O artigo anterior, “Mais de duas décadas à frente do meu tempo“, fez com que eu me recordasse de diversos projetos que desenvolvi e que jamais suscitaram interesse nem mesmo em seus maiores beneficiários. Alguns foram rejeitados tão logo apresentados, outros nem mesmo conseguiram espaço para serem apresentados. Mas eu continuo acreditando em todos eles. 

Professor-Pardal-e-Lampadinha

Um dos meus projetos que teria grande impacto positivo na qualidade de vida foi o que eu descrevi no artigo anterior: a proposta de incentivar, através da redução das taxas de IPTU e do aumento dos índices construtivos, a construção de prédios com arquitetura verde em Porto Alegre.  Quase 25 anos depois, descobri que uma idéia mais modesta está sendo saudada como “moderna, ousada e inovadora” em Milão. 

(Leia aquele artigo, ele é na verdade o “projeto arthuriano (1)” desta série.)

Nos próximos artigos vou descrever outros projetos interessantes que desenvolvi na mesma época. Alguns deles são:

o Parque do Dilúvio

as locomotivas de bicicletas

os túneis de casulomóveis

a fiscalização voadora

o autorama urbano

Vou apresentar todas estas idéias do mesmo modo como foram desenvolvidas há mais de duas décadas, exceto a última, que tem uma versão mais moderna e funcional. 

Você é quem vai escolher se é para dar risada dessas idéias ou se é para lamentar que elas nunca tenham sido implementadas, como foi o caso do Bosco Verticale.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 21/01/2014

6 thoughts on “Projetos arthurianos (1)

  1. Tô curiosa com esses projetos, mas devo confessar que eu ri do “casulomóvel” – do nome, claro, porque nem sequer sei do que se trata…

    1. Não perca os próximos emocionantes episódios. 🙂

  2. Predios verdes existem ha’ anos em varios paises. Veja a sede do ING Bank em Amsterdam, ou o Centro Comercial Carlos Gomes em Porto Alegre. Ha’ inumeros predios chamados green building desde o seculo passado. Outros exemplos sao o escritorio principal da SAS em Estocolmo e o Queens (Leicester) building.

    1. Sim, mas, até onde eu sei, até hoje não existe nenhuma cidade que tenha estabelecido uma política de reforma urbana para transformar o máximo que puder de seus prédios em prédios verdes. E eu defendia essa idéia já na década de 1980, sendo que no início da década de 1990 eu o fiz dentro da Secretaria do Meio Ambiente e do Mestrado em Ecologia.

      Naquela época eu já tinha uma visão de sustentabilidade direcionada por incentivos econômicos ao invés da encheção de saco que o movimento ecológico faz até hoje inutilmente, tentando convencer as pessoas a agirem contra sua percepção econômica imediata – algo que não funcionava, não funciona e vai continuar não funcionando mesmo que o planeta pegue fogo. Simplesmente o ser humano ainda é estúpido demais para pensar a longo prazo e sistemicamente.

  3. Li os projetos da arquitetura verde e do parque do dilúvio e achei muito legais, pena não terem sido implantados. Mas surgiu uma dúvida, você exercia algum cargo na prefeitura que lhe cobrassem novas ideias e projetos para cidade? Ou você teve um insight, desenvolveu a ideia e como bom cidadão resolveu apresentá-la na prefeitura?

    1. Eu era ativista ecológico e conhecia pessoalmente o Secretário do Meio Ambiente, pois ambos freqüentávamos a mesma associação ecológica e os mesmos eventos ligados ao meio ambiente. Isso e um bom diálogo com ele me davam fácil acesso ao gabinete dele, então eu apresentei várias idéias, algumas das quais ele mesmo gostava, mas que o staff petralha dele invariavelmente metralhava.

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