.000,00, o que está acima de sua capacidade financeira. 

Fonte: Metro.

Pergunto:

1. Por que o sistema de saúde nega a Chloe a realização de sua vontade?

2. Alguém pode realmente julgar melhor que ela o que a fará feliz?

3. De onde vêm esse suposto direito de julgar o que é melhor para os outros?

4. Se Chloe possui uma desordem mental, por que ela não é tratada disso?

5. Se não existe cura, por que não é usado o mesmo critério da disforia de gênero?

6. Por que outras pessoas a insultam e ameaçam ao invés de se solidarizar?

7. Quem é mais doente, Chloe ou quem lhe nega ser feliz como deseja? 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 25/09/2013  

12 thoughts on “Chloe Jennings-White, um Marco Zygoteano da vida real

  1. 1) Porque acreditam que ela tem algum problema mental.
    2) Não.
    3) Da arrogância.
    4) Talvez o tratamento não seja compulsório. Talvez ela, ou um responsável legal, precise procurar tratamento.
    5) Talvez porque a medicina veja a inadequação corporal dela como um sintoma que desaparecerá quando o problema mental for tratado.
    6) Porque somos primatas.
    7) Não sei, mas eu apostaria na Chloe.

    1. 5) Dos 4 aos 58 anos ainda estão esperando?

    2. Se ela nunca foi tratada o problema original pode estar presente durante todo esse tempo.

      PS: porque ela nunca pediu para um amigo dar uma machadada nas costas dela?

    3. Ela pediu. Com um machado chamado “estilete”. E está disposta a pagar por isso, embora não possa pagar tanto quanto cobraram. O que ela não está disposta a fazer é causar mais danos que o necessário para atingir seus objetivos.

      Notaste que a maioria das pessoas, por não aceitar que ela queira fazer o que lhes parece ser correr riscos e causar danos ao próprio corpo, parece preferir que ela sofra riscos e danos muito maiores do que aqueles aos quais ela mesma se dispõe?

  2. 1. Por que o sistema de saúde nega a Chloe a realização de sua vontade?

    Porque acreditam que ela tem algum problema mental e porque não me parece que ela deva usar dinheiro público pra se lesionar.

    2. Alguém pode realmente julgar melhor que ela o que a fará feliz?

    Se ela tiver um problema mental, sim.

    3. De onde vêm esse suposto direito de julgar o que é melhor para os outros?

    Às vezes da arrogância às vezes do bom senso e às vezes de critérios estabelecidos psicologicamente.

    4. Se Chloe possui uma desordem mental, por que ela não é tratada disso?

    Talvez o tratamento não seja compulsório. Talvez ela, ou um responsável legal, precise procurar tratamento(2).

    5. Se não existe cura, por que não é usado o mesmo critério da disforia de gênero?

    Não estou acompanhando o caso pra saber. E tenho dúvidas sobre a disforia de gênero.

    6. Por que outras pessoas a insultam e ameaçam ao invés de se solidarizar?

    Porque são incapazes de entender, empatizar ou lidar com ela.

    7. Quem é mais doente, Chloe ou quem lhe nega ser feliz como deseja?

    Ao que me parece ela.

    1. Respondido! Perfeito! Nada a acrescentar!

  3. esta senhora precisa de tratamento psiquiatrico. Para tal, ela precisa querer se tratar, a menos que se torne uma ameaca.

  4. Temos uma população de deficientes demais na conta.
    Agora se ela tem desejo de ficar nessas condições, então que ela se exponha aos riscos, vá para os países em que vários acidentes são registrados, quem sabe ela atinge esse objetivo.O problema maior é que possíveis sequelas ultrapassem os objetivos delas.
    O que ela pretende não está muito longe do suicídio.

    1. Um suicida que quer realmente se matar vai até a ponte num horário que não tem ninguém e pula. Quem quer ajuda para a depressão sobe na ponte, espera juntar gente, espera a chegada da polícia e dos bombeiros e não pula até ser resgatada.

  5. Chloe é a mais doente, quem se nega está no seu direito.

    Ninguém é obrigado a deixar uma pessoa paraplégica só porque ela pediu.

  6. Este artigo rendeu um debate maravilhoso no Facebook, com mais de 300 postagens! Quem quiser conferir deve clicar neste link:

    https://www.facebook.com/Arthur.Golgo.Lucas/posts/631597253529313

  7. Eduardo Marques

    29/09/2013 — 08:45

    Por mim, tudo bem se ela quiser fazer isso, mas que procure médicos particulares, nada vindo do Estado. As pessoas são muito estúpidas e veem o Estado como uma espécie de mãe que deve cuidar e se responsabilizar por tudo. Depois ela faz isso no sistema público de saúde, se arrepende, e lá vai o Estado fascista ser acusado, processado. E lá vão os políticos, que deviam cuidar de coisas importantes, ter que se preocupar com o dano na imagem que uma mulher burra qualquer causou.

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