A grande vantagem do transporte individual é a liberdade de destinos e horários. A grande vantagem do transporte coletivo é liberação de espaço nas vias. A grande vantagem do transporte sobre rodas é a capacidade de mudar de rota. A grande vantagem do transporte sobre trilhos é o trânsito rápido e desimpedido. Que tal poder juntar todas estas vantagens em um sistema só? Eu fiz isso com os casulomóveis. 

Casulomóvel moderno
Um casulomóvel moderno seria semelhante aos carrinhos da montanha-russa da Ferrari no Ferrari World em Abu Dabi: pequeno, aerodinâmico, com espaço para quatro passageiros e um porta-malas regular, MAIS um sistema guia para se manter nos trilhos (que poderia ser embutido e ter acionamento hidráulico) e magnetos em toda extensão para propulsão como um trem-bala. O cockpit seria fechado, como um carro comum.

Este é o texto com que eu apresentei os casulomóveis no Orkut em 12/04/2009: 

Os túneis de casulomóveis são uma proposta futurista para contribuir com a solução do transporte urbano e interurbano. Eles levam esse nome porque no primeiro desenho que fiz os veículos pareciam casulos de lagartas. Hoje em dia o desenho é bem mais arrojado, mais seguro e com maior capacidade de aceitação no mercado, mas eu preservo o nome porque a lógica permanece a mesma.

O casulomóvel é basicamente um cockpit de Fórmula-1 para um pequeno número de pessoas (uma a quatro) mais um espaço para bagagens, com quatro pneus para se deslocar movido a biodiesel em ambiente urbano e uma série de magnetos enfileirados na parte de baixo para se deslocar flutuando sobre trilhos como um trem-bala quando no interior dos túneis. Toda a tecnologia necessária para construir o sistema já existe e já é empregada em outras aplicações.

No trânsito comum o casulomóvel se comportará como o extinto Gurgel BR-800: um carrinho pequeno, muito econômico, com a vantagem de usar um combustível renovável. Entretanto, em pontos específicos do trânsito haverá rampas de aceleração e lançamento para o interior de túneis ou trilhos como os do aeromóvel, nos quais os veículos se deslocarão a uma velocidade fixa definida pelo poder público e controlada por computador (idealmente entre 250km/h e 300km/h, embora possam ser regulados para velocidades menores, por volta de 160km/h, para pequenos trajetos urbanos, e para velocidades maiores, até 501km/h, para trajetos de longa distância). No extremo oposto do trajeto se encontrará uma rampa de desaceleração e recuperação de atrito que permitirá o acesso do casulomóvel novamente ao trânsito comum.

Traduzindo: o casulomóvel é um híbrido entre carro de passeio e trem-bala familiar. Utiliza as vias urbanas tradicionais como um carrinho comum e uma malha de túneis ou trilhos de alta performance entre bairros, cidades ou estados como um trem bala, sendo sempre silencioso e não poluente.

Se a proposta fosse implementada, veríamos cenas como esta cotidianamente sobre nossas cabeças, em todas as cidades:

Casulomóveis modernos
Esta imagem também é da montanha-russa da Ferrari. Eu preferiria que houvesse uma cobertura sobre os trilhos, protegendo-os das intempéries e reduzindo os custos de manutenção, por isso “túneis” de casulomóveis. A diferença fundamental seria a existência de desvios como os que existem nas ferrovias, para permitir a rápida entrada e saída dos casulomóveis nos trilhos em cada estação de conexão rodo-férrea.

Pensando bem, o nome casulomóvel é adequado por mais um motivo, além do desenho histórico: no fundo ele é um casulo de sobrevivência que se move sobre trilhos tão rápido ou mais que um veículo de Fórmula-1. Já sobre rodas ele seria um modesto carrinho de passeio, leve, econômico e fácil de estacionar no trânsito urbano.

Uma vez me perguntaram: e se um deles parar sobre os trilhos? No início fiquei preocupado, pois não tinha pensado nisso. Mas logo em seguida percebi que a solução é simples: em primeiro lugar, sensores impediriam que dois casulomóveis andassem mais próximos do que a distância mínima de frenagem (mais uma margem de segurança); em segundo lugar, um terceiro trilho poderia facilmente fazer chegar ao local um equipamento adequado de resgate em poucos minutos, em qualquer lugar da rede. 

Em suma, os casulomóveis reuniriam o melhor dos quatro mundos citados no início do artigo em um único veículo: liberdade, descongestionamento, flexibilidade e agilidade. E também seriam práticos, seguros, econômicos e muito pouco poluentes. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 25/01/2014 

4 thoughts on “Projetos arthurianos (4): os túneis de casulomóveis

  1. …e não matariam capivaras. Desse eu gostei por inteiro.

    1. Afff… 😛

      E as locomotivas de bicicletas?

  2. Também gostei muito. Parabéns!

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: