Sério. Eu não fiquei maluco, nem gagá, nem estou trollando. Se você pensa que Olavo de Carvalho é uma besta, você tem sido ingênuo. Ele é um gênio, mas não do modo como as olavetes pensam. Leia o artigo e você vai entender por quê. 

Olavo de Carvalho

Olavo de Carvalho foi astrólogo. Esta é uma informação pública e amplamente conhecida sobre ele. Curiosamente, pouca gente parece perceber as implicações disso para a análise da carreira de Olavo de Carvalho. Guarde bem essa informação, porque vou retomá-la ao final do artigo.

Depois de ter sido astrólogo, Olavo de Carvalho aparentemente renegou sua também aparente fase mística e tornou-se um bom cristão, católico de carteirinha, conservador, defensor da ortodoxia da Igreja Católica, de seus dogmas, de seus conceitos e preconceitos. Qual foi o impacto disso na vida de Olavo de Carvalho?

A aparente conversão sem dúvida abriu muitas portas para ele. O cristianismo, ainda que esteja em curva descendente e perdendo fiéis, possui ares de muito maior respeitabilidade que a astrologia e um público muito maior, e a Igreja Católica possui uma estrutura muito mais organizada e hierarquizada que qualquer outro grupo de crentes.

Posicionar-se a favor ou contra a Igreja Católica ainda constitui um ato que garante uma boa atenção, mas posicionar-se a favor garante o apoio tácito ou explícito de uma grande organização que, no cenário interno do cristianismo, está rapidamente perdendo fiéis e dízimos para inúmeras outras organizações menos engessadas teologicamente e ainda menos preocupadas em manter a aparência de seriedade teológica, dispostas a todo tipo de extravagância para conquistar a fidelidade de incautos simplórios.

Noutras palavras, a Igreja Católica provê um bom contingente de defensores em potencial para um “arauto da moralidade e da ortodoxia cristã”, sem o inconveniente de sujeitar-se aos humores de algum líder personalista e com estratégias provavelmente mais voláteis de gerenciamento de seu mercado de dízimos. Ou seja, a Igreja Católica representa um mercado sólido e estável… A partir do qual sempre é possível pular para o terreno do protestantismo neopentecostal caso alguma coisa saia errada. O contrário seria mais difícil.

Defender a ortodoxia católica, então, é uma estratégia sólida para quem busca construir uma reputação de credibilidade perante algum público. Dentro deste contexto, apresentar-se como pensador conservador e de direita, uma mercadoria rara em tempos de esquerdismo cultural, bem implica satisfazer os anseios de um público carente de vozes que o representem e por isso mesmo mais tolerante em relação a “pequenas idiossincrasias” dos seus “líderes intelectuais”. Idiossincrasias essas que são o ponto central da estratégia da carreira olaviana. 

A Pepsi produz refrigerantes com células de fetos abortados. O aquecimento global é uma farsa promovida pelo movimento gayzista pró-governo mundial imposto pela ONU. Mulheres são como cachorros, não são para ser compreendidas e sim amadas e terem suas contas pagas. Obama é um (nigeriano) queniano comunista que enganou todo o povo dos EUA com uma certidão de nascimento falsificada para poder se eleger presidente e Bill Clinton é um agente chinês infiltrado. Não existem combustíveis fósseis. E não existe nenhuma prova de que a Terra gira em torno do Sol.

Olavo de Carvalho diz que Galileu Galilei era um charlatão, alega ter refutado tanto a física newtoniana quanto a Teoria da Relatividade, critica Newton e Einstein, diz que a Inquisição não atrapalhou o progresso científico, que Giordano Bruno na verdade foi condenado pelo crime de feitiçaria, alega que astrologia é uma ciência séria obstaculizada por visões partidárias da ciência, acredita na existência do éter, nega a Teoria da Evolução e a Seleção Natural, defende o design inteligente, condena a extremamente complexa matemática dos números transfinitos, que deu origem à Teoria dos Conjuntos, como sendo mero jogo de palavras e afirma que toda a ciência é irracional e que os cientistas não passam de uns fanáticos. 

Por todas essas inestimáveis contribuições à virtude cristã, à filosofia e à ciência, Olavo de Carvalho recebeu os seguintes prêmios e medalhas honoríficas: Medalha do Pacificador(1999),1 Medalha Tiradentes (2012),2 Medalha do Mérito Santos-Dumont distinção honorífica da Ordem Nacional do Mérito da Romênia, Primeiro Prêmio no concurso sobre José Ortega y Gasset (instituído pela embaixada do Reino da Espanha) e Primeiro Prêmio no concurso de ensaios sobre história islâmica (instituído pela Embaixada do Reino da Arábia Saudita).3 (Links da Wikipédia)

Talvez ele também tenha recebido uma fatwa de morte caso alguém tenha descoberto o que ele passou a dizer sobre o islã depois disso, mas isso é especulação. E o fato de ele ter recebido a medalha Tiradentes das mãos de Jair Bolsonaro, uma cobra da política que explora mais ou menos o mesmo filão de otários, não elimina o fato de que ele recebeu a condecoração.

Do mesmo modo, Olavo de Carvalho já trabalhou no Globo, em Época, em Zero Hora, no Jornal do Brasil e no Jornal da Tarde, e o fato de ter sido demitido de todos eles não elimina o fato de que já trabalhou em todos eles. Talvez tenha sido essa experiência que lhe tenha permitido reunir a claque de dementes que o apóia e que vomita as mais hilárias e absurdas teorias da conspiração e pregações reacionaríssimas num dos sites mais sem noção da internet, o Mídia Sem Máscara

E, para concluir sua lista de conquistas, Olavo de Carvalho ganhou do governo dos EUA o visto especial de residência EB-1, que dá o direito de residência permanente nos EUA a pessoas com “habilidades extraordinárias” na área educacional, artística, científica ou de negócios ou a “professores ou pesquisadores notáveis”. (Informação da Wikipédia) 

Não confie em mim, vá conferir na Wikipédia, ou pesquise a vida do cara.

“Mas peraí, Arthur”, perguntará você, “como alguém pode dizer tanta estupidez e ainda ser considerado um sábio, ser convidado para palestras, receber homenagens e honrarias do governo e ainda por cima ganhar um green card?” 

Simples: para conquistar tudo isso dizendo tanta asneira, ou o cara tem que ser o irmão gêmeo do Forrest Gump, ou o cara tem que ser um gênio para saber explorar tão bem a estupidez alheia e gerenciar com tamanha maestria uma longa carreira de oportunidades do tipo que somente os estúpidos oferecem aos espertalhões. Um gênio e um tremendo cara-de-pau, é claro, mas indubitavelmente um gênio.

Lembre-se: Olavo de Carvalho começou sua carreira como astrólogo.

Só existe um tipo de astrólogo que acredita realmente em astrologia: o ingênuo fracassado. Qualquer um com pelo menos dois neurônios funcionais e um mínimo de fundamentação científica que estude um pouco de astrologia sabe perfeitamente que aquilo é tudo uma mentirada ridícula que só serve para tirar dinheiro de otário. Olavo de Carvalho é um sujeito inteligente, ele sempre soube disso. 

Qual é, então, a “surpresa” se ele aproveitou as mesmas habilidades que usava como astrólogo para explorar filões muito mais lucrativos e construir uma carreira que o permite dizer asneiras monumentais a rodo, ser puxa-saqueado por isso, ganhar honrarias e dinheiro com isso e ainda se divertir muito desprezando e trollando os otários que o admiram e sustentam? 

Olavo de Carvalho é um gênio. 

Besta quadrada é quem leva o sujeito a sério. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 02/01/2014 

 

209 thoughts on “Olavo de Carvalho é um gênio!

  1. Acho que existe uma grande tendência de atribuir a um caráter malévolo falhas alheias. E que existe um viés que nos leva a fazer isso mais do que deveríamos. Quero dizer que tendemos a perceber falhas alheias como engenhosas (em vez de ingênuas) com mais frequência do que realmente são. Não sei se Olavo é realmente tão manipulador quanto você diz. Mas acredito que seu propósito era mesmo especular sobre uma possibilidade divertida, e não acusá-lo categoricamente.

    1. Elvis, assiste isso aqui e me diz se dá pra levar alguma coisa que o Olavo de Carvalho diz a sério: https://www.youtube.com/watch?v=SNM3CDgZj4c As risadas ao fundo são da esposa dele, de quem ele está falando.

      Se isso não for suficiente, procura os vídeos do episódio “Pepsi produz refrigerantes com células de fetos abortados”, são quatro, dois do Olavão e dois do Pirulla.

      O Olavão é um pândego. Ele deve até ser uma companhia divertida, desde que mantenhamos uma distância mínima de pelo menos três metros, para não sermos derrubados pelo fedor de alcatrão. Mas ele não tem o menor respeito pelos otários que o idolatram. Assiste vários vídeos dele que isso fica bem claro. Ele não faz questão de esconder, só não admite explicitamente, pois isso faz parte da estratégia.

      É como eu disse no outro artigo sobre ele:

      “Trollando abertamente, Olavo sinaliza aos acadêmicos mais incautos que entrará em seus recintos vindo diretamente do chiqueiro, colocará as botas sujas de bosta de porco sobre o sofá da sala, dirá palavrões, ofenderá os convidados, soltará fumaça de cigarro na cara das crianças e passará a mão na bunda da filha do dono da casa e talvez até do dono da casa.”

      Confere lá: http://www.arthur.bio.br/2014/01/05/charlatanismo/uma-tese-sobre-olavo-de-carvalho#.VG_bp9S99o4

    2. Que ele é maluco eu sei. O que estou questionando é se ele é estrategicamente maluco.

    3. Ah, eu aposto nisso! 🙂 Há muitos indícios de que a coisa não é pelo acaso. Ele usa o tom perfeito para manter a seu redor somente o público fanático babão que lhe interessa e diz uma incrível quantidade de disparates para afastar os pensadores sérios que o poderiam desmascarar. É um gênio, como eu disse. 🙂

  2. Assassinato da memória nacional

    A Folha publicou hoje uma nota de repúdio, de minha autoria, a um artigo de Olavo de Carvalho. Abaixo, o original e, em seguida, a versão publicada:

    “Lamentável a publicação, na seção Opinião da edição de hoje, 17-6-2014, do artigo ‘Assassinos da inteligência’, do jornalista Olavo de Carvalho. Esse autor defende a tese negacionista da ‘ditabranda’, que fere o senso comum e os direitos humanos. Afirma com todas as letras que o regime militar matou ‘400 terroristas’, ‘a maioria deles de armas na mão’, uma inverdade histórica que ofende os familiares das vítimas da ditadura, em particular, e os cidadão de bem, em geral. Não vejo como um artigo desses possa estimular o debate, e acho muito duvidoso que reflita alguma tendência do pensamento contemporâneo. A não ser que o anticomunismo raivoso, que confunde esquerda, esquerdismo, marxismo e comunismo, entre outras coisas, possa ser considerado pensamento.”

    “Olavo de Carvalho defende a tese negacionista da ditadura, que fere o senso comum e os direitos humanos. Afirma com todas as letras que o regime militar matou ‘400 terroristas’, ‘a maioria deles de armas na mão’, uma inverdade que ofende os familiares das vítimas da ditadura, em particular, e os cidadãos de bem, em geral. Não vejo como um texto desses possa estimular o debate e acho muito duvidoso que reflita alguma tendência do pensamento contemporâneo.”

