Eu sou um radical de centro na política. Foi muito interessante descobrir que, embora um pouco menos radical que eu, Arnold Schwarzenegger também é um político centrista. Eu e ele partilhamos muitas posições políticas. Recomendo a leitura destes trechos selecionados da autobiografia dele. 
Arnold

Minha condição de imigrante foi um dos obstáculos que precisei contornar enquanto cursava a faculdade. Eu tinha um visto de trabalho, não de estudante, de modo que só podia estudar em meio período. Nunca podia fazer mais de dois cursos ao mesmo tempo em uma faculdade só, então tinha que ficar trocando de instituição. Por isso, estudei também no West Los Angeles College e fiz cursos de extensão no campus de Los Angeles da Universidade da Califórnia (UCLA).

Percebi que isso seria problemático se eu quisesse obter um diploma, pois teria que vincular todos esses créditos entre si para poder validá-los. Meu objetivo, porém, não era um diploma. Tudo o que eu precisava fazer era estudar o máximo que pudesse no meu tempo livreaprender como os americanos administravam seus negócios.

(…)

Bem mais tarde aprendi que, quando você põe a mão na massa, os princípios do laissez-faire por si sós não dão conta do recado. Existe uma brecha entre teoria e prática. Do ponto de vista estrito do investimento público, faz sentido aplicar dinheiro do contribuinte em programas de
reforço escolar se você quiser evitar o gasto de muitos dólares mais à frente com a prisão de criminosos.

Não se pode fazer uma família pobre arcar sozinha com os custos causados por uma criança deficiente. É preciso que haja uma rede de proteção social. É necessária a existência de investimentos para o bem público.

(…) 

Ao visitar as escolas, vi que não bastava crescer como cidadão americano. Nos bairros pobres das grandes cidades, as crianças sequer se atreviam a sonhar. A mensagem que recebiam era: “Nem adianta se dar a esse trabalho. Você nunca vai conseguir. Você nasceu para perder.” 

Tentei pensar no que eu tinha e aquelas crianças não. Também vinha de uma família pobre. No entanto, sempre tive gana de conquistar meus objetivos, e meus pais me incentivaram e me ensinaram a ter disciplina. Tive uma educação sólida em escola pública. Depois do colégio, fazia aulas de esporte com treinadores e parceiros de treino que serviram de modelos de comportamento para mim. Tive mentores que me disseram “Você vai conseguir, Arnold”, e que me fizeram acreditar nisso. Eles passaram o tempo todo do meu lado, me apoiaram e me fizeram crescer. 

Quantas crianças de bairros pobres contam com esses recursos? Quantas aprenderam a ter disciplina e determinação? Quantas receberam incentivos que lhes permitissem vislumbrar o próprio valor? 

Pelo contrário: essas crianças tinham crescido escutando que estavam encurraladas. E elas podiam ver que a maioria dos adultos à sua volta estava na mesma situação. As escolas tinham poucos recursos, os professores viviam exaustos e nem sempre eram os melhores e havia poucos mentores. As famílias eram pobres e as gangues estavam por toda parte. 

Queria que aquelas crianças sentissem a própria determinação, a própria ambição e esperança, e conseguissem chegar à mesma linha de largada. Nunca foi difícil trabalhar por essas crianças, nem pensar na coisa certa a dizer. “Nós amamos você”, eu dizia. “Vamos cuidar de você. Você é incrível. Vai conseguir. Acreditamos em você, porém o mais importante é você acreditar em si mesmo. Há milhares de oportunidades à sua espera: você só precisa tomar as decisões certas e ter um sonho. Você pode ser tudo o que quiser: professor, policial, médico – nada é impossível. Pode ser uma estrela do basquete, ator. Pode ser até presidente. Tudo é possível, mas você tem que fazer a sua parte. E nós, adultos, temos que fazer a nossa.” 

Arnold Schwarzenegger, Republicano, ex-governador da Califórnia. 

É nessas mesmas coisas que eu acredito: o Estado tem que fazer o investimento na base, fazendo sua parte para gerar um ambiente de sucesso, mas quem tem que ter disciplina e determinação para ir atrás de seus objetivos é o indivíduo. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 16/02/2014

