Sabem quando é necessário controlar uma multidão que está trocando porrada para tudo quanto é lado em um estádio de futebol, ou no meio da rua, com transeuntes inocentes misturados? Invariavelmente sai um monte de gente machucada, seja pela confusão em si, seja pelo confronto com a polícia, seja pela tentativa de escapar da confusão e do confronto com a polícia. Mas talvez exista uma maneira simples e fácil de evitar esse inferno sem colocar em risco nem a vida nem a integridade física de ninguém, incluindo arruaceiros, policiais e transeuntes inocentes.

 

Tudo que a polícia tem que fazer é usar um canhão de bolhas de sabão e óculos de visão noturna com tecnologia de infravermelho.

Se você deu risada ou fez “tsc, tsc”, achando que é “mais uma idéia maluca do Arthur”, eu sugiro que faça a experiência em casa para verificar o efeito das bolhas de sabão.

Chame uns seis a dez amigos, dê um brinquedinho de fazer bolhas de sabão para cada um (tipo esse da foto da menininha logo acima), diga para eles fazerem uma roda a sua volta e assoprarem a maior quantidade de bolhas de sabão que puderem em sua direção.

Cronometre a palhaçada e depois poste aqui na caixa de comentários do Pensar Não Dói quanto tempo demorou para você não enxergar mais nada em volta e ter que enfiar a cabeça para dentro da camisa ou colocar um pano em frente à boca para conseguir respirar sem tossir sabão.

Agora imagine um canhão com capacidade de soltar alguns milhões de vezes mais bolhas sendo direcionado para o meio de uma multidão. Quem vai conseguir brigar ou correr sem conseguir enxergar, dentro de uma nuvem sufocante de bolhas de sabão?

Um que outro maluco vai se arrebentar tentando correr, mas a maioria absoluta vai ficar quietinha, ou vai tentar sair dali caminhando às cegas bem devagar e com muito cuidado. Especialmente depois que a novidade for apresentada na TV, em todos os jornais, após o primeiro uso.

Se minha especulação estiver correta, tudo que a polícia precisará fazer será entrar no espumaredo com óculos de visão noturna para localizar as pessoas pela emissão de infravermelho e filtros para respirar. 

Quando encontrar alguém, o policial poderá avisar “cidadão, é a polícia, estenda sua mão para frente para ser conduzido para fora da espuma”, poderá segurar gentilmente a mão de quem colaborar e conduzi-lo tranquilamente para fora da confusão. 

No caso do sujeito não colaborar e tentar correr, ele vai se arrebentar contra algum obstáculo. Então o policial poderá ir até o sujeito, paralisá-lo com uma arma de choque, algemá-lo, colocar-lhe um filtro sobre a boca para que ele consiga respirar, tirá-lo do meio da espuma e levá-lo para a delegacia, onde o acusará no mínimo de desacato e resistência à prisão. 

Bem melhor que entrar numa arena caótica com todo mundo lutando contra todo mundo, levar pedrada, dar paulada, ser encurralado por um grupo violento, dar tiro de bala de borracha, ser alvo de coquetel molotov, jogar bomba de gás, ser ferido, ferir inocentes… Não é mesmo? 

Pensem nisso, policiais: canhões de bolhas de sabão e máscaras de visão noturna. 

E, quando pararem de rir da maluquice da idéia, usem a caixa de comentários do blog e venham conversar. Muitas idéias hoje corriqueiras foram consideradas malucas quando propostas pela primeira vez. Quem pode dizer com certeza que isso não funcionaria antes de testar a proposta em condições controladas?  😉 

Atualização a 05/12/2013

Pessoal, extraordinariamente eu editei este artigo depois de publicado. As partes editadas estão em cor roxa.

Substituí “existe” por “talvez exista”, acrescentei “com tecnologia de infravermelho” porque existe também a tecnologia de visão noturna por magnificação de intensidade luminosa (que não funcionaria para o propósito sugerido), acrescentei “para verificar o efeito das bolhas de sabão”, acrescentei “se minha especulação estiver correta” para deixar claro que se trata de uma hipótese não testada e substituí “De onde saiu essa idéia tem muito mais. Não digam que eu não avisei!” por “Muitas idéias hoje corriqueiras foram consideradas malucas quando propostas pela primeira vez. Quem pode dizer com certeza que isso não funcionaria antes de testar a proposta em condições controladas?”. 

O artigo estava leviano. Agora está razoável. Desculpem minha falha. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 04/12/2013 

15 thoughts on “Consultoria gratuita para a polícia: como controlar multidões sem violência

  1. Não da certo… Um dos primeiros problemas é o alcance, o outro é a sensibilidade a condições do tempo como vento ou chuva. Óculos de visão noturna não é IR, de dia você não vai enxergar nada, ou vai enxergar as bolhas.

    Óculos ou câmeras IR também não dão certo entre as bolhas – elas desviam e filtram o infravermelho tão bem quanto a luz visível.

    Mas existem sistemas “menos letais” que usam algum tipo de espuma que deixa tudo absurdamente liso. Só que ela é mais densa (líquido não newtoniano) quando pressurizada e vai quase tão longe quanto água. Existe também uma espuma grudenta – mas pode matar for asfixia facilmente. Ainda mais com o histórico da PM brasieira de atirar na cara.