    Fonte: http://www.edsongil.com/2014/06/assassinato-da-memoria-nacional.html

    1. Adoro essas expressões como “anticomunismo raivoso”. Por acaso existe um “antiterrorismo raivoso”? Ou uma posição “antitortura raivosa”? 😛

      E as coisas que o autor diz que o Olavão “confunde” por acaso não são tudo uma porcaria só? Faz diferença a consistência deste cocô e daquele cocô? Não é tudo cocô?

      Fora isso, o resto está certo. Olavão é um insuflador de reaças e com isso presta um desserviço à razoabilidade política.

  3. Então sou burro porque estudo o Olavo há anos e leio suas referências, assim como raciocino sobre tudo o que ele diz e pesquiso o que ele afirma? E sei que suas premissas nesse artigo já são refutadas? E sei refutá-las com minhas palavras se eu quiser?

    Cara, você acha mesmo que um estudioso do Olavo de Carvalho realmente não tem certeza do que crê? Acha mesmo que uma pessoa inteligente não tem capacidade de saber sobre o que concorda? Me poupe, tolo.

    1. Respondendo: sim, sim, sim, sim e sim. Grato pela atenção.

  4. olha… eu conheço o Olavo faz uns tempos. Colega, você não sabe o que diz, mas continue assim, “vitorioso” sobre os olavetes, já que isso te preenche. Não mudará nada.

    1. Eu também conheço o Olavo faz um bom tempo. E eu também sei que meu artigo não mudará nada para as olavetes. Quem diria, hein? Concordamos em tudo. 🙂

  5. Sério que você ainda perde tempo discutindo com esse pessoal que se diz de direita, Arthur? O cérebro de alguém que dá ouvidos às besteiras do Olavo de Carvalho é do tamanho de um amendoim. Mal conseguem raciocinar, quem dirá se expressar na internet.

    1. Ah, por favor, Ana, está muito divertido isso! HAHAHAHA 😀

  6. Remoção de nome dos comentários.

    27/05/2015 — 22:45

    Por gentileza, solicito a remoção do meu nome (Xxxxxx Xxxxxx Xxxxxx) dos comentários no blog. Agradeço.

  7. Arthur: Por gentileza, peço a remoção do meu nome do último comentário, no qual peço para remover o meu nome dos comentários. Estou tentando sumir dos resultados de pesquisa do Google, Bing, Yasni, entre outros buscadores. Estou um pouco incomodado e triste com a falta de privacidade na Internet. Quero sumir por um tempo e apagar tudo que for possível.

    Agradeço a colaboração.

    1. Opa! Feito! Foi distração da minha parte.

  8. Aids na seringa

    07/08/2015 — 13:42

    “vá conferir na Wikipédia” kkkkkkk! Neste ponto você ficou fadado ao descrédito, qualquer um pode escrever o que quiser ali. Eu posso transformar Fernando e Sorocaba em roqueiros neste exato momento se editar a página deles lá, mas isso não muda o fato de que eles são sertanejos universitários.

    1. Qualquer um pode escrever o que quiser ali, mas só o que passa pelo crivo de dezenas de editores, devidamente cotejado com as regras da Wikipédia, é que fica ali. Saia de trás de um perfil fake, tome coragem e faça algo de útil, como por exemplo se tornar editor de artigos relevantes da Wikipédia, e aprenda para não falar (ainda mais) bobagem.

    2. Quanto tempo de Fernando e Sorocaba ficariam como roqueiros até que o erro fosse corrigido?

      a Wikipedia não é perfeita mas tambem não é essa zona.