47 thoughts on “Arnold Schwarzenegger fala sobre o sucesso

  1. “Tanto esquerdistas quanto direitistas reduzem a vida a um conglomerado de interesses e relações financeiras. Nenhum dos lados se importa com o aspecto mais importante da vida. Estão tão ocupados pensando em dinheiro e nas relações com o dinheiro que passam por cima de tudo e de todos em nome disso. As pessoas não conseguem perceber que tanto o capitalismo quanto o comunismo reduzem os seres ao que eles possuem ou ao que podem possuir. Você não é mais um indivíduo, uma pessoa, alguém. Você é apenas o que pode comprar ou produzir.
    No comunismo, os “meios de produção” pertencem ao monstro estatal e a dignidade das pessoas depende de sua adesão ao modelo de “capital e trabalho” proposto pelo Estado. Você só é gente na medida em que, utilizando os meios de produção do Estado, produz bens de consumo e riqueza para o Estado. O Estado então, decide para onde vão os bens produzidos e em que quantidade eles devem ser recebidos. Você vai receber não o que produziu, mas sim o que o Estado acha que você deve receber. Você não existe como indivíduo. Só existe como máquina de produção.
    No capitalismo você é também uma engrenagem de fazer dinheiro, mas, o dinheiro fica para sua empresa, sua loja, seu comércio, sua instituição ou seja lá o que for, que o distribui na quantidade que lhe é conveniente e para quem acha adequado para integrar sua grande engrenagem de fabricar dinheiro. Na empresa você não existe por ser quem é. Você só existe na medida que consegue vender, negociar e atender aos interesses de quem quer dinheiro ou de quem deseja comprar os bens que sua empresa produz.
    Se você é dono de uma empresa, você tem o sócio inútil chamado governo. Ele também quer uma mordida do que você produz. Aliás,você só pode “fabricar” seu próprio dinheiro se pagar a “proteção” do Estado, como muitas máfias fazem por aí. Você só é gente se vender ou prestar serviço o suficiente para comprar muitos bens de consumo. Você deve tratar seus funcionários como peças de uma engrenagem ou, fatalmente, será engolido pelo “mercado”. Os impostos o afogarão e a “concorrência” o atropelará. O que quer o MST ? Terra para poder plantar, vender e fazer dinheiro. O que querem os “movimentos de inclusão social”? Querem que os que não têm dinheiro acabem tendo e que, mesmo sem dinheiro, possam ter acesso aos bens que o dinheiro pode comprar.
    Há alguma nobreza nisso? Algum valor elevado, espiritual ou transcendente? Nada. Só dinheiro. É certo que todos devem ter o que comer e onde morar. É certo que as pessoas devem ter oportunidades. Mas, isso não pode resumir todo o sentido da vida. A vida não pode ser reduzida a uma busca frenética por bens de consumo, status e aparência.
    No fundo, a esquerda e os capitalistas defendem os mesmos valores: aqueles que conduzem ao dinheiro, de forma direta ou indireta.”

    1. Bom, eu não vou debater com control-c-control-v. Esse texto foi tirado do blog “budismo aristocrático”: http://chakubuku-aryasattva.blogspot.com.br/2012/02/direita-esquerda-ou-centro.html

  2. “Esquerda e Direita precisam ser destruídas para que o governo verdadeiro seja realmente instalado.
    Tanto esquerdistas quanto direitistas reduzem a vida a um conglomerado de interesses e relações financeiras. Nenhum dos lados se importa com o aspecto mais importante da vida. Estão tão ocupados pensando em dinheiro e nas relações com o dinheiro que passam por cima de tudo e de todos em nome disso.”

  3. joaquim salles

    22/02/2014 — 12:54

    André

    Um lembrete (e quase uma piada pronta): na vida o primeiro e, na sequencia, “ultimo” herdeiro é o Estado. É o primeiro a receber a herança ( se for positiva) via TCMD – recebe antes dos outros herdeiros – e o que fica com tudo caso não tenha herdeiros ou testamento. Logo o Estado não é só sócio de empresario, é seu sucessor nos lucros 🙂

    1. E não há alternativa a algum tipo de Estado. Não se quisermos ter uma civilização.

  4. Esqueci da postar a fonte, foi nal..

  5. O corpo do ser humano nos dá a exata medida das nossas necessidades básicas. E para que sejamos alertados quando estas não estão sendo supridas, nosso corpo nos envia caridosamente a DOR !!!

    Então, na minha humilde opinião, tudo que for além de evitar a mossa “dor física” é simplesmente desnecessário, firula, contos de fada ou manipulação.

    Assim, se mantivéssemos apenas a nossa dor física como farol… evitaríamos esse turbilhão de discussões inúteis que só servem para nos tirar a paz e nada nos trazem além de enormes frustrações!

    1. E o que tem isso a ver com o texto?

  6. Eu sabia que não estaria ao seu alcance.. mesmo assim tentei…rsrsr…

    Desenhando…
    O que tem a ver com o seu texto???
    Tudo !!!
    Enquanto vcs se apoiarem em teorias patéticas, ultrapassadas e filosofias baratas … e não derem relevância somente àquilo que a tem…como, por exemplo, tentar suprir ao tal do ser humano ao menos as suas necessidades básicas para sobreviver “sem dor”… que é, afinal, o que os demais animais e seres vivos fazem.. kkk… as suas discussões de esquerda e direita, capitalismo e comunismo e por aí a fora… não servirão de nada!!!
    Aliás, elas não servem mesmo de nada em si mesmas… rsrs… Quanta perda de tempo!!! aafff…

    Ao menos tentem criar algo novo… além de eternizarem “aquela velha opinião formada sobre tudo… ou seja, sobre nada”!!! kkkk…(Raul)

    1. Ah, agora eu entendi. Eu postei a fórmula de um dos homens mais bem sucedidos do mundo para “tentar suprir ao tal do ser humano ao menos as suas necessidades básicas para sobreviver ‘sem dor'”. Como tu não concordas com a fórmula, resolveste adjetivá-la de “patética, ultrapassada e barata” sem qualquer fundamento e sem apresentar qualquer alternativa. Agora ficou claro.

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