    1. “Óculos ou câmeras IR também não dão certo entre as bolhas – elas desviam e filtram o infravermelho tão bem quanto a luz visível.” (Bruno)

      Hmmm…

      Isso é estranho. Fiquei em dúvida.

      Como poderíamos nos certificar disso?

  2. e Dê-le bola de gude nas patas dos cavalos deles.

    1. Ei… Estou tentando reduzir a violência, não aumentá-la…

  3. Conheço alguns poucos PMs e me parece que eles batem mais por gostar de bater que por não ter alternativas.

    1. Cultura institucional, inclinação pessoal ou uma coisa atrai a outra?

  4. Bruno Ferreira Porto

    06/12/2013 — 07:55

    Sobre como a luz quase não passa a espuma: http://science1.nasa.gov/media/medialibrary/2003/06/04/09jun_foam_resources/spectroscopy.gif

    Fonte: http://science1.nasa.gov/science-news/science-at-nasa/2003/09jun_foam/

    Uma coisa eu notei nas manifestações Arthur: A policia é retardada mental… No inicio das manifestações quando o grupo está coeso e caminhando, tendo um perímetro bem definido é mais fácil perceber se um maluco sai pra quebrar alguma coisa. Mas não é assim que a policia trabalha – algum imbecil atira a primeira bomba ou bal de borracha e a manifestação se dispersa.

    O que acontece quando a manifestação se dispersa? Bom, o perímetro se torna um fractal, literalmente tendendo ao infinito na matemática. Em um grupo disperso e sem perímetro definido os vandalos podem agir livremente, basta uns 30 em um grupo de 10000 pessoas pra arrebentar tudo no caminho.

    Mas outra questão: não é utopia você pensar em protestos sem baderna não? Não vi ninguém conseguir mudar culturas e nações com protestos “arrumadinhos” (mentira… vi um mini documentário sobre as ciclovias da holanda)

    ps.: Assista o documentário “Untold History of the United States” do Oliver Stone. Vale a pena.

    1. Legal o artigo sobre espumas. 🙂

      Mas olha as duas fotos da pessoa segurando o saco plástico neste artigo da Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2mera_de_infravermelho

      Não é impressionante que as ondas infravermelhas atravessem um meio absolutamente opaco para as ondas do espectro visível?

      Será que uma espuma se comportaria de modo diferente do plástico?

      Agora mesmo que eu fiquei mais curioso e que gostaria imensamente de fazer um teste. 🙂

    2. Sobre protestos sem baderna… Acho que isso só é possível onde as pessoas podem andar armadas. Quem vai se arriscar a fazer quebra-quebra no meio de uma convenção da NRA? Quem vai entrar num quartel atirando pedras nas janelas? Pois é, armas podem reduzir a violência.

  5. Isso que dizer que o plastico é opaco para o nosso espectro do eletromagnetismo (luz visivel) mas não para o IR. Mas bolhas é outra história, elas vem fodendo os engenheiros a anos.

    Por exemplo na produção de cerveja! Eu assisti a apresentação de um artigo no último COBEM (congresso brasileiro de engenharia mecânica) em Ribeirão Preto sobre um aparelho feio para se conseguir enxergar as bolhas passando dentro de um tubo opaco de inox. O cara teve que usar três conjuntos com 96 emissores de raio x cada, dando a volta em todo o tubo pra poder ver duas “fatias” em duas dimensões das bolhas passando no tubo. Uma abordagem linear não funciona pois as bolhas, ainda mais a espuma, tendem a desviar aleatoriamente tudo de luz (espectro visível e próximo ao visível pelo menos) causando a difusão.

    Então a luz, e o IR, até chegam a passar pro outro lado mas totalmente difusas e sem nenhuma dica do formato que tinha antes. Se você apontar uma lanterna pra uma banheira com espuma em cima – até consegue enxergar que tem luz do outro lado – mas se fizer um sombra de coelhinho do outro lado só vai diminuir a intensidade da luz – sem nenhuma dica da forma que causou a sombra.

    Fumaça não causa esse efeito…

    1. Hmmm… É… Mas o problema da fumaça, por sua vez, é que ela é facilmente dispersa pelo vento. E pode até ser levada para onde não queremos que ela vá.

      Está ficando difícil, né?

  6. André Ricardo

    06/12/2013 — 16:47

    Eu achei que a intenção era fazer todo mundo parar de fazer a manifestação/briga pra começar a estourar bolhinha de sabão! Pq isso é um instinto natural: perseguir e tentar estourar bolhinhas de sabão.

  7. Você me deu uma ideia…

    Bolhas são excelentes transportadoras de gases… Então imagine conseguir uma reação assim:

    Uma espuma que sai liquida, ensaboada e lisa, reage criando volume e depois vazando fumaça branca atoxica (só impede a visão além do palmo). Depois de vazar essa fumaça ela deixa de ser escorregadia e fica grudenta. Quando a fumaça dispersar ta todo mundo grudado no chão ou se movendo devagar 😀

    1. Colocar fumaça dentro das bolhas é bem fácil. Pede para algum fumante fazer a demonstração.

      Mas essa de grudar todo mundo no chão me fez rir bastante aqui. 🙂

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