Não vai acontecer. A humanidade é muito estúpida. Mas vamos supor, para efeito de mero exercício intelectual, que amanhã de manhã os sete bilhões de seres humanos finalmente se dêem conta de que este planeta é o único que temos para viver e que seu sistema de suporte de vida se encontra ameaçado devido às absurdas intervenções humanas, como as mudanças climáticas sinalizam. O que poderíamos fazer para reverter o estrago? 

Terra sufocando

Para quem ainda não entendeu, “mudança climática” é um eufemismo politicamente correto para “desestabilização climática”, cujas conseqüências no pior cenário possível são melhor descritas pela expressão Armagedon Climático

Uma mudança climática significativa, com derretimento das geleiras polares e da Groenlândia, na melhor das hipóteses, irá “apenas” matar bilhões de pessoas e transformar o planeta num inferno para os sobreviventes, e na pior das hipóteses irá causar a extinção da espécie humana.

Não, eu não estou sendo alarmista.

Isso é uma análise de cenário bem plausível.

O derretimento das geleiras deve elevar a altura média das águas dos oceanos em cerca de 24 metros. O aumento da temperatura da superfície dos oceanos deve provocar furacões freqüentes em todo o planeta. A destruição de cidades costeiras e de planícies férteis deve provocar imensas ondas de deslocamentos e uma queda drástica na produção de alimentos. Não há como evitar guerras e mortandades monstruosas num cenário desses. 

Agora que deixei clara a magnitude do problema, vou apresentar um conjunto de cinco medidas-monstro que, na minha opinião, ainda seriam suficientes para reverter a catástrofe ambiental que estamos provocando.

As medidas

1) Suspensão imediata do uso e da extração de combustíveis fósseis, onde quer que isso não cause mortes. 

Sim, seria monstruosamente impactante. A economia sofreria imensamente. O esforço de readaptação a uma economia sem combustíveis fósseis e sem plásticos (exceto para funções vitais na medicina para as quais não houvesse substituto de igual ou maior eficácia e segurança) seria o maior desafio jamais enfrentado pela humanidade. Mas ainda assim seria melhor do que deixar o clima do planeta “mudar”.

O caos imediato e universal na indústria automobilística e no setor de transportes em geral não me preocuparia. Este seria um efeito pequeno e facilmente contornável para evitar um colapso climático. 

O que me preocupa de verdade é como passaríamos a cozinhar os alimentos para evitar contaminações bacterianas e para obter proteínas de alta qualidade e alta facilidade de assimilação. Talvez esse uso de combustíveis fósseis não pudesse ser evitado por algum tempo ainda. 

2) Moratória reprodutiva, especialmente para as populações mais pobres. 

O mundo já tem 7.000.000.000 de pessoas demandando alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e consumo de uma imensidão de bens. E esse número continua aumentando, o que requer cada vez mais energia, espaço e consumo de recursos para que toda essa população possa sobreviver. Estamos sobrecarregando o planeta. Isso tem que parar.

Por moratória reprodutiva eu entendo uma campanha muito intensa com o mote “comece com 22 – pare com 2”. Não ter filhos antes dos 22 anos de idade e parar no segundo filho. Não são metas irrazoáveis, não são parâmetros irrazoáveis e não é uma medida que viole Direitos Humanos. Pelo contrário, dada a gravidade do fenômeno que estamos enfrentando, esta é a medida mais leve que poderia ser tomada. 

Não vou me dar o trabalho de explicar o óbvio, ou seja, por que uma campanha intensa por uma moratória reprodutiva é tanto mais necessária quanto menor a renda e a escolaridade, no planeta inteiro. Populações ricas não precisam de moratória reprodutiva – pelo contrário, pelos mais óbvios motivos econômicos, seria muito bom que populações ricas tivessem um estímulo à reprodução. E os politicamente corretos podem muito bem ir para o inferno. 

3) Intensificação do tráfego aéreo sobre regiões urbanizadas, geleiras, desertos e os pólos.

Há uns poucos anos houve uma paralisação nos vôos de quase toda a Europa, não me lembro agora o motivo. Naquela ocasião se verificou um pequeno mas sensível aumento da temperatura no continente, demonstrando o incrível efeito da reflexão da radiação solar nas nuvens produzidas pelos aviões nas altas camadas da atmosfera.

