Nenhuma cidade no mundo foi programada para o deslocamento eficiente e seguro de bicicletas. E nenhuma cidade no mundo tem condições de implantar ciclovias que atendam de maneira realmente adequada as necessidades dos ciclistas. Mas há muitas coisas que poderiam ser feitas para tornar mais eficiente e seguro o uso de bicicletas nas cidades – e uma delas é implantar um sistema de locomotivas de bicicletas. 

Locomotiva de bicicletas

Uma locomotiva é por definição uma unidade de força mecânica que puxa unidades de transporte de passageiros ou de carga ao longo de trilhos. Partindo deste conceito eu bolei a primeira locomotiva de bicicletas. Depois, estendendo um pouco o conceito, eu bolei duas outras locomotivas de bicicletas. 

Apresentei estas três idéias no início da década de 1990, em duas reuniões: uma na AGAPAN (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural) e outra na SMAM (Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Porto Alegre), e fui combatido até mesmo pelos ativistas do movimento ecológico, que insistiam numa “reforma urbana em favor da bicicleta”, propagando idéias “práticas” e “democráticas”  como proibir o trânsito de automóveis em algumas grandes avenidas para “promover a diversidade no transporte urbano” e “reduzir a poluição produzida pelos automóveis”. 

Muitos anos mais tarde, em 12/04/2009, apresentei estas idéias no Orkut com o seguinte o texto: 

As locomotivas de bicicletas são uma proposta simples e acessível para o poder público viabilizar o uso de bicicletas em ambientes urbanos, onde a concorrência com o automóvel torna perigoso o uso de bicicletas e a existência de inúmeras elevações no terreno torna difícil o deslocamento do ciclista.

O projeto é bem descrito pelo nome: trata-se de dedicar um veículo para puxar ou carregar bicicletas no ambiente urbano, oferecendo ao ciclista comodidade, velocidade e segurança.

Há pelo menos três tipos muito interessantes de locomotivas de bicicletas:

1) A locomotiva de bicicletas original é um braço mecânico que corre em um trilho e que sobe e desce uma grande ladeira ao longo de uma ciclovia. O ciclista chega no ponto mais baixo, engata a bicicleta na locomotiva através de uma corrente e é puxado até o trecho mais elevado da ciclovia, quando então desengata a bicicleta da locomotiva, segue sua jornada e libera a locomotiva para descer e puxar o próximo.

2) A locomotiva de bicicletas mais interessante é uma extensão do projeto original, na qual o ciclista não se atrela porém sobe na locomotiva ou em um de seus vagões, numa estação ao ar livre, e todo o conjunto corre sobre trilhos até outro ponto ou em uma linha com diversos pontos. É um bonde elétrico urbano para bicicletas.

3) A locomotiva de bicicletas de mais simples implantação é um vagão especialmente voltado para o transporte de ciclistas montados atrelado em um ônibus convencional, funcionando do mesmo jeito: puxa a cordinha para descer. É um ônibus articulado com o carro de trás adaptado para transportar bicicletas.

Todas as locomotivas de bicicletas são de simples e barata implantação, sem necessidade de estudos custosos para sua implantação, especialmente a terceira, que pode ser imediatamente implantada em qualquer lugar onde já exista uma linha de ônibus. 

Obviamente a ilustração que acompanha este artigo é uma brincadeira.

A locomotiva de bicicletas número 1 é apenas um motor elétrico que corre sobre um trilho, com um encaixe para o pneu da frente da bicicleta e um manete ou pedal para que o ciclista possa controlar a subida e parar nos cruzamentos.

O retorno à posição inicial se daria ou pelo mesmo trilho, por gravidade, nos casos em que a locomotiva não passasse por cruzamentos com ruas, ou por um trilho aéreo, acima do nível do trânsito, para evitar a necessidade de instalação de controles computadorizados. O tamanho total das engenhocas reais não deveria ser muito diferente do tamanho de uma mala de viagem comum. 

A locomotiva de bicicletas número 2 pode ter ou não um manobrista. No caso de não ter manobrista, pode ser acionada somente quando todos os cintos de segurança estiverem travados, como nas montanhas-russas. 

E a locomotiva de bicicletas número 3 pode ser gerida do mesmo modo como qualquer ônibus urbano. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 23/01/2014 

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