Desde quando ser “o que há de melhor e que mais se valoriza” passou a ser algo ruim? Como e desde quando a perversão ideológica contaminou tanto nossa cultura que os melhores passaram a ter vergonha de serem os melhores e a aceitar que sua inteligência, competência, eficácia, riqueza e poder fossem usados como acusação por parte de medíocres, invejosos e parasitas? Ser um dos melhores – pertencer a uma elite – é motivo de orgulho! 

Podium

 

 

elite s. f.

 

e·li·te

(francês élite)

substantivo feminino

1. O que há de melhor e se valoriza mais (numa sociedade). = ESCOL, FINA FLOR, NATA. 

2. Minoria social que se considera prestigiosa e que por isso detém algum poder e influência. 

Fonte: Dicionário Priberam

A própria existência da vida na Terra se deve à Seleção Natural.

Foi a molécula auto-replicante que melhor produzia cópias de si mesmo que sobreviveu ao caos das intempéries que assolavam a Terra primitiva, não a que era menos capaz de se reproduzir com eficiência.

Foi o organismo melhor adaptado que deixou mais descendentes férteis e que por isso gerou a árvore filogenética dos seres vivos. 

Foi o espermatozóide mais rápido que fecundou um óvulo e permitiu que você exista.

Foram os melhores nerds que inventaram o computador pessoal e o colocaram no mercado.

Foram os melhores engenheiros de hardware e de software que desenvolveram as idéias geniais daqueles nerds pioneiros e que permitiram que você esteja acessando este texto a milhares de quilômetros de sua origem. 

Foram as suas habilidades em leitura, melhores que as de um chimpanzé ou de um retardado que não consegue ler mais do que três frases encadeadas e que escreve em miguxês, que permitiram que você compreendesse meu texto. 

E serão os melhores em interpretação de texto e de mundo que compreenderão que ser melhor, cada vez melhor, é o que sustenta a vida na Terra, é o que promove o sucesso, é o que torna o mundo melhor

O coitadismo e a exaltação da mediocridade e da incapacidade como fontes de privilégios constituem a mais pérfida e humilhante das ideologias.

O ser humano que se pauta pelo coitadismo só se mantém humano nos sentidos biológico e jurídico, porque moralmente se torna um verme parasita. Isso inclui tanto o safado que exalta a mediocridade quanto o canalha que se apresenta para receber uma vantagem indevida. 

Um ser humano digno não sacode sua incapacidade como uma bandeira à frente de todos para com ela justificar privilégios aos quais não faz jus. Um ser humano digno encara de frente suas limitações, procura se tornar melhor a cada dia e dar o melhor de si para construir sua vida por seus próprios méritos. 

É através do esforço e do aperfeiçoamento constante que um ser humano se torna um melhor ser humano e conquista melhores condições de vida. Garantir oportunidades para que cada indivíduo conquiste seu lugar ao sol através de seus méritos é justo e engrandecedor tanto para o indivíduo quanto para a sociedade. Garantir resultados melhores para quem tem desempenhos piores é injusto e degradante tanto para o indivíduo quanto para a sociedade.

Uma sociedade que se deixa enganar pelo canto de sereia dos que dissociam os resultados dos méritos oriundos do esforço e do aperfeiçoamento é uma sociedade fadada a naufragar na mediocridade, na injustiça, no conflito, na violência, na corrupção e na falência. E o primeiro passo que se dá nessa direção é quando uma ideologia de medíocres, invejosos e pervertidos contamina a cultura com a noção de que ser um dos melhores – pertencer a uma elite – é algo ruim e condenável.

Uma sociedade que não se orgulha dos melhores entre os seus, que não os valoriza, que não os exalta como modelos, que não coloca o esforço, o aperfeiçoamento, a capacidade e o desempenho como valores a serem cultivados é uma sociedade de vira-latas, condenada a correr faminta atrás do próprio rabo enquanto amaldiçoa sua própria degradação.

Dignidade é preciso. Ética é preciso. Determinação é preciso. Disciplina é preciso. Esforço é preciso. Competência é preciso. Honestidade é preciso. Honra é preciso. Senso de dever é preciso. E sim, solidariedade é preciso. Maldito seja o ser humano que se importa somente consigo. Mas ainda mais maldito seja o ser humano que deseja que os outros se importem mais com ele do que ele mesmo se importa consigo.

Dê um basta à inversão de valores.

Não se constrói um país de sucesso abraçando ou tolerando uma cultura de fracasso. 

Se você quiser tornar este mundo um lugar melhor para viver, a primeira coisa a fazer é comprometer-se a se tornar um ser humano melhor a cada dia, rejeitar radicalmente a cultura de coitadismo e mediocridade e recomeçar a valorizar com suas palavras e suas ações o que há de melhor em você mesmo e no próximo. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 12/02/2014 

47 thoughts on “Sim, eu sou da elite, e com muito orgulho!

  1. Emerson Santos

    07/09/2014 — 00:05

    Sou pardo de origem humilde minha mãe é doméstica e meu pai não mora conosco, concordo com o pensamento meritocrata, porém acho que todos devem ter acesso ao mínimo como; saúde, educação, esporte, cultura e lazer, por isso sou a favor de cotas sociais para aqueles que sempre estudaram em colégios públicos pois há grande diferença no ensino, sabendo disso trabalho para pagar 2 cursos preparatórios para o Enem do próximo ano e minha mãe banca com muita luta e esforço sem bolsa ou ajuda social meu curso de inglês e me orgulho disso, a vida não é fácil temos que correr atrás mesmo. Somos seres “sociaveis” como diz meu professor e acredito que um dia iremos além das relações capitalistas de interdependência onde estamos ligados com o próximo por necessitarmos do que produzem e vice-versa, pena que são tantos os empecilhos.
    Bem espero que tenham compreendido mesmo não estando “ainda” no nível de vocês! Abs

    1. Emerson Santos, não tem um “vocês” uniforme aqui. As opiniões variam. Eu por exemplo sou a favor de cotas (sociais, não raciais), mas elas deveriam ter prazo pra acabar, relacionado a uma reforma do ensino público. Se não, vira muleta, vira remendo.

    2. Emerson, não tem que haver cotas para ninguém – tem que haver direitos para todos.

      Esse é o ponto que praticamente todo mundo esquece quando se fala destes assuntos: saúde, educação e oportunidades econômicas dignas são um direito de todos e o governo tem que fazer o país funcionar para que todos tenham de fato acesso a estes direitos, o governo não pode simplesmente redistribuir a miséria como está fazendo e como muito convenientemente os beneficiados pelas cotas estão achando “justo”.

      Os mais pobres reclamam dos mais “ricos” porque os “ricos” não dão atenção às necessidades dos pobres. Porém, quando os mais pobres aceitam “cotas” que nada mais são do que uma redistribuição de miséria, só mudando quem se dá bem e quem se dá mal, fica evidente que o interesse dos cotistas não é “justiça” e sim “se dar bem”, que é a mesmíssima moralidade (ou falta de moralidade) da qual reclamam dos “ricos”.

      Quando o “rico” se dá conta de que o pobre age do mesmíssimo jeito que critica, desde que com isso se dê bem, quando o “rico” percebe que o pobre age do mesmo jeito que ele quando pode, tudo se resume a uma questão de poder, na qual a moralidade não tem espaço. E é assim que mergulhamos na luta de classes inventada pela esquerda… Que usa expedientes como cotas justamente para fomentar o ambiente de conflito social no qual ela sabe prosperar e no qual ela se enriquece às custas dos otários que manipula. Pesquisa quanto o Lula e os filhos do Lula têm de patrimônio.

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      (*) Coloquei “ricos” sempre entre aspas porque os ricos de verdade não estão nem aí para esta história. Quem se ferra mesmo é a classe média, aquela que a Marilena Chauí odeia e é aplaudida pela esquerda por dizer que odeia.

      E quem é rico de verdade não está nem aí para cotas.

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