Ora, se uma pequena parada de circulação dos aviões foi suficiente para reduzir o albedo sobre um continente, é de se esperar que um pequeno aumento na circulação de aviões tenha algum impacto na elevação do albedo sobre regiões críticas como as que citei.

A redução do albedo sobre geleiras e os pólos é especialmente importante porque o derretimento do gelo expõe àgua e terra à radiação solar, o que por sua vez reduz ainda mais o albedo. Muito embora eu não tenha como quantificar o impacto desta medida, dado que convivemos com aviões há muitas décadas e que houve esse significativo episódio sugerindo uma provável alta eficácia da medida numa intervenção de âmbito regional, ela com certeza me parece já suficientemente testada para poder ser tentada imediatamente. 

4) Redução dos rebanhos e reflorestamento de pastagens e de áreas de cultivo de forragem. 

Os rebanhos ou exigem grandes áreas para criação extensiva, ou exigem consumo de vegetais nobres para criação confinada. Estas áreas possuem um imenso potencial de captação de carbono em curto prazo, além de poderem acumular muito mais água em situação de reflorestamento do que em situação de pastagem ou plantação anual, o que pode ser decisivo em um esforço mundial pela estabilização climática.

Além da redução da área necessária para plantio, a redução do rebanhos também reduziria a produção de metano, que é um poderoso gás estufa. 

A redução da disponibilidade de proteínas de alta qualidade causada pela redução dos rebanhos deve ser compensada com a utilização da medida seguinte. 

5) Conversão das zonas urbanas em regiões de alto albedo, estocagem de carbono e produção de alimentos. 

O aumento do albedo das cidades e de sua capacidade de reter a água das chuvas para ajudar a estabilizar o microclima pode ser obtido convertendo os telhados em telhados verdes, cujo albedo é bem maior que o albedo das telhas mais comuns.

O aumento da estocagem de carbono nas cidades pode ser obtido pela utilização predominantemente madeiras e compensados para a construção. (Outra possibilidade interessante é simplesmente construir estoques imensos de carbono em regiões sem risco de incêndio. Por exemplo, enterrar milhões de toneladas de madeira no Saara, numa profundidade em que demorarão milênios para entrar em contato novamente com o oxigênio.) 

O aumento da produção de alimentos em zona urbana, cujo objetivo é reduzir as emissões de carbono que ocorrem em função do transporte, pode ser obtido através de técnicas de hidroponia, aquaponia, hortas verticais e criações isentas de odores, bem como pelo reaproveitamento como ração animal da maioria dos restos alimentares, hoje absurdamente destinados a aterros sanitários.

Discussão

Interesses econômicos, estupidez religiosa, ignorância científica, descaso pelo sofrimento alheio, negação de responsabilidade, preguiça de sair da zona de conforto e mau caratismo por todos os lados inviabilizarão qualquer destas medidas até que nem mesmo elas sejam suficientes.

Então, pra que esquentar a cabeça?

O mundo virá abaixo de qualquer jeito, mesmo. 

Comente como entretenimento, “para efeito de mero exercício intelectual”, como eu disse no parágrafo de abertura.  

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 10/02/2014  

OBS: a pauta deste artigo parte do pressuposto de um perigo real iminente. Comentários que citem opiniões de negacionistas da mudança climática ou de “dissidentes do IPCC” serão sumariamente deletados. 

45 thoughts on “Medidas desesperadas para estabilizar o clima

  1. -Plantio de árvores nas cidades. A diferença entre as ruas com e sem árvores é enorme.
    -Reeducação alimentar com ênfase na Permacultura reforçaria o ítem 4.

    Se já existem aviões solares isso deveria ser intensificado? Não sei se eles atingem altura/velocidade pra causar o efeito de nuvens que você descreveu. Isso é interessante.

    1. Sim, plantar árvores onde quer que seja possível plantá-las seria útil, tanto pela questão do albedo quanto pela questão do armazenamento de carbono.