    3. Pô, nos minutos que levei com a página parada o Arthur já apareceu e respondeu.

  9. Vai estudar!!!

    1. Vai comprar um cérebro para poder estudar…

  10. Qual livro sobre inquisição você leu? És um erudito monoglota? rsrsrs

    1. Eu leio bem em seis idiomas e razoavelmente em mais dois, num total de oito idiomas. Tá bom assim, olavete? 🙂

  11. Arthur: Encontrei um depoimento muito interessante:

    “O que eu vou postar não tem muita relação com o assunto em pauta, mas gostaria de compartilhar uma quase experiência sexual que me foi muito aterrorizante.
    Foi durante um curso de filosofia na casa de um professor anti-comunista que fiz durante as férias do meio do ano, em 2006. Neste relato, vou chamar a pessoa que quase me violentou de “Professor”
    O Professor sempre adotou um sistema no qual é bastante enfatizada a confiança do aluno no mestre, de forma quase hindu. Eu tendia a considerar isso um traço “personalista”, comum à nossa cultura ibérica, no dizer de Sergio Buarque de Holanda.Esperava-se de cada aluno que se tornasse próximo pessoalmente do Professor.
    É bem verdade, devo observar, que boa parte de seus alunos eram escandalosamente efeminados, do tipo que ficava a esfregar as mãozinhas de contentamento e a dar pulinhos a cada análise mais sagaz. Mas fiquei na minha.
    O puxa-saquismo chegava a ser repugnante às vezes. Havia uma estranha devoção pela figura da senhora mãe do Professor , de quem ele falava muito – havia um enorme retrato dela na parede, em preto e branco, numa antiga cadeira de balanço; senhora respeitável de tipo rural, de óculos redondos de professora, pitando um cachimbo no canto da boca e com uma espingarda do lado . Alguns alunos carregavam na carteira cópia em miniatura desse retrato, para minha estranheza (!!!!!!!)
    Uma vez, de forma pueril, eu caçoei disso, e um dos alunos me olhou com desprezo e disse que eu era um fraco e que era dominado pela minha “mentalidade revolucionária” .
    Comerciais na TV (comerciais de home theater, por exemplo) que falavam em “revolucionar” a forma como vemos TV eram interpretados como propaganda comunista gramsciana e cousas do gênero. É verdade que eram os próprios alunos que levavam esse tipo de cousa a cabo, sem a participação direta do Professor, mas ele no mínimo compactuava por omissão com essa palhaçada tôda – desconfio que se divertia/se diverte com isso.
    Havia sim um clima de patrulhamento ideológico e os alunos se policiavam (inclusive uns aos outros) observando sempre em si mesmos e no próximo traços de “mentalidade revolucionária”, cultivando um misto de individualismo e moralismo, aliado a uma necessidade de ser “politicamente incorreto”. Muitos começaram a fumar, mesmo sendo asmáticos de andar com bombinha e a falar os palavrões mais cabeludos, com suas vozinhas afetadas.
    Eu considerava que o professor, independentemente de suas excentricidades e defeitos, tinha lá bastante a ensinar, como de facto tem, e evitava me aproximar desse núcleo interno mais chegado. O professor às vezes me olhava de rabo de olho e dizia que eu era difícil, mas que ele ainda me conquistaria (é, nessa altura eu já devia ter desconfiado que alguma cousa ali estava errada).
    Havia mesmo um aluno, o mais puxa-saco de todos, que vivia sempre com um bloquinho na mão, no qual, por meio de notas taquigráficas, anotava TUDO que o Prof. dizia – a tôdo momento, mesmo nas conversas informais, durante o café, o break coffe, em frente a lareira etc. Anotava cada comentário, cada tossido – era inacreditável. Depois passava a limpo num bonito caderno com capa de couro, o qual os alunos chamavam de “Daily words”.
    O mais bizarro é quando fiquei sabendo que um grupo de alunos mais chegados se revezavam para, em duplas ou trios, irem fazer cafuné no Professor até ele adormecer (na hora da sesta). Um deles era elogiado pelo Professor por ter expressivos “negros olhos andaluzes” ou algo assim.
    O Professor gostava de constranger os alunos mais tímidos (que só o chamavam de Sr. Dr. Professor) com piadas obscenas e histórias pornográficas envolvendo “travecos” e “putas”. Gostava de pegar na mão deles e beijar-lhes a testa de forma barulhenta.
    Eu ingenuamente tomava isso tudo por puxa-saquismo, latinidade efusiva de brasileiro, babação de ovo e excentricidade. Até porque o Professor encarnava o “professor excêntrico”, sempre mal barbeado, cheirando mal, impregnado de tabaco e os cabelos sem pentear. Reparo que relatando assim, soa mais abnormal do que eu pensava.
    Mas até aí tudo bem.
    Uma vez quando ficamos a sós porque eu tirava algumas dúvidas sobre a opinião de René Guénon acerca da benignidade do capitalismo liberal, e já anoitecia, o professor se ausentou pra ir pegar cigarros, deixando-me sozinho na biblioteca. O que vou relatar agora é extremamente constrangedor e soa inventado, de tão pitoresco.
    Vamos lá.
    Antes d’ele voltar, ouvi que tinha colocado para tocar música árabe em alto volume, o que me causou espanto (embora eu soubesse que o Professor é muçulmano). Eis que de súbito adentrou o cômodo inacreditavelmente trajando uma roupa de odalisca, do tipo de dança do ventre e sem sua dentadura (eu nem sabia que usava), mexendo o abdômen flácido e peludo à maneira das dançarinas profissionais, com o pinto de fora.
    É.
    Enquanto encenava esse espetáculo grotesco o Professor gritava como louco, a voz rouca, embargada e guturalizada como um Exu, afetando sotaque de preto velho de Minas: “Tem que imanentizar o escathon, meu filho. Tem que imanentizar o negócio, porra!” e complementava: “cê vai acabar engraxando sapato de vampiiiiiiiiiiiro, meu filho!”, subindo o tom na sílaba tônica de vampiro qual falsete.
    Eu assistia isso pasmo. Ao fundo podia ouvir uma risadinha feminina irritante de alguém que não pude ver, mas que aparentemente se divertia observando-nos, não sei de onde. Quando começou a se aproximar de mim, de pinto duro, contornei-o e saí rapidamente da sala e de sua casa, de saco cheio daquela merda.
    Ocasionalmente ainda vejo essa imagem em alguns pesadelos dos quais acordo bastante perturbado.”

    Fonte: https://www.facebook.com/carvalho.olavo/posts/332353673583380

    1. Isso é tão bizarro que deve provavelmente foi inventado. O que é absurdo é eu ter que dizer “provavelmente”.

  12. Depois desse texto tenho que me retratar. Realmente o Orvalho de Caralho, que é meu concidadão assim como também o é o Boçalnaro (não é para se orgulhar ser de uma cidade onde esses dois nasceram?) é um gênio.

  13. Vamos parar de chamar o OLASNO de “olavão”. O pigmeu tem 1,65 ou seja :é um anão intelectual e um anão de fato.

  14. Roberto Tramarim

    09/01/2016 — 17:33

    Entrevista de Olavo de Carvalho a Pedro Bial em 1996:

  15. Arthur, nunca li seus textos, mas, posso constatar a doença que você tem: chama-se inveja obssessiva. Você mal compreende a diferença de sistema econômico e político, como ficou claro na sua resposta ao comentário do capeta. Fico instigado em obter o indagamento: você é financiado por alguma ong/governo ou é um burro ignorante mesmo? Você confunde a genialidade do Olavo com as opiniões acerca de assuntos periféricos que ele tem todo o direito de ter. Afinal, Newton acreditava em alquimia, Kepler achava que Deus comandava o movimento dos planetas por sólidos de platão. Enfim, você, como o Olavo, quando pensa tanto tempo sobre como o mundo funciona, é, possívelmente, influenciável à seguir certas teorias da conspiração. Só que o Olavo tem um reconhecimento que tu jamais terá. Pobre idiota. Rezo a Deus que te mude. Ler Aristóteles é um bom início. Até nunca mais.

    1. Vai pela sombra! 🙂

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