Poucos dias após a tentativa de assalto que relatei no artigo anterior, sofremos um furto ousado em nossa casa. Tão ousado que no início ninguém acreditou. Vejam a gravidade do perigo a que estamos expostos. 

 

Era uma tarde quente de sol, céu azul. Estávamos em casa somente eu, meu pai e minha mãe. Eles resolveram sestear após o almoço e eu fui para meu quarto navegar na internet. Acabei dormindo também. 

Quando acordei, já estava todo mundo em casa comentando o furto. Aconteceu assim: meu sobrinho deixou a janela do quarto aberta. Essa janela é visível da rua. Algum político ia passando em frente, viu a janela aberta e entrou por ela.

O sujeito pisou na cama do meu sobrinho, foi até a sala, pegou o notebook da minha cunhada e uma carteira que estava em cima da mesa, voltou para o quarto, esvaziou a mochila escolar do meu sobrinho, colocou ali dentro o notebook, a carteira e um par de tênis novos e saiu pela janela. 

O “detalhe” da história é que tanto o meu carro quanto o carro do meu pai estavam estacionados no pátio, bem visíveis. Ou seja: o ladrão sabia que havia gente em casa.

Se o ladrão invadiu nossa casa sabendo que havia gente dentro, então devia estar armado, preparado para barbarizar e bem tranqüilo e confiante devido à proteção que lhe é conferida pelo Estatuto do Desarmamento. Como não encontrou ninguém, não teve necessidade de se expor. 

Mas e se qualquer um de nós tivesse acordado naquele momento? O que teria acontecido? 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 25/11/2013 

5 thoughts on “Bandidagem a cada dia mais ousada (2)

  1. Cara, você inventa essas histórias, não é possível, se tudo for verdade você é uma aberração estatística.

    1. HAHAHAHAHA!!! Pensei que iam dizer isso da história do artigo anterior, não deste! 😛

      Mas são ambas verdadeiras.

      Na minha família eu sou conhecido como “pára-raio de maluco”. Já passei por cada história que até Deus duvida.

      Fora as que eu não conto porque ninguém ia acreditar… 🙂

  2. É mais fácil jogar um sal grosso nesse sapo.É quase inverossímil a quantidade de infortúnios. Sério!, que diabos a tua família fez em eras passadas, será o Benedito?
    Tô vendo que apesar de tudo ainda mantém o bom humor.

    1. Eu acho que essa impressão de exagero se dá porque eu conto as histórias por escrito. Uma história lida causa mais impacto do que uma história ouvida.

      Nosso cérebro dedica uma área muito maior para o processamento da visão do que para qualquer outro sentido. Quando lemos, ativamos tanto a área da visão quanto a área da linguagem. Quando lemos algo de que gostamos, ou que detestamos, ativamos ainda a área da emoção, o que aumenta muito a fixação dos conteúdos.

      Portanto, ler aquilo de que se gosta ou que se detesta – seja um livro ou um blog – é uma das atividades que mais mobiliza o cérebro e mais promove fixação de conteúdo (memorização). Mas um livro em geral conta apenas uma história. Só um blog conta muitas histórias por escrito.

      Nestas condições, não é de se estranhar que qualquer blogueiro passe a impressão de “contar histórias demais”. Provavelmente contamos a mesma quantidade de histórias que qualquer mentiroso compulsivo e linguarudo contaria, só que não conseguimos esconder isso. 😛

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      Hehehehe… Sim, bom humor é essencial para a vida. 😉

  3. Não é para menos que a leitura é ótimo para manter “a musculatura” do cérebro.Com relação as impressões que a leitura causa, isso é uma variável das quais a pessoa escreve não pode prever,não tem coisa mais instável que a idiossincrasia do leitor. Acho que o importante é a pessoa que escreve mantenha a honestidade não com os outros e sim consigo mesmo. O resto pode ser encarado como crítica de quem lê.

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