      O efeito de “nuvens” (não sei como se chama de fato) de rastros de aviões é uma daquelas coisas surpreendentes e imprevisíveis que podem fazer grande diferença. Se uma simples paralização de vôos comerciais promoveu um efeito sensível nas temperaturas da Europa, imagina o alcance que poderia ter uma intervenção planejada. Poderia talvez ser o fator que permitisse evitar o derretimento das geleiras e permitir que Gaia se recuperasse… Obviamente que não como medida isolada. Sem cessar o uso de combustíveis fósseis, corremos o risco de ter novamente um clima semelhante ao do Período Carbonífero.

  2. Não é o que diz a maioria dos cientistas que estudam o assunto.

    1. Sumiu o comentário de outro cara ou eu alucinei?

    2. 1. Tua primeira pergunta era sobre o comentário do outro cara, né?

      2. Não precisa conferir se era mesmo champignon na pizza, o comentário dele sumiu mesmo. Duas vezes, já. E vai sumir tantas outras quantas for postado, como está avisado no final do artigo.

  3. Olá, Arthur.
    Achei o texto interessante e as medidas plausíveis no caso de uma súbita conscientização da humanidade.
    Entretanto, não querendo soar negacionista ou coisa do gênero, a extinção da humanidade por conta de uma desestabilização climática me parece extremamente improvável. O senhor poderia discorrer sobre como isso poderia ocorrer nesse contexto de derretimento das calotas polares e calamidades semelhantes?

    1. Por favor, nada de “senhor”. Assim eu me sinto o Matusalém.

      .
      .
      .

      Respondendo:

      É simples, Lucas.

      O aquecimento da atmosfera acima de 2°C acima da média pré-industrial causa o derretimento irreversível das geleiras.

      Quanto mais as geleiras derretem, menos gelo sobra para refletir a luz solar. A água, a terra e as rochas que ficavam cobertas por gelo passam a ser atingidas pelos raios solares e absorvem uma fração bem maior da radiação incidente do que o gelo absorvia.

      Um ciclo de retroalimentação positiva é formado: quanto mais o gelo derrete, mais água e terra são expostas; quanto mais água e terra são expostas, mais o gelo derrete. Ou seja, o aquecimento passa a se auto-alimentar até que todas as geleiras sobre os pólos e sobre a Groenlândia derretam.

      Esse derretimento eleva o nível médio dos oceanos em 24 metros.

      Todas as cidades costeiras e as principais planícies férteis do planeta ficam abaixo desta altitude. A Amazônia, o Saara e a Austrália virariam mar. Todas as ilhas do Pacífico desapareceriam.

      Bilhões de pessoas perderiam suas cidades e até mesmo seus países, ao mesmo tempo em que as terras cultiváveis seriam drasticamente reduzidas.

      Isso tudo só para citar o efeito da elevação das águas.

      Se a temperatura de superfície das águas ultrapassar os 26,8°C em grandes áreas, a ocorrência de furacões é certa. Ou seja, além de haver menos área para moradia e produção agrícola, furacões deverão dizimar freqüentemente as plantações que restarem.

      Se a dinâmica das águas oceânicas for afetada da mesma maneira que foi afetada na última vez em que a média de temperatura da atmosfera subiu cerca de 4°C acima da média pré-industrial, o metano aprisionado nos lodos do fundo dos oceanos vai se sublimar e aflorar subitamente aos milhões de toneladas na atmosfera, levando a temperatura do planeta a 10°C acima da média pré-industrial.

      Na última vez em que isso aconteceu, há 251 milhões de anos, 95% da vida na Terra foi extinta. O episódio é conhecido como Grande Extinção do Permiano.

      Para que tenhas uma idéia da magnitude disso, na Grande Extinção do Cretáceo, que extinguiu todos os dinossauros, “apenas” 75% da vida na Terra foi extinta.

      É com um fenômeno desta magnitude que estamos brincando.

    2. LucsRig, sugiro uma lida nos artigos do Arthur linkados no canto superior direito desta página, sob o rótulo “Leia tambem”.

  4. “Comente como entretenimento, “para efeito de mero exercício intelectual”…” (Arthur)
    .
    Piada numa hora dessas? Mas vá lá! Com exceção da alusão de um efeito benéfico decorrente da diminuição do tráfego aéreo, concordo com todas as outras medidas. Achei pertinentes as colocações de Gerson sobre a permacultura e o plantio de árvores nas cidades.
    .
    Até aumentaria o mote “comece com 22 (anos e) pare com 2 (filhos)″ (achei ótimo!) “…e comece (a plantar uma árvore por ano) com 2 e não pare nunca.” Não sei se a piscicultura causa maiores impactos sobre o clima, mas os governos poderiam dar subsídios (eles adoram essas coisinhas onde podem manobrar um ou outro desvio!) e incrementar o consumo dessa fonte protêica alternativa (Coma peixe! É mais saudável! É mais barata! Antes que a carne vermelha coma você!).
    .
    Sabe, Arthur, que se nós demorarmos muito para escrever aquela história a realidade pode atropelar a nossa ficção? Depois de ler “Inferno” de Dan Brown senti o mesmo mal estar de quando vi as ilhas flutuantes de Cameron em “Avatar” (lembra o desenho?). Detestaria sentir a água do Atlântico batendo no meu umbigo em Três Cachoeiras e saber que nem havia aproveitado a premonição.

    1. Opa! O efeito benéfico não viria da redução do tráfego aéreo, mas do aumento do tráfego aéreo! As nuvenzinhas compridas deixadas pelos aviões atrás de si em grandes altitudes surpreendentemente possuem um significativo impacto na reflexão de radiação, aumentando o albedo e reduzindo o aquecimento na superfície. Mais aviões soltando rastros de nuvens, menos aquecimento global.

      Piscicultura consorciada com hidroponia se chama aquaponia. Vou fazer um curso de hidroponia em março, planejando dominar a técnica para produzir alimentos sem solo… Pode ser útil quando a água bater na bunda do Cristo Redentor, ou mesmo antes, para ganhar uns trocos. 🙂

      Falei sobre aquela história com o Mauro esses dias. Temos que tocar aquele projeto!

  5. Eu me divirto com esse pessoal que entra no meu blog postando provocações baratas e achando que eu tenho a obrigação de garantir espaço para eles. 🙂

    Antigamente esse pessoal me estressava: eu ficava preocupado em explicar minha posição, fundamentá-la, justificá-la…

    Depois que me convenci que os caras que fazem isso são todos uns trolls de merda, ficou até divertido desprezá-los. 🙂

  6. Li sua resposta e o artigo que o Gerson me referiu.
    Eu acho que entendi a gravidade da situação e como a (quase inexistente) consciência da humanidade vai impossibilitar a realização de qualquer medida sugerida aqui.
    Mas eu estava pedindo um esclarecimento em relação à extinção da humanidade. Bilhões morrerão, é certo. A vida dos restantes será difícil, claro. Mas extinção?
    Estou sendo muito crente na resiliência da humanidade, imaginando que poderíamos estar entre as espécies sobreviventes de um grande cataclisma?
    teste do itálico

    1. Não conseguimos alimentar, educar, vestir, abrigar, transportar e medicar adequadamente a maior parte da humanidade tendo um planetão imenso generoso em recursos naturais e com climas amenos e seguros. Imagina num planeta 10°C mais quente, com poucas terras férteis e permanentemente assolado por furacões. A quantidade de pessoas que poderia sobreviver nestas condições seria muito pequena para todos os padrões que imaginamos hoje.

      A humanidade poderia persistir? Acho que sim. Teoricamente algumas centenas de milhares de pessoas poderiam viver em ambientes climatizados por muitas gerações. Mas o que me preocupa não é a permanência e sim o sofrimento.

  7. Desculpe-me pelo duplo post.
    Só uma outra perguntinha, caso nem tudo vá (muito) pelos (m)ares, o Canadá é uma boa opção?
    Se todo aquele gelo derreter, deve sobrar alguma área fértil por lá…

    1. O Canadá é a melhor opção, eu diria. 🙂

      Ou talvez Finlândia ou Noruega. Se bem que a proximidade da Rússia não me inspira tranquilidade.

      Mas, pensando bem, a proximidade dos EUA também não.

      Ih, meu caro, está difícil. 😛

    2. Não esquenta com duplo post. Eu só peço pro pessoal não abusar, como um cara que postava doze calhamaços seguidos de propaganda direitista.

  8. Não é uma boa ideia, mas no desespero…
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Escurecimento_global#Poss.C3.ADvel_uso_para_mitigar_o_problema_do_aquecimento_global

    [Alguns cientistas sugeriram o uso de aerossóis como medida de emergência para a redução dos efeitos do aquecimento global. O perito russo Mikhail Budyko deu-se conta desta relação desde muito cedo. Em 1974, sugeriu que se o aquecimento global se tornasse um problema, poderíamos proceder ao arrefecimento do planeta através da combustão de enxofre na estratosfera, o que criaria uma névoa seca.

    Segundo Ramanathan (1988), um aumento do albedo planetário de apenas 0.5% é suficiente para reduzir em 50% o efeito da duplicação da concentração de CO2.

    No entanto, ainda teríamos muitos problemas para enfrentar:

    O uso de sulfatos causa problemas ambientais como a chuva ácida
    O uso de carbono negro causa problemas à saúde humana
    O escurecimento causa problemas ecológicos como alterações nos padrões de evaporação e precipitação
    Secas e/ou aumentos da precipitação colocam problemas à agricultura
    Os aerossóis têm um tempo muito curto de residência na atmosfera

    “A ideia segundo a qual deveríamos aumentar as emissões de aerossóis para contrariar o aquecimento global tem sido descrita como um pacto com o diabo porque implicaria uma quantidade crescente de emissões para conseguir acompanhar os gases de efeito estufa acumulados na atmosfera, com custos financeiros e sanitários crescentes.”]

    No fim o custo-benefício me parece possivelmente negativo, até porque espalhar isso tambem demandaria energia.

    1. No desespero pode funcionar… Talvez. Não sei.

      E tem uma coisa… “No desespero” muita coisa “ruim” de repente se torna a melhor alternativa.

      Lembra do cara que prendeu a mão numa pedra e teve que cortar o próprio braço para poder se salvar?

      Cortar o braço com uma faca, sem anestesia, e ter que quebrar o osso fazendo uma alavanca contra as pedras, não é bom.

      Naquele momento, entretanto, para aquele cara, pareceu ser a melhor alternativa… E ele nunca se arrependeu daquilo, pelo contrário.

      O que me deixa enfurecido é que não seria necessário cortar o próprio braço se ele não tivesse sido estúpido antes.

      No caso dele, foi o próprio braço, então não me importo.

      Mas no caso do planeta, quem vai arcar com os resultados da ganância, da estupidez e do descaso sou eu, que não sou ganancioso, nem estúpido, nem negligente.

      Este é o verdadeiro problema.

  9. Talvez algum dos projetos de geoengenharia poderiam dar certo:
    http://hypescience.com/10-propostas-da-geoengenharia-para-salvar-o-planeta/
    O que você acha Arthur?

    1. Imagina um motor, Max.

      Esse motor funciona muito bem e dura muito até 4.500 rpm.

      Entre 4.500 rpm e 6.000 rpm, a vida útil desse motor cai rapidamente.

      Acima de 6.000 rpm, esse motor aguenta uns poucos minutos e funde.

      Tens um caminho de cem mil quilômetros a percorrer em um automóvel que usa esse motor.

      A filosofia reinante no planeta hoje é a seguinte: afundar o pé no acelerador, a 7.500 rpm, confiando que será possível inventar uma maneira de reparar o motor em movimento, sem risco algum.

      Isso é a filosofia dos negacionistas da mudança climática e no fundo também do pessoal da geoengenharia.

      É necessariamente impossível? Não. Talvez exista um modo. Talvez consigamos encontrar esse modo.

      Mas é realista e seguro pensar assim?

    2. A minha filosofia é a seguinte: vamos manter o giro a menos que 4.500 rpm, com uma boa margem de segurança – digamos uns 4.000 rpm – e seguir uma viagem tranqüila.

      Isso é contrário ao progresso? NÃO! Isso é o verdadeiro progresso: sempre em frente, mas de modo seguro, apreciando a paisagem.

  10. Não sei se funciona, mas vai mais uma medida:
    http://www.avaaz.org/po/stop_the_keystone_xl_pipeline_loc/?btTktgb&v=36771

    [Enquanto lemos este email, o governo dos EUA está prestes a tomar a decisão mais importante acerca das mudanças climáticas na presidência de Barack Obama: a aprovação ou não de um oleoduto monstruoso que transportará do Canadá aos EUA, por dia, até 830 mil barris do petróleo mais sujo.

    Caso seja aprovado, o oleoduto Keystone XL ajudará a bombear bilhões de dólares para os bolsos de umas poucas companhias, além de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. O oleoduto está sendo descrito como “o detonador da maior bomba de carbono do planeta”. Uma reação ousada da opinião pública já conseguiu atrasar o projeto antes, e outro golpe duro foi dado na semana passada, quando saiu uma decisão judicial contrária ao oleoduto. Agora, se agirmos com rapidez e em grande número, podemos ajudar a acabar com essa ideia de vez.

    O secretário de Estado dos EUA, responsável pela maneira como o país se relaciona com o resto do mundo, abriu uma rodada final para receber comentários da opinião pública. Ele sabe que essa é a prova-dos-nove para definir a posição dos EUA e evitar um desastre ambiental. Vamos transformar a consulta pública em um verdadeiro referendo mundial, somando milhões de vozes de todos os países do mundo a ela, exigindo que o oleoduto Keystone seja impedido e que os EUA assumam a posição de liderança que afirmam ter para salvar nosso planeta. Faltam só alguns dias para o fim da consulta. Assine agora.]

    1. Pelo menos é algo que demora apenas uns poucos segundos para fazer. Mas acho difícil que isso dê resultados… Nós temos é que acabar com a lógica de pedir para os corruptos agirem com honestidade e para os criminosos agirem em prol do bem comum.

    1. Acho que aqui não foi o melhor post pra colocar embora relacionado à ecologia. É o sono.

      E tambem acho o prazo muito otimista.

    2. Tá perfeito aqui.

      E, poxa, como assim “achamos que será difícil evitar um colapso”? A humanidade JÁ ESTÁ em colapso. Esses caras não sabem o que está acontecendo na África? Nos bolsões de miséria da Ásia? Não vêem os indícios de africanização da América Latina, com a ascensão generalizada do comunismo no sub-continente, sinal claro de miséria?

    3. Não, peraí, quem disse isso não foi a NASA, foram os cientistas Safa Motesharrei, Jorge Rivas e Eugenia Kalnay, no artigo Human and Nature Dynamics (HANDY): Modeling Inequality and Use of Resources in the Collapse or Sustainability of Societies.

      Abstract

      There are widespread concerns that current trends in resource-use are unsustainable, but possibilities of overshoot/collapse remain controversial. Collapses have occurred frequently in history, often followed by centuries of economic, intellectual, and population decline. Many different natural and social phenomena have been invoked to explain specific collapses, but a general explanation remains elusive.

      In this paper, we build a human population dynamics model by adding accumulated wealth and economic inequality to a predator-prey model of humans and nature. The model structure, and simulated scenarios that offer significant implications, are explained. Four equations describe the evolution of Elites, Commoners, Nature, and Wealth. The model shows Economic Stratification or Ecological Strain can independently lead to collapse, in agreement with the historical record.

      The measure “Carrying Capacity” is developed and its estimation is shown to be a practical means for early detection of a collapse. Mechanisms leading to two types of collapses are discussed. The new dynamics of this model can also reproduce the irreversible collapses found in history. Collapse can be avoided, and population can reach a steady state at maximum carrying capacity if the rate of depletion of nature is reduced to a sustainable level and if resources are distributed equitably.

      Keywords: Human-Nature Dynamics; Societal Collapse; Carrying Capacity; Overshoot vs. Sustainability; Economic Inequality; Ecological Strain.

      Eu fiquei de escrever um artigo sobre isso, mas esqueci… Vou acrescentar isso nas pautas para o milênio.

  11. Joaquim Salles

    21/03/2014 — 19:29

    Como no texto passado fala, acho que será necessario um alerta bem claro contra o que é colocado pelos
    “Negadores do aquecimento global devem parar de distorcer as evidências” (http://hypescience.com/negadores-do-aquecimento-global-devem-parar-de-distorcer-as-evidencias/) e, em muitos locais, isso acabou virando bandeira politica contra as evidencias apresentadas.

    1. O problema é que dizer que “negadores do aquecimento global devem parar de distorcer as evidências” é igualzinho a dizer que “ladrões devem parar de roubar”. Faz sentido?

  12. Acabou! A verdade não pode mais ser ignorada,o planeta foi nocauteado,por nós!

    Não temos para onde correr.

    Só nos resta o aconchego da própria alma,das que estiverem despertas e iluminadas.

    1. Derrotismo de novo.

  13. Engano seu,se eu fosse uma derrotista,não teria chegado até aqui,nem teria tanta certeza de que encontrei o caminho.

    Só que o MEU caminho é o da trilha de cabras.

    1. Bon voyage. 🙂

    1. “ÉPOCA: Se formos tentar evitar que as concentrações de carbono cheguem a níveis perigosos, as grandes empresas de petróleo e gás não poderão explorar todas suas reservas. Como convencer as empresas e seus investidores a fazer isso? Qual seria o prejuízo para as empresas e os investidores? Quem pagaria por isso?”

      Em um mundo minimamente razoável, explorar petróleo seria transformado em crime contra a humanidade. Faz sentido perguntar quem vai pagar pelos contratos de execução que a máfia perde porque o homicídio é criminalizado?

      Alguém indenizou a Coca-Cola quando a cocaína foi proibida e seu comércio criminalizado? Não, né? A Coca-Cola simplesmente teve que tirar este componente da fórmula de seu refrigerante e ponto final. E continua rica, multibilionária.

      Mandemos as companhias que extraem petróleo reduzir a produção em 10% por ano e fim de papo, se virem, já lucraram horrores, tratem de investir em produção de energia a partir de fontes renováveis.

      Os carros movidos a gasolina que sejam convertidos para usar álcool, biodiesel e metano proveniente de digestão anaeróbia de resíduos.

      Vamos destruir o planeta porque ninguém quer perder mercado nem passar por qualquer inconveniente?

    1. Interessante mesmo! 🙂

  14. eu concordo com tudo e gostaria muito que alguma medida fosse tomada, mas a maioria das pessoas nao vao fazer nada e o resto que espera alguma melhora e luta por isso e a minoria infelizmente. o mundo e mesmo assim so se toma uma iniciativa quando o estrago ja foi feito estamos caminhando rumo a extincao os paises so pensam no desenvolvimento nos avancos em estar em primeiro lugar a panela esta esquentando so falta torrar.
    Eu acredito que medidas deveriam ter sido tomadas a dez anos atras mas so deixam para a ultima hora agora e meio tarde. tarde para plantar arvores pois a chuva pode nem vir o nosso mundo deveria parar assim os gases diminuiriam um pouco quem sabe o clima estabilizaria e poderiamos salva-lo. a terra sera como marte a diferenca e que marte tem agua nos polos e a terra vai evaporar totalmente o mundo seria bem melhor sem tanta gente sem conciencia para polui-lo…

    1. Para salvar o planeta agora, só se uma grande aliança de boa vontade fosse costurada imediatamente. Ou seja, não vai rolar. Prepare-se para ser uma das sobreviventes, porque nem todos serão.

    1. A terminologia usada no artigo é péssima e tem várias incorreções. Por exemplo, hidrocarboneto com com baixa ou nenhuma concentração de carbono? 😛 Putzgrila. Mas a tecnologia em si é ótima enquanto estratégia de produção de combustível líquido em ambientes sem capacidade de produção biológica – como os desertos citados. Isso permitirá produzir biodiesel sem consumir terra onde podem ser produzidos alimentos.

      Não nos enganemos, entretanto, em relação ao balanço de carbono provido por tal tecnologia: ela não vai retirar nadica de nada do carbono fóssil lançado na biosfera, pois a idéia é queimar os hidrocarbonetos produzidos como combustível, não enterrá-los novamente para que deixem de estar disponíveis na biosfera. O único modo de evitar os efeitos planetários da reposição de carbono fóssil na biosfera é deixar o petróleo, o carvão e o gás natural no subsolo ou devolver carbono recapturado para algum ponto de estoque indisponível para a biosfera (o que necessariamente tem balanço energético negativo